quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Capítulo 53 - Do not think



Me neguei a escutar isso, saí da cozinha e me sentei na varanda. Cruzei meus braços e tentei prestar atenção em outra coisa. Porque Finn está desse jeito? Só porque eu não quis ir a uma sessão de cinema com ele? Só porque o Bruno teve a ideia do nome e eu gostei muito? Porque Bruno me abrigou na sua casa mesmo depois de tudo isso ter acontecido entre nós nos últimos meses? Tudo agora, Finn está botando o nome de Bruno no meio como se ele fosse o culpado de tudo. Eu apenas não queria ir, não queria que eles brigassem dessa forma. 

-Hey, seu celular. - Pego meu celular da mão do Bruno e quando vou falar algo pra ele, ele sai rapidamente da varanda.

Entro para a casa depois de uns dez minutos. Olho para o corredor mas as luzes estão desligadas, volto para a cozinha e verifico no computador se Bruno está em alguma parte da casa. Vejo um movimento na sala e ando em direção da mesma. 

O vejo ali. Não posso e nem devo tocar no assunto do Finn antes que eu e ele brigamos por causa disso, ai seria o fim. Bruno está tão tenso deitado ali. Sua barriga levemente destapada. Ponho meu celular em cima da mesinha atrás do sofá e o olho novamente.

Deus, como eu queria ter auto controle, até dos meus pensamentos. Vi Bruno deitado no sofá, hoje em especialmente ele está mais quieto e o olhei com os olhos de mulher, o achando maravilhosamente bonito. 

-Quando eu era pequena, sempre quis tocar piano. - Caminho em direção do piano e sento-me no banco estofado para duas pessoas. - Minha mãe dizia que eu precisava cantar, para entrar pro coral da igreja, mas nunca fui ligada em música. Apenas queria saber tocar piano. Pois na minha imaginação fértil de criança, era magnifico e chique tocar, e eu achava que quem tocava, tinha algum tipo de poder. 

Toquei nas teclas esperando que ele falasse algo. 

-Piano é algo maravilhoso. - Responde ele. - Nunca chegou a tocar. 

-Não. Como minha mãe achava bobagem, acabou me convencendo de que era mesmo. 

-Como pode alguém influenciar uma criança de forma tão errada? - Bruno já não estava mais no sofá, estava parado ao meu lado, em pé, passando a mão no piano.

-Você teve sorte de ter uma família assim, unida e forte. E bem grande. - Complemento olhando para os porta retratos sob a lareira. 

-Tudo vai mudar. Já está mudando. - Ele senta ao meu lado e acaricia meu ombro. - Agora você tem o dobro do que tinha, e as tristezas vão acabar. Eu prometo.

-Que Deus te ouça. 

-Nunca é tarde pra aprender a tocar. - Ele posiciona dois dedos nas teclas. - Quer aprender? 

-Não sei... - Fico meio receosa.

Fui convencida a tocar a música com ele, o famoso piano de quatro mãos. Enquanto ele tocava alguma música do Rod Stewart, e eu enrolava o refrão pegando o final de suas frases, prestando mais atenção nos movimentos de suas mãos. Ele tinha tanta paciência para ensinar.

Claramente eu estava nervosa. Ele estava bem próximo à mim, e todos os momentos que estamos passando juntos, resulta num frenesi que sinto ao estar ao seu lado. 

-Essa música é linda. - Coloco meus dedos em algumas teclas que ele me explicou os nomes, mas não lembro. 

-Ela diz tanto. - Bruno toca seus dedos nos meus. - Tanto na melodia, quanto na letra. 

-É.

Ficamos calados e ele pigarreou, tirando a sua mão e tocando mais uma música. Lindamente caiu tão bem alguma do musical mamma mia versão acústica e menos grave do que na broadway. Tentei atingir notas altas como ele, e ele ria do meu esforço. Parei de cantar e só ria de tudo. Bruno parecia um bobo cantando. 

-Você é um palhaço, sim?

-Não fala assim. - Ele torce os lábios e gargalha.

-Ok. - Rio e levanto. - Vou dormir. 

-Não. - Ele levanta também. - Quer dizer, e nosso filme? Temos que devolver amanhã.

-Seria uma pena ter que devolver sem ao menos assistir, mas eu estou completamente com vontade de deitar. Hoje o dia foi bem puxado. 

-Foi um dia e tanto.

-É.

-Posso fazer uma massagem? - Tenho certeza que ele observou quando eu mexi minhas costas a procura de alguma coisa que minha coluna deixasse mais aliviada a dor.

-Pode ser.

Bruno pediu que eu fosse para o quarto dele, onde a cama era maior. Deitei pondo dois travesseiros, um que pegasse meu peito e meu pescoço e outro abaixo da minha barriga. Ele pediu que eu tirasse a blusa, fiquei com receio e vergonha, mas depois de um dia nós termos ido para a cama e já termos nos visto de biquíni, ignorei. Tirei a blusa e voltei para como estava. 

Bruno soltou meu sutiã e passou algum óleo, que me fez arrepiar. Coloquei meus cabelos para o lado. Suas mãos encostaram nas minhas costas e eu me arrepiei. Ele sabia fazer massagem, e literalmente em segundos, minha dor já aliviava. Em certa parte, gemi baixinho. Bruno tenho certeza que ouviu, pois parou por segundos sua massagem. 

Fiquei esperando ele continuar, mas ao invés disso, ele beijou minha nuca. Fecho os olhos pensando no que poderia vir depois. Meu deus. Bruno percebeu que eu não reclamei, então depois da pequena pausa que ele deu, senti mais dois beijos. Carinhos de leve no meu pescoço.

-Bruno. - Sussurro. 

-Devo parar, eu sei. É difícil, quase impossível, resistir. 

-Não... 

-Não?

-Não resista, por favor. 

Sou inconsequente por isso? Devo de ser. Briguei com meu namorado a tarde porque ele estava com ciúmes sem motivo do Bruno, mas se eu desse esse passo, agora o ciúmes seria com motivo e bem grande. Mas como se resiste à tentações como essa? Eu o quero, cheguei a sonhar com isso. Preciso do seu toque e do seu carinho.

Senti seus lábios em minhas costas pouco a pouco, descendo pela minha coluna. Virei-me de barriga pra cima e ele me beijou. Aproveitei para segurar nos seus cabelos fortemente. Sua mão pousou na minha barriga e ele quebrou o beijo para me dar carinho. Distribuiu beijos pelo meu pescoço e terminou de tirar o meu sutiã. O tocou em qualquer lugar e abocanhou meus seios. Senti meus mamilos endurecerem e meu tesão por ele aumentar. 

-Tem certeza que quer isso? - Pra que ele foi fazer essa maldita pergunta? O peso na minha consciência aumentou, tive vontade de parar com tudo na hora.

Decidi rapidamente não pensar mais no certo e no errado, apenas obedecer minha vontade de tê-lo. Matar aquele desejo de me sentar em seu colo e divertir-me. O puxei para um beijo, e ele entendeu. Sua língua estava inquieta, nós estávamos desenfreados. Queríamos mais e mais, e nada parecia ter rumo. Uma chama acessa dentro de nós, uma vontade prevalecia, um desejo carnal mais forte do que eu pensei que seria. Suas mãos apertavam meus peitos e desceram para a barra da minha calça de abrigo. A partir dali eu já não vi mais nada, apenas senti. Senti seus beijos em minhas pernas, nas coxas e suas mãos apertando de leve. Senti a calça ser atirada para qualquer lado e minha calcinha ser tirada com cuidado. Bruno me cheirou, e eu morri de vergonha por poder estar mal depilada, afinal, é consequência da gravidez e da barriga.

Seus lábios tocaram meu ventre num beijo, voraz, mas de alguma forma, carinhoso. Esperei mais alguma reação dele, mas ele apenas continuou, com beijos e logo depois tocando na minha intimidade com sua língua. Gemi tão baixinho, segurando  o lençol. Isso era tão injusto. Bruno estava me levando as alturas, me contraia segurando qualquer reação maior para agora, pois não queria correr o risco de perder a vontade. 

-Bruno. - Passei a mão em seus cabelos e disse com a voz cansada. - Por favor. 

-O que? - Ele introduziu apenas um dedo.

-Meu Deus. - Seguro seus cabelos. - Eu preciso. 

Gemo seu nome baixinho e ele pede permissão para me beijar. O acaricio enquanto nos beijamos e então ele se livra de sua roupa. Pego sua cueca e a giro na ponta do dedo. Ele da uma risadinha baixinha, olhando para baixo. Passo minha mão no seu membro e me sento na cama. Ele pega um dos travesseiros e põe a sua cabeça sobre ele. Sei que ele quer que eu faça, e eu quero. Não tenho quase experiência com isso, posso não ser tão boa. Tenho medo de errar. Lambo sua glande e ele geme, prendendo meu cabelo e o segurando. Auxilio com minha mão, fazendo movimentos, enquanto tentava o colocar pelo menos metade na minha boca. Bruno geme e segura meus cabelos fortemente e me puxa de leve.

-Não precisa fazer isso. - Ele diz.

-Mas eu quero.

-Amb, não... não se usa os dentes. Dói.

Torci os lábios e ele segura meu queixo para nos beijarmos. Dispensamos a camisinha, porque o acidente maior que poderia acontecer, já aconteceu. Coloquei o travesseiro embaixo das minhas costas e Bruno se posicionou entre minhas pernas. Devagar, sinto-o me penetrar. 

-Feche os olhos bebê. Ainda não é hora de você saber o que é isso. - Rio baixinho, sentindo cada centímetro seu dentro de mim.

Ficou claro que não seria um sexo selvagem como pensava nos meus sonhos, até porque eu não tenho condições para isso, mas nunca se passara pela minha cabeça que Bruno pudesse ser carinho um dia, na cama. Ele cuidou todos os movimentos iniciais, perguntando sempre se eu estava me machucando, e pra me ajudar a chegar no ápice, começou desde cedo estimular meu clitóris. 

Foi questão de minutos para eu gozar. Ele ainda continuou enquanto eu me tremia, e com os olhos fechados fortemente via tudo o que passamos num rápido flashback. 

Deitei de lado e ele me abraçou por trás, me penetrando. Tinha maestria em todos seus movimentos, sabia realmente o que estava fazendo. Beijou meu pescoço e eu o ouvi gemer. Me permiti gemer um pouco mais alto e senti seu sorriso na curva do meu pescoço.

Em pouco tempo ele também conseguiu o que precisava. E agora o que eu precisava era de um banho, mas ainda ficamos encaixados depois que acabou.

-Estou nojenta. - Reclamo.

-Está linda e cheirosa. - Ele me cheira causando arrepios. - Cheiro de mulher. 

Levantei primeiro que ele, o vi ali puxando o lençol para cobrir sua parte intima e ri da besteira. Catei minha roupa no chão do quarto e quando estou indo a caminho da porta ele me repreende.
 
-O que está fazendo? - Pergunta. 

-Vou tomar um banho.

-Não. Você aqui comigo. - Diz apontando para a cama.

-Bruno...

-Amber, por favor. Não me faça sentir uma qualquer. - Bruno põe a mão no peito fingindo estar arrependido. Pedi para tomar banho antes dele. Tomar banho juntos seria demais. Meu filho parecia dormir tranquilamente e quando me olhei nua no grande espelho do seu enorme banheiro, me senti mais jovem. É tão bom sentir-se renovada. Acariciei minha barriga ao mesmo tempo que me olhava no espelho e sorria, boba, pelo tamanho que ela adquiria em tampouco tempo. Estou bem desproporcional, parece, literalmente, uma bola de basquete. 

Tomei o banho e o vi entrar no banheiro. Peguei a toalha e enquanto me secava, ele tomava o seu. Fui até o meu quarto e coloquei minha roupa intima e o vi parado, somente de cueca, na minha porta.

-Coloca isso?

Pego a camisa em sua mão, vai ficar enorme em mim. 

-Sim. - Respondo.

Vesti a camisa e fomos para o seu quarto. Me deitei do lado esquerdo da cama e ficamos frente à frente. 

-O que está me olhando? - Pergunto desconfiando do seu olhar sobre mim.

-Observando. - Não me contento com a sua resposta e ainda o encaro. - Não me olhe assim. - Ele ri parecendo envergonhado.

-É que só quero saber o porque está me olhando assim. 

-Por nada. 

Não me detive apenas nessa resposta, ainda o encarei esperando alguma melhor, mas o que ganhei foi um selinho e seu abraço. Ficamos no silêncio ainda, e parecia que estava tudo meio estranho. Não me sentia mal por acabar de trair meu namorado. Não estava com pesar na consciência. Pensava sim no Finn, mas não como eu imaginei que seria, não estou martirizada por trai-lo. Deveria me sentir culpada, sim? 

-Amb?

-Oi?

-Você quer ir a uma depiladora? 

-Bruno! - Bato no seu braço. - Sabia que você falaria isso, mas é quase impossível me depilar com essa barriga. 

-Você vai ter um final de semana num SPA. Está decidido.

-Não gaste mais dinheiro comigo. - Rio e ele gargalha.

-Não faço por obrigação, só gosto de te ver bem. - Ele mexe no meu cabelo. Abaixo o olhar, agora sentindo uma pequena coisa no meu peito, mas não tem nada a ver com Finn, tem haver com o toque do Bruno em meu corpo, ele me causa reações. - Amber, você está arrependida? 

-Não. - Respondo rápido demais. - Só pensando na vida, no que aconteceu e no que vai acontecer.

-Não pense. - Bruno puxa a ponta do meu nariz de leve para brincar. - Viva.

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Perdoem, só poderei postar depois do dia 3, mas espero que gostem <3 Feliz ano novo à todos. Prosperidade <3 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Capítulo 52 - Hanky-panky


A tarde se arrastou, aquele clima de chuva estava péssimo e me matando de tédio. Queria desenhar, mas perdi a inspiração. Queria assistir um filme, mas iria certamente dormir. Queria comer, mas não poderia abusar de doces por causa do bebê. Queria poder dar até um mergulho na piscina, mas está chovendo. Rascunho um monte de baboseiras num papel, letras de musicas, frases de livros, e alguns desenhos sem nexo. Acabo vendo o desenho do nosso filho, segundo Bruno, sobre a mesa do meu quarto. Passo os dedos por cima imaginando mesmo que meu filho possa parecer com ele, tanto como pode se parecer comigo, ou pode ser a nossa cópia. Mas ontem quando disse sobre as covinhas, não estava brincando, realmente quero que ele as tenha.

Minha consciência gritou e acendeu um holofote para o nome de Finn, que na minha mente estava em forma de cobrança. Não é certo eu estar beijando o Bruno, não é certo eu pensar nele como um homem e não somente como amigo. Não é justo fazer isso com o Finn, que abriu seu coração pra mim e ainda abrigou-me mesmo com filho de outra pessoa. Sou um péssimo exemplo de mulher. Pego meu celular e disco o número de Riley.

-Até o Bruno lembra que eu existo, menos você. - Ela reclama pelos dias que não liguei.

-Desculpe. - Peço, chorosamente.

-Só porque estou sensível. - Ela ri e eu a acompanho.

-Sensível estou eu, com esses hormônios que querem uma coisa, mas minha cabeça diz outra, e meu coração também. Gravidez também pode ser conhecida como loucura. - Fico tamborilando o lápis na mesa.

-Esse barulho é irritante. - Rye avisa e eu paro. - E, eu já li umas coisas sobre isso, é complicado.

-É mais do que complicado.

-Brigou com o Finn? Está tudo bem com o Bruno?

-Estamos maravilhosamente bem, eu e o Bruno. - Ela ri. - Finn e eu estamos empurrando com a barriga. Ele vive com crises idiotas de ciúmes por causa do Bruno, eu odeio isso.

-Com motivos?

Com motivos? Ou sem? Eu não sei. Tem motivos para sentir ciúmes, mas o que são beijos? Beijos são tudo na verdade, porque se eu estivesse no seu lugar estaria arrancando o cabelo com as mãos para saber se realmente havia o porque desconfiar. Mas ele... não, Finn está certo em desconfiar, e eu estou errada. Mas o que fazer com essa vontade?

-Não. - Percebo que demorei tempo demais para responder.

-Amber Lucy! - Riley resmunga. - Ele tem motivos mesmo?

-Não. É claro que não. - Balanço a cabeça.

-E se um dia tiver, eu saberei, certo?

-Sim, óbvio. - Me sinto um lixo por mentir para mais uma pessoa.

Riley me contou sobre a sua amiga, que é mais um affair, e sobre como está sendo morar com a Annabelle. E eu falei dos meus dias com o Bruno, e dos nossos momentos, menos da nossa proximidade. Deixar de omitir algumas partes não é mentir, é apenas não comentar.

Não vi há que horas Bruno chegou, pois estava no banho, depois da janta só precisava de uma cama. Ele foi jantar enquanto eu me arrumava para dormir. Ouvi duas batidinhas na porta e ele entrar.

-Boa noite, falei que chegaria tarde. - Bruno vai entrando no quarto e eu esticando o edredom.

-Boa noite.

-Pode vir um instante aqui? - Pede ele se virando em direção da porta e esticando o braço para eu segurar.

O segui até o quarto do nosso filho e ele pediu que eu sentasse na poltrona. Bruno tirou da sacola azul bebê um pedaço de madeira na letra 'H'. E foi retirando o resto.

-Consegui o nome dele. Não podemos mais trocar agora.

-E nós iríamos trocar? - Pergunto arqueando a sobrancelha.

-Mulheres mudam de ideia facilmente, não poderia correr esse risco.

-Você é um idiota. - Seguro a letra 'N'.

-Nathan McCartney Hernandez. - Ele sorri, orgulhoso. - Ou eu coloco o Gene?

-Mmmmm. - Torço os lábios enquanto penso. - Eu gosto dos dois, mas soa melhor como Hernandez.

-Hernandez. Esse será um garoto de sorte.

-Bruno, você é um egocêntrico de merda. - Bato no seu braço e ele gargalha alto.

-Eu sabia que iria falar algo do tipo. - Ele passa a mão onde bati. - Ele terá sorte por ser nosso filho.

-Somos um casal normal.

-Casal?

-Casal, digo, como homem e como mulher, e não como namorados. - Me atrapalho com a explicação.

-Eu sei, eu sei. - Provoco seu riso.

-Somos pais normais.

-Com um talento aperfeiçoado. Imagina se ele herda o seu dom de desenhar?

-Ou o seu de cantar?

-Ele pode ter seus olhos esverdeados. - Seu olhar penetra no meu.

-Ou sua pele amorenada e bugre.

-Ou seu jeito delicado e angelical.

-Menos o seu cabelo. - Brinco e ele coloca a língua pra mim.

-Menos sua personalidade.

-Mas é a melhor parte de mim. - Coloco a língua sapeca para o lado.

Até colocaríamos o nome naquela hora, mas estava tarde e era bom não ligar a furadeira. Isso pode esperar. Bruno perguntou se eu ia mesmo dormir agora, concordei, dizendo que hoje estava com mais sono do que qualquer outro dia. Dei boa noite e fui para o meu quarto.

A luz forte já me irritou logo de manhã. Às vezes estar grávida é um saco.

Passo a mão pela barriga, alisando-a e dando bom dia para o meu filho. Arrumo minha cama, que não gosto de deixar para Marie, e saio do quarto para tomar café.

Encontro Bruno na cozinha com uma espátula em mãos.

-Bom dia?

-Bom dia, Amb. Bom dia, filho.  - Ele estava sorrindo de um jeito lindo.

-Onde está a Marie?

-Ah, ela teve que sair hoje, ai dei o dia de folga. Vamos sobreviver, sim?

-Só se você não fizer a comida. - Sento na cadeira.

-Minha comida não é ruim. - Ele bufa.

-Bruno?

-Não é ruim. Nunca ninguém reclamou.

-Já cozinhou para suas mulheres?

-Minhas mulheres? - Sua gargalhada foi bem alta. - Cozinho para as pessoas mais próximas, ou seja, meus amigos e família.

-Suas mulheres sim, todas aquelas que entravam e saiam daqui ou de onde ia.

-Das mulheres que um dia fiquei, só trouxe duas a minha casa.

-Desculpa. - Me rendo e ele ri, voltando atenção para o fogão.

Tomamos um belo café, e quando falei que ele cozinhava mal, era mentira, isso é óbvio. Sua comida é muito boa, seus temperos também. Sentei no sofá da sala para assistir televisão, e Bruno se juntou a mim depois de algum tempinho.

-Acredita que o tempo lá fora ainda está meio nublado. É raro isso acontecer bem em setembro.

-Outono. - Respondo.

-Continua sendo estranho, porque Los Angeles é Los Angeles.

-As coisas mudam.

Queria poder mandar ele calar a boca, mas estava com pena. Estava passando um programa que eu gostaria muito de assistir. Bruno saiu da sala e quando voltou, estava com um iPad em mãos, mexendo e fazendo algumas caretas.

-O pessoal está ansioso para o CD. - Bruno fala consigo mesmo.

-É que faz tempo que você não lança nada, e seus fãs querem muito.

-É complicado, passa por muita coisa antes de lançar, porque se fosse assim eu estaria com mais de dez álbuns.

-Ui. - Balanço as mãos no ar e ele ri alto.

-Quem sabe posta uma foto sua, só pra atualizar eles. - Dou uma ideia e ele prontamente prepara o Ipad.

-Vou tirar do que estou fazendo agora.

-Tire de você mesmo.

-Não consigo. É estranho me auto retratar.

-Bruno. - Rio e estico a mão para ele me entregar o aparelho.

-Vou tirar pra você.

Tirei a foto dele olhando para o nada, e ele gostou, e já postou em seguido. Depois acabamos tirando fotos juntos, ele no outro sofá e eu aqui.

-Vai fazer um book, certo?

-Quando? - Arqueio a sobrancelha.

-Antes de ganhar o Nathan. Quero ver fotos de você grávida, e quero mostra-las para nosso filho.

-Olha aqui filhão, como sua mãe é horrível, você não teve sorte. - Imitei uma voz, o máximo possível parecida com a de Bruno.

-Para. - Pede.

-Papai, tem certeza que eu nasci dela? - Fiz outra voz infantil.

-Amber, pare. - Ele ria, meio contra gosto. - Você é linda, e ele vai achar a mesma coisa.

-Brigada. - Sorrio, baixando a cabeça.

O dia foi bem preguiçoso. Vimos um filme, mas nada demais. Pedimos almoço e lavamos a louça juntos. No auto da tarde peguei meu celular e mandei uma mensagem para as meninas, avisando o nome, com certeza depois elas iriam me ligar. Disquei o número de Finn e ninguém atendeu.

Na terceira tentativa, ele finalmente me atende.

-Hey, amor. - Ouço sua foz pacata.

-Oi, Finn. - Digo mais melosa, mas procurando não chama-lo de nenhum apelido, não consigo sentir vontade.

-Está tudo bem?

-Maravilhosamente, com nós dois. - Acaricio minha barriga. - E ai?

-Tudo ótimo. Estou com saudades.

-Eu também.

-Vamos ao cinema hoje?

-Eu combinei de assistir filme com o Bruno. Estamos sozinho hoje, a Marie teve que sair.

-Mmm. - Ele evitou falar qualquer coisa.

-Finn?

-Oi?

-Eu escolhi o nome.

-Escolheu? E qual é?

-Na verdade, o Bruno escolheu, eu apenas concordei porque achei lindo.

-O Bruno? - Finn bufa.

-Sim, o Bruno. - Respondo mais ríspida. Não acredito que iriamos brigar de novo por bobagem. - Vai ser Nathan.

-Quer que ele escolha as próximas cores das suas calcinhas também? Escolha onde nós vamos nos encontrar e que horas?

-Não falei isso, apenas ele disse um nome e eu concordei, porque eu gostei.

-Se fosse eu que tivesse dito esse nome, eu garanto, que não iria gostar.

-Iria gostar da mesma forma, Finn. Para com essas bobagens, tenho nojo disso.

-Agora é nojo. Porque não quer me ver hoje?

-Porque eu já combinei com o Bruno. Já até alugamos filmes. Se você quiser pode vir aqui... - Sei que ele e Bruno não iriam gostar da ideia, por isso ofereci. Bruno estava atento, olhando para mim.

 -Eu quero que isso se exploda, Amber. - Finn gritou comigo no telefone. - Estou cansado de sempre ser trocado pelo Bruno.

-Trocado? - Pergunto incrédula. - Quando troquei você por ele?

-Diversas vezes.

-Quero que me liste. - Peço.

-Eu sei que sou sempre eu o deixado de lado.

-Eu estou tentando fazer o possível para conseguir dar tempo para você e para o Bruno com o filho dele, que está dentro da minha barriga.

-Esse cara é uma pedra no meu sapato. - Finn bufa. Bruno para ao meu lado e faz um gesto para que lhe dê o celular.

-Não. - Respondo para o Bruno.

-Sim, me dê. - Ele fala baixinho.

-Bruno... - Não sabia o que ele poderia falar para o Finn. Mas ele pôs o celular no auto falante e se apoiou na mesinha atrás do sofá.

-O que você quer? - Pergunta Bruno.

-Era só o que me faltava. Devolve o celular para ela, faz o favor?

-Não. - Bruno responde curto e grosso. - Você tem noção que está gritando com ela? Ela não pode se estressar.

-Quem está fazendo isso é você.

-Claro, sou eu que estou tendo essa crise ridícula de ciúmes.
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domingo, 21 de dezembro de 2014

Capítulo 51 - The name game




Queria descansar um pouco, somente recostar meu corpo e fechar os olhos, mas acabei pegando no sono e tirei um breve cochilo. A mão de Bruno balançava suavemente meu braço me chamando para jantar.

-Vem, vamos lá. - Ele levanta e estica a mão.

-Quanto tempo dormi? - Pego a sua mão para me ajudar a levantar e logo depois esfrego os olhos.

-Talvez uma hora, duas. - Ele da de ombros.

-Amanhã minha coluna vai estar horrível. - Já doeu só de imaginar a dor.

Bruno ria, todo bobo, enquanto me puxava para o jardim. Arqueio as sobrancelhas, no mínimo muito surpresa, e ele me olha, ainda sorrindo.

- Lindo, não é? - Bruno ainda me puxou, paramos, e sua mão colocou uma mecha só do meu cabelo para trás , dando um terno sorriso, e encarando meu rosto atentamente. - Vem, Amber.

Balancei a cabeça positivamente e o acompanhei. Seu jardim é lindo, e a vista que tem dali é incomparável. Quantas pessoas tem esse privilégio? Aqui é Hollywood Hills, e é bem na parte alta, da pra sentir o céu me tocar. O céu estava laranja, contrastando com a toalha branca, numa pequena mesa quadrada, um pouco distante da piscina, bem ao meio da grama.

- Que lindo.

- Eu ajudei a cozinhar! - Bruno disse, animado. - E eu fiz a sobremesa quase sozinho.
Rio, olhando para ele , para a mesa e antes de voltar a olhar pra ele, caiu a ficha.

- Não entendi.

- Eu cozinhei? - Ele puxou a cadeira para me sentar. - E fiz a sobremesa?

- Não. - Rio como boba. - Eu não entendi o porquê da mesa e tal. - Gesticulei com as mãos.

- Ah. - Ele coça a sua nuca, meio tímido. - Só quis... Sei lá, fazer alguma coisa diferente. Fiz errado?

Tenho que dar na cara dele? Fez errado? Sério? Isso aqui é perfeito. Penso comigo mesma.
- De maneira alguma.

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Depois do lindo jantar, e do por do sol se aproximando mais e mais, sentamos na grama. Bem, na verdade Bruno estava com as pernas esticadas na grama, usando as duas mãos como apoio para manter seu corpo sentado. Eu estava deitada, olhando o lindo sol que já se punha, sentindo a grama por baixo de mim, estava fresco ali e eu não estava nem um pouco afim de levantar, ou entrar para a casa.

-Bruno. - O chamo.

-Oi? - Ele respondeu, parecendo voltar de outro mundo.

-Canta pra gente, por favor? - Peço timidamente.

Ele ri, puxando as pernas para sentar como índio.

-Meu cachê é caro. - Rio e ele se levanta. - Vou buscar o violão, espere ai?

Bruno entrou para a casa enquanto eu observava mais o céu. Escurecia aos poucos, e estava ficando bem estrelado, iria ser uma noite muito bonita. Na minha cabeça tudo estava as mil maravilhas. Eu vi meu filho hoje, não como eu esperaria, queria poder pegar ele, tocar na sua pele, beijar o seu rostinho, nana-lo até ele pegar no sono em meu colo. Mas me contento por enquanto em vê-lo naquela pequena tela, sem privacidade.

Nem percebi quando Bruno sentou-se na grama e colocou o instrumento sobre o colo.

-O que você quer que eu cante?

Fiz uma careta pensando em algo legal que ele poderia cantar. Sentei-me fazendo um esforço maior e fiz uma careta.

-O que você quiser. - Passo a mão pela barriga. - Sua voz acalma ele... Me acalma.

Acalma ele realmente, e me acalma. Mas serei idiota senão admitir que sinto ciúmes, porque nosso pequeno chuta apenas quando Bruno está por perto, quando Bruno está falando, quando Bruno toca na barriga, quando Bruno... Tudo Bruno!

-Não sei o que tocar. - Bruno sentou-se ao meu lado, e ainda meio com medo, tocou na minha barriga. - Será que você vai gostar de Elvis? Ou, sei lá, James Brown?

Rio, ajeitando minhas pernas que já estavam quase dormindo.

-Ele provavelmente vai gostar de coisas coloridas por um bom tempo.

Bruno começou a dedilhar o pequeno instrumento. O som era bem tranquilizante, fazia acalmar e sr fechasse os olhos, eu me sentia no Havaí. Bateu as unhas na madeira e olhou para mim, sorrindo de canto.

-Será que ele vai ter os meus cabelos?

-Eu espero que não. - Rio alto e ele coloca a língua.

-Mas, sério. Será que ele vai parecer comigo? Imagino um mini-eu andando pela casa. - Ele gesticulou a casa, apontando o polegar sobre os ombros.

-Espero que ele puxe a sua voz. - Fui sincera. - Ser filho de um cantor e puxar a voz da mãe, é uma infortunada falta de sorte.

-Amber, você desenha rosto bem?

-Sim, acho que sim. - Balanço a cabeça em concordância. - Por que?

Ele não me respondeu, apenas levantou, colocando o instrumento de lado, e correndo para a casa. Olhei para o céu, que estava lindo e bem estrelado. Bruno voltou com um caderno e algumas folhas soltas, e um lápis. Me entregou, e se sentou onde estava. Ele deitou na grama, apoiando a cabeça com as mãos e olhando para o céu.

-Desenha um rosto bem redondinho.

-Hã? - Pergunto confusa.

-Desenha meu bebê, Amber! Por favor.

-Ah. - Preparo o lápis e passo a mão na folha para tirar qualquer pequena sujeira que possa atrapalhar. - Tudo bem.

-Um rosto bem redondinho, com umas bochechas fofas.

-Hm?

-Uns olhos grandes... - Ele ri, e me olha. Nossos olhos se encontram e eu retorno a olhar para o desenho. - Meus cabelos.

Ri baixinho, mas desenhei como ele pediu. Não sabia desenhar perfeitamente, não era nenhuma obra de arte, mas eu fazia o que podia, e acho que ficava legal. Mas, definitivamente, meu ponto forte são as roupas.

-E o nariz?

-Não consigo imaginar um nariz. - Ele faz uma careta, apertando os olhos.

Me deitei ao seu lado, cuidando minha barriga. Coloquei um nariz qualquer, e fiz mais alguns detalhes.

-Quero covinhas. - Falo, passo a borracha sobre o papel, e me sento novamente, agora Bruno senta-se também.

- Sou o único da família que tem. - Ele se gabou, fazendo uma pose elegante, e eu acabo rindo. Ok, é impossível não rir de qualquer coisa que ele faça.

-Está lindo.

-Obrigada. - Digo dando um sorriso sincero. - E a boca?

Ele sorriu, se ajeitando e se aproximando um pouco de mim.

-Espero que ele puxe os belos lábios da mãe.

-Meu Deus, Bruno! Que cantada terrível. - Rio e ele se aproxima mais alguns centímetros.
-Não foi tão ruim assim.

-Foi sim. - Falo, e pigarreio para imitar a sua voz. - Espero que ele puxe os belos lábios da mãe.

-Eu não falo assim. - Ele se defende, e encosta sua mão na lateral do meu corpo, que já parece trabalhar mais rápido com aquele toque. - Sou uma das vozes mais sexys do mundo.

Ergo uma sobrancelha e fico o encarando. Meu Deus, tenho que parar de sempre olhar pra ele e projetar algo, tenho que parar de vê-lo como homem que eu possa ir pra cama e beijar. Ele é meu amigo. Mas é lindo, e seu corpo relaxado na grama, a surpresa que ele me fez, o modo com o qual está me tratando, e olhando pra mim, não há como resistir.

Fiquei analisando cada detalhe seu, e ele tomou a liberdade de terminar se se aproximar. Nossos narizes se tocaram, pude sentir ele respirar fundo, suspirar. Pousei a mão em seu braço e ele finalmente tocou meus lábios. Deu dois, três selinhos, e sorriu dentre eles. Não poderíamos apenas dar leves beijinhos, sei que nós dois queremos aprofundar.

Nos beijamos delicadamente, e lentamente. Sem pressa alguma, apenas sentindo o gosto, o vento e as estrelas que nos iluminavam. Isso é tão... tão... parece a coisa certa a se fazer. Mesmo sendo errada. Puxo seu lábio inferior lentamente, arrancando dele uma espécie de suspiro. Dei o último selinho antes de me virar para o desenho. Rabisquei uma boca, a boca dele.

Bruno se inclinou e observou tudo.

-Nathan.

-Oi?

-Nathan. - Ele apontou para o desenho. - Significa algo como "dádiva" ou "presente". Li um pouco daquele livro de significados.

-Nathan? - Analiso o desenho e penso exatamente no meu bebê ali.

Bruno tocou meus cabelos, e escorregou a mão para a minha bochecha, virou meu rosto em sua direção e me puxou pelo queixo. Meu corpo estava total e entregue a ele.

-Nathan.

-Sim. - Respondo, e já o beijo levemente.

+++ 

O pesar da minha consciência doía, parecia bater como a chuva batia nas janelas lá fora. Pego, nas minhas coisas, um bloco de folhas em branco, lápis e borracha. Sento-me na cadeira em frente a mesa e começo a expressar o que sinto naquele desenho. Incrível, minha mãe vivia me dizendo que eu descontava minhas decepções, raivas e arrependimentos, num caderno ou em qualquer folha que eu pudesse ter a liberdade de desenhar. O desespero se deu quando desenhei a face de uma mulher, talvez fosse alguma famosa que vi algum dia na televisão, mas seus lábios lembraram os da minha mãe. Por que tudo tem que ser complicado assim? Queria tanto estar bem como estou e estar com o apoio dela.

A ideia iluminou minha mente. Tomei um rápido banho e vesti uma roupa mais soltinha, e tênis. Eu iria visitar meus pais e minha irmã.

-Bom dia, Marie. - Dei assim que cheguei na cozinha para tomar meu remédio, minha vitamina e comer algo.

-Bom dia. Caiu da cama?

-Quase isso.

Tomei tudo rapidamente bolando algum jeito de Bruno não ver que estou saindo, depois que eu sair ele pode acordar, mas a chuva o fara me impedir, tenho certeza. Peguei minha bolsa com meus documentos, e quando foi até o hall de entrada vi a casinha de vidro com chaves dentro.

 Desculpe, Bruno, você irá me emprestar seu carro. Será um sequestro relâmpago.

Dirigi com cuidado e cantando algumas musicas da rádio. Estacionei na frente da casa e antes de descer me preparei psicologicamente para algum tipo de briga ou discussão, sei que ela não deixará tão cristalino esse dia. Abri meu guarda-chuva e fui até a porta batendo três vezes.
-Deus, essa chuva só poderia ser um sinal. - Meu pai abre um enorme sorriso quando me vê ali.

-Pai. - O abraço.

-Porque não avisou que viria? Teria ido buscar você.

-Tive essa vontade repentina. - Sorri de canto e ele abre espaço para eu entrar.

-Quem é? - Minha mãe não tinha me visto até terminar de concluir sua pergunta. - O café está pronto. Oi.

Pelo menos um 'oi' eu ganhei. Meu pai foi ao banheiro lavar as mãos e eu subi para acordar minha irmã. Era estranhamente estranho entrar no quarto dela com tantos posters do Bruno, agora que eu já o vejo todos os dias. Ri baixinho, chegando perto da sua cama, retirando o urso que estava na ponta e sentando ali. Assoprei sua orelha e ela passa a mão no local.

-Seu sobrinho está doido para tomar café, não faça essa desfeita. - Sussurrei e ela reclama algo, abrindo os olhos e sorrindo quando me vê ali.

-Que bom dia.

Me sinto tão amada quando ela me deu um abraço. Esperei-a escovar os dentes para descer. Era nostálgico estar por ali novamente, mas o ar de superioridade de minha mãe faz quebrar o clima nostálgico para o clima "você não é bem-vinda, vá embora". Esperei eles terminarem o café, sentada na sala, até o toque do meu celular me assustar.

-Alô. - Digo.

-Você tem dois segundos pra me dizer onde está. - Diz Bruno, com a voz cansada, em tom de ordem.

-Eu estou na casa dos meus pais. Fiz um pequeno sequestro relâmpago em seu carro, perdão. Mas ele está inteiro. - Rio e não o sinto rir.

-Caramba, Amber, poderia avisar. Fiquei preocupado imaginando o que poderia ter acontecido.

-Mas não aconteceu nada e nem vai acontecer. Nós estamos muito bem.

-Quer que eu vá busca-lá?

-Não precisa, não sei quanto tempo irei ficar por aqui.

-Tome cuidado nessas estradas. Me avise quando vier.

-Ok, papi. - Brinco, e, agora sim, ele ri.

-Beijos.

Ri como boba dele, e expliquei para Violet o porque estava rindo, e ela já aproveitou para dizer que a foto com ele está ficando velha e ela precisa de mais algumas. Meu pai se juntou à nós. Conversamos sobre tudo um pouco, e o assunto principal era minha amizade com o Bruno, como está sendo minha morada lá e o nome do meu filho, claro, além da saúde dele e etc. Às vezes me sinto deixada de lado, como se ninguém lembrasse mais de mim, agora só do meu filho.

Esbarrei em minha mãe quando fui ao banheiro, e ela pediu desculpas, abri um sorriso, mas ele não foi retribuído.

Já passava do meio dia quando fui embora. A chuva aumentava um pouco mais e meu pai implorou para que eu tivesse o máximo de cuidado com a estrada. Prometi ser mais cuidadosa e disse que iria ligar todos os dias a partir de hoje. Me despedi e deixei um abraço para minha mãe caso ela aceite, e peguei o rumo da casa.

Abri a porta e Bruno apareceu como um vulto em minha frente, me olhando de cima a baixo.

-Eu não sou um alienígena. - Aviso. - O carro está inteiro. - Balanço a chave e a ponho no lugar.

-Almoçou?

-Não, vim para almoçar com você.

-Que fofa, mas não pense que esqueci da sua fuga pela manhã.

-Foi por duas, quase três, horinhas fora de casa. - Reviro os olhos e ele bate no meu ombro.

-Poderia ser até a esquina, mas tem que me avisar.

-Captado, senhor. - Bati continência e ele ri.

A mesa estava posta e a comida pronta para ser servida. Bruno puxou a sua cadeira e sentou, eu fiz o mesmo. Comemos harmonicamente, e conversamos até sobre a mudança tão repentina do clima.

-Espero que no meu aniversário não chova. - Ele afasta o prato.

-Normalmente chove?

-Depende, tem anos que sim, outros que não. No Havaí não chovia.

-Esse ano vai fazer algo no Havaí?

-Estava pensando em Vegas, Nova Iorque, ou até um lugar fora dos Estados Unidos, mas acho que para fora será mais difícil por causa dos últimos arranjos musicais e do lançamento da primeira música.

-Violet vai pirar quando souber.

-Não diga para ela o dia, pensei que ela pudesse vir pra cá no dia da divulgação, que tal?

-Ela irá amar, tenho certeza.

-Ok, quando souber de mais detalhes eu te falo.

Ajudei Marie a tirar a mesa e lavar as coisas. Ela está sendo tão querida comigo, tão mãe e amiga, que a abraço sempre que preciso de um carinho. Ela estava parada perto da geladeira, vendo algo no balcão.

-Qual é o segredo para a felicidade, Marie? - Pergunto enquanto brinco com meus dedos na bancada.

-A felicidade está em pequenas coisas.

-Mas porque eu nunca posso ser feliz completamente? - Pensei em primeiro lugar na minha mãe, e depois na briga que tive com o Finn ontem à noite.

Ela me explicou que ser feliz é uma relatividade. Não podemos sermos felizes o tempo todo pois a vida também é feita de altos e baixos, mas devemos sempre buscar a felicidade até mesmo dentro dessas coisas mais sombrias, desses momentos difíceis. Era bom falar com ela, me senti um pouco melhor. Levei meu corpo para a sala, onde Bruno não estava, e deitei no sofá. Se eu contasse para alguém tudo que me aconteceu nos últimos meses, ninguém acreditaria. Diriam que é coisa de livro e filme. Mas não é, é minha vida.

-Hey, Amb. - Ele me chama atenção. - Vou sair, precisa de algo?

-Não, Bruno, obrigada. - Sorrio , sentando no sofá.

-Ligue para a Riley, ou para a Annabelle, peça para virem para cá te fazer companhia. Eu não sei que horas chego, tenho que passar no estúdio com os caras, e essa chuva dificulta o trânsito.

-Pode deixar. Ficaremos bem.

Desculpem a demora! Amo os comentários de vocês. Ah, esse nome do capítulo é de uma música que toca em American Horror Story e eu amo <3 beijos 

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Capítulo 50 - A new ultrasound




Pela manhã acordei antes de Bruno, minha barriga roncava e estava com um pequeno incomodo nas costas. Andei para a cozinha e encontrei Marie, que fazia o seu trabalho.

-Bom dia. - Digo ajeitando meus cabelos.

-Bom dia, Senhora Amber.

-Não... sem o senhora. Não sou superior à você. - Sento-me na cadeira da bancada.

-Passou bem a noite?

-Demorei um pouco para pegar no sono, mas estava bem. - Confiro a hora e bocejo. - Acha que seria uma má ideia comer e dormir novamente? Parece que cada dia fico com mais sono.

-Não parece. Você fica. - Ela ri. - Acho que se comer uma fruta, leve, não fará mal.

-Ok. - Levanto do banquinho e pego uma laranja no cesto e uma faca. - Obrigada, e bom dia que está mais para boa noite.

Bruno Pov's

Sai da minha zona de conforto. Minha cama implorava para mais minutinhos, mas eu precisava levantar. Dormi tão bem a noite que precisava mais daquele sono. Andei direto para a cozinha, mas antes certifiquei se Amber ainda dormia. A porta estava fechada, então creio que sim.

-Bom dia, Marie. - Vou em direção da geladeira.

-Bom dia, Bruno. Dormiu bem?

-Muito. Queria ficar mais um pouco na cama, ela estava tão convidativa.

-Elas ficam mais sensuais pela manhã. - Eu rio de sua piada e sirvo um copo de leite.

-Amber ainda não acordou?

-Acordou cedo, veio para cá, pegou uma laranja e foi dormir novamente.

-Tomara que ela não ultrapasse muito tempo dormindo, temos ultrassom hoje.

-Temos?

-Vou leva-lá, e aproveitar para ver meu pequeno.

-Fico feliz que tenha mudado aqueles pensamentos. Me desculpe, mas era impossível não ver que estava confuso.

-Foi um susto. - Tomei um gole escasso. - Mas passou e está tudo maravilhosamente bem.

-Percebo. - Marie me olha com o seu olhar cúmplice de mãe. Entendi que havia mais do que apenas um olhar ali. Comecei a rir.

-Desabafe, o que está acontecendo? - Pergunto rindo e ela se vê na liberdade de rir também. Escoro-me na parede e ela larga o pano de prato.

-Sem querer, eu juro, foi sem querer. - Sua simplicidade em falar, seu jeitinho de mãe cúmplice do filho, me faz lembrar da minha mãe. - Eu vi você e ela na piscina. Se beijando.

-Ah. - Rio, envergonhado. - Isso é bobagem.

-Bobagem? Não parecia. Me desculpe.

-Nós somos bons amigos. E Amber, bem, ela tem namorado, e parece gostar bastante dele.

-Eu me engano dificilmente, Bruno. - Marie pega novamente o pano de prato. - Ela gosta de você.

-Somos amigos. - Tomo mais do meu leite.

-E você gosta dela.

Não é algo que eu vá ouvir toda hora da boca das pessoas. Gosto dela como minha amiga, a acho linda, e bem, ela carrega meu filho. Esses momentos dos beijos, são momentos de fraquezas. Nada demais.

+++

Batia meu dedo contra a calça jeans. Queria entrar logo e não tenho paciência para esperar quando estou ansioso. Sofro por antecipação. Amber já estava irritada de tanto tempo que eu estava tamborilando meus dedos.

-Bruno, para. - Ela coloca a mão sobre a minha. Pequena e delicada, como ela. Parei com os movimentos. - Você está realmente me irritando, e irritando aquelas grávidas ali.

Nem faço questão de ver quem se tratava as grávidas, dane-se quem eu estava irritando, apenas queria ficar tremendo uma perna, ou mesmo tamborilando os dedos, enquanto aquele bendito médico não chama. Rio dela e fecho os olhos para descontrair.

-To ansioso para ver meu filho. Posso?

-Não. - Amber da um tapa na minha perna. - Já disse mil vezes, vai ser como da outra vez. Você não vai ver quase nada, apenas ele maior. Mas ainda não saberá a cor dos olhos, o cabelo, e etc.

-Mesmo assim. - Ajeito meu chapéu mesmo que não tenha nada para ajeitar. - Aposto que ele é lindo.

Antes que Amber falasse algo em resposta, a enfermeira de põe a porta dupla e chama pelo nome dela. Levanto e estico a mão para ajuda-la.

-Gordinha. - Brinco, enquanto ela andava ao meu lado.

-Culpa do seu filho.

Verdade, culpa única e exclusivamente dele. Rio e paro na frente da porta do consultório, abrindo para ela.

-Bom dia, Amber. - Dr. Tompson, estava escrito em seu crachá, ele sorri e aperta a mão de Amber.

-Bom dia, Dr.! - Amber sorri, sentando-se na cadeira em frente à mesa e me mostrando a outra para sentar. - Esse é o Bruno, meu amigo e pai do meu bebê.

Ele estica a mão pra mim e eu a aperto.

-Muito prazer, rapaz. - Ele sorri, bem simpático. - Você é um homem de sorte.

-Obrigada. - Sorrio. Sento-me e fico pensando "Sou um homem de sorte por ter a Amber como amiga ou por ela estar esperando um filho meu?".

-Então... - O médico chama a nossa atenção. Leu algo no computador e retomou a conversar conosco. - Foi parar no soro novamente, huh? O que aconteceu?

-Alimentação. - Me intrometo no assunto. Amber me olha e faz uma careta engraçada. - Mas já estamos fazendo tudo na linha. Controlando alimentação e tudo mais.

-Certo. - Ele assentiu. - Não precisamos nos preocupar com isso então?

-De maneira alguma. - Nego, respondendo.

Amber é conduzida com a minha ajuda até a maca. Sentou-se e levantou a blusa até a altura dos seios, deixando sua barriga livre. Fiquei como bobo olhando o tamanho dela, crescendo cada vez mais, e tão linda. Nem parece que dali sairá, em breve, meu filho.

-Ai, tá gelado. - Amber reclama logo que o médico põe o gel, de aspecto nojento, na sua barriga.

-Dramática. - Reclamo.

-É? Deixa ele passar em você, então.

Faço careta.

-Tem uma criança em mim por acaso?

Até o médico se obrigou a rir, ela colocou a língua pra fora e semicerrou os olhos. A máquina começou a passar pela barriga e na tela já aparece vestígios do meu filho.

Aponto para a tela, um sorriso grande toma conta do meu rosto, enquanto o médico ia marcando alguns pontos na imagem.

-Isso aqui é a região genital.

Comecei a rir tão bobo com meu filho.

-Vai fazer sucesso, Amber, olha isso! - Brinco apontando para a tela.

-Isso é a perna dele, idiota. - Amber começa a rir de mim.

-Ah. - Finjo estar decepcionado. Fiz isso para ver o sorriso dela. - Ele está grande? Digo, para o tempo de gravidez e tal.

-Está alguns centímetros a mais do que a média.

-Será que ele será alto? - Pergunto e Amber ri.

-Só se não puxar à nós.

Prestamos atenção em mais coisas, até um barulho ritmado tirar a nossa atenção. Era forte e bem rápido. Paramos de falar ou fazer qualquer barulho.

-O que é isso? - Pergunto, curioso.

-É o coração do bebê de vocês.

Meu coração aperta. Deus, que momento único. Fechei os olhos para gravar aquela batida, e juro, que se eu pudesse, faria uma música só com ela. Era emocionante e lindo, inspirador. Algo que me deixou de alma limpa. Nos olhos de Amber alojavam-se lágrimas. Peguei de leve na sua mão e sorri para ela, mandando a mensagem de que eu estava ali e que esse era um dos muitos momentos de alegria e emoção que nosso filho nos daria

Sai como besta daquela consulta, liguei para meu pai, para minhas irmãs, para Eric e Phil. Estava sorrindo atoa, e quando desci no elevador com Amber que ria de mim, foi instinto pegar sua mão. Logo , segundos, nós nos tocamos do que estávamos fazendo e rimos juntos. Entramos no carro e eu dirigi pra casa ao som de muitas músicas boas, empolgado e muito feliz.

-Viu como ele é grande? - Pergunto como bobo.

-Não se ilude. - Ela insiste.

-Me deixe ser feliz. - Largo a chave sobre a mesinha atrás do sofá e ela ri, sentando na cadeira e pondo a mão nas costas.

-Ele está me dando dores, isso sim. - Reclama.

-Quer algum remédio? Isso é normal? - Qualquer sintoma de dor que ela sente eu já fico com medo. Meu maior medo é que algo aconteça e ela pare no hospital. Não suportaria.

-Bruno, são dores normais, calma. - Ela ri, deve pensar que eu sou um idiota, mas querendo ou não, todas as vezes que ela parou no hospital eu tenho culpa parcial.

Depois de tomar um banho, deitei na minha cama e queria já dormir para acordar amanhã, mas acabei levantando para ver o quarto do meu filho. Sou perfeccionista, tudo tem que estar perfeito para quando ele chegar. Olho para o lugar onde irá ser posto seu nome e rio, pensando que estamos quase no sexto mês de gestação e ainda nem o nome sabemos. Sai do quarto e fechei a porta, andei para a sala ou estúdio para fazer algo, mas acabei, sem querer, escutando a conversa dela e do Finn. Estavam discutindo, e eu preferi parar de ouvir do que depois acabar manchando minha imagem com ela como invasor de privacidade.

Fui para a cozinha e encontrei Marie tirando algumas coisas da geladeira para começar a preparar a janta. Minha mente brilhou com uma ideia.

Amber Pov's

Assim que sai do banho, Finn me ligou. Atendi e fui para a sala.

-Alô.

-A que horas é sua ultrassom?

-Já aconteceu. - Falo como boba.

-Que?

-Sim...

-Quem foi com você? - Em tom de ordem ele pergunta, sinto como se ele fosse capaz de segurar meu braço fortemente para responder isso.

-Bruno, ele foi comigo.

-Só podia ser.

-Finn, ele é meu amigo. Pai do meu filho! - Queria poder gritar pra ele entender isso. Odeio cenas de ciúmes.

-Mas eu sou seu namorado, eu vou ajudar a criar ele.

-Pai da criança também tem seu direito.

-Você fala como se quisesse esfregar na minha cara que eu não posso ter filhos.

-Finn! - O repreendo. - Sabe que eu nunca faria isso. Você pode ter a crise de ciúmes que quiser, mas eu nunca diria isso. Eu sei que palavras podem ferir. - Me senti realmente ofendida por ele achar que eu poderia fazer isso.

-Não quis dizer isso.

-Mas disse. - Fecho os olhos. Será que ele acha mesmo que um dia eu possa brincar com isso, ou esfregar na cara dele?

-Me desculpe. - Sinto sua voz tão suave.

-Nos falamos depois, pode ser? - Peço.

-Amber, não fique brava comigo, por favor.

-Até depois, Finn.

Desligo o telefone, tecnicamente não foi na cara dele, já que eu avisei que iria me despedir. Larguei o telefone ao meu lado e apoiei meus braços na guarda do sofá.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Capítulo 49 - A walk with friends



Amber Pov's

Meu cabelo estava uma coisa. Não consegui deixá-lo bonito de jeito nenhum. Bufo na frente do espelho enquanto procuro uma forma  dele ficar melhor.

Estou vestida de um macacão que ganhei da Riley. Ele é meio jeans, meio pano, não sei distinguir, mas é bem confortável para ir passear.

Bruno e eu vamos sair para comprar roupinhas. Bruno, eu e Riley. Não quis que ele saísse somente comigo, poderia pegar mal pra ele e não quero que ele se comprometa.

-Você parece uma mocinha se arrumando. - Entico com ele, que coloca os tênis.

Percebi que o mais próximo que eu havia chego do seu quarto fora agora, que invadi um pouco além de sua porta. Dei dois passos pra trás e ele riu.

-Pode entrar no meu quarto, Amb. - Ele me olha. - Adorei sua roupa.

Sorrio envergonhada.

-Obrigada. Riley me deu e ela é bem confortável na verdade.

-E bem legal. A barriga parece maior.

-Obrigada. - Olho para meus pés enxergando só a pontinha. Faço uma careta.

-Não enxerga seus próprios pés. Gorda. - Ele coloca a língua pra mim.

-Pois a gorda aqui irá sozinha compras as roupinhas.  - Caminho para o corredor. - A gorda aqui vai comer dois potes de Ben & Jerry's sozinha. - Sigo o corredor passando a mão na parede. - A gorda aqui...

Quando viro para trás, ele está atrás de mim.

-Meu filho calçará all star desde pequeno. - Ele já estava pronto, de boné e óculos escuros.

-All star é só para gordos. Seu filho será gordo como eu estou. - Volto a olhar pra frente andando feito criança.

-Rum rum. - Ele chama minha atenção. Olho dos seus olhos direto para seus pés calçando all star como eu. Rio dele e ele ri da minha risada horrível.

-Gordo.

-Fofinho.

Seguimos para o carro, demos tchau para Marie e fomos ao encontro de Riley no curso dela. O bom do carro do Bruno eram seus vidros fumê. Eu estava atirada de qualquer jeito. Era tão estranho estar assim agora depois de tudo que passamos nos últimos meses.

-Onde está a Riley? - Bruno se inclina para o volante procurando ela, e Riley bate na porta ao meu lado.
-Destrava pra ela. - Peço e ele faz.

-Desculpem a demora, estava... - Vi ela limpando o canto da boca.

-Cretina. -  A fito pelo retrovisor.

-Eu...

-Quem é ela?

-Ela? - Pergunta Bruno e logo parece se tocar. - Desculpa, não me acostumei...

-Foi nada. - Ela sorri pra ele e me olha pelo retrovisor. - Uma menina nova... Se chama Ashley.
-É linda como você? - Bruno já dirigia pela estrada.

Comemorei com Riley por ela estar feliz com sua nova affair, mas vi Bruno a chamar de linda, fiquei meio quieta com isso. Sinto que se ela desse mole e gostasse de garotos, ele iria pega-la, mas assusta saber que o pai do meu filho pode estar querendo ficar com a minha melhor amiga. Apesar de não ter nada demais nisso, já que nós somos amigos. Mas... Não sei.

Chegamos ao shopping e Bruno recolocou seus óculos, guardando a chave no bolso e conferindo sua carteira.

Andamos diretamente para o segundo piso, onde há mais lojas de roupas e mais variedades. Ele andou entre eu e Riley, conversamos algumas coisas e volta e meia Bruno disfarçava um pouco quando as pessoas encaravam demais.

Entramos numa primeira loja. Bruno andou direto para a parte de acessórios e eu e Rye para as araras de roupinhas. Peguei várias para ir escolhendo e Bruno as tomou da minha mão quando estava terminando de escolher.

-Qual mais? - Pergunta.

-Bruno, me dê, eu vou pagar.

-Você vai se calar e me dar as outras que largou.

-Não é preciso...

-Calada, Amber. - Riley entrega as roupas e Bruno vai para o caixa pagar.

-A próxima loja eu pago. - Resmungo.

-O filho é dele também, ele está tentando fazer o certo.

-Eu sei... mas não quero que ele fique pagando tudo, vai me dar a impressão que ele depois vai ser mais pai do que eu mãe. - Torço os lábios num sussurro e espio para ver se Bruno está vindo.

Podemos ter entrado em mais duas ou três lojas e todas o Bruno pagou as coisas. Estávamos cheios de sacolas. Precisávamos nos dividir para segura-las e continuar comprando. Bruno disse que a maioria das coisas teriam que ser novas, era seu primeiro filho e estava parecendo um bobo comprando coisas. Na loja de sapatos, comprou dois pares de tênis, um vans e um all star. Riley ganhou um presente dele, uma sandália. E eu? Nada. Mas também não esperava.

Confesso que ele dar um presente pra ela foi bem estranho.

Largamos as roupas e acessórios no carro e partimos para as lojas da rua comprar cadeiras e mais algumas tralhas que Bruno fazia questão de comprar. E no fim das contas, nosso filho já tinha até bóia para a piscina.

-Um exagero. - Comento sobre a bóia e Riley ri.

-Deixa, um dia ele precisará.

-Quero levá-lo para o Havaí. - Comenta Bruno.

-Depois que ele estiver bem grandinho e não depender de mim pra amamentar, quem sabe.

-Te levo junto. - Ele sorri de canto e me deixa desarmada.

Riley olhou para nós pelo retrovisor e riu baixinho. Passamos em algum local para comer e deixamos, no fim da tarde, Riley em casa. Bruno estacionou e eu estranhei Finn não ter me ligado, mas quando vi ele sentado na área, com Belle ao seu lado, rindo, pensei que ele estivesse realmente ocupado demais para ligar-me.

-Aconteceu algo? - Pergunta Bruno. - Quer descer e conversar um pouco com suas amigas?

-Só quero descansar. Minhas pernas doem. - Reclamo de verdade e ele dirige pra casa.

Recebo em questão de minutos uma mensagem de Riley.

"Adorei o passeio. Finn e Belle perguntaram porque não desceu do carro, falei que estava cansada demais"

"E estava mesmo. Meus pés estão inchados e doem. Obrigada por me acompanhar hoje"

"Amigos são pra isso. Aliás, você e Bruno estão se dando muito bem."

Olho para Bruno assobiando alguma melodia e rio em meus pensamentos. Nós estamos nos dando bem mesmo. Fico mal de pensar que o julguei tanto, ele está sendo uma pessoa maravilhosa e essencial.

"Somos amigos agora, e moramos juntos. Temos que nos dar bem. Ele é legal"

"Eu sei, mas acho que é algo a mais...Posso estar bem enganada, mas ele parece gostar de você!"

Falei para Riley que ela estava doida e bêbada, e só fui olhar a mensagem dela quando cheguei em casa. Respondi e fui para o meu banho. Troquei a roupa por uma mais larguinha - se é que é possível - e fui até o quarto do meu pequeno. Tirei tudo das sacolas e dobrei cada roupinha com  cuidado. Pendurei as duas bolsas dele no cabideiro, ajeitei as mamadeiras, os outros acessórios e seus primeiros sapatinhos.

Meus pensamentos estavam no meu filho e quando saíram dele foram para Finn. Ele discutiu comigo ontem por puro ciúmes do Bruno, e hoje não me procura por causa de orgulho ferido? Eu não irei atrás de ninguém. Sei que ele me ajudou muito e eu gosto dele bastante, mas não irei assumir a culpa da briga de ontem sendo que eu não tive.

-Dizem que quem pensa muito não casa. - Bruno me assusta. Sorrio pra ele, e levanto da poltrona.

-Não sei nem se eu quero.

-Mas e o Finn? Pensei que fosse amor para toda a eternidade.- Claramente, ele ironiza nossa relação.

-Nós temos nossos problemas.

-Quer conversar sobre isso?

Poderia me abrir para ele, falar o que estou sentindo, mas para isso teria que contar da parte que eu tenho apetite sexual por ele e não pelo Finn. Que eu quero transar, mas é com ele e não com o Finn. Balanço a cabeça e sorrio para ele mais uma vez.

-Você já fez demais por mim hoje. - Seguro sua mão. - Obrigada.

-Talvez eu não seja aquela fera que você pensou.

-É. - Ando até a porta do quarto. - Talvez. Vamos jantar o que?

+++

Não esperava por ver algum filme ou que nós fossemos conversar até tarde. Ele estava exausto e eu também, por isso, logo depois que jantamos, e eu tomei minhas vitaminas, nos despedimos e cada um foi para o seu quarto. Tomei um banho mais que confortável naquele banheiro que é maravilhoso, e vesti uma roupa mais folgada.

Tentei dormir, mas aquela noite me fazia pensar bastante nos beijos que demos esses dias. Era tão estranho, e eu não poderia simplesmente agir como se nada tivesse acontecido. Aconteceu, e eu deixei.

O problema é que eu não posso, e nem consigo, controlar meus hormônios. Durante os beijos tinha vontade de agarra-lo com mais força e transar ali onde estávamos, sempre foi assim, minha virilha ficava doida só com aquilo. Mas eu queria e deveria parar, por Finn. Ele não merece nada disso, ele é uma pessoa incrível.

-O que eu faço, meu Deus? - Pergunto retoricamente, obviamente não esperando resposta. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Capítulo 48 - "Luke, I am your father"




-Você é tão bela, Amber. - Quebro nosso silêncio , sussurando para ela, e suas bochechas coraram levemente.

Procurei motivos para não beijá-la novamente, afinal, eu queria. Sabe-se lá porque, mas eu queria. Ajeitei uma de minhas pernas e puxei seu rosto para perto do meu novamente. Deixei minhas mãos deslizarem por seu corpo, por suas costas para ser mais preciso. Subi para os cabelos longos e enrosquei meus dedos nele. Quebramos esse beijo rapidamente, até que voltamos a nos beijar.

Não durou muito tempo, já que Amber me empurrou levemente para trás. Por impulso dei um selinho em sua boca.

-Finn! - Sua voz pesara, ela estava com a consciência pesada.

-Desculpe. - Faço uma careta.

Levantei meu corpo da beira da piscina onde estávamos sentados, apoiando meus braços para puxar minhas pernas. Não sabia se deixava a Amber ali e voltar sozinha e a hora que bem entendesse para dentro de casa, ou se esperava ela. Eu estava realmente irritado, comigo mesmo e com ela. O que deu em mim para beija-la?

Várias vezes... E com ela por falar no nome do príncipe de araque, e quebrar nosso beijo para lembrar daquele branquelo azedo.

Ajudei ela a levantar, segurando suas mãos. Ela estava com tanta vergonha, era até cômico, se não fosse meio trágico. Agora, mais uma vez, não sabia o que fazer.

Poderia pedir desculpas? Poderia enterrar minha cabeça na terra? Poderia correr? Ou simplesmente, ignorar?

Estendo a toalha para ela, que abraçava o próprio corpo.

-Desculpe. - Repito enquanto viro em direção da casa. Deixei-a para trás. E isso pode se besteira, mas eu e ela estávamos com vergonha, e eu não queria ter que falar sobre o beijo agora, porque não saberia o que responder.

+++

-Você sumiu. - Amber apareceu na porta do meu quarto assim que eu a abri após umas batidinhas. - A professora de yoga deve estar chegando.

Enquanto ela falava, pego o lápis e o caderninho que estava em mãos.

-Estava trabalhando. - Aponto para o material.

-Escrevendo, é? - Pergunta.

-Rabiscos. - Balanço a cabeça.

-Posso ver? - Amber bate algumas palmas infantis a minha frente. Eu rio dela, e penso que era melhor ela não ver nada daquilo, eram apenas bobagens. Rascunhos de possíveis músicas que podem vir, ou não, a ser produzidas.

-Ainda não. - Coloco na mesinha ao lado da cama. - Você precisa comer, Amber. Ou não fazemos yoga hoje.
-Eu... Espero que não fique brabo. - Ela deu um sorriso travesso. - Já comemos. O seu filho estava morrendo de vontade de comer.

-Desde que não tenha colocado fogo na minha cozinha e não quebrado todos os pratos. - Dou de ombros gostando de ver que ela se importou em fazer a comida para ambos. - Não irei encontrar um sapo defecado no balcão? Nem nada nojento grudado no teto? - Pergunto assim que levanto.

-Uma lasanha, só isso.

-Espero que tenha pra mim, sabe como ele, pai e filho, somos o pacote completo.

Rio passando por ela, pela porta. Ela me segue.

-Só não garanto que está boa.

-O que vier é lucro.

Amber Pov's 

Enquanto Bruno jantava a lasanha que eu me arrisquei fazer, atendi a ligação de Finn. Estava com pesar na consciência. Não deveria ter deixado aqueles beijos acontecerem, eu já fui tão idiota com ele quando engravidei, não poderia ter me deixado levar. Mas eu simplesmente não posso ignorar que todos meus hormônios aflorados de grávida estão gritando para ter uma noite de prazer com o Bruno.

-Eu juro que está tudo maravilhosamente bem. - Repito para Finn. - Estamos nos dando melhor do que eu esperava.

-Ok, acredito em você. - Ele pigarreou no telefone. - Grava um pedacinho da yoga pra mim. Por favor.

-Gravar?

-É. Quero me sentir parte disso. - Sento-me no sofá.

-Não sei se a professora vai deixar, mas tentarei.

-Põe o celular escondido em algum lugar.

Me sentia uma adolescente novamente quando procurei lugares estratégicos para por o celular para gravar enquanto fazíamos a aula. Bruno recebia a professora e ia ajudando com as esteiras, enquanto eu colocava uma roupa mais apropriada.

Sentamos e conversamos rapidamente sobre os exercícios de hoje. Falamos sobre nosso nado a tarde, e ela disse que isso é bom para o preparo do parto e para o resto da gestação em si. Já falou sobre alguns exercícios que eu tenho que tomar cuidado.

Começamos a aula. Sentamos separados e fizemos uma inspiração primeiro. Concentrando nossa energia e canalizando a paz. Quando nossa mente esvaziou-se, ela pediu que começássemos com um pequeno alongamento. Pés, pernas, mãos, braços e cabeça. Bruno estalava como um plástico bolha ou um pacote de salgadinho. Ri dele de modo que a professora não percebesse.

Ela pediu que sentassemos na esteira, ele atrás de mim, e fizesse uma massagem em minha barriga, enquanto eu respirava pelo nariz e soltava pela boca.

-O que faria se a bolsa dela estourasse agora? - A professora pergunta.

-Correria para o hospital.

-Ótima resposta. - A professora muda de posição. - Você colocaria Amber de qual forma no carro?

-Sentada?

-Doeria. E muito. - Balança a cabeça. - Você a deitaria e daria um pano para ela morder e concentrar a atenção ali. Deitada será a posição que menos doerá porque nada irá adiantar para passar as dores das contrações.

Tive que deitar, abrindo as pernas e Bruno ficando a minha frente. Respirei rápido como se sentisse as contrações, enquanto ele apertava de leve minha barriga. Pegou minhas mãos e me ajudou a fazer abdominais. Não poderia deixar de me livrar dos pensamentos mais sórdidos enquanto ele me tocava.

No final da aula, mandei o vídeo para Finn e ajudei Bruno a ajeitar o espaço. Ele foi para o seu quarto tomar banho e eu também. Antes do yoga estava até com sono, mas agora já havia passado. Antes de entrar no box, meu celular toca.

-Viu o vídeo? - Pergunto sorrindo como boba.

-As aulas são sempre assim?

-Assim como?

-Você tão pertinho dele.

-Sim.

-Achei muitas coisas desnecessárias. - Ouço sua respiração forte.

-São ordens da professora.

-E ele se aproveita.

-Ele é o pai, e faz o que ela manda. Não faz porque quer. - Defendo o Bruno e ele ri.

-Virou defensora dele quando? Desde que foi morar no covil dele?

-Covil? Finn, não estou afim de brigar com você. - Bufo e largo o celular no auto falante em cima do balcão da pia.

Finn continuou com sua teoria da conspiração contra o Bruno para cima de mim, falando mil modos de que é possível fazer yoga sem essa intimidade toda. Que ele me olhava de forma inadequada, que o Bruno estava querendo irritar ele. Ouvi tudo por um ouvido e deixei que saísse pelo outro. Isso são bobagens. Bruno é meu amigo e ta se mostrando muito prestativo esses últimos tempos, está me ajudando demais. Não iria ficar ouvindo briguinhas idiotas por ciúmes. Fui tomar meu banho e depois colocar um pijama.

Bruno Pov's 

Amber ainda estava de cabelo molhado, dizia que se recusava a passar secador porque seu cabelo iria armar. Nunca vou entender as mulheres. Estava indo para a sala, levando dois baldinhos de pipoca e duas latas de sheweppes. Ela procurava no meio dos DVD's algum filme que pudéssemos assistir.

-Quem compra filmes nos dias de hoje? Você não sabe que existe o netflix? - Pergunta ela enquanto passa os olhos nos muitos filmes.

-Eu. - Rio. - Não me dou bem com tecnologias, e gosto de colecionar.

Ela continuou a olhar os filmes, e eu pus nossas pipocas e as latas sobre a mesa de centro. Liguei a televisão e me sentei esperando por ela escolher.

-Bonequinho de luxo?

-Juro que não fui eu que comprei. - Obviamente aquele deveria ser mais um dos filmes das minhas irmãs. - Deve ter sido uma das meninas.

-Mal conheço, mas isso é a cara da Tahiti.

-Provavelmente. - Rolo os ombros.

-Uma cilada para Roger Rabbit?

-Esse fui eu. - Digo orgulhoso. - Fetiche pela Jessica Rabbit. - Coloco a língua pra fora.

-Não sou malvada. - Amber imita a voz de Jessica, fazendo a pose dela. - Fui desenhada assim.

-Amber! - Começo a gargalhar dela, arregalo os olhos a fitando. - Não faz assim.

-Quer assistir 300? - Ela ignora o que falo sobre Jessica e continua.

-Já assisti mil vezes. - Respondo pegando um punhado de pipoca.

-Nojento.

-Fala a mulher que come carne crua.

-Argh. - Ela faz uma careta engraçada. - Vai me perseguir o resto da vida com isso?

-Talvez. - Rio mais do que já estava.

-Um lugar chamado Notting Hill. - Ela lê o título de outro filme. - Star Wars... Um amor pra recordar.

-Acho que vou querer 300, mesmo. - Balanço a mão em repulsa e ela ri, cara de sapeca.

-Não mais, papai. - Amber ri. Me chamar de papai é covardia. Pensei em tantas coisas e tantas formas dela me chamar assim. Sorrio, pensando longe. - Vou colocar Star Wars, porque eu amo o Darth Vader.

Observei ela tirar o filme e se inclinar para por no DVD. Ajeitou as coisas e eu não pude deixar de olhar para o seu trazeiro e suas costas. Às vezes sobe vontade de gruda-la e ter mais uma noite, mas não posso, tenho que me controlar.

-Luke, eu sou seu pai. - Ela vira-se imitando a voz de Darth mecanicamente.

-Suas imitações são ótimas. - Rio dela. - Você me viu performar no Grammy? Ou algum outro show que eu tenha feito?

-Minha irmã encheu o saco com isso por um mês. - Amber se senta no sofá com a pipoca e a lata de sheweppes. - Mas acabei não assistindo. Vi alguns, mas são tantos vídeos.

-Então. - Levanto rapidamente e me curvo para a televisão. - Darth Vader me perdoe, mas você vai me ver cantando e performando. 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Capítulo 47 - Kiss in the pool


Bruno Pov's

Me senti a pessoa mais inútil, mais horripilante, quando, por impulso, a beijei. Não queria sentir nada disso, não queria correr o risco de ter essa vontade, mas naquele momento lindo, eu cantando a música pra ela, e vendo que meu filhote estava ali, dentro dela, parece que tudo ficou mais propenso a criar esse clima de romantismo.

Ela tem namorado, e eu sou livre como sempre quis ser.

Fui dormir com esse peso, e acabei por acordar mais cedo do que o normal. Arrastei meu violão para a sala e liguei o rádio bem baixinho.

-Bom dia, senhor. - Marie passou pela sala.

-Senhor está no céu.

-Vou ter que lembrar que foi o senhor, opa, você, que impôs essa condição?

-Eu estava bêbado, e daqui pra frente não ficarei mais daquele forma que ficava antes. - Larguei o instrumento para olha-la. - Aliás você está maravilhosa hoje. Seu marido lhe elogiou?

-Obrigada. - Apesar de ter mais de 50 anos, Marie se cuida, e é bem dedicada e vaidosa, um dos motivos por ter contratado ela a anos atrás. - Mas ele.. Ele não tem concerto, Bruno. - Ela passa a mão pela lateral da calça.

-Desculpa por tocar nesse assunto. - Deve ser delicado, a convivência com ele definitivamente não deve ser das melhores, já que ela sempre evita falar dele e no seu nome. - Então vamos sorrir.

-Viu passarinho verde, foi? - Ela riu e eu a acompanhei. - Faço o café agora?

-Pode ser.

Dedilhei mais alguns acordes, alguns ajustes do violão e dei as primeiras notas da música que cantei ontem. Meu filho está me deixando um completo bobo.

Tomei meu café primeiro e pedi que Marie me alcançasse a bandeja de café-da-manhã para eu levar a Amber. Ela ainda deveria estar com dores nas costas. Eu mesmo fiz questão de arrumar, colocando um guardanapo, a sua dieta e suas vitaminas. Marie insistiu que eu colocasse uma pequena flor ao lado, e ela mesma colheu e a colocou. Havia ficado lindo, verdadeiramente.

Andei equilibrando a bandeja e dou duas batidinhas na porta antes de abrir. Amber já estava acordada, sentada na cama, terminando uma conversa no telefone.

-Ok, tudo bem. Beijos. - Ela brilhou os olhos quando viu a bandeja em minhas mãos. - Bom dia. - Diz.

-Bom dia. - Sorrio esperando ela se ajeitar melhor para por a bandeja.

-Tratamento de princesa. Quem diria. - Ela ri, pegou a flor ao lado de sua comida e a cheirou.

-Creio que o cheiro não... - Observo a sua careta. - dos melhores. - Completo e nós rimos.

-Não é mesmo.

-O que vale é a intensão. - Rimos novamente. - A que horas acordou?

-Hm. - Balbuciou assim que tomou um gole do seu café. - Dez e pouca?

-Não faz muito, mas mesmo assim, pela manhã você tem que se alimentar direito. - Ordenei. - Não só pela manhã, a qualquer hora.

-Desculpa, Finn me ligou para saber como estava as coisas.

-Finn? - Pergunto expressando minha emoção na cara mais sem-graça possível. Sem graça como ele.

-É. Ele perguntou se pode me ver na hora do almoço. Ele passaria aqui.

-Hmmm... - Penso por alguns segundos.

-Eu não estou pedindo, antes que fale algo. Estou afirmando.

-Meu Deus, eu estou criando um monstro. - A olho, fingindo estar chocado, e ela semicerra os olhos, rindo de mim logo depois.

Perto do almoço, arrumei o deck próximo a piscina e pus uma toalha molhada sobre duas cadeiras espreguiçadeiras, para não estarem queimando quando decidir vir tomar banho e pegar um pouco de sol. Na cozinha, Marie já estava com o almoço quase pronto, cheirava muito bem como sempre. Vi a sombra de Amber passar pela porta principal e constatei que o príncipe de araque já estava no recinto.

Passei para a sala, ligando a televisão no mudo e o rádio. Esperava ansiosamente que o almoço ficasse pronto e ela tivesse que entrar e ele, felizmente, ir embora.

-Bruno, a comida está pronta, posso por a mesa na sala de jantar?

-Pode sim, obrigada por avisar, Marie. - Agradeço e caminho em direção da porta principal.
Ajeitei minha camisa, passei a mão no rosto e coloco meu sorriso mais irônico no rosto.

-Amber. O almoço está servido. - Aviso avistando eles, um pouco distante da porta. Afastados, mas de mãos dadas, pareciam conversar bastante. - Amber? - Chamo sua atenção.

-Oi. - Ela pareceu aterizar na Terra agora. - Já vou.

Me senti um patético e típico pai de adolescente, que fica namorando no portão, enquanto eu peço para que ela entre pois já está tarde.

-Olá, Finn.

-Oi, Bruno. - Como ele pode sorrir pra mim? Cínico!

Fiquei parado na porta, esperando. Sei que pode ser até invasão de privacidade com eles, e que eu não tenho esse direito, mas eu preciso ficar ali. Eles se beijaram e meu estômago se retorceu. Fiz uma careta e comecei a rir nos meus pensamentos.

-Idiota, eu beijei ela ontem e ela gostou. Eu sei que gostou. E agora está pegando minha baba, meu resto. Toma essa, príncipe de araque. - Penso, querendo na verdade gritar e e rir da cara dele.

Amber está praticamente na minha frente quando eu acordo dos meus pensamentos.

-Você está bem?

-Com fome. - Respondo. - Não convidou para almoçar? - Pergunto.

-Ele vai almoçar com a Belle.

Garanto se a boneca-assassina-e-possuída desse mole para ele antes da Amber, ele teria pego.
Na verdade qualquer um pegaria, porque ela é bonita... de boca fechada, porque é um porre quando começa a falar.

Amber Pov's

Senti desconforto assim que acordei, uma cólica de leve, nada demais. Finn ligou-me e fez um enorme interrogatório de como Bruno estava me tratando, de como nós estávamos nos relacionando, e se eu estava me sentindo bem. Só faltou perguntar a cor da minha roupa íntima. Assim que encerrei a ligação, Bruno estava na porta, com uma bandeja linda de café-da-manhã. Me senti poderosa como aquelas madames de filmes.

Após o almoço, fiz questão de ajudar Marie e Bruno já foi deixando de aviso prévio que iríamos para a piscina.

-O que eu ganho? Não quero ir. - Faço manha.

-Uma barra de chocolate, que tal?

-Hmmmm, sabor?

-Você escolhe.

-Mas só isso é muito pouco. - Coloco a língua pra fora. - Quero mais um pacote de m&m's.

Chantageei ele, até Bruno pegar o carro e ir a um mercado mais próximo. Enquanto aproveitávamos para deixar a comida baixar. Arrumei algumas das minhas roupas, não muitas, porque odeio dobrar roupas, mas o suficiente para deixar o quarto mais organizado. Peguei meu biquíni e tomei uma ducha rápida.

-Estou esperando você na piscina. - Ouço a voz do Bruno no corredor. - O chocolate vai estar comigo.

-Você é um filho da mãe chantagista.

-Eu sou chantagista? Ta bom.

Bruno Pov's
Fomos para a piscina, na verdade eu fui primeiro, Amber ainda se enrolou mais um pouquinho. Quando chegou nas cadeiras onde eu estava, ela ficou olhando para a cadeira, enrolada numa toalha, que por causa da barriga, deixou uma fresta aberta.

-Você não vai tirar isso? - Pergunto olhando para ela com os olhos pequenos pelo sol que pegou. 

-Vergonha. - Diz baixinho.

-Amber. - A repreendi. - Deixa disso. - Falo. Queria na verdade falar que já vi muitos detalhes do seu corpo, mas é um pena que lembro de poucos. E isso deixaria ela mais acanhada e com mais vergonha, e não é isso que eu quero.

-Vou tirar daqui a pouco. 

Pego um pouquinho de sol e levanto para ir atrás da caixa de som para por uma música. Dei carinho para meu cachorro rapidinho e voltei para onde estava. Amber já havia tirado a toalha e estava sentada na borda da piscina.

Enquanto arrumava a caixa, observei ela de costas, nem parecia uma grávida, ao não ser por seus culotes que denunciavam. Seus cabelos foram soltos e ela reclama da água nos pés. 

Coloquei a música e peguei distância para dar um ponto na piscina. Corri e me atirei com tudo, acostumado a fazer isso tantos anos. Nem percebi que tinha molhado a Amber, só quando fui para a superfície e tirei a água do rosto. Ela me fulminava, molhada em várias partes.

-Poderia matar você. - Comenta passando a mão nas coxas. 

-Não poderia. - Nado até ela e me apoio ao seu lado. - Entra. 

-Está gelada. - Ela torce os lábios.

-Ah, espera que eu vou ali pegar uma chaleira de água quente para amornar a água. - Sorri ironicamente e dá o dedo médio pra mim. 

-É sério. - Amb coloca as duas mãos para o lado, levando um pouco mais as pernas para dentro da água, e fazendo careta feia por causa da temperatura. 

-Eu te ajudo. 

Me posiciono a sua frente e seguro sua cintura. Ela reclama da água, mas em questão de segundos mergulha, voltando brevemente para a superfície. 

-Viu, não foi tão difícil assim. - Rio dela, que nada de mal jeito até a borda, e logo vai se locomovendo para a outra. 

A repreendo dizendo para ir devagar, porque tenho medo que possa acontecer algo. Durante um mergulho, abri meus olhos e pude ver seu corpo nadando para o outro lado, sua barriga perfeitinha, suas pernas parecendo maiores na água. E seus peitos, bem maiores. Balanço a cabeça, rindo pra mim mesma. 

Nadei mais um tempo com ela, mergulhando e competindo. Até ela se sentar na borda. Me sento ao seu lado, balançando a cabeça parar tirar o excesso de água do cabelo e observo ela com o olhar terno para tudo, para o horizonte. 

-Minha irmã me mataria se soubesse que eu estou tomando banho de piscina com você. 

-Ela não sabe que está morando aqui?

-Nop. - Nega. - Somente meu pai. E ele não contou a ela, porque senão ela estaria aqui, agora.

-Nunca entendi esse amor todo por mim. Eu sou apenas um cara que canta. 

-Bruno, se você soubesse todos os porquês que ela te ama... São tantos motivos, que sinceramente, desacreditei quando você me chamou daquelas coisas. Mas agora, você parece tudo e muito mais das qualidades que ela havia dito.

-Não sou perfeito. 

-Eu sei. - Ela concorda. - Mas pra elas, é.

Ainda conversamos mais. Era estranho saber de tudo que sua irmã, minha fã, falava de mim. É estranho dizer que a tia do meu filho é minha fã adolescente louca por mim. Mas aguça o ego, saber que tenho milhares de pessoas me amando.

Sua barriga estava me chamando atenção. Ela estava lustrosa, devido ao óleo e o protetor solar. Não há marcas de estrias. Bem pontudinha e redondinha. Da vontade de pega-la e sair correndo.

-Ele me ouve, será? - Pergunto baixinho, me inclinando.

Amber balança a cabeça num sinal de sim.

-Fale com ele. - Diz passando a mão molhada pela barriga. 

-Então... como é ai dentro? A barriga da mamãe é bonita no interior como é do lado de fora? 

Para nossa surpresa, nosso filho chuta, do lado oposto ao que eu estava falando. Consegui ver a pele sobressair. 

-Achei que era. Você teve sorte. Mamãe está linda, mas você verá em breve. Será um dos caras mais sortudos do planeta. 

-Acho que ele entende você. - Ela repara.

-Ele é meu sangue também. Ele deve amar o papai como o papai ama ele. - Beijo 
delicadamente sua barriga. - Você é um anjo que caiu do céu, filho. - Beijo mais uma vez. 

-É estranho ver falando com ele.

-É porque não viu o dia que eu fui no hospital e você estava dormindo. Nós dois tivemos uma longa conversa. - Passo a mão pela barriga. 

-O que falou pra ele?

-Que ele terá os melhores pais do mundo, e muitas outras coisas que são segredos nossos. 

- Eu sou mãe dele. - Amber ri, puxando de leve o meu cabelo. - Não pode ter segredo entre mãe e filho.

- Pode, sim.

- Diz logo! 

- Não. - Fiz careta, antes que Amber fizesse também. 

- Eu tenho direitos?!

- Nós fizemos um trato. 

Amber fez um sinal para que eu continuasse. 

- Ele não ia ser assim, chato que nem a mãe, dai eu iria deixá-lo trazer várias namoradas pra casa. 

Ela deu um tapa de leve em meu braço. 

- Meu filho será um príncipe. 

Eu ri, tocando de leve sua barriga e fingindo sussurrar.

- Faço um cartão de credito pra você, filho, sua mãe não vai nem saber onde você frequenta.

Amber me olhava e sorria, parecia cega ao concentrar seu olhar no meu e logo depois descer para minha boca. Só posso estar pensando besteira. Toco na lateral do seu rosto, tirando uma mecha de cabelo e colocando para trás da orelha. 

Pedi permissão através do olhar. Me inclinei mais ainda, levando mais o corpo, e tocando levemente nos seus lábios, como ontem. Mas ao invés de ficarmos somente assim, coloquei minha língua devagar e ela foi deixando, abrindo sua boca e me beijando também. Seguro sua nuca, e a outra mão passo pela barriga, que chuta rapidamente duas vezes seguida.

Sorri, e quebramos o beijo. 

-Não atrapalha, filho. - Peço e Amber ri, parecendo com tanta vergonha. 

Não sei o que fazer nem o que falar. Pareço mudo e imóvel. Talvez poderia dizer que ela está linda, mas poderia assusta-la. Poderia dizer que isso não significou nada, mas tenho medo do que isso possa levar porque não entendo as mulheres.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Capítulo 46 - My small bump, my small love

 Vou pedir que escutem essa música porque eu amo ela, e ela foi minha inspiração para a fic (uma das dbusaomdba). É do Ed meu amor minha vida! Música



Pelo ou menos fiz ela sorrir por diversas vezes enquanto ela terminava, sem nem sentir, o jantar. Lavei a louça e ela secou. Já ensinei para ela onde ficava os pratos, os talheres, e tudo que ela poderia querer quando eu não estivesse aqui ou a noite se caso sentisse fome.

-Vem, vou lhe mostrar o quarto. - Estico a mão para ela me dar a dela. Havia conseguido me convencer de que eu poderia mostrar à ela.

Andamos até a metade do corredor de mãos dadas, até ela se afastar. Abri a porta e esperei que ela entrasse primeiro. Realmente, haviam feito um trabalho perfeito no pequeno quartinho do meu filho.

Amber Pov's

Depois de já me instalar na casa do Bruno, fiquei tão pensativa sobre na possibilidade de tudo isso dar errado. Nós não somos melhores amigos, pode acontecer tanta coisa, e não quero tirar sua privacidade, não quero criar meu filho no meio de uma casa que vá entrar uma mulher por noite. Não julgando o Bruno, longe disso, inclusive eu fui uma dessas mulheres, mas... eu não sei explicar, é estranho.

Tudo isso passou durante o jantar, enquanto ele fazia piadas sobre os nomes que poderíamos por no nosso filho.

Estávamos entrando no quarto do bebê, finalmente iria matar minha curiosidade. A porta abriu e ele deixou que eu entrasse primeiro.

É difícil dizer a harmonia que aquele lugar já passava. A parede do fundo do quarto estava pintada de papel de parede, nele contendo uma pequena cidade em cores claras. As outras estavam pintadas de azul claro. Há tantas coisas no quarto, um berço, um trocador de fraldas, um chiqueirinho, um guarda-roupas embutido na parede, um pequeno sofá que pode usar como cama, cadeira de balanço, cadeira para carro, cadeira para comida. Sem contar na cômoda linda que está perto do fraldário. No meio do quarto há um tapete em forma de bola de futebol americano, onde está o berço, na parede, há uma estrela e um microfone, um espaço em branco.

-Porque esse espaço? - Pergunto chegando perto.

-É para quando soubermos o nome. - Bruno se aproxima também. - Vou coloca-lo aqui. - Ele aponta.

Observo o móbile que está sobre o berço, com os personagens da Marvel, dos Vingadores. Ri pensando sozinha e me emocionando com todos os detalhes.

-Você escolheu tudo isso, certo? - Pergunto.

-Basicamente. - Responde. - Porque?

-Porque... - Penso numa resposta enquanto observo o lustre da luz principal. - Porque não há apenas um tema, há carrinhos, há super-heróis, há música, há uma cidade, e há esportes. - Rio e ele também.

-Não sabia o que exatamente por, nem o que ele iria gostar, então acho que por enquanto está bom assim. Quando ele souber seus gostos, eu arrumo. - Bruno pisca pra mim.

Dou mais uma volta no quarto, absorvendo os detalhes. Meu filho terá uma boa vida, se depender do pai, será bem mimado também. Fico contente dele poder ter suas coisinhas bonitinhas e arrumada, num quartinho somente para ele. É bom ver isso, e reconfortante. Ando para o meio do quarto, pego uma almofada do sofá, e sento colocando ela entre as minhas pernas.

-Vai ficar por aqui? - Pergunta Bruno.

-Vou, se puder é claro.

-Posso ficar junto, ou prefere ficar sozinha?

-Pode ficar. Por favor.

-Então eu já volto.

Vi agora o rádio que antes não tinha visto, uma televisão pequena suportada na parede. Há um pouco de bagunça, mas tudo ainda está perfeito, e arrumado ficará mais ainda. Brinco com a almofada, imaginando daqui poucos meses meu bebê aqui comigo, bagunçando, chorando, rindo, começando a falar, a andar...

-Trouxe isso. - Bruno sentasse na minha frente, com um violão em mãos. - Quando ele nascer, quero cantar pra ele. Quero acalma-lo e mostrar que eu estou aqui. Fiz isso com a maioria dos meus sobrinhos, cantava para eles. - Ele tamborila os dedos no violão.

-Ele vai adorar. - Passo a mão na barriga. - Ele já ama você.

-Como sabe disso? Extinto de mãe? - Pergunta entre risos bobos.

-Não... só que, quando você toca em mim, ele, na maioria das vezes, se mexe. Nunca mexe só pra mim, ou só para as meninas...

-Será que ele já sabe quem eu sou? - Pergunta, seus olhos brilham.

-Talvez. - Sorrio.

Bruno ficou emocionado, era perceptível. Batucou os dedos mais uma vez e se aproximou, cruzando as pernas e deixando-as encostarem nas minhas. Disse que iria cantar uma musica e pediu que eu levantasse minha blusa para ele ver nosso filho. Eu ria das bobagens que ele fazia, das caretas enquanto ajustava as cordas do violão.

You’re just a small bump unborn
(Você é só uma pequena saliência ainda não nascida)
In four months you’re brought to life
(Em quatro meses será trazida à vida)
You might be left with my hair
(Você pode ter o meu cabelo)
But you’ll have your mother’s eyes
(Mas você terá olhos da sua mãe)
I’ll hold your body in my hands, be as gentle as I can
(Vou te segurar em minhas mãos, serei tão gentil quanto puder)
But for now you’re a scan of my unmade plans
(Mas por enquanto, você é uma imagem do que não planejei)
A small bump in four months you brought to life
(Uma pequena saliência, em quatro meses você abrirá seus olhos)

Ouvia sua cantoria, não reconhecia a música, mas achei tão fofo aquele momento que minha vontade era de gravar. Seus olhos intercalavam entre minha barriga, meu rosto, e o seu violão. Imaginei meu filho com seu cabelo, sua pele, meus olhos... Ele será tão lindo. Meu Deus, como um dia posso ter pensado que ele seria um problema? Ele é uma benção. Me arrependo do que pensei quando descobri.

And I’ll whisper quietly and give you nothing but truth
(Eu vou sussurrar baixinho, não te darei nada além da verdade)
If you’re not inside me, I’ll put my future in you
(Se você não está dentro de mim, eu colocarei meu futuro em você)

Ele se aproxima da minha barriga, sussurrando e eu me arrepio. Nós rimos e ele continua.

You are my one and only
(Porque você é minha primeira e única)
And you can wrap your fingers round my thumb
(Você pode pôr seus dedinhos em volta do meu polegar)
And hold me tight
(E me segurar forte)
You are my one and only
(Oh você é meu primeira e única)
You can wrap your fingers round my thumb
(Você pode pôr seus dedinhos em volta do meu polegar)
And hold me tight
(E me segurar forte)
And you’ll be alright
(E você vai ficar bem)

Era lindo vê-lo cantar. Sei que pensei muitas coisas erradas e o julguei, mas talvez ele estivesse tão confuso quanto eu estava, e assim como eu me arrependi, ele também deve se arrepender. Bruno parece amar crianças, e tudo que ele está fazendo por mim e por nosso filho é de admirar.

You’re just a small bump unknown, you’ll grow into your skin
(Você é só uma pequena saliência desconhecida, você ainda vai crescer)
With a smile like hers and a dimple beneath your chin
(Com um sorriso como o dela, e uma covinha embaixo do queixo)
Fingernails the size of a half grain of rice
(Unhas do tamanho de meio grão de arroz)
And eyelids closed to be soon open wide
(Pálpebras fechadas que se abrirão logo)
A small bump, in four months you’ll open your eyes
(Uma pequena saliência, em quatro meses você abrirá seus olhos)

"Eles serão verdes" Bruno sussurra quando se refere aos olhos do nosso bebê. Passei a mão pela barriga e ele sorri, piscando e dando algumas notas diferentes.

Then you can lie with me, with your tiny feet
(Você pode se deitar comigo, com seus pezinhos)
When you’re half asleep I’ll leave you be
(Quando você estiver cochilando eu vou deixar que você fique)
Right in front of me, for a couple weeks
(Bem pertinho de mim, por algumas semanas)
So I can keep you safe
(Para que eu possa te dar segurança)

Ele se aproxima, largando o violão para o lado e se inclinando para perto de mim. Passa sua mão pela minha barriga, mas nosso filho parece dormir por ali. Rio dele procurando com a mão algum movimento e até instigo, apertando um pouquinho para que ele se movimente, mas deve estar dormindo.

Tivemos um contato visual bem penetrante. Seus olhos ficaram encarando os meus, e eu perdi meu olhar dentre seus olhos castanhos. Ele parecia tão convidativo, tão simples, tão diferente, tão.... meu?

Nossas bocas se encontraram por segundos, se tocando. Fechei meus olhos e ele se afastou. Não pensei em mais nada, apenas fiquei com vontade de aprofundar aquele beijo. Mas ele saiu, se afastando de mim e sem saber para onde olhar.  Suas mãos denunciavam o nervosismo, Bruno parecia um adolescente novamente.

-Me desculpe. - Ele me olha rapidamente.

-Está tudo bem, de verdade. - Sorrio.

-Não só pelo beijo, Amb. - Sua respiração pesa. - Por tudo. Por fazer sua vida mudar assim, por te dar uma mudança de planos repentina... Por ter feito você passar por tantas coisas.

-Isso são detalhes passados, eu não costumo ligar pra isso. - Pego sua mão. - Passou!

-Mas mesmo assim, me desculpe por agir como idiota, sempre.

-Você precisa dormir. - Passo a mão pela sua testa e me apoio no chão para levantar.

-Você também.

Nos levantamos. Bruno largou o violão onde pegou, enquanto eu ia para o quarto na busca de um pijama. Desci as escadas para checar se tudo estava trancado, uma mania, e subi novamente. Bruno estava perto da porta do meu novo quarto.

-Vim desejar boa noite. - Diz ele.

-Boa noite. - Sorrio.

-É... - Nunca havia visto ele tão nervoso, tão estranho, mas ao mesmo tempo, tão ele mesmo! - Boa noite. - Depositou um beijo em minha testa e um beijinho em minha barriga.

Esperei ele ir para o quarto para poder entrar no meu. Tomei meu banho no grande banheiro que tinha, e vesti meu pijama, deitando na cama e pegando meu celular.