Queria descansar um pouco, somente recostar meu corpo e fechar os olhos, mas acabei pegando no sono e tirei um breve cochilo. A mão de Bruno balançava suavemente meu braço me chamando para jantar.
-Vem, vamos lá. - Ele levanta e estica a mão.
-Quanto tempo dormi? - Pego a sua mão para me ajudar a levantar e logo depois esfrego os olhos.
-Talvez uma hora, duas. - Ele da de ombros.
-Amanhã minha coluna vai estar horrível. - Já doeu só de imaginar a dor.
Bruno ria, todo bobo, enquanto me puxava para o jardim. Arqueio as sobrancelhas, no mínimo muito surpresa, e ele me olha, ainda sorrindo.
- Lindo, não é? - Bruno ainda me puxou, paramos, e sua mão colocou uma mecha só do meu cabelo para trás , dando um terno sorriso, e encarando meu rosto atentamente. - Vem, Amber.
Balancei a cabeça positivamente e o acompanhei. Seu jardim é lindo, e a vista que tem dali é incomparável. Quantas pessoas tem esse privilégio? Aqui é Hollywood Hills, e é bem na parte alta, da pra sentir o céu me tocar. O céu estava laranja, contrastando com a toalha branca, numa pequena mesa quadrada, um pouco distante da piscina, bem ao meio da grama.
- Que lindo.
- Eu ajudei a cozinhar! - Bruno disse, animado. - E eu fiz a sobremesa quase sozinho.
Rio, olhando para ele , para a mesa e antes de voltar a olhar pra ele, caiu a ficha.
- Não entendi.
- Eu cozinhei? - Ele puxou a cadeira para me sentar. - E fiz a sobremesa?
- Não. - Rio como boba. - Eu não entendi o porquê da mesa e tal. - Gesticulei com as mãos.
- Ah. - Ele coça a sua nuca, meio tímido. - Só quis... Sei lá, fazer alguma coisa diferente. Fiz errado?
Tenho que dar na cara dele? Fez errado? Sério? Isso aqui é perfeito. Penso comigo mesma.
- De maneira alguma.
+++
Depois do lindo jantar, e do por do sol se aproximando mais e mais, sentamos na grama. Bem, na verdade Bruno estava com as pernas esticadas na grama, usando as duas mãos como apoio para manter seu corpo sentado. Eu estava deitada, olhando o lindo sol que já se punha, sentindo a grama por baixo de mim, estava fresco ali e eu não estava nem um pouco afim de levantar, ou entrar para a casa.
-Bruno. - O chamo.
-Oi? - Ele respondeu, parecendo voltar de outro mundo.
-Canta pra gente, por favor? - Peço timidamente.
Ele ri, puxando as pernas para sentar como índio.
-Meu cachê é caro. - Rio e ele se levanta. - Vou buscar o violão, espere ai?
Bruno entrou para a casa enquanto eu observava mais o céu. Escurecia aos poucos, e estava ficando bem estrelado, iria ser uma noite muito bonita. Na minha cabeça tudo estava as mil maravilhas. Eu vi meu filho hoje, não como eu esperaria, queria poder pegar ele, tocar na sua pele, beijar o seu rostinho, nana-lo até ele pegar no sono em meu colo. Mas me contento por enquanto em vê-lo naquela pequena tela, sem privacidade.
Nem percebi quando Bruno sentou-se na grama e colocou o instrumento sobre o colo.
-O que você quer que eu cante?
Fiz uma careta pensando em algo legal que ele poderia cantar. Sentei-me fazendo um esforço maior e fiz uma careta.
-O que você quiser. - Passo a mão pela barriga. - Sua voz acalma ele... Me acalma.
Acalma ele realmente, e me acalma. Mas serei idiota senão admitir que sinto ciúmes, porque nosso pequeno chuta apenas quando Bruno está por perto, quando Bruno está falando, quando Bruno toca na barriga, quando Bruno... Tudo Bruno!
-Não sei o que tocar. - Bruno sentou-se ao meu lado, e ainda meio com medo, tocou na minha barriga. - Será que você vai gostar de Elvis? Ou, sei lá, James Brown?
Rio, ajeitando minhas pernas que já estavam quase dormindo.
-Ele provavelmente vai gostar de coisas coloridas por um bom tempo.
Bruno começou a dedilhar o pequeno instrumento. O som era bem tranquilizante, fazia acalmar e sr fechasse os olhos, eu me sentia no Havaí. Bateu as unhas na madeira e olhou para mim, sorrindo de canto.
-Será que ele vai ter os meus cabelos?
-Eu espero que não. - Rio alto e ele coloca a língua.
-Mas, sério. Será que ele vai parecer comigo? Imagino um mini-eu andando pela casa. - Ele gesticulou a casa, apontando o polegar sobre os ombros.
-Espero que ele puxe a sua voz. - Fui sincera. - Ser filho de um cantor e puxar a voz da mãe, é uma infortunada falta de sorte.
-Amber, você desenha rosto bem?
-Sim, acho que sim. - Balanço a cabeça em concordância. - Por que?
Ele não me respondeu, apenas levantou, colocando o instrumento de lado, e correndo para a casa. Olhei para o céu, que estava lindo e bem estrelado. Bruno voltou com um caderno e algumas folhas soltas, e um lápis. Me entregou, e se sentou onde estava. Ele deitou na grama, apoiando a cabeça com as mãos e olhando para o céu.
-Desenha um rosto bem redondinho.
-Hã? - Pergunto confusa.
-Desenha meu bebê, Amber! Por favor.
-Ah. - Preparo o lápis e passo a mão na folha para tirar qualquer pequena sujeira que possa atrapalhar. - Tudo bem.
-Um rosto bem redondinho, com umas bochechas fofas.
-Hm?
-Uns olhos grandes... - Ele ri, e me olha. Nossos olhos se encontram e eu retorno a olhar para o desenho. - Meus cabelos.
Ri baixinho, mas desenhei como ele pediu. Não sabia desenhar perfeitamente, não era nenhuma obra de arte, mas eu fazia o que podia, e acho que ficava legal. Mas, definitivamente, meu ponto forte são as roupas.
-E o nariz?
-Não consigo imaginar um nariz. - Ele faz uma careta, apertando os olhos.
Me deitei ao seu lado, cuidando minha barriga. Coloquei um nariz qualquer, e fiz mais alguns detalhes.
-Quero covinhas. - Falo, passo a borracha sobre o papel, e me sento novamente, agora Bruno senta-se também.
- Sou o único da família que tem. - Ele se gabou, fazendo uma pose elegante, e eu acabo rindo. Ok, é impossível não rir de qualquer coisa que ele faça.
-Está lindo.
-Obrigada. - Digo dando um sorriso sincero. - E a boca?
Ele sorriu, se ajeitando e se aproximando um pouco de mim.
-Espero que ele puxe os belos lábios da mãe.
-Meu Deus, Bruno! Que cantada terrível. - Rio e ele se aproxima mais alguns centímetros.
-Não foi tão ruim assim.
-Foi sim. - Falo, e pigarreio para imitar a sua voz. - Espero que ele puxe os belos lábios da mãe.
-Eu não falo assim. - Ele se defende, e encosta sua mão na lateral do meu corpo, que já parece trabalhar mais rápido com aquele toque. - Sou uma das vozes mais sexys do mundo.
Ergo uma sobrancelha e fico o encarando. Meu Deus, tenho que parar de sempre olhar pra ele e projetar algo, tenho que parar de vê-lo como homem que eu possa ir pra cama e beijar. Ele é meu amigo. Mas é lindo, e seu corpo relaxado na grama, a surpresa que ele me fez, o modo com o qual está me tratando, e olhando pra mim, não há como resistir.
Fiquei analisando cada detalhe seu, e ele tomou a liberdade de terminar se se aproximar. Nossos narizes se tocaram, pude sentir ele respirar fundo, suspirar. Pousei a mão em seu braço e ele finalmente tocou meus lábios. Deu dois, três selinhos, e sorriu dentre eles. Não poderíamos apenas dar leves beijinhos, sei que nós dois queremos aprofundar.
Nos beijamos delicadamente, e lentamente. Sem pressa alguma, apenas sentindo o gosto, o vento e as estrelas que nos iluminavam. Isso é tão... tão... parece a coisa certa a se fazer. Mesmo sendo errada. Puxo seu lábio inferior lentamente, arrancando dele uma espécie de suspiro. Dei o último selinho antes de me virar para o desenho. Rabisquei uma boca, a boca dele.
Bruno se inclinou e observou tudo.
-Nathan.
-Oi?
-Nathan. - Ele apontou para o desenho. - Significa algo como "dádiva" ou "presente". Li um pouco daquele livro de significados.
-Nathan? - Analiso o desenho e penso exatamente no meu bebê ali.
Bruno tocou meus cabelos, e escorregou a mão para a minha bochecha, virou meu rosto em sua direção e me puxou pelo queixo. Meu corpo estava total e entregue a ele.
-Nathan.
-Sim. - Respondo, e já o beijo levemente.
+++
O pesar da minha consciência doía, parecia bater como a chuva batia nas janelas lá fora. Pego, nas minhas coisas, um bloco de folhas em branco, lápis e borracha. Sento-me na cadeira em frente a mesa e começo a expressar o que sinto naquele desenho. Incrível, minha mãe vivia me dizendo que eu descontava minhas decepções, raivas e arrependimentos, num caderno ou em qualquer folha que eu pudesse ter a liberdade de desenhar. O desespero se deu quando desenhei a face de uma mulher, talvez fosse alguma famosa que vi algum dia na televisão, mas seus lábios lembraram os da minha mãe. Por que tudo tem que ser complicado assim? Queria tanto estar bem como estou e estar com o apoio dela.
A ideia iluminou minha mente. Tomei um rápido banho e vesti uma roupa mais soltinha, e tênis. Eu iria visitar meus pais e minha irmã.
-Bom dia, Marie. - Dei assim que cheguei na cozinha para tomar meu remédio, minha vitamina e comer algo.
-Bom dia. Caiu da cama?
-Quase isso.
Tomei tudo rapidamente bolando algum jeito de Bruno não ver que estou saindo, depois que eu sair ele pode acordar, mas a chuva o fara me impedir, tenho certeza. Peguei minha bolsa com meus documentos, e quando foi até o hall de entrada vi a casinha de vidro com chaves dentro.
Desculpe, Bruno, você irá me emprestar seu carro. Será um sequestro relâmpago.
Dirigi com cuidado e cantando algumas musicas da rádio. Estacionei na frente da casa e antes de descer me preparei psicologicamente para algum tipo de briga ou discussão, sei que ela não deixará tão cristalino esse dia. Abri meu guarda-chuva e fui até a porta batendo três vezes.
-Deus, essa chuva só poderia ser um sinal. - Meu pai abre um enorme sorriso quando me vê ali.
-Pai. - O abraço.
-Porque não avisou que viria? Teria ido buscar você.
-Tive essa vontade repentina. - Sorri de canto e ele abre espaço para eu entrar.
-Quem é? - Minha mãe não tinha me visto até terminar de concluir sua pergunta. - O café está pronto. Oi.
Pelo menos um 'oi' eu ganhei. Meu pai foi ao banheiro lavar as mãos e eu subi para acordar minha irmã. Era estranhamente estranho entrar no quarto dela com tantos posters do Bruno, agora que eu já o vejo todos os dias. Ri baixinho, chegando perto da sua cama, retirando o urso que estava na ponta e sentando ali. Assoprei sua orelha e ela passa a mão no local.
-Seu sobrinho está doido para tomar café, não faça essa desfeita. - Sussurrei e ela reclama algo, abrindo os olhos e sorrindo quando me vê ali.
-Que bom dia.
Me sinto tão amada quando ela me deu um abraço. Esperei-a escovar os dentes para descer. Era nostálgico estar por ali novamente, mas o ar de superioridade de minha mãe faz quebrar o clima nostálgico para o clima "você não é bem-vinda, vá embora". Esperei eles terminarem o café, sentada na sala, até o toque do meu celular me assustar.
-Alô. - Digo.
-Você tem dois segundos pra me dizer onde está. - Diz Bruno, com a voz cansada, em tom de ordem.
-Eu estou na casa dos meus pais. Fiz um pequeno sequestro relâmpago em seu carro, perdão. Mas ele está inteiro. - Rio e não o sinto rir.
-Caramba, Amber, poderia avisar. Fiquei preocupado imaginando o que poderia ter acontecido.
-Mas não aconteceu nada e nem vai acontecer. Nós estamos muito bem.
-Quer que eu vá busca-lá?
-Não precisa, não sei quanto tempo irei ficar por aqui.
-Tome cuidado nessas estradas. Me avise quando vier.
-Ok, papi. - Brinco, e, agora sim, ele ri.
-Beijos.
Ri como boba dele, e expliquei para Violet o porque estava rindo, e ela já aproveitou para dizer que a foto com ele está ficando velha e ela precisa de mais algumas. Meu pai se juntou à nós. Conversamos sobre tudo um pouco, e o assunto principal era minha amizade com o Bruno, como está sendo minha morada lá e o nome do meu filho, claro, além da saúde dele e etc. Às vezes me sinto deixada de lado, como se ninguém lembrasse mais de mim, agora só do meu filho.
Esbarrei em minha mãe quando fui ao banheiro, e ela pediu desculpas, abri um sorriso, mas ele não foi retribuído.
Já passava do meio dia quando fui embora. A chuva aumentava um pouco mais e meu pai implorou para que eu tivesse o máximo de cuidado com a estrada. Prometi ser mais cuidadosa e disse que iria ligar todos os dias a partir de hoje. Me despedi e deixei um abraço para minha mãe caso ela aceite, e peguei o rumo da casa.
Abri a porta e Bruno apareceu como um vulto em minha frente, me olhando de cima a baixo.
-Eu não sou um alienígena. - Aviso. - O carro está inteiro. - Balanço a chave e a ponho no lugar.
-Almoçou?
-Não, vim para almoçar com você.
-Que fofa, mas não pense que esqueci da sua fuga pela manhã.
-Foi por duas, quase três, horinhas fora de casa. - Reviro os olhos e ele bate no meu ombro.
-Poderia ser até a esquina, mas tem que me avisar.
-Captado, senhor. - Bati continência e ele ri.
A mesa estava posta e a comida pronta para ser servida. Bruno puxou a sua cadeira e sentou, eu fiz o mesmo. Comemos harmonicamente, e conversamos até sobre a mudança tão repentina do clima.
-Espero que no meu aniversário não chova. - Ele afasta o prato.
-Normalmente chove?
-Depende, tem anos que sim, outros que não. No Havaí não chovia.
-Esse ano vai fazer algo no Havaí?
-Estava pensando em Vegas, Nova Iorque, ou até um lugar fora dos Estados Unidos, mas acho que para fora será mais difícil por causa dos últimos arranjos musicais e do lançamento da primeira música.
-Violet vai pirar quando souber.
-Não diga para ela o dia, pensei que ela pudesse vir pra cá no dia da divulgação, que tal?
-Ela irá amar, tenho certeza.
-Ok, quando souber de mais detalhes eu te falo.
Ajudei Marie a tirar a mesa e lavar as coisas. Ela está sendo tão querida comigo, tão mãe e amiga, que a abraço sempre que preciso de um carinho. Ela estava parada perto da geladeira, vendo algo no balcão.
-Qual é o segredo para a felicidade, Marie? - Pergunto enquanto brinco com meus dedos na bancada.
-A felicidade está em pequenas coisas.
-Mas porque eu nunca posso ser feliz completamente? - Pensei em primeiro lugar na minha mãe, e depois na briga que tive com o Finn ontem à noite.
Ela me explicou que ser feliz é uma relatividade. Não podemos sermos felizes o tempo todo pois a vida também é feita de altos e baixos, mas devemos sempre buscar a felicidade até mesmo dentro dessas coisas mais sombrias, desses momentos difíceis. Era bom falar com ela, me senti um pouco melhor. Levei meu corpo para a sala, onde Bruno não estava, e deitei no sofá. Se eu contasse para alguém tudo que me aconteceu nos últimos meses, ninguém acreditaria. Diriam que é coisa de livro e filme. Mas não é, é minha vida.
-Hey, Amb. - Ele me chama atenção. - Vou sair, precisa de algo?
-Não, Bruno, obrigada. - Sorrio , sentando no sofá.
-Ligue para a Riley, ou para a Annabelle, peça para virem para cá te fazer companhia. Eu não sei que horas chego, tenho que passar no estúdio com os caras, e essa chuva dificulta o trânsito.
-Pode deixar. Ficaremos bem.
Desculpem a demora! Amo os comentários de vocês. Ah, esse nome do capítulo é de uma música que toca em American Horror Story e eu amo <3 beijos

QUEM FOI QUE ESCOLHEU O NOME MAIS LINDO DO MUNDO PARA O FUTURO BEBÊ MAIS LINDO DO MUNDO?! EU, CLARO, A MAIS LINDA DO MUNDO! Eita, cresceu o ego aqui uahsuhausha.
ResponderExcluirDri, eu amei! Bruno enrolou e não cantou para a Amb, chateada, auhsuha.
Não demora tá? Sei que tá difícil a situação, mas pleeeease não demora! :)