quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Capítulo 48 - "Luke, I am your father"




-Você é tão bela, Amber. - Quebro nosso silêncio , sussurando para ela, e suas bochechas coraram levemente.

Procurei motivos para não beijá-la novamente, afinal, eu queria. Sabe-se lá porque, mas eu queria. Ajeitei uma de minhas pernas e puxei seu rosto para perto do meu novamente. Deixei minhas mãos deslizarem por seu corpo, por suas costas para ser mais preciso. Subi para os cabelos longos e enrosquei meus dedos nele. Quebramos esse beijo rapidamente, até que voltamos a nos beijar.

Não durou muito tempo, já que Amber me empurrou levemente para trás. Por impulso dei um selinho em sua boca.

-Finn! - Sua voz pesara, ela estava com a consciência pesada.

-Desculpe. - Faço uma careta.

Levantei meu corpo da beira da piscina onde estávamos sentados, apoiando meus braços para puxar minhas pernas. Não sabia se deixava a Amber ali e voltar sozinha e a hora que bem entendesse para dentro de casa, ou se esperava ela. Eu estava realmente irritado, comigo mesmo e com ela. O que deu em mim para beija-la?

Várias vezes... E com ela por falar no nome do príncipe de araque, e quebrar nosso beijo para lembrar daquele branquelo azedo.

Ajudei ela a levantar, segurando suas mãos. Ela estava com tanta vergonha, era até cômico, se não fosse meio trágico. Agora, mais uma vez, não sabia o que fazer.

Poderia pedir desculpas? Poderia enterrar minha cabeça na terra? Poderia correr? Ou simplesmente, ignorar?

Estendo a toalha para ela, que abraçava o próprio corpo.

-Desculpe. - Repito enquanto viro em direção da casa. Deixei-a para trás. E isso pode se besteira, mas eu e ela estávamos com vergonha, e eu não queria ter que falar sobre o beijo agora, porque não saberia o que responder.

+++

-Você sumiu. - Amber apareceu na porta do meu quarto assim que eu a abri após umas batidinhas. - A professora de yoga deve estar chegando.

Enquanto ela falava, pego o lápis e o caderninho que estava em mãos.

-Estava trabalhando. - Aponto para o material.

-Escrevendo, é? - Pergunta.

-Rabiscos. - Balanço a cabeça.

-Posso ver? - Amber bate algumas palmas infantis a minha frente. Eu rio dela, e penso que era melhor ela não ver nada daquilo, eram apenas bobagens. Rascunhos de possíveis músicas que podem vir, ou não, a ser produzidas.

-Ainda não. - Coloco na mesinha ao lado da cama. - Você precisa comer, Amber. Ou não fazemos yoga hoje.
-Eu... Espero que não fique brabo. - Ela deu um sorriso travesso. - Já comemos. O seu filho estava morrendo de vontade de comer.

-Desde que não tenha colocado fogo na minha cozinha e não quebrado todos os pratos. - Dou de ombros gostando de ver que ela se importou em fazer a comida para ambos. - Não irei encontrar um sapo defecado no balcão? Nem nada nojento grudado no teto? - Pergunto assim que levanto.

-Uma lasanha, só isso.

-Espero que tenha pra mim, sabe como ele, pai e filho, somos o pacote completo.

Rio passando por ela, pela porta. Ela me segue.

-Só não garanto que está boa.

-O que vier é lucro.

Amber Pov's 

Enquanto Bruno jantava a lasanha que eu me arrisquei fazer, atendi a ligação de Finn. Estava com pesar na consciência. Não deveria ter deixado aqueles beijos acontecerem, eu já fui tão idiota com ele quando engravidei, não poderia ter me deixado levar. Mas eu simplesmente não posso ignorar que todos meus hormônios aflorados de grávida estão gritando para ter uma noite de prazer com o Bruno.

-Eu juro que está tudo maravilhosamente bem. - Repito para Finn. - Estamos nos dando melhor do que eu esperava.

-Ok, acredito em você. - Ele pigarreou no telefone. - Grava um pedacinho da yoga pra mim. Por favor.

-Gravar?

-É. Quero me sentir parte disso. - Sento-me no sofá.

-Não sei se a professora vai deixar, mas tentarei.

-Põe o celular escondido em algum lugar.

Me sentia uma adolescente novamente quando procurei lugares estratégicos para por o celular para gravar enquanto fazíamos a aula. Bruno recebia a professora e ia ajudando com as esteiras, enquanto eu colocava uma roupa mais apropriada.

Sentamos e conversamos rapidamente sobre os exercícios de hoje. Falamos sobre nosso nado a tarde, e ela disse que isso é bom para o preparo do parto e para o resto da gestação em si. Já falou sobre alguns exercícios que eu tenho que tomar cuidado.

Começamos a aula. Sentamos separados e fizemos uma inspiração primeiro. Concentrando nossa energia e canalizando a paz. Quando nossa mente esvaziou-se, ela pediu que começássemos com um pequeno alongamento. Pés, pernas, mãos, braços e cabeça. Bruno estalava como um plástico bolha ou um pacote de salgadinho. Ri dele de modo que a professora não percebesse.

Ela pediu que sentassemos na esteira, ele atrás de mim, e fizesse uma massagem em minha barriga, enquanto eu respirava pelo nariz e soltava pela boca.

-O que faria se a bolsa dela estourasse agora? - A professora pergunta.

-Correria para o hospital.

-Ótima resposta. - A professora muda de posição. - Você colocaria Amber de qual forma no carro?

-Sentada?

-Doeria. E muito. - Balança a cabeça. - Você a deitaria e daria um pano para ela morder e concentrar a atenção ali. Deitada será a posição que menos doerá porque nada irá adiantar para passar as dores das contrações.

Tive que deitar, abrindo as pernas e Bruno ficando a minha frente. Respirei rápido como se sentisse as contrações, enquanto ele apertava de leve minha barriga. Pegou minhas mãos e me ajudou a fazer abdominais. Não poderia deixar de me livrar dos pensamentos mais sórdidos enquanto ele me tocava.

No final da aula, mandei o vídeo para Finn e ajudei Bruno a ajeitar o espaço. Ele foi para o seu quarto tomar banho e eu também. Antes do yoga estava até com sono, mas agora já havia passado. Antes de entrar no box, meu celular toca.

-Viu o vídeo? - Pergunto sorrindo como boba.

-As aulas são sempre assim?

-Assim como?

-Você tão pertinho dele.

-Sim.

-Achei muitas coisas desnecessárias. - Ouço sua respiração forte.

-São ordens da professora.

-E ele se aproveita.

-Ele é o pai, e faz o que ela manda. Não faz porque quer. - Defendo o Bruno e ele ri.

-Virou defensora dele quando? Desde que foi morar no covil dele?

-Covil? Finn, não estou afim de brigar com você. - Bufo e largo o celular no auto falante em cima do balcão da pia.

Finn continuou com sua teoria da conspiração contra o Bruno para cima de mim, falando mil modos de que é possível fazer yoga sem essa intimidade toda. Que ele me olhava de forma inadequada, que o Bruno estava querendo irritar ele. Ouvi tudo por um ouvido e deixei que saísse pelo outro. Isso são bobagens. Bruno é meu amigo e ta se mostrando muito prestativo esses últimos tempos, está me ajudando demais. Não iria ficar ouvindo briguinhas idiotas por ciúmes. Fui tomar meu banho e depois colocar um pijama.

Bruno Pov's 

Amber ainda estava de cabelo molhado, dizia que se recusava a passar secador porque seu cabelo iria armar. Nunca vou entender as mulheres. Estava indo para a sala, levando dois baldinhos de pipoca e duas latas de sheweppes. Ela procurava no meio dos DVD's algum filme que pudéssemos assistir.

-Quem compra filmes nos dias de hoje? Você não sabe que existe o netflix? - Pergunta ela enquanto passa os olhos nos muitos filmes.

-Eu. - Rio. - Não me dou bem com tecnologias, e gosto de colecionar.

Ela continuou a olhar os filmes, e eu pus nossas pipocas e as latas sobre a mesa de centro. Liguei a televisão e me sentei esperando por ela escolher.

-Bonequinho de luxo?

-Juro que não fui eu que comprei. - Obviamente aquele deveria ser mais um dos filmes das minhas irmãs. - Deve ter sido uma das meninas.

-Mal conheço, mas isso é a cara da Tahiti.

-Provavelmente. - Rolo os ombros.

-Uma cilada para Roger Rabbit?

-Esse fui eu. - Digo orgulhoso. - Fetiche pela Jessica Rabbit. - Coloco a língua pra fora.

-Não sou malvada. - Amber imita a voz de Jessica, fazendo a pose dela. - Fui desenhada assim.

-Amber! - Começo a gargalhar dela, arregalo os olhos a fitando. - Não faz assim.

-Quer assistir 300? - Ela ignora o que falo sobre Jessica e continua.

-Já assisti mil vezes. - Respondo pegando um punhado de pipoca.

-Nojento.

-Fala a mulher que come carne crua.

-Argh. - Ela faz uma careta engraçada. - Vai me perseguir o resto da vida com isso?

-Talvez. - Rio mais do que já estava.

-Um lugar chamado Notting Hill. - Ela lê o título de outro filme. - Star Wars... Um amor pra recordar.

-Acho que vou querer 300, mesmo. - Balanço a mão em repulsa e ela ri, cara de sapeca.

-Não mais, papai. - Amber ri. Me chamar de papai é covardia. Pensei em tantas coisas e tantas formas dela me chamar assim. Sorrio, pensando longe. - Vou colocar Star Wars, porque eu amo o Darth Vader.

Observei ela tirar o filme e se inclinar para por no DVD. Ajeitou as coisas e eu não pude deixar de olhar para o seu trazeiro e suas costas. Às vezes sobe vontade de gruda-la e ter mais uma noite, mas não posso, tenho que me controlar.

-Luke, eu sou seu pai. - Ela vira-se imitando a voz de Darth mecanicamente.

-Suas imitações são ótimas. - Rio dela. - Você me viu performar no Grammy? Ou algum outro show que eu tenha feito?

-Minha irmã encheu o saco com isso por um mês. - Amber se senta no sofá com a pipoca e a lata de sheweppes. - Mas acabei não assistindo. Vi alguns, mas são tantos vídeos.

-Então. - Levanto rapidamente e me curvo para a televisão. - Darth Vader me perdoe, mas você vai me ver cantando e performando. 

Um comentário:

  1. Ahh que fofo Dri <3 amei demaaaais cara. Continua logo pfvr e só pra lembrar to com mta saudade da CLA

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