quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Epilogue - Super Bowl



Era uma noite especial. Por vários motivos, mas o imediato, ali, naquela sala, era a felicidade de Bruno. Estrela do Super Bowl. O cantor nunca conseguiria imaginar que chegaria tão longe, e em tão pouco tempo. 

- Bruno, mais cuidado, por favor. - Amber pediu, sorrindo para os dois. 

Nathan e Bruno brincavam, o cantor jogando o menino pra cima, recebendo gargalhadas como resposta. Eram tão parecidos, tanto no físico como na personalidade. Ele jogou o filho para cima mais uma vez, fazendo careta para ele, que como de praxe, soltou uma risada gostosa. 

- Ele ama isso. - Bruno falou, olhando para Amber. 

- Amo. - Repetiu Nathan.

Estavam em Nova Iorque, o frio rigoroso não impedia a festa e folia que sempre acompanhava-os. 

- Vou para o salão, ligo em uma hora, no máximo. - Belle, que pareceu pela porta, avisou. 

A loira havia entrado num relacionamento sério com Finn, e estavam muito bem, obrigada. Amber ainda conseguia se lembrar do constrangimento da amiga quando fora contá-la, embora ela tivesse aceito muito bem. Achava o relacionamento dos dois ótimo, Finn sempre merecera uma pessoa boa. Amber continuava sua amiga, afinal, o rapaz era padrinho de seu filho, e Bruno também tentava manter a paz, ao máximo que podia. 

- Hey. - Amber chamou, logo que ela virou as costas depois de se despedir de Nathan e de Bruno, também.  - Você viu a Riley? 

- Ela está se arrumando, no quarto. - Ela apontou a porta por cima dos ombros, e Amber sorriu em agradecimento . 

A porta foi batida delicadamente, e Bruno sorriu para sua namorada. 

- Nathan, diga a mamãe que ela está linda. - Pediu, fazendo o pequeno andar, com pequenos passinhos, na sua direção. 

- Mãe linda. - Ele repetiu,  com os olhos brilhantes, iguais os da mãe. 

- Meu bebê é lindo, maravilhoso. - Ela o pegou no colo e Nathan soltou um gritinho animado.  - Cheiroso. Que bebê gostoso.

Amber cheirou seu pescoço, e ele gargalhou, apertando os olhos. 

- Por que não fala essas coisas pra mim? - O cantor perguntou, abrindo aquele sorriso que ele sabia que sempre desarmava Amber e ela riu. 

- Porque não posso pegar você no colo?! 

- Mas eu posso pegar vocês dois! - Ele passou um de seus braços pelas costas dela e pulou, fazendo-a pular e Nathan rir, como sempre, assanhando. 

- Estou nervoso. - Bruno admitiu, logo que Amber deixou que a criança voltasse para o chão. 

- Por que? - Ela sorriu, tentando confortá-ló, enquanto brincava com o zíper de seu casaco. 

- Eu estou me preparando a meses... E... E se der alguma coisa errada? 

Ela beijou seus lábios rapidamente, deixando que ele sorrisse entre o beijo. 

- Você está se preparando a meses... Está mais que pronto. - Ela apontou para si própria, e depois para o filho, que brincava com alguns carrinhos pelo chão. - Sairá daquele campo como nossa campeão. 

Ela mordeu o lábio inferior, e Bruno riu, segurando seu queixo e dando-lhe mais um selinho. 

- Eu te amo. - Ele sussurrou, olhando firme em seus olhos. Ela sorriu. 

- Eu também te amo. - Sussurrou de volta. - Não há nada para dar errado. 

- Há sim.

- O que? - Perguntou, confusa. 

- Que você não fique grávida novamente. 

Bruno queria ter filhos novamente. Pelo menos mais um, talvez uma garotinha. Crescera com a casa cheia, sabia a importância de seus irmãos, e queria o mesmo para Nathan. 

- Bruno, já conversamos sobre isso. Depois que Nathan completar dois anos, podemos começar a tentar. Ok?

- Eu gosto de ficar treinando, sabe? - Ele riu, pervertido. Recebeu um tapa ardido no braço, e gargalhou, antes de passar o braço pelo pescoço de Amber, observando o próprio filho. 

Amber também queria mais um filho, mas não agora. Sabia muito bem o quanto se virava para conseguir cuidar de Nathan, sem precisar de babá, trabalhar no ateliê, e dar atenção para Bruno. Ela queria, com razão, curtir mais a infância dele, antes de tentar mais um.  

Nathan chora quando seu pai se despede, Amber logo entra para a pequena casa alugada, tentando distrai-lo, enquanto o arrumava para ir para o estádio.  

No fim da tarde, tudo já estava perfeito. Nathan estava um príncipe, feliz no colo de Violet, que estava ao lado de seu namorado. O pai de Amber havia batido o pé, dizendo que não tinha porque vir, mas que iria assistir pela televisão. 

Todos foram para o ônibus, e recebemos escolta de muitas viaturas policiais e helicópteros.
Amber já estava até acostumada com o assédio de paparazzis, e quando desceram do ônibus não fora diferente, apenas cobriu o rosto do seu filho com uma manta, enquanto o deitava em seu ombro. Não que Bruno nunca tivesse postado uma foto da criança, ou que paparazzi nunca tivesse tirado uma foto dele, mas Amber tinha receio que seu filho se assustasse com tantas câmeras e pessoas ao seu redor. 

Em poucos minutos, todos já estavam no camarote reservado para Bruno. Dre chegara carregando as coisas de Nathan, e Amber agradeceu, arrumando tudo em duas cadeiras. 

- Amber, posso pegar o Nathan? - Pede Liam.

Amber torce os lábios.  

- Só sentado, tudo bem?

Liam sentou-se e pegou Nathan, que ria e falava palavras soltas para o primo. 

Conversou com as cunhadas enquanto dava espiadas para ver o que os dois garotos estavam aprontando. Nada de mais, continuavam quietinhos. 

Amber tirava fotos de tudo e de todos. 

O jogo começou, e Nathan parecia lutar contra o sono. Amber se perguntava se a criança sabia da importância daquilo para seu pai, um show daquele porte, um salto em sua carreira. O garotinho aguenta tão firme que ela seria capaz de acreditar que ele sabia a importância daquilo para Bruno. 

O intervalo começou, e em dois minutos o show dele é anunciado. As luzes caíram, e lá estava Bruno, ouvindo gritos de todos os lados, sentindo o coração bater tão forte quanto as próprias mãos na bateria. 

Amber já tinha os  olhos cheios de lágrimas bobas, que insistiam em cair. Seu filho ficou atento a tudo por ali, parecendo reconhecer o pai e batendo palminhas animadas. Abriram um pouco o vidro, para sentir a vibração melhor,  e Amber pôs uma coberta sobre ele. 

Bruno estava tão empolgado para esse show, estava eufórico, cantava para a própria alma.
O show acabou, e depois de vinte minutos que estávamos conversando, rindo e Amber chorando de emoção, os vencedores entram no camarote. Bruno já tinha tirado o terno dourado, e estava falando com seu irmão, mas quando a viu, o ignorou e foi direto abraçá-la. Estava suado e ofegante. 

- Como eu fui? - Perguntou, com um sorriso no rosto. 

- Maravilhoso. - Ela o beijou rapidamente, e Bruno se abaixou para pegar o filho, que abandonara as tias quando viu o pai. 

O cantor beijou o rosto do filho, enquanto abraçava Amber novamente. 

- Obrigada por tudo que fez pra mim, por estar aqui sempre. - Ele diz, e seu filho dá um gritinho. 

- Eu sempre vou estar. - Ela passou a mão por seu topete. - Eu amo você, Bruno. 

- Vocês dois. - Ele beijou rapidamente a bochecha de Nathan, e depois os lábios de Amber. - São a minha vida. 

Todos foram divididos em duas vans. Aconteceria uma after-party, mas Bruno não fez questão de ir, preferia simplesmente ficar em algum lugar que seu filho também estivesse. Havia amadurecido com a chegada de Nathan, e nunca trocaria aquela nova vida por nada.
Por fim, já que o cantor se recusava a deixar o filho, foram todos para um restaurante, aos arredores do centro de Nova Iorque, para comemorar. 

Bruno estava sentado ao lado de Amber, com Nathan no colo. Estavam todos em festa, e o pequeno parecia ter acordado de vez, com os olhos abertos e animados, iguais ao da mãe, tanto no brilho, como na cor. 

O restaurante era requintado, mas não impediu que a folia fosse presente. Bruno estava radiante, e Amber conseguia notar de longe. 

E foi quando todos terminaram de comer, que Bruno soube que era a hora certa. Se levantou, quase derrubando a taça de vinho de nervoso, e pediu silêncio. 

- Pessoal. - Ele riu, mesmo sem ter graça. - Antes de tudo, obrigado por hoje, todo mundo ajudou de alguma forma... Não só os meninos, minha banda, mas... Sempre me apoiando e me dando coragem, então todos ajudaram. - Ele sorriu, parecendo tímido. - Hoje... Foi um dia tão especial... E eu não consigo imaginar um momento melhor para isso.

Ele chamou o filho com a mão, e em um segundo Nathan começou a dar passinhos lentos, se segurando nas coisas, vindo em sua direção. 

- Amber. - Bruno começou, e ela riu, envergonhada. - Eu te amo, muito. Eu... Não consigo me imaginar sem você... E cada dia que passa, eu vejo que você é a mulher da minha vida. 

- Quantas vezes você ensaiou isso, Bruno? - Riley interrompeu, e o cantor pareceu mais envergonhado que Amber. 

- Muitas. - Ele admitiu, e se abaixou para pegar o filho. - Amber, eu quero envelhecer com você, passar cada segundo do resto da minha vida ao seu lado. - Ele tirou uma caixinha vermelha do bolso, e colocou na mão do filho. - Você aceita ficar comigo pelo resto da vida? Acordar ao meu lado todas as manhãs? - Ele deixou que Nathan abrisse a caixinha, e se aproximou dela. - Você aceita se casar comigo, Amber Lucy?

Ela se levantou, e beijou a bochecha do filho, pegando a caixinha. Bruno deixou que Nathan voltasse ao chão, e segurou o rosto dela entre as mãos. 

- O que você faria se eu dissesse não? - Ela sussurrou, e ele riu. 

- Eu te daria mais algumas taças de vinho. - Ele tocou seus lábios com os próprios lentamente. - Mas acho que um beijo já te convence, não? 

Ela sorriu. 

- Sim. 

- Sim para quê? - Ele exigiu uma resposta maior, e ela gargalhou. 

- Sim sobre o beijo. - Ela lhe deu um selinho. - Sim sobre acordar todas as manhãs ao seu lado. - Ela lhe deu outro selinho. - Sim sobre passar on resto da vida com você. - Mais um, dessa vez bem mais longo que os outros. - Sim para o casamento. Sim para tudo. 

Bruno a abraçou, com força.

- Eu amo você. - Ele sussurrou, feliz. - Eu te amei ontem e vou te amar amanhã. E todos os dias. 

Amber sentiu o coração esquentar com aquela frase. Ela sabia que havia feito muitas escolhas para chegar ali. Ela não se arrependia de absolutamente nada. Se soubesse que depois de tudo chegaria aonde estava agora, com uma família completa, com o amor de sua vida, teria passado por tudo sem reclamar nenhuma vez.

- Eu te amo. - Ela respondeu, bem próximo ao seu ouvido. 

Ouviu os amigos e a família baterem palmas na mesas e soube que estava no lugar certo.
Eles eram sua vida, afinal. 

Uma mudança de planos que seria eternamente grata.

++++++

Recadinho (e agradecimentos) finais

Queria fazer de modo que os agradecimentos ficassem menor que o epílogo, mas não rolou. Me inspirei nessa fic há um tempo atrás, escutando Ed Sheeran (Small bump), logo depois Ronan, da Taylor Swift. Fiquei com receios de escreve-lá, pois até então eu tinha feito uma promessa à mim mesmo que iria dar um tempo - promessa essa que nunca se cumpre.

Então, eu fiz o primeiro e o segundo capítulo. Mandei para algumas amigas minhas e elas disseram que estava bom e que eu deveria postar. Assim fiz, e agradeço. Essa fic abriu muitas portas pra mim, além de me fazer conhecer pessoas novas, conhecer pessoas que fizeram outras pessoas lerem. Pessoas que me incentivaram, e que dizem para eu lutar pelo meu sonho.

Agradeço à todos os comentários, sem excessão. Todos me ajudaram a crescer e continuar. Agradeço a Let, que sempre me mandava audios surtando por causa do capítulo, além de ser minha DJ. Agradeço a hooliganz, por ter se tornado minha grande amiga e parceira. Se não fosse por ela, provavelmente esse enredo poderia não ser a mesma coisa do que é hoje. 
Agradeço à todas as meninas, todas mesmo. Algumas que estão comigo desde o tempo da Colorindo Los Angeles. E porra, só tenho a dizer que amo vocês e muito obrigada por ajudarem a tornar meu sonho, parte da nossa realidade!


Próximas fics estão à caminho. Novas histórias, novos personagens. Acho que vão gostar, mas pra saber tem que me acompanhar, hein :p 
Beijos da agradecida e contente, Adriana Nunes! 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Capítulo 64 - Welcome to your home, son

Quando você ama alguém
Seu batimento cardíaco bate tão forte
Quando você ama alguém
Seus pés não podem sentir o chão
Estrelas brilhando todas parecem
Para se reúnirem em torno de seu rosto
Quando você ama alguém
Ele vem de volta para você



Depois de aguentar mais um pouco, que parecia uma eternidade, e de moer as mãos de Tiara e Riley que estavam ao meu lado, um médico aparece em uma das portas de dois lados.

-Familiares de Amber Lucy? - Ele olhou para a ficha em mãos.

-Aqui. - Digo ansioso. O médico dá uns passos para perto de nós, e sorri.

-Você é o pai? - Pergunta ele e eu balanço minha cabeça rapidamente. 

-Quem irá assistir o parto é você, ou outra pessoa?

-Eu? - Me faço a pergunta, olho para as meninas que estão toda bobas e olho para Jaime, que estava abraçada com Violet. Ela balança a cabeça e no fundo do corredor, vejo Finn e Belle chegando. Como essa coisa tem coragem de vir aqui? - Eu irei. - Respondo.

-Me acompanhe. 

Andamos até a porta de onde ele saiu, e vejo uma correria de enfermeiros em uma das portas. Ele pediu que eu me trocasse e colocasse as roupas apropriadas e os sapatos com aquela touca tosca de pano para proteger. Fiz tudo isso e no fim estava me sentindo um médico, até que eu não ficaria tão mal. Fiz o sinal da cruz em mim, e pedi à Deus quando passei pelo corredor e havia uma bíblia fixada, que protegesse meu filho e minha namorada de qualquer coisa, sei que ela tem uma situação de risco, e não posso pensar em perder nenhum dos dois. Peço que minha mãe zele por nós lá de cima, e então o médico chama minha atenção.

-Iríamos tentar sem anestesia, mas no caso dela é perigoso. Vamos tentar o normal, e se não der passamos para a cesárea. 

-Ok. - Quando ele pôs as mãos na porta, onde diz "obstetria 2", segurei o seu braço. - Doutor, tudo vai ocorrer bem, não vai?

-Vai sim, não se preocupe.

A porta abriu e eu vi Amber deitada na maca, com as costas mais inclinadas pra frente, uma cara sofrível e chorosa, gritando de dor. Meu Deus, isso é tão ruim, não quero vê-la sofrendo assim. Vou ao lado dela e beijo a sua testa suada, deixo ela apertar a minha mão com força, sentindo talvez a mesma coisa que Riley e Tiara estavam sentindo agora pouco. Havia uma luz para o meio de suas pernas, e era superprotegido para não vermos e nem pegar nada. Tem uns dois estagiários olhando para ela e anotando algumas coisas, e duas mulheres junto com o obstetra. Ele falava tudo para elas e pedia que Amber empurrasse com mais força, mas ela estava dando o máximo de si. Gritava alto e apertava a minha mão bem forte.

-Vamos, meu amor, você consegue! - Digo baixinho. 

-Tá doendo tanto! - Ela choraminga, com a respiração ofegante. 

-Estamos vendo a cabeça, Amber. Seu bebê está chegando. - O médico diz, sorrindo, e ela faz mais força.

-Mas ela está com anestesia, porque dói? - Questiono o médico. 

-Diversos fatores! Um deles é que ela está fazendo força demais, e isso já dói. 

Peço que meu filho saia de uma vez, por dois motivos cruciais: para que eu o veja e o sinta pela primeira vez; E que Amber pare de sofrer e sentir essas dores, que parecem estar sendo horríveis. Passo a mão na sua testa, e depois na lateral do corpo. Ela encostou a cabeça de vez na maca, fechando os olhos, e eu tive um pequeno ataque cardia.

-Amber? - Digo mais alto, mas ainda escutava suas batidas e o ritmo através do aparelho que estava conectado à ela e ao monitor. 

Ela abre os olhos, grita e faz tanta força que fica completamente vermelha, e então ele avisa que meu filho está vindo e que ela precisa manter esse ritmo. Lutou bravamente, gritando e chorando mais algumas vezes, até eu ver uma coisa branca e ensanguentada sair, ela suspira alto. 

-Nasceu! - Diz o médico, todo bobo.

Eles colocam algo na boca do meu filho, e apertam, e então eu ouço seu chorinho estridente pela primeira vez. Meus olhos se enchem de lágrimas, e eu acompanho, vendo eles limparem meu filho e o enrolarem num pano azul. Amber estava toda mole, e sorria em meio dos olhos vermelhos e inchados. 

-Nosso filho, amor! - Observo ele ser posto no colo dela, e as lágrimas de nós dois caírem livremente. - Bem vindo ao mundo, Nathan, meu filho. - Levo a mão para perto dele, mas não encosto, com medo. 

-Bruno, ele é perfeito. - Ela me olha, preparando seu beicinho para chorar mais. O choro de Nathan estava alto, e sua boca parecia que ia demorar para fechar, seus olhinhos se abriram rapidamente, mas logo fecharam. 

As enfermeiras levaram ele, e então pediram que eu saísse pois precisavam fazer o resto do procedimento. 

Troquei minha roupa, e procurei a saída até o corredor. Quanto mais eu limpava as lágrimas, mais elas caiam. Violet correu em minha direção, me abraçando. Vou com ela encontrar o resto do pessoal, e percebo que o pai dela está ali. 

-Meu menino nasceu! - Digo, abrindo espaço para mais choro. - Ele é lindo, e saudável. 

-E minha irmã? - Violet pergunta, com os olhos vermelhos também.

-Ela está bem. Irá para o quarto hoje mesmo, talvez.

Recebi abraços e muitos parabéns, ligações e felicitações até de pessoas do hospital. Estava ansioso para entrar no quarto, para ver ela, beija-la e desejar parabéns pela criança. Mas, o médico nos avisou que deveríamos ir pra casa, porque em menos de 5 horas não a veríamos, pois ela precisava descansar, e estava sob observação juntamente do meu filho. Fui arrastado para casa, com todos juntos, paramos no estacionamento e fomos nos dividindo nos carros.

-Vocês não iram vir? - Naquele momento eu estava pouco me lixando sobre richas antigas, eu só estava inteiramente feliz. Finn olhou para Belle, que sorriu pra mim. 

-Podemos ir?

-Devem! Vamos abrir um champanhe. - Caminho até a porta do carro.

Meu irmão foi pra minha casa, com a Cindia e o Liam. Logo chegaram Phil e a família toda, todos animados e me parabenizando. Mulheres organizando um chá pós bebê, já que acabamos nem fazendo um chá de bebê de verdade. Falavam e falavam, e me perguntavam como era meu filho, mas não tinha muito o que dizer. Recebi mais ligações de produtores e amigos meus, e para minha surpresa até de Sophie, dizendo que estava feliz por mim. 

Passei a noite roendo unhas, junto de Violet e Riley que ficaram comigo. Me levantei cedo, já que mal dormi e tomei meu banho descansado. Coloquei alguma roupa quente e passei no quarto de Nathan, estou ansioso para tê-lo aqui comigo. Mal posso imaginar que daqui alguns dias ele estará aqui comigo. Marie fez nosso café, eu e as meninas tomamos e seguimos nosso rumo para a maternidade do hospital. Não pude deixar de passar perante a capela do hospital e agradecer à Deus e minha mãe, meu anjo da guarda, por fazerem tudo dar certo dessa forma. Pedi proteção para nós e para todos aqueles que eu amo e Amber também. Queria que a mãe dela tivesse um pingo de compaixão e visitasse ela aqui no hospital pelo menos, para saber se ela está bem e saber sobre o seu neto, sei que isso deixaria Amber feliz, por mais que ela diga que não se importa com ela. 

Pedi para falar com o médico, para ver sobre o estado de Amber, e só recebi notícias boas. Amber agiu bem a tudo, e está acordada no quarto, enquanto meu filho está melhor impossível. Fui autorizado a entrar no quarto e levei os balões que compramos.

-Isso tudo é por causa do Nathan? Oi por mim?

-Para os dois! - Me aproximo dela, dando um beijo de leve em seus lábios. - Como se sente, nova mamãe?

-Eu estou tão bem, e ansiosa pra ver meu pequeno. Você já viu ele? - Ela me observa colocar os balões amarrados ao lado da maca. 

-Ainda não, fui autorizado a ver você primeiro. - Dou outro beijo em sua boca. - Parabéns, mamãe do ano!

-Obrigada, papai do ano.

-Cada vez que me chama de papai, eu imagino uns fetiches, e quando sair da quarentena, eu não respondo por mim. 

-Seu tarado. - Amber dá um tapa no meu braço. 

-Muita gente me perguntou sobre você, muita gente pediu para mandar beijo e abraço e parabeniza-lá.

-Obrigada! - Vejo seu sorriso puro, e deposito um beijo em sua testa.

-Você está incrível. Você foi incrível.

-Quero agradecer por estar ao meu lado. 

-Eu vou sempre estar, já disse isso. 

-Não consigo imaginar outra pessoa ao meu lado sem ser você.

Conversamos bastante, e fiquei feliz por vê-lá sorridente e alegre, falante e bem disposta, porém diz que sente alguns incômodos e falta da barriga que baixou para 80%. A enfermeira adentra o quarto, carregando a sua comida, e depois avisando que daqui a pouco traria Nathan para mamar. 

-Falou com o médico?

-Sim, e nosso é saudável. - Limpo o canto da sua boca que estava sujo. 

-Grande?

-51cm, acho que ele vai ser maior do que nós, amor.

-Qualquer um é maior que nós. - Ela revira os olhos. - O peso?

-Três quilos e alguma coisa. 

-Como alguma coisa? Tinha que saber. - Deu outro tapa em meu braço e então escutamos o barulho da porta. 

Uma enfermeira diferente da outra, trás nosso filho em mãos, embrulhadinho bem pequeno e parecendo tão frágil. Ele estava dormindo, e Amber se ajeitou para pega-lo no colo. Parecia que ela já tinha feito aquilo mais vezes, ou então ter praticado tanto, nasceu para ser mãe. Seus olhos estavam marejados, e ela escutava cada explicação que a enfermeira dava. Ofereceu o peito esquerdo e nosso filho não pegou, tentou mais uma vez, e não deu, então partiu para o outro, tentando arranjar uma forma dele pegar, e no direito ele pegou de primeira. Sugou e Amber ria, passando a mão sobre a sua cabecinha, com bastante cabelo. Os olhos do meu filho se abrem, e ela sorriu pra ele, enquanto eu fiquei como bobo, registrando aquela cena na cabeça, e então passando a mão no meu filho. Depois dele mamar foi  a minha vez de pega-lo no colo pela primeira vez. Nathan abre os olhos e eu digo algo como "é o papai" e ele me encara, ainda perdido, pobrezinho. 

-Os olhos, Amber. - Bato em seu braço de leve. 

-O que tem?

-São esverdeados! - Comemoro lembrando de quando pedi que fossem da cor dos de sua mãe.

-Podem mudar de cor, senhor. - Avisa a enfermeira. - Ele vai levar umas duas semanas para se esticar completamente e começar a enxergar além desse campo limitado que tem agora. 

-Precioso do papai. - O contemplo em meu colo.

+++

Meu filho ainda estava no meu colo. Era impossível parar de sorrir como um bobo para aquele pequeno ser. Ser que se gerou a partir de mim e de Amber. É mágico o poder que sentimos. Não tem explicação. Nathan somente dormia, afinal, o que mais ele poderia fazer?  Olhei brevemente para Aber, que abrigava lágrimas nos olhos e um lindo sorriso na boca.

-Deixa eu segurar ele, amor? - Pediu. Posso ter sido egoísta, mas não queria que ninguém mais segurasse ele naquele momento. Mas, ela é a mãe, ela também é provedora, ela também o ama.

-Você está chorando? - Pergunto encarando o seu rosto. Levanto com cuidado para entrega-lo à ela. Amber não responde, apenas abafa um choro por um riso e se ajeita na cama para que eu possa entrega-lo. - Ele é a minha cara, Amb.

-Ele não se parece com ninguém ainda. - Ela o pega e passa o dedo em sua pequena bochecha. - Ainda é cedo para sabermos. - Sento-me na cadeira, arrastando-a para mais próxima dos dois. 

-Parece sim. - Insisto, fazendo o mesmo que ela, passando meu dedo em sua pequena bochecha. - A cara do papai. 

-Ele é tão lindo. - Amber estava tão emotiva. Ainda abrigava lágrimas em seus olhos. Me inclino para beijar seus lábios lentamente e rapidamente. 

-Lindo como o pai. E como a mãe. - Brinco com ela, e até me aproximei para depositar um beijinho sobre a sua boca, mas o barulho da mensagem atrapalhou. 

Tiro o celular do bolso e vejo que é ligação. Amber arqueia uma sobrancelha, e ri da minha cara para o celular.

-Alô. Quem é? 

-Philip. Ligando do celular da Ash. - Ele estava no estúdio? - Manda uma foto do moleque pra gente. Estou no estúdio, e geral quer ver. 

-Moleque? 

Phil explicou o porque estava lá, e que seu celular estava sem bateria. Assim que desligamos, tirei uma foto do meu filho. E mais uma. E mais uma. Talvez mais algumas muitas. 

-Você é um pai coruja. - Amber se mete. - Para de tirar foto dele, e o deixe dormir. 

-Mais uma... - Abro um sorriso e ela me encara, entediada. - Da minha família. 


Afastei o braço para tirar a foto, o máximo distante que consegui. Coloquei meu dedo no botão e sorri, tirando uma foto da minha família. Amber, eu e Nathan.

Minha família. Deus, como é bom dizer isso. Eu os amo tanto.

+++


Observava meu filho dormir no berço do hospital. As coisas dele e de Amber estavam sobre a cama. Dre estava lá embaixo, do lado de fora, somente esperando para sairmos daqui. Amber ainda estava no banheiro, se arrumando para irmos.

Me afastei do meu filho, e fui até a porta do banheiro. A abri lentamente, e ela estava em frente ao espelho, prendendo o cabelo num rabo de cavalo.

-Merda! Pensei que ainda iria encontrar você nua. - Esbravejo brincando, provocando-a. Sorri, me escorando na porta.

Amber me encarou pelo espelho, colocando a língua pra fora. Gargalhei e me aproximei dela, a abraçando por trás. Encostei o queixo no ombro dela, e sussurrei:

-Ir pra casa agora... Acho que esse negócio de pais está mais real. - Dou um beijo em sua orelha e outro em seu pescoço. - Você tem certeza que não quer a babá?

-Nós damos conta.

-Será? - Pergunto, enquanto ela se vira de frente pra mim.

-Claro que sim. - Esticou a mão com o relicário que dei a ela. Sorri, pegando-o - Coloca pra mim?

Prendi em seu pescoço e dei um beijo em sua nuca. E quando se virou, um beijo em sua boca. Sei que tenho que aguentar os quarenta dias, mas tenho tanta vontade de aproveitar agora mesmo. Encarei o pingente e ela rolou os olhos.

-Pode abrir, curioso.

Segurei o relicário e o abri. O lado esquerdo estava vazio, mas o direito tinha uma foto. A minha foto estava ali. Olhei para ela, com um misto de sorriso e fala.

-Você disse para por foto das pessoas mais importantes. - Ela passou o dedo pelo meu rosto. - O lado vazio é para o Nathan. E esse, é o seu. - Ela apontou para a minha foto.

-Que lindo. - Consegui finalmente dizer.

-Você e o Nathan, minha família.

Beijo seus lábios, num longo e saboroso tempo. Mantive nossas testas encostadas mesmo após alguns selinhos dados. Prendi meu olhar em seus olhos, verdes e lindos, tão sinceros. 
- Eu te amo.

Quando foi abrir a boca para me responder, talvez, ouvimos um chorinho, bem conhecido e que irá se tornar mais conhecido ainda por nós dois. Ela ri, antes de se aproximar da porta.

-Nós também amamos você.

++++



Já estava tudo e todos prontos. Andamos até a traseira do hospital, para evitar possíveis paparazzi que estavam na minha cola desde que meu filho nasceu. Carregava a bolsa do meu filho, e uma pequena bolsa da Amber, enquanto ela levava nosso filho bem enroladinho numa manta branca. E Dre também levava uma bolsa de coisas da Amber, roupas e tudo mais que ela precisou nesse pouco tempo aqui no hospital.

Colocamos tudo no porta malas, e sentamos no banco de trás, eu, Amber e nosso pequeno. Dre arrancou o carro, enquanto eu me encostei na minha namorada, que tinha os braços firmes envolta do meu filho. 

- Ele só dorme. - Reclamo, alisando com cuidado a sua bochecha. - Quero brincar com ele logo.

- Ele ainda é muito pequenininho.  - Ela diz, entre um riso.

- Mas se depender da gente. - Olho para as minhas pernas. - Ele sempre vai ser pequeno.

Ela gargalha, cuidando para não acordar nosso bebê. Já estavamos quase na metade do caminho, e Nathan parecia procurar mama, abrindo e fechando a boca. Fico sorrindo, todo bobo com a cena.

- Acho que ele está com fome.

- Quando chegarmos em casa. - Amber também sorri. - Não tenho tanta prática assim.

- Finalmente dormir em casa... - Começo a rir, me ajeitando no banco. - Não aguentava mais aquela poltrona.

- Você passou a maior parte dividindo a cama comigo! - Amber reclama, em tom de brincadeira.

- Você é muito espaçosa, credo. - Implico com ela.

Jogamos conversa fora o resto do caminho, cuidando com o tom para não acordar Nathan, até que chegamos em casa.

Eu desci, fazendo a volta no carro e pegando meu filho para que Amber descesse. Andamos com passos iguais, até a porta da frente. Entreguei meu filho para ela, peguei a chave e destranquei a porta.

Antes que ela entrasse, encosto no seu ombro, beijo a sua testa de leve, e sobre a manta, beijo meu filho.

- Bem vindo a sua casa, filho.

Oi, gente. Vim aqui pra avisar que amanhã saí o epílogo! Beijos :*

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Capítulo 63 - Hoping to finally meet you




Bruno Pov's

+++

Após a festa do lançamento, um sucesso completo, embarquei para Los Angeles. Não poderia ficar afastado de lá nem por segundos. Havia mais algumas entrevistas, mas essas poderia fazer em LA mesmo, o que facilitava. Ia sobrevoando o caminho até o LAX, enquanto tentava de algum jeito falar com Riley. Queria saber se Amber estava bem e se meu bebê ainda não deu sinal.

Amber Pov's

-Avisa pra ele que nós estamos bem, e que o filho dele está tranquilo. - Balanço a cabeça. Acho lindo a preocupação

-Ele só está preocupado com vocês dois. Fofa essa preocupação.

-Eu sei, mas o bebê está previsto pra daqui há uma semana. - Reviro os olhos enquanto diminuo o ritmo da caminhada. - Quanto tempo mais temos que caminhar? - Respiro rapidamente.

-Uns dez minutos. - Riley olha em seu relógio de pulso.

Agora estou na reta final. Meu bebê nasce em uma semana e eu já estou caminhando para a dilatação ser maior. O médico me elogiou na última consulta que fizemos, disse que sou forte e que me cuidei bastante. Devo isso ao Bruno, que me cuidou durante todo o tempo que precisei. Falando nele...desde que começamos a namorar, nada é problema para nós. Estamos felizes e assumidos entre nossas famílias, que disseram já esperar isso de nós dois.

Ainda há especulações sobre mim, mas eu evito aparecer, evito qualquer coisa desse tipo agora. Um dia, se o Bruno quiser, nos assumimos publicamente para seus fãs, mas por enquanto concordamos em deixar assim, porque nosso filho precisa de paz para crescer. Terminamos de andar e eu fui para o banho, precisava de um urgentemente. Entrei na banheira e tive uma conversa com meu filho, que em breve verei seu rostinho, seus detalhes... A ansiedade mal cabe dentro de mim, a vontade de segurar em meus braços, de sentir seu amor para mim, e dar o meu amor à ele.

Será que esse amor todo é tão normal? Ou é por ser mãe de primeira viagem? Meu filho poderá ser de qualquer forma, gostar de qualquer coisa desde que não lhe faça mal, pode ser parecido com o Bruno, eu deixo, pois seu pai é lindo. Pode ser parecido ao meu pai, ter as características da minha irmã. Quero que ele seja, acima de tudo, feliz. Minha mãe sentiu-se assim quando estava grávida de mim? Provavelmente não. Agora que ele hábita dentro de mim, e eu sinto o sangue de mãe correr nas minhas veias, ainda não consigo entender a forma que minha mãe me tratou e me trata. Porque ela não poderia ficar feliz por mim? Não precisaria dar presentes, nem vir visitar, senão quisesse me ver, mas pelo menos dissesse que estava feliz e me desejava o melhor! Eu vou ser melhor que isso para o meu filho, eu vou ser a mãe que eu nunca tive, eu vou ser melhor amiga, mãe, irmã, tudo que ele precisar. Me dividirei em 50 para conseguir fazer todas as coisas, mas meu filho será criado com amor, com carinho, com dedicação.

-Amb? - Ouço três batidas na porta.

-Entre. - Peço enquanto enrolo a toalha na cabeça.

-Eu estava pensando sobre o atelier...

-Meu Deus! - Pus a mão na cabeça quando volto a posição normal.

Vou caminhando pra trás e Riley rapidamente senta ao meu lado.

-Você está bem? Está tonta.

-Não... Eu estou bem. - Aperto a mão na coxa, sentindo uma dor muito ruim na barriga, como facas entrando.

-Está sentindo dores? Contrações?

-Passou! - Aviso, respirando aliviada. - Acho que foi a primeira contração. - Levo a mão sobre a barriga.

-Meu sobrinho vai nascer. Meu Deus! - Riley beija minha barriga, com um sorriso bobo no rosto.

-Calma, o médico me disse que isso seria normal. - Rio, levantando da cama. - Que horas o Bruno chegará?

-Daqui umas duas horas. - Riley me ajuda. - Amiga, posso falar uma coisa?

-O que? - Passo pela porta depois dela.

-Você está enorme! - Ela ri, livremente.

-Eu estou carregando um ser de 50 cm dentro de mim. Um ser que está pesado, e eu engordei mais de 20kg! - Sorri, forçadamente. - Então sim, eu estou enorme. - Reviro os olhos.

-Ainda bem que Deus me fez lésbica.

-Deus não. Sua atração pelo órgão feminino.

-É...

-Eu sempre tive curiosidade de saber como... - Esperei que ela entendesse, e assim aconteceu. Ela ri, meio perdida e eu balanço a cabeça. - Melhor! Não sei se quero saber.

Bruno Pov's

Nós estávamos na sala, Riley sentada na poltrona e eu no sofá maior com a Amber, que gemia de dor. Segurava a sua mão, para lhe mostrar que estava ali com ela, mas isso é óbvio que não adiantava. Estava sentindo a sua dor ali, e queria tanto fazer algo para que parasse, porque doía em mim saber que ela estava daquela forma e eu não poderia fazer absolutamente nada. Já havíamos posto o carro estacionado na porta de casa, as coisas da maternidade, de Nathan e Amber, já estavam lá dentro. Marie fez algumas coisas para comermos, mas Amber comia um pouquinho e já não queria mais. Queria ir logo para o hospital, mas escutamos as recomendações do médico, sobre ficarmos em cada para esperar o tempo certo, porque no hospital não poderiam fazer nada. Eu estava mais nervoso que ela, confesso, e até as contrações ficassem mais fortes e um pouco mais de tempo entre elas, ai seria o momento de ir, mas isso estava demorando uma eternidade. 

Amber soltou um gritinho agudo e eu gemi de dor junto com ela, como se a dor das contrações viesse pra mim também. 

- Oh, meu Deus... - Sussurro, e largo suas mãos para segurar o seu rosto. - O que você quer que eu faça? 

-  Faz parar. - Amber choraminga.

- Você quer ir pro hospital? 

- NÃO. - Ela berrou, dolorida.

Ouvi a risada de Riley, achando graça da situação. Amber respira fundo, várias vezes seguidas, até que mais um grito invade a sala. 

- De novo? - Bruno pergunto, desesperado. - Quanto tempo passou?

- Não... Sei. 

- Riley. - Jogo a chave do carri para a Riley, que pega e levanta pra já. - Você dirige. Vamos esperar a bolsa estourar no hospital. 

Ajudei Amber a levantar, passando a mão pela sua cintura, e o braço dela sobre meus ombros - se eu fosse um pouco mais forte, a levaria no colo para não ter que estar passando por isso tudo. Ela solta mais um grito, respirando tão fundo quanto das outras vezes. Estávamos quase chegando no carro, era questão de passos. 

- Amor... A gente está quase lá. Só mais alguns passos, por favor. 

E, finalmente, chegamos no carro. Deitei ela no banco de trás, pegando o travesseiro que tínhamos posto dentro do carro. Fiz a volta no carro rapidamente e me sentei, colocando a sua cabeça repousada no travesseiro, em meu colo. Pedi que Riley dirigisse com cuidado, e ela zombou de mim, dizendo que eu estou mais nervoso que a própria Amber. O que não deixa de ser verdade. 

- Bruno... - Amber me chamou, e apertou a minha mão . - Conversa comigo, pra desviar a dor. 

- Hm... Está animada pra ver o Nathan? 

- Muito. - A resposta dela saiu como um grito, acompanhando a mão apertando firme minha. Pobre mão. 

- Estou profundamente desejando que ele tenha olhos verdes. - Apesar de ser uma distração, era uma verdade.

- Tá doendo! - Ela reclama, colocando a mão que não segurava a minha sobre a barriga enorme. 

- Eu sei, eu sei. - Beijo sua testa suada, ficando com os lábios ali por um tempo. - Já vai passar. 

Riley estacionou o carro no hospital, e já desceu para solicitar uma cadeira de rodas. A colocamos na cadeira, com o travesseiro escorado na cabeça, e corremos para entrar no hospital, levando tudo o que tínhamos de documentos da Amber e etc. Uma enfermeira começou a empurrar Amber por uma porta, e eu fui atrás, enquanto Riley ficou para preencher alguns papeis. 

- Ainda não estourou a bolsa? - Pergunta a enfermeira.

-Ai. - Amber grita de dor.

-Não, mas as contrações estão mais fortes. - Aviso-a. 

-Você não pode entrar. - Diz quando íamos passar por uma porta dupla. E Amber gemeu mais um vez. 

-Mas eu sou o pai. - Resmungo, reclamando. Me abaixo para ficar na altura da Amber.

-Ninguém pode entrar por enquanto, no momento certo o acompanhante irá ser chamado.
Suspiro impaciente, querendo desobedecer as regras e entrar com ela mesmo assim, mesmo eles querendo ou não. Ouço uma risadinha de Amber, que é um pouco abafada por um gemido. 

- Não xingue a enfermeira, por favor. - Beijei sua testa, e logo depois seus lábios. - Eu entro o mais rápido que eu puder. - Sussurro pra ela. - Vai dar tudo certo, eu te amo. 

- Eu te amo. - Ela me responde antes de ser arrastada as pressas para dentro. 

Me aproximei de Riley e a vi terminando de assinar os papéis. Ela me avisou que iria passar em casa, já que provavelmente ninguém viria a Amber por um bom tempo. Deixei ela ir e me sentei numa das cadeiras da recepção, pegando o celular do bolso. Mandei mensagens para os mais próximos, avisando onde eu estava e a situação. Recebi reclamações das minhas irmãs por não ter avisado antes, mais cedo, mas como eu iria pensar em avisar alguém daquela forma. Elas disseram que estavam vindo, e que passariam para buscar Violet. 

Levantei atrás de uma lanchonete, peguei um copo de café preto e fiquei atento à qualquer chamado que tinha. Voltei para a mesma cadeira que estava antes e balancei as pernas, ansioso e inquieto por alguma informação a mais. Peguei meu celular novamente, e gravei um vídeo de poucos segundos, balançando as pernas impaciente. Abri o instagram, e postei o vídeo com a legenda "Esperando para finalmente conhecê-lo". Em segundos o vídeo foi postado, e agora, além da América, o mundo todo está sabendo que meu filho irá nascer daqui a pouco.  E que eu sou um pai bobo e babão. Guardei o celular e escorei a cabeça pra trás, fechando os olhos, volta e meia abria para ver o movimento e aquele entra e sai de pessoas de tudo quanto era lado, até ver Violet entrar apressada pela porta. Abri um sorriso largo, me levantando, enquanto via Tiara e Jaime aparecerem logo atrás. Abracei todas elas e sorri, mostrando que estava nervoso. Mas depois de ouvir algumas palavras, consegui ficar menos e pensar numa única coisa: em algumas horas eu irei conhecer o meu filho! 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Capítulo 62 - lingerie beige and nicknames




Amber Pov's

Eu fui fisgada por Bruno há um tempo, temo que terminei com Finn e menti para mim mesma que o motivo seria a falta de fidelidade minha à ele. Fiquei temerosa com todas as coisas acontecendo, e fui me entregando aos poucos ao Bruno, que me acolheu. Entendo o que ele fez quando descobriu, as desconfianças... eu entendo tudo, consigo compreender. Então hoje, quando estávamos sentados a mesa e ele começou a falar tudo aquilo, fiquei com medo de ser mais uma imaginação, ou brincadeira. Me senti vulnerável à ele, e então me afastei para conseguir pensar. Já na cozinha, pensei tanto sobre nós, que fui ao encontro dele.
Me enganei quando, um dia, disse que estava perdidamente apaixonada pelo Finn. Eu não sabia o que era estar apaixonada até conviver com o Bruno e conseguir enxergar meu futuro ao lado dele, pai do meu filho. Sentia por Finn uma grande amizade, mas por Bruno é além de carnal! É sentimental.

Quando estávamos dentro do seu quarto, e eu finalmente disse o que estava em minha garganta, nos beijamos. Ele me segurou nos seus braços me mostrando uma incrível sensação de que eu poderia voar, nada que possa comparar a todas as pessoas pelas quais eu fiquei. Bruno é tão especial, e esse momento está se tornando mais ainda.

-Eu não quero lhe forçar a nada. - Disse quando a sua mão escorregou até minha bunda.

-Eu quero. - Gemo, próximo ao seu ouvido.

-Certeza?

Beijei seu pescoço em resposta. Andávamos até a beirada da cama, e quando Bruno bateu com as pernas, encostando na cama, eu aprofundei os beijos em seu pescoço, transformando em belos chupões de leve e mordidas pequenas, que faziam ele suspirar alto e puxar meu cabelo.

-Amber... - Levo minha mão até o meio de suas pernas.

Me viro, sentando na cama, e ele em minha frente. Abro o botão da sua calça e ele suspira profundamente. Abro a braguilha e sorrio, mostrando que realmente quero fazer aquilo e quero acertar, já que da outra vez provavelmente ele não tenha gostado tanto. Abaixo suas calças, deixando exposta a sua cueca. Passo minhas mãos sobre seu membro e o acaricio de leve.

Quando tirei suas cuecas até a altura dos seus joelhos, ele suspirou mais uma vez, juntando meus cabelos para trás. Pego no seu membro e começo a alisa-lo, masturba-lo, passando a língua sobre a glande, de leve, tentando deixa-lo mais excitado se é que era possível.

Abocanho-o com prazer, fazendo um movimento limitado, somente na glande, e aumentando aos poucos. Conforme eu aprofundava mais o seu membro em minha boca, mais ele gemia, acho que estava fazendo o certo. Mantive o contato com seus olhos, e mantive minha mão o masturbando para ajudar.

-Ah! - Geme tão alto quando tento enfiar todo o membro na boca, engasgando um pouco. - Meu Deus, Amber. - Ele diz, passando a mão nos meus cabelos e forçando um pouco a minha cabeça. - Eu não aguento tanto tempo.

Puxei minha blusa pra cima, tirei meu sutiã rapidamente, e continuei a chupa-lo, mas Bruno entendeu que se ele precisasse fazer o que teria que fazer, seria nos meus peitos. Arranhei a sua barriga, e limitei meus movimentos, deixando bem ralos, para dar mais tesão. Bruno então começou a gemer mais alto, e fechou os olhos, pegando o membro em mãos e despejando tudo sobre meus peitos. Passo a mão sobre o líquido, fazendo uma cara nojenta, e ele ri, se inclinando para me beijar.

-Isso foi incrível! Obrigada. - Depositou um selinho em minha boca.

-De nada. Só queria que tivesse prazer comigo.

-Eu sempre tenho, e quero fazer com que você tenha.

-É? - Dou um sorriso sacana.

-Não faça essa cara de puta doce, Amber. Ou daqui a pouco vamos para a segunda rodada.

Não tento escapar das suas carícias. Deixo ele me despir, ficando completamente nua, com vergonha de estar nas mesmas condições do que ele me encontrou da outra vez. Pensei que teria nojo quando abri minhas pernas, mas ele sorriu, beijando minha barriga, e trilhando até minha intimidade completamente úmida. Começou de leve, com sua língua sedenta, tentando me levar a loucura mexendo bem no meu clitóris, depois passou os dedos e introduziu dois em mim, fazendo arquear as costas, gemendo. Chupou de leve, e investiu com os dedos, aumentando o ritmo. Se ele ficou nisso por muito tempo, eu não sei, mas cheguei no meu ápice rapidamente, sem sentir tanta coisa como pensei que sentiria. Quer dizer, o oral foi maravilhoso, mas pensei que entraria em loucura, mas no final foi apenas normal. Bruno beijou as minhas coxas, depois beijando a barriga, e vindo por cima de mim com cuidado.

-Você é incrível! - Beijo de leve a sua boca.

-Eu sei. - Seu sorriso de lado me desarmou.

-Vai dormir como fez na nossa primeira vez?

-Pra quê dormir quando eu posso deitar ao seu lado e ficar conversando, ou partir para um maravilhoso segundo round.

-Essa ideia de segundo round é boa. - Passo a mão nos seus cachos.

-Não irei machucar o bebê?

-Acho que não, só tente não ir muito afundo.

+++

Ele cai ao meu lado na cama depois do tão dito segundo round. Havíamos feito com tanto cuidado, que mal pensamos em chegar num orgasmo, apenas queríamos nos tocar mais e mais. Me encarou, com um riso exposto nos lábios.

-Uau. - Bruno ri, e me puxa para deitar a cabeça sobre o seu peito descoberto. Passo a unha na sua barriga nua, e ele se arrepia completamente. - Sabe o que eu queria fazer agora?

-Não. - Escutei a sua voz bem próxima ao meu ouvido. Então ele me beija delicadamente, e eu me arrepio. - O quê?

-Hm... - Passou os dedos em meus cabelos emaranhados e se ajeitou um pouco na cama. - Queria te levar no colo para tomar banho, mas... Nathan está enorme, gordo, e eu não sou tão forte assim.

Começo a rir, imagino se ele tentasse nos levar provavelmente cairíamos no chão no mínimo. Beijo seu peito e levanto o olhar o máximo possível.

-Tem que ir para a academia, papai. - Provoco-o e mordisco os lábios.

-Não faz essa carinha, nem me chama de papai enquanto eu não puder ir fundo em você, por favor. Estou aguentando para não partirmos para um terceiro round.
-Você é insaciável, Bruno.

-Deveria ter avisado isso desde o inicio. - Ele beija o topo da minha cabeça. - Já que eu não posso carregar você, está convidada para um banho comigo.

Levanto logo depois dele, mas estaciono sentada na cama. Bruno estava nu, assim como eu também, mas ele parecia não se importar com isso, ergueu as sobrancelhas quando viu que eu o observava. Sorriu e esticou a mão para me ajudar a levantar.

-Você é linda, eu sou lindo, nós transamos, não precisa ficar com vergonha. - Ele me puxou.

Me senti tão envergonhada com ele me encarando completamente nua, minhas bochechas estavam, literalmente, queimando. O olhar dele passou por tudo o meu corpo, e um sorrisinho escapou entre seus lábios. Entramos no banheiro, e Bruno já foi ligando a torneira para encher a banheira.

-Não tem uma dessas no meu quarto. - Resmungo, encostada em um dos balcões.

-Pode usar quando quiser. - Ele despeja algum líquido na água, com um cheiro delicioso. - Se eu estiver usando, principalmente.

Dou a língua para ele, que faz cara de tarado pervertido .

-Esse cheiro é maravilhoso. - Respiro fundo, adorando o cheirinho que se propaga por ali.

-É de rosas. - Bruno passa a mão sobre a cama de espuma que se formava na banheira e estica a mão pra mim. - Vem!

Me ajudou a entrar, e puxou-me quando ameacei sentar do outro lado. Bateu na água, dizendo para sentar entre suas pernas. Sentei lentamente, já que a temperatura da água até acostumar é estranha, e me rescostei nele, que transpassou as mãos  pelo meu corpo, alcançando minha barriga.

-E aí, filho? - Rio, e balanço a cabeça de leve. - Ansioso para vir conhecer o papai?

Acho que Bruno esperava por algum chute, mas não aconteceu. Nathan continuou quietinho, então ele apoiou a cabeça sobre meu ombro, colocando meu cabelo para o outro lado.

-É oficial? - Ouço-o perguntar. - Digo, eu e você? É oficial? Estamos namorando? - Percorre um fio de arrepio sob a minha coluna, se espalhando por todo meu corpo.

-Eu não sei. - Tento virar a cabeça para encara-lo. - Você pediu? Porque estou fazendo um esforço para lembrar. - Rio e ele deposita um beijo em minha bochecha.

-Não acredito que quer que eu diga com todas as palavras.

-Por favor. - Peço.

-Okay... Nathan, pergunta pra mamãe... - Começo a rir enquanto ele falava isso próximo ao meu ouvido, com os olhos fixos em minha barriga. - Pergunta pra sua mãe se ela quer dividir a vida comigo. Quer ser minha... Em todos os sentidos. - Beijou meu pescoço, dando muitos selinhos. - Pergunta se ela quer namorar comigo?

-Com beijos no pescoço e uma banheira confortável, é golpe baixo. - Respondo baixinho.

-Você quer namorar comigo, Amber?

-Vai me deixar te chamar por apelidos broxantes, se eu aceitar? - Pergunto.

-Se você não usar lingerie bege, eu deixo. - Beijou meu pescoço mais uma vez, abafando o riso. - Você aceita? De verdade?

-Hmm... - Faço cara de pensativa, e ele belisca meu braço. Gargalho alto, pondo a mão no local. - Se for para me agredir, não aceitarei.

-Desculpa. - Ele vê meu beicinho esticado, coloca a mão sobre a minha no braço.

-Eu aceito, só me deixe pensar em alguns apelidos.

Seu corpo aperta bem o meu, me envolvendo num abraço aconchegante, sua mão repousa em minha barriga novamente e incrivelmente eu sinto uma conexão. Sussurrou em meu ouvido, com a voz meio rouca:

-Eu, você e o Nathan. Acho que eu posso viver feliz pelo resto da vida, sim? - Esperou uma confirmação minha. Balanço a cabeça de leve. - E você?

-Acho que eu também.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Capítulo 61 - Happy


Cheguei em casa em torno das seis horas. Riley estava na sala, e quando apareci, ela avisou que teria que sair e que voltaria tarde. Agradeci por avisar e perguntei sobre a Amber. Fui até o seu quarto, e a achei sentada na cama, olhando para um caderno de desenhos, com expressão ansiosa, mas duvidosa ao mesmo tempo. Fecho os olhos, e fico ali mesmo. Imagino como seria uma vida ao lado dela, criando nosso filho juntos... Balanço a cabeça negativamente e rio, baixinho, mas não o suficiente para não alerta-la de que estava ali.

-Bruno! - Vejo um sorriso grande se abrir, ela se prepara para levantar.

-Eu! Espere que eu vou ai. - Incrível uma semana e meia que fiquei fora, e meu filho já está maior, e ela está tão radiante. - Tudo bem? - Pergunto enquanto a abraço de mal jeito.

-Tudo! - Responde com um sorriso. - E você? Está há muito tempo aqui?

-Cheguei faz uns... - Olho para o despertador relógio ao lado de sua cama. - Meia hora.

-E estava rindo de mim há quanto tempo?

-Eu não estava rindo de você. - Balanço a cabeça de leve, sorrindo em meio de uma risada boba, e ela arqueia a sobrancelha. - Vamos jantar o que?

-Você que sabe. Pergunte para a Riley...

-Riley foi sair, não sabe que horas irá voltar!

-Cretina! Deve ter saído com a namorada, ou sei lá do que chamamos.

-Ainda acho estranho falar dela com outra mulher.

-Porque? - Pergunta, se ajeitando na cama.

-Porque, sei lá. - Dou de ombros. - Só é estranho. Vou pedir a comida.

Me perdi dentre os números de restaurantes. Queria poder leva-la para algum lugar, mas eu quero resolver tudo, tenho tantas questões para fazer que preciso saber de uma resposta pra me sentir um pouco melhor. Ligo para o serviço de comida italiana, e encomendo.

Sinto uma confusão dentro de mim, principalmente depois que fui para Nova Iorque. Duas semanas, praticamente, longe dela e longe do meu filho, me deixaram mal. Fiquei tão pensativo sobre tudo que está acontecendo e que aconteceu. Se fosse outra pessoa que estivesse carregando o meu filho, seria diferente. Poderia ser pior, mas Amber entende tudo ela consegue olhar o seu lado sem deixar de ver o meu, sem deixar de ver o que suas decisões irão afetar. Ela é humana o suficiente capaz de amar e sentir pelos outros. Amber se coloca pra baixo de uma maneira irreal. Ela é mais do que isso, e consegue ser bem melhor do que esperamos. E eu preciso disso acima de tudo, e eu vou arriscar!

Arrumei a mesa, do mesmo jeito que minha mãe arrumava quando era alguma ocasião especial. Larguei os brinquedos e roupinhas no quarto de Nathan e andei até o quarto de Amber.

-Eu pedi comida italiana. - Adentro seu quarto, depois de sua permissão.

-Ok. Obrigada. - Sorri, apoiando para levantar-se.

-Amber? - A chamo, e seu olhar me acompanha. - Pode ser italiana mesmo? Ainda posso trocar. Chega bem rápido.

-Bruno, está ótimo.

-Certeza?

-Sim. Porque está tão nervoso? -  Ela já estava perto de mim quando perguntou isso. Passo a mão na lateral do meu corpo, suando.

-Eu não estou nervoso. - Respondo ajudando-a a descer as escadas.

-Bruno, o que foi? - Amber ri, e eu não sei o que dizer. Acho que realmente posso estar mostrando nervosismo. Mas não queria.

Nego, dizendo que não ouve nada, e continuamos a descer. Estava tudo pronto, e Amber se encantou quando viu o que preparei, mas mantinha um ponto de interrogação no olhar, sustentando a dúvida do sobre o que se tratava toda aquela produção. Queria ter levado, realmente, ela a algum restaurante, mas se eu falar algo, prefiro que não seja tão aberto, queria algo mais privado e nada melhor do que o conforto da própria casa. Isso se sair algo da minha boca, pois dessa forma que estou, duvido. Tenho medo do que possa ouvir dela.

Busquei a comida na porta e peguei vinho sem álcool para nós dois. Servi a comida e o vinho, e Amber ficou toda boba, pegando a taça em mãos.

-Qual é a dessa arrumação toda? - Olhou para a mesa e para o vinho.

-Apenas coma. - Sorrio, sendo retribuído lindamente.

Beberico o vinho, dentre uma garfada ou outra, atento à todos os detalhes de Amber. Ela percebeu que eu a observava, corou o rosto num vermelho leve e abriu um sorriso de leve, sem mostrar os dentes, denunciando mais ainda a sua vergonha. Ela me empurra, no braço.

-Você está linda. - Digo erguendo as duas sobrancelhas.

-Eu estou gorda. - Revira os olhos, gargalhando.

-Está linda. - Repito.

-Obrigada. - Abaixou a sua cabeça e eu a encarei, levando minha mão até sua barriga.
-Vermelha fica mais bonita ainda. - Amber vira o rosto para o lado, reprimindo um sorriso, morrendo de vergonha.

Colocou a língua pra fora, de brincadeira para mim. Terminamos a janta minutos depois, e eu estava soando frio, com medo de falar algo e estragar tudo, mas eu preciso descobrir se é isso que estou sentindo, mas tenho tanto medo dela dizer algo que eu não queira ouvir. Respiro fundo, pensando que aquele era o momento, precisava aproveitar. Seguro a sua mão quando ela larga os talheres ao lado do prato, e chamo a sua atenção.

(Música)

-Você está gelado.

-Estou nervoso. - Arregalo os olhos, levemente.

-O que aconteceu?

-Amber, você gosta de mim? - Preferi ir diretamente ao assunto. Ela se assustou, arregalando os olhos. - Nada sério, Amb. Mas você gosta de mim? O suficiente para não sair correndo quando o Nathan nascer?

-Que pergunta é essa? - Ela ri.

-Me responda. - Aperto um pouco mais a sua mão.

-Bruno, você acha que eu teria vindo morar aqui se eu não gostasse de você?

-Então você gosta. - Sorrio, um pouco mais aliviado, talvez. - Mas, pensa em sair daqui quando o Nathan nascer?

-Talvez! Eu não quero viver empatando a sua vida. Assim que ele nascer vou começar a tomar algum rumo, achar algum lugar, para devolver a sua privacidade.

-Porque? Essa casa é grande demais. - Gesticulo o espaço com as mãos. - Dá para nós todos.

-Eu sei, mas um dia vai enjoar...

-Não diga isso, pois eu não vou. Você faz com que os dias nunca virem rotinas chatas. Não é a mesma coisa quando você não está, é como se faltasse metade do que eu realmente sou.

-Tá legal. - Ela puxou sua mão de leve. - O que é isso?

-Eu gosto de estar na sua companhia, ao seu lado, perto de você. - Ameaço a gaguejar, mas seguro essa ansiedade de falar tudo do nada.

-Eu também gosto de estar com você. Senti muitas saudades sua quando foi para Nova Iorque. - Meu coração palpita rapidamente.

-Você sabe do que eu estou falando, não é, Amber?

-Eu não sei. - Ela balança a cabeça. - Desconfio, mas tenho medo de estar pensando errado.

-Não, você não está. - A olho firmemente.

-Estou tentando entender então.

-Amber... A vida é assim mesmo, feitas de altos e baixos, pra alguns existe mais baixos do que altos, mas até assim as pessoas tem altos. Entende? - Continuo minha explicação enquanto ela olha-me confusa. - Quando eu soube pensei que seria um baixo na vida, afastei-me dos meus compromissos e não honrei meu nome com você, mas eu não quero ser essa pessoa! Eu me dei de conta o quão maravilhosamente duas pessoas podem me deixar feliz e completo. Eu quero vocês na minha vida! - Encostei de leve em sua barriga e ela arrastou a cadeira um pouco pra trás, franzindo a testa.

-Que?

Eu sou um imbecil! Penso comigo mesmo.

-Isso, Amber. - Respiro fundo. - Se eu pudesse desejar uma coisa, eu desejaria você.

-Onde mudou tudo isso? - Ela estava nervosa. - Quer dizer, eu ainda estou tentando entender, está confuso. - Balançou a cabeça, levando a mão nela.

-Isso começou talvez desde o instante que você me poupou de escândalos. Percebi que era diferente, que era melhor. Depois nós fomos pegando amizade, e você veio pra cá, só que os beijos diários, e a nossa transa, não foi em vão. Eu estava alimentando algo que não sabia que existia.

-Bruno...

-E toda a vez que eu cantava, eu percebia que a única opinião que me importava era a sua. - Levanto da cadeira, me abaixando a sua frente, pegando a sua mão que agora também estava gelada. - Eu poderia ter qualquer uma, sair por aí procurando alguém, mas eu não quero. Eu quero você, entende?

-Eu estou confusa.

-Desculpe... - Baixo a cabeça e ela puxa a sua mão.

-Vou tirar a mesa. - Ela pede licença para que eu saia da sua frente e assim eu faço.

Amber saiu, pegando os pratos e o resto da louça que estava sobre a mesa, e eu ainda fiquei ali parado, feito um idiota, me martirizando por ser tão otário. Quando foi que eu pensei que ela sentiria algo por mim? Mas parece tão intenso que achei certo tentar. Queria apagar isso da minha cabeça, se sentir apaixonado é uma droga. Você tem tendências à ser um idiota, continuar sendo, e mais ainda quando se declara. Amor deve ser algo pra guardar dentro de si, porque se for para sentir esse vazio e essa angústia que estou sentindo agora, é preferível que sofra sozinho. Como eu vou encara-la? Como vou dizer bom dia sem sentir vergonha de pensar em beijar a  sua boca, quando na verdade ela quer um beijo na testa. Amber é a mãe do meu filho, é minha amiga... É tão injusto isso.

Ela não voltou, mesmo depois de dez minutos. Então peguei meu celular e saí da sala-de-jantar. Andei para a sala e de longe encarei a escada. Posso ir pro meu quarto e dormir, acho que é a melhor opção.

Subo devagar, passando a mão no corrimão. Vou ignorar isso que aconteceu, vou agir como se não tivesse dito nada. Aliás, onde estava minha cabeça? Ela deve gostar do Finn, e eu a pressionando. Passo pelo corredor, abrindo a porta do meu quarto, a empurro sem nem olhar e caminho em direção a cama, mas a porta não fez barulho.

-Au! - Amber ri. Giro os calcanhares em direção da porta e ela está lá. Tive calafrios sem explicação.

-Se machucou? - Chego mais próximo dela.

-Não, só bati o dedo. - Ela me mostra o dedo indicador meio vermelho por ter batido. - Já ia dormir? - Havia ficado um silêncio estranho entre nós.

-Estou cansado. Nova Iorque levou minhas forças. - Rio para descontrair.

-Bruno... - Meu peito se aperta quando sinto que ela falará algo a respeito do que falei pra ela.

-Não precisa se desculpar... - Digo, e dou um passo pra trás. - Eu me precipitei, eu sei. Você ainda pensa no Finn, eu sou um idiota. Desculpa. Vamos agir como se aquela conversa não tivesse existido, ok?

-Ok.

Ok? Não! No mínimo ela tinha que me intervir, falar algo que queria acrescentar ao meu discurso patético de gostar, e não a bosta de um ok que concorda que não iremos falar sobre aquilo!

-Só queria dizer obrigada. - Sorriu, baixando a cabeça. - Por ter me abrigado, me acolhido, confiado em mim. Você fez muito por mim, e eu sou extremamente agradecida.

-Não tem de quê. Você merece.

-E é por você ser maravilhoso  que eu não quero deixar de sentir isso.

-Sentir o que?

-Esse friozinho na barriga quando chego perto de você. Esse frenesi que meu corpo se remete quando nos encostamos. - Ela adentra meu quarto. - Você teria milhares de mulheres para se apaixonar, e se apaixonou logo por mim. - Ela torce os lábios. - Fico feliz que tenha sido por mim, pois não saberia o que fazer alimentando o gostar de você sabendo que não sentia a mesma coisa por mim.

-Amber? - Queria entender se o que eu escutei era realmente real. Ela balança a cabeça concordando, deixando os olhos marejados. Eu sou homem, mas os meus olhos ficaram da mesma forma. - Você vai me deixar te amar?

-Eu acho que sim. - Ela diz tímida.

-Vou fazer você sentir por mim o que eu já sinto por você. - Dou três passos e fico na sua frente.

-Eu já sinto, Bruno. É intenso e muito forte. Constatei isso momentos depois que fiz a ligação para o Finn terminando com ele. Queria e não tinha coragem de admitir, pois pensava que isso poderia ser bobagem.

-E não é!

-Não é. - Repete comigo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Capítulo 60 - I miss you




Rimos de algumas coisas de fã que Violet falou. Fiquei impressionado quando Amber me falou dos surtos que a irmã dava quando eu lançava algo, ou falava. Disse que seu quarto é repleto de coisas minhas. Violet levantou para ir ao banheiro e eu afastei o prato, satisfeito.

-Hey. - Diz Riley, que apóia um braço na mesa. - O que está rolando entre vocês? 

Ficamos em silêncio, nos encarando de forma estranha. Não fazia ideia do que poderia falar, garanto que Amber também não. 

-Sem cerimônias, estamos só nós aqui. - Ela gesticulou. - Vocês estão tendo algo?

-Não. - Respondo.

-Eu acho. - Amber falou na mesma hora, mas minha voz prevaleceu por eu ter falado mais alto. 

-Nós ficamos algumas vezes, mas nada demais.

Havia um ponto de interrogação no rosto de Riley. Amber baixou a cabeça e balançou. Sinto que fiz alguma bobagem, mas o que eu iria falar? Que nós temos algo? Porque eu não acho que tenhamos algo, nós damos alguns beijos, mas não passa disso. E fomos uma vez pra cama depois que ela ficou grávida. O que eu deveria ter dito? Violet retornou a mesa, e nós estávamos calados, mas logo engatamos em algum assunto.

-Vocês me deem licença, estou cansada. - Amber levanta, colocando a cadeira no lugar. - Boa noite. - Mandou um beijo para Violet e Riley, e mal olhou pra mim. 

Meu peito se retorceu, e ao mesmo tempo que eu queria perguntar o que aconteceu, eu também queria voltar no tempo e não ter dito aquilo, como também tô com vontade de sacudir-lá e perguntar qual é essa palhaçada das mulheres?! 

-Bruno? Acho que ela ficou magoada com algo. 

-Com o que? - Pergunto mais baixo, enquanto Violet olhava para o celular. 

-Ela está com os hormônios confusos. Ela está confusa. Vi que ela falou algo contraditório ao que você falou. Não queria ter causado isso. - Ela torce os lábios.

-Você não causou nada, isso são hormônios e daqui a pouco passa. - Dou de ombros.

Por mais que eu quisesse pensar que daqui a pouco passaria, eu não conseguia. Mostrei para as meninas onde iriam dormir e as deixei à vontade. Passei para o meu quarto, mas a porta do seu me chamou mais atenção. Dei duas batidinhas antes de abrir a porta.

Ela estava deitada, de barriga pra cima e descoberta, apenas com um top, calça confortável de moletom e apenas o abajur ligado. 

-Com licença. - Apenas seus olhos me viram, de canto, e ela não moveu um músculo, continuo a olhar para o teto. -Amber? - Sentei ao seu lado na cama. - Você está bem?

-Sim. - Responde suave.

-Quer algo?

-Não, estou bem. - Responde de voz aveludada. 

-O que aconteceu? Foi algo que eu falei?

-Não, nada aconteceu, apenas estava cansada. Foi um dia e tanto.

-Isso é. - Tomei liberdade para me recostar na guarda da cama. - Amber? Eu sei que falei algo que lhe deixou assim, e eu gostaria de explicar que eu estava sem saída. Não sabia o que falar. 

-Geralmente, - Ela suspira fundo. - quando não sabemos o que dizer, permanecemos calados.
Foi uma, duas, dez facas em meu peito.

-Mas nós tivemos algo? - Pergunto, olhando diretamente nos seus olhos. Ela vira a cabeça juntamente do seu corpo, para o lado em que estou, coloca as mãos embaixo do rosto. 

-Não sei, me diga você. 

-Eu...

-Não diga. - Ela sorri fraco, fechando os olhos. 

-Por mim, sim, mas eu não sei de você. 

-A verdade é que falamos de tudo, fazemos de tudo, mas nunca fomos honestos com a situação. - Ela mantém os lábios numa linha reta.

-E isso quer dizer o que? 

-Que temos que ser honestos.

-Posso começar pedindo desculpas, do fundo do meu coração? - Passo a mão nos seus cabelos, por sua cabeça.

-Desculpado. 

-Eu juro que se soubesse que você iria dizer algo, eu não teria dito aquilo. Falei apenas porque pensei que seria o que você iria dizer, e agora me sinto um idiota.

-Não se sinta assim. - Ela pisca os olhos pesadamente.

-Desculpa, vou deixar você dormir.

-Eu não estou com sono.

-Não está com pouco, quis dizer? - A faço rir. - Boa noite, Amb.

-Boa noite, Bruno.

Me aproximo do seu rosto para depositar um beijo em sua bochecha, mas o ímpeto de seguir com aquilo foi mais forte que eu, então escorreguei meus lábios pela sua boca, e depositei um selinho, onde ela abriu para que seguíssemos com um beijo, que não demorou quase nada. Fechei a porta do quarto e me encostei nela, como um idiota, pensando no que tinha acontecido durante o dia, e principalmente no seu beijo. Isso está ficando tão intenso, e eu não estou aprendendo a controlar a situação.

+++

Briguei pela décima vez com o programa de desenho do meu notebook que não queria abrir, e então desisti, deixando o notebook ligado sobre a mesinha de centro. Liguei a televisão para ver se me sentia mais a vontade e não tão sozinha.

Bruno viajou há três dias, e eu passo o dia com a Marie e à noite Riley dorme aqui comigo. Hoje, Marie teve que sair mais cedo, então permaneci em casa, sozinha, só esperando a hora de Riley chegar. Ele está em Nova Iorque, arrumando coisas do lançamento, e gravando o SNL que foi convidado. É um grande salto pra carreira dele, principalmente após a música que lançou, que está fazendo muito sucesso, além do vídeo clipe estar bombando em tudo quanto é televisão.

-Mars, você é um sucesso. - Passo a mão sobre a barriga e sinto um pequeno revertério.
Levanto do sofá e procuro comida na cozinha.

Com esse negócio de entrar no oitavo mês daqui à uma semana, eu estou indo no médico todos os dias. Ganhei 18 quilos e meu bebê está bem gordinho e grande. Ele chuta, brinca, e se acomoda quando eu preciso descansar. Chuta menos do que antes, porque agora minha barriga está literalmente quase explodindo, e não tenho espaço nem pra minha bexiga, quanto mais para ele dar voltas dentro de mim.

Essa semana passada foi bem estranha. Tive que ir ao médico e pela primeira vez, senti a sensação de estar sendo observada, até que Riley me alertou sobre um paparazzo parado no outro lado da rua. Mas esse não foi o ponto alto, já que ainda ninguém sabe quem sou, o ponto alto foi saber que Belle e Finn estão bem próximos. Eu já havia imaginado que isso poderia acontecer, mas ainda me incomoda um pouquinho por dentro. Não sei se houve beijo, ou se foi só um jantar, mas está havendo algo entre eles. Fui ao banheiro e quando saí, me deparei com pensamentos idiotas que me fizeram sorrir. Bruno deixa essa casa tão mais alegre.

Bruno Pov's

Fazia frio em Nova Iorque. O estúdio estava quentinho, por conta do ar condicionado, mas foi só sair de lá que voltei a tremer o queixo. Estava todo encasacado, querendo logo chegar no quarto do hotel para poder ligar para Amber e saber como ela está. Lá está mais cedo que aqui, então suponho que ainda esteja acordada. Os caras se separaram, cada um para o seu quarto. E eu entrei no meu, já discando o número dela. O mais incrível disso tudo é que eu me acostumei com ela na minha casa, e agora o tempo está acabando e daqui a pouco ela vai querer voltar para a casa da amiga, ou alugar algo pra si.

-Alô? - Ouço sua voz suave.

-Oi, boa noite. - Respondo.

-Como está? Como está Nova Iorque?

-Estou bem, e Nova Iorque está gelada. - Sento na cama, retirando o casaco. - E vocês, estão bem? O que estão fazendo?

-Estamos deitados, tentando fazer o programa de desenho funcionar, mas esse notebook é uma bosta.

-Então larga esse programa e liga o skype pra mim. - Foi a primeira ideia que tive.

-An... ok, mas eu estou um caco. Hoje eu não fiz nada, e estou praticamente sozinha.

-Onde está a Riley? - Levanto para achar meu notebook.

-Ela chegou cansada. Jantamos e ela foi dormir.

-Ah.

Enrolamos mais um pouquinho e eu desliguei o telefone para conseguir me concentrar no notebook. Conectei o wifi, e liguei meu skype esperando que ela ficasse online de uma vez.
Ajeitei o ar condicionado, aumentando bastante, por isso me vi livre da camiseta. Frio não é pra mim. Vesti calça de moletom e retornei para a frente do computador. Não precisei chama-la, pois logo que ela entrou, já apareceu sua solicitação de chamada de vídeo na tela. O barulho mostrava que ela estava conectada ali, e eu também, mas no entanto a tela estava preta e eu só ouvia a sua voz.

-Hey.

-Hey, Amb. - Eu aceno para a tela, sem nem saber se ela está me vendo, porque não consigo vê-la. - Consegue me ver?

-Hm... - Ouço o barulho dos teclados. - Consigo.

-Não consigo ver vo... - Sorrio feito bobo quando ela aparece na tela. - Agora sim.

-E ai, como está tudo?

-Ótimo. - Ajeito o notebook no colo, apoiando as mãos atrás do pescoço. - Um pouco, muito, de frio, apenas. E ai?

-Normal. - Observo seus olhos percorrerem pela tela, posso jurar que ela está olhando para os meus braços. - Está animado com tudo?

-Muito! Vão me colocar num vestido, acredita? - Começo a rir lembrando de todos meus personagens. - Muitas entrevistas! Tudo agitado, mas nada que eu não dê conta.

-E eu aqui... Apenas casa, sofá, comida, banheiro, televisão... Acordando tarde.

-Que vida boa, Amber Lucy!

Nós rimos, e quando ela fecha os olhos para gargalhar, aproveito para fita-la. Ela tem algo de especial, tudo nela me faz pensar que ela é um anjo.

-Como está o Nathan? - Lembro rapidamente da barriga enorme.

-Agitado, grande, e espaçoso.

-Hey, meu filho não é espaçoso.

-Fala você que se espalha pela cama à noite.

-Ele só está sentindo falta do papai. - Me gabo, e ela ri novamente.

-Talvez... - Sorri, limpando algo na tela. - Sabe o que tocou na rádio hoje?
-Hm?

-Sua música. - Ela bate palmas, falsas, sem fazer barulho e faz uma careta engraçada. - Está sendo um enorme sucesso.

-Obrigada. - Sorri, orgulhoso do meu trabalho. - Vou cantar pela primeira vez essa semana. - Levo a mão na boca, em espanto.

-Eu sei, Violet vem assistir comigo. - Ela dá de ombros. - Espero que não se importe... Tem algum problema?

-Está casa é tão sua quanto minha, então, problema algum. Fique a vontade, Amb.

Conversamos mais alguns assuntos banais, mas geralmente sobre minha carreira e a música. É tão empolgante falar nela, ver onde eu cheguei e onde eu estava antes disso. Nós ríamos de qualquer besteira, e eu contava algumas situações pra ela. Peguei os brinquedos que havia comprado para o meu filho e algumas roupinhas. Mostrei todos à ela.

-Você vai deixar a criança mimada. - Ela reclama quando mostro o último. - E essas musicas vão irritar e enjoar.

-Eu tiro a pilha, qualquer coisa. - Rio, largando o brinquedo. - E são só alguns brinquedos, não faz mal.

Amber revira os olhos, ia falar algo, mas levou a mão na boca por conta de um bocejo. Ela deve estar cansada, e eu também estou, admito. Fiz o mesmo que ela, porque é inevitável bocejar quando alguém boceja. Rimos juntos, baixinho.

-Acho melhor eu ir dormir. - Ela continua sorrindo. -Se cuida.

-Vou me cuidar. - Sorrio de volta. - Boa noite, Amb.

A vejo se curvar, e fico encarando seu rosto, ela iria desligar, mas eu precisava dizer que estou com saudades dela. Aperto minha mão contra minha coxa, e a interrompo.

-Amber?

-Bruno? - Ela imita-me, usando o mesmo tom.

-Estou com saudades.

Falei rápido antes que pudesse me arrepender. E minhas bochechas esquentaram de vergonha, e minha cabeça pareceu até doer quando ela apenas sorriu, e não respondeu nada sobre isso. Eu sou um completo idiota, otário.

-Bruno? - Olho para o notebook, ela está mais próxima da tela. - Eu também estou com saudades. Boa noite.

Ela desligou. Não deu tempo nem de ver ela mais um pouco e a chamada foi finalizada. Meu Deus como sentia saudades dela. E agora fiquei feliz por saber que ela também sente. Isso pode ser recíproco. Fechei meu notebook, colocando na mesinha, e empurrando os brinquedos na sacola para o lado da cama. Encostei a cabeça no travesseiro, e sorri. O pensamento levado àquela chamada de vídeo, onde ela também disse que estava com saudades, me fizeram dormir.

No alto da madrugada, no meio do sono, sou despertado pelo toque do meu celular. Atendo sem nem ver quem é, mas com receio, pois ligação de madrugada sempre é acompanhada de notícia ruim.

-Alô? - Falho a voz, pelo sono.

-Bruno? Consegue me ouvir? - Ouço a voz baixinho de Amber. Pulo, sentando na cama rapidamente e despertando de vez.

-Oi, consigo sim. Aconteceu algo?

-Não... Na verdade sim, eu não sei.

-O que houve? Você e o Nathan estão bem?

-Sim, foi um susto grande, mas passou.

-Não consigo imaginar o que tenha sido. - Balanço a cabeça, tentando me aliviar.

-Começou um temporal aqui, e eu havia me esquecido da janela do quarto aberta, então ela bateu e eu me acordei, com medo. Eu precisava falar com alguém.

-Shiii, calma. - Peço. - A chuva já passou?

-Não! O tempo está horrível.

-Você não tem medo de tempestades, nem de trovões e raios... - Digo, pensando alto.

-Não tenho, mas hoje eu levei um susto. Você está bem?

-Sim.

-Desculpa te acordar, eu só precisava... Precisava ouvir sua voz.

Paro por segundos nesse instante. Rebubino a fita em minha cabeça com a parte de que ela precisava ouvir a minha voz, e alimento meu ego de uma forma estranha. Não sei como chama o que estou sentindo, mas fiquei realmente feliz por isso.

-Ah, está tudo bem, eu estou aqui. - Tento conforta-la. Ouço sua risada baixinho. - Você precisa dormir, e deixar o pobre Nathan descansar também. Estarei em casa daqui há uns dias.

-Quantos?

-Cinco, talvez. - Torço os lábios.

-Obrigada, Bruno!

-De nada, Amb. Boa noite.

-Beijos.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Capítulo 59 - Hangout "slightly"



Bruno Pov's

Sai da sala pois não iria ficar para assistir ela sair pra encontrar ele. O que ela quer vendo ele? Ele é um idiota. Amber tem tudo o que precisa, ela não precisa dele pra nada. Depois que vi o carro saindo, voltei para a sala, com uma lata de soda nas mãos, sentei de frente para a televisão e liguei em qualquer canal.

 O tempo passava tão devagar, que já estava me deixando estressado. O que será que esse cara não deve estar falando pra ela sobre mim? Garanto que me difamando, dizendo que eu não presto e aposto que disse que fui eu quem começou a briga. Ando de um lado para o outro. Me preocupo com o que ele vai dizer, é óbvio. E se eles voltarem? Será que Amber sairia daqui para morar com ele? Não, ela não faria isso...Pego meu celular sobre a mesinha de centro e disco o seu número. Ela demorou, mas atendeu. 

-Alô?

-Oi, é, Amber? Vai demorar muito? - Não sabia o que dizer. 

-Porque?

-Tenho que conversar com a Violet sobre amanhã. - A primeira desculpa, esfarrapada, que me vem a cabeça.

-Ah, eu estou indo pra lá. Quase chegando.

-Ah... Ok! Então, tchau.

-Tchau, Bruno.

Descanso meu corpo, me tocando no sofá. Graças à Deus ela não está mais ao lado dele.
O nervosismo toma conta de mim mais uma vez. Agora não mais pela Amber, já que sei que ela está segura sem ele por perto, mas sim pelo hangout se aproximando. Acho que é tanta coisa ao mesmo tempo, que me deixa meio tonto. Esse final de ano vai ferver. Tem esse hangout, depois meu aniversário, depois um bando de entrevistas e apresentações, halloween, ação de graças, lançamento do CD, natal, nascimento do meu filho, ano novo... Haja coração pra aguentar tudo isso.

E ainda haja cabeça para pensar em tudo isso. Passo os olhos por minhas fotos, minha família, sobre a lareira, e sinto falta de alguém por ali. Sei que a Amber vai achar estranho, mas assim que ela fizer seu book de grávida, quero uma foto dela para por aqui, afinal, meu filho está dentro dela e agora nós somos, indiretamente, uma família.

Em torno de meia hora, Amber chegou, trazendo consigo Violet, que não deu a mínima pra mim e ficou boquiaberta com a casa.

-Péssima ideia trazer você, estou invisível aqui. - Resmungo.

-Sabe qual é a estatística de fãs que entram na casa dos ídolos? Nenhuma! Eu posso ser a primeira a estar realizando esse sonho. 

-Realmente. - Torço os lábios, tentando me por no lugar dela. 

-Ela está encantada. - Amber comenta ao chegar ao meu lado. 

-Percebe-se. - Olho para ela, que caminha até a ponta da escada. Pediu permissão para subir, e eu a concedi.

-Obrigada por chama-la. Não sabe o quanto é importante pra ela tudo isso. 

-Eu imagino como seja. - Sorrio, pondo a mão no seu ombro. - Como foi lá?

-Ah, foi tudo bem. - Seu sorriso. Porque ela tá sorrindo? Ela não deveria sorrir quando pensasse nele! 

-Tudo bem? Só isso?

-É. Nós conversamos bastante, e vimos que somos somente amigos. 

-Hm. Amigos então? 

-É, amigos. Quero um tempo para pensar sabe? Tanta coisa na minha cabeça, que chega a me dar tontura. 

-Quer uma água?

-Foi modo de dizer, Bruno. - Ela ri, andando em direção da sala. - Ansioso?

-Muito. - Passo a mão na lateral do corpo.

Amber Pov's

+++

Já passava das seis. Bruno estava se ajeitando, sentando no sofá ao lado de Phil, e Ari, que conheci hoje. Eu estava sentada atrás da câmera, e do meu lado estavam Riley e Violet. Violet não largava seu celular por um segundo, e tirava muitas fotos, mesmo antes do hangout começar. Há dois minutos atrás ouvimos a música, antes de todos, e eu posso garantir que ela é tão boa, que vem um enorme sucesso por ai. Aproveitei para escutar algumas palinhas de seu álbum, mas ele se negou a me mostrar tudo sem estar com todos os arranjos finais. 

Tinha um cara, Victor, que mexia nas coisas do computador, música e imagem, e esse avisou que faltava três minutos para começar. Olhei para o Bruno, que sorriu pra mim, aparentava estar nervoso. Sorri de volta, fazendo uma joinha com as mãos, incentivando ele que ia dar certo. Victor começou a contar regressivamente, e no um, começaram.

-Nós estamos aqui! - Phil gritou, e eu ri baixo por seu intusiasmo. 

-Ohhhh. - Bruno grita. - E aí, mundo? Meu nome é Bruno. 

-E aí, mundo? - Phil imitou Bruno, e eles riram. - Meu nome é Phil. 

-E aí universo? - Começamos a rir pela expansão do pensamento de Ari. - Meu nome é Ari. 

-Ele é engraçado. - Riley me cutuca. - Gostei. 

-Quer? Eu te apresento. Apesar de ter conhecido hoje também.

-Não, tô tentando fazer dar certo com outra pessoa. - Sabia que se tratava de sua amiga, do curso.

-Ele trapaceou. - Phil reclama. 

-Ele escolheu o universo. - Bruno soltou uma gargalhada, tão gostosa, e mexe o copo azul que está em suas mãos. - Senhoras e senhores, hoje é um dia muito especial. Hoje é o dia que vocês vão ouvir minha primeira música do meu novo álbum "Unorthodox Jukebox"! 

Ria feito idiota com as palhaçadas dos três, mais os espasmos que Violet tinha, dando mini ataques sentada na poltrona, e Riley que era só elogios quanto à tudo. Ele conversava com alguns fãs no hangout sobre tantos assuntos. Vez ou outra nós nos olhavamos, mas nada demais, apenas sorrisos sinceros de mais incentivos. Violet me olhou, ora que tinha sorrido para o Bruno, e sorriu pra mim. Ela deve estar pensando bobagem. Bruno estava bobo para nós, imagina para quem o assistia em casa. 

Sabia que estava sujeita à isso, mas não pensei que essa pergunta fosse vir, ainda tinha esperança que ninguém comentasse nada sobre o assunto.

-Não vejo nenhuma barriga de grávido. - Brinca uma moça de cabelos longos e presos num rabo de cavalo. Não tinha um inglês tão bom, dava para notar que não era daqui. - Nós não vamos ter nenhum detalhe sobre isso?

-Bem... - Ele coça sua nuca, e eu tamborilo meu dedo em minha perna, receio que com medo do que ele fosse responder, mas confio nele. - Eu não sei se posso falar muita coisa... O que você quer saber?

Ri, nervosa, e percebi que ele também.

-É uma garota ou um garoto?

-Hmm... O que você acha? - Bruno brinca e dá um gole da sua bebida. - Façam suas apostas. - Levantou o champanhe. 

-É um menino. - Phil estragou  entregando Bruno, que olhou para ele com riso frouxo e quando passou os olhos por mim, só faltou pedir desculpas. Não me importaria, desde que não viesse alguma fã doida bater em mim, até porque não sei brigar. 

-E a mãe dele? Queremos conhecê-lá. 

-Posso garantir pra você que ela é uma pessoa maravilhosa. - Ele sorri, e eu abro o meu espontaneamente. - E linda. Então, meu filho vai ser lindo. E sensual como eu. 

-Levemente. - Comenta Ari, brincando. 

-Levemente. - Bruno ri em concordância.

Sinto minhas bochechas pegarem fogo, e Riley percebeu que eu estava nervosa, e suando frio. E se alguém perguntasse mais coisas? Começo a balançar a perna, e Riley põe a mão para eu parar. 

-Odeio quando começa com tiques de nervosismo. Só me deixa nervosa também.

-É que... Esquece. Desculpa.

Terminei de prestar atenção, passando a ficar mais concentrada em qualquer outra coisa, mas isso não seria justo com o Bruno, então me controlei e passei a prestar atenção neles e suas palhaçada, que contagiava todos à rirem.

Bruno Pov's

Estava tão empolgado por causa do lançamento da música. O hangout foi um sucesso, consegui me divertir demais e fazer meus fãs rirem com coisas que falo. Ver o sorriso deles é importante, e ver a reação de todos quando escutaram a música me fez pensar que eu não poderia ter escolhido profissão melhor para seguir. 

Fomos para casa, rindo e conversando. A janta estava sendo preparada por Marie, que iria embora mais tarde hoje. 

-Eu quero a música no meu celular. - Resmunga Violet. 

-Calada. - Amber a cutuca. 

-Eu passo depois! - Sorrio e pisco pra ela, cúmplice, e Amber põe a língua pra mim. 

A casa estava silenciosa até entrarmos. Riley falava comigo, e Violet vinha mexendo em seu celular, enquanto Amber dizia algumas coisas dentre nossos assuntos. O mais engraçado de conversar com a Riley é que eu me sinto conversando com outro homem. 

Na sala de jantar a mesa estava posta, a comida estava quentinha e Marie estava parada ao lado da mesa, sorrindo.

-Parabéns. - Caminho para abraça-la. - Escutei a música, está maravilhosa.

-Onde esse mundo vai parar? Você sabe mexer no computador melhor do que eu.

-Detalhes. - Ela ri. - Espero que gostem da comida. Tenho que me retirar.

-Pegue um táxi, Marie. Por minha conta. - Beijo o topo de sua cabeça.

Esperamos Marie ir embora e sentamos rente a mesa para comermos. Estávamos famintos, então nas primeiras garfadas ninguém disse absolutamente nada, mas após isso, conversamos.

-E a menina perguntando do bebê? - Rio, comentando. Fiquei nervoso com aquela pergunta.

-Fiquei pensando no que iria falar. - Amber diz, soltando um riso abafado.

-Ela estava nervosa. - Diz Riley. - Suava gelado quando perguntaram isso.

-Porque? - Olhei para ela, esperando uma resposta, e por alguns segundos me perdi naquele olhar. 

-Oi? - Pergunta ela. 

-Porque ficou nervosa? Não iria dizer nada que comprometesse você e nosso filho. 

-Eu tenho vontade de gravar cada coisa que você fala e colocar pra reproduzir todos os dias antes de dormir. - Violet diz sua primeira frase à mesa. A olhei e ri, esticando a mão para pegar a sua. - Eu disse isso? Eu queria tuitar, ou só pensar. Mas eu sou burra.


Oi, gente. Sei que nunca apareço aqui no final, mas hoje vim mostrar a sinopse da minha próxima fanfic! É sobre o Bruno, mas a história é diferente de tudo que já li. Espero que gostem, beijos! 

"A luz veio em sua direção, e ele tentou, inutilmente, virar a direção para outro lado. Não foi rápido o suficiente.
Deveria agradecer a qualquer divindade por continuar vivo, mas não. Da cintura para baixo, não sentia nada, como se fosse a metade de um homem que um dia fora.
Ele tinha uma carreira de sucesso, uma vida boa. Mas uma noite chuvosa e um jovem bêbado mudaram sua vida. 
Os sorrisos tornaram-se carrancas, as palavras bonitas se perderam e abriram espaço para palavras horríveis, em um peito cheio de ódio. Bruno Mars está perdido. E ninguém sabe se irá se salvar."