terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Capítulo 52 - Hanky-panky


A tarde se arrastou, aquele clima de chuva estava péssimo e me matando de tédio. Queria desenhar, mas perdi a inspiração. Queria assistir um filme, mas iria certamente dormir. Queria comer, mas não poderia abusar de doces por causa do bebê. Queria poder dar até um mergulho na piscina, mas está chovendo. Rascunho um monte de baboseiras num papel, letras de musicas, frases de livros, e alguns desenhos sem nexo. Acabo vendo o desenho do nosso filho, segundo Bruno, sobre a mesa do meu quarto. Passo os dedos por cima imaginando mesmo que meu filho possa parecer com ele, tanto como pode se parecer comigo, ou pode ser a nossa cópia. Mas ontem quando disse sobre as covinhas, não estava brincando, realmente quero que ele as tenha.

Minha consciência gritou e acendeu um holofote para o nome de Finn, que na minha mente estava em forma de cobrança. Não é certo eu estar beijando o Bruno, não é certo eu pensar nele como um homem e não somente como amigo. Não é justo fazer isso com o Finn, que abriu seu coração pra mim e ainda abrigou-me mesmo com filho de outra pessoa. Sou um péssimo exemplo de mulher. Pego meu celular e disco o número de Riley.

-Até o Bruno lembra que eu existo, menos você. - Ela reclama pelos dias que não liguei.

-Desculpe. - Peço, chorosamente.

-Só porque estou sensível. - Ela ri e eu a acompanho.

-Sensível estou eu, com esses hormônios que querem uma coisa, mas minha cabeça diz outra, e meu coração também. Gravidez também pode ser conhecida como loucura. - Fico tamborilando o lápis na mesa.

-Esse barulho é irritante. - Rye avisa e eu paro. - E, eu já li umas coisas sobre isso, é complicado.

-É mais do que complicado.

-Brigou com o Finn? Está tudo bem com o Bruno?

-Estamos maravilhosamente bem, eu e o Bruno. - Ela ri. - Finn e eu estamos empurrando com a barriga. Ele vive com crises idiotas de ciúmes por causa do Bruno, eu odeio isso.

-Com motivos?

Com motivos? Ou sem? Eu não sei. Tem motivos para sentir ciúmes, mas o que são beijos? Beijos são tudo na verdade, porque se eu estivesse no seu lugar estaria arrancando o cabelo com as mãos para saber se realmente havia o porque desconfiar. Mas ele... não, Finn está certo em desconfiar, e eu estou errada. Mas o que fazer com essa vontade?

-Não. - Percebo que demorei tempo demais para responder.

-Amber Lucy! - Riley resmunga. - Ele tem motivos mesmo?

-Não. É claro que não. - Balanço a cabeça.

-E se um dia tiver, eu saberei, certo?

-Sim, óbvio. - Me sinto um lixo por mentir para mais uma pessoa.

Riley me contou sobre a sua amiga, que é mais um affair, e sobre como está sendo morar com a Annabelle. E eu falei dos meus dias com o Bruno, e dos nossos momentos, menos da nossa proximidade. Deixar de omitir algumas partes não é mentir, é apenas não comentar.

Não vi há que horas Bruno chegou, pois estava no banho, depois da janta só precisava de uma cama. Ele foi jantar enquanto eu me arrumava para dormir. Ouvi duas batidinhas na porta e ele entrar.

-Boa noite, falei que chegaria tarde. - Bruno vai entrando no quarto e eu esticando o edredom.

-Boa noite.

-Pode vir um instante aqui? - Pede ele se virando em direção da porta e esticando o braço para eu segurar.

O segui até o quarto do nosso filho e ele pediu que eu sentasse na poltrona. Bruno tirou da sacola azul bebê um pedaço de madeira na letra 'H'. E foi retirando o resto.

-Consegui o nome dele. Não podemos mais trocar agora.

-E nós iríamos trocar? - Pergunto arqueando a sobrancelha.

-Mulheres mudam de ideia facilmente, não poderia correr esse risco.

-Você é um idiota. - Seguro a letra 'N'.

-Nathan McCartney Hernandez. - Ele sorri, orgulhoso. - Ou eu coloco o Gene?

-Mmmmm. - Torço os lábios enquanto penso. - Eu gosto dos dois, mas soa melhor como Hernandez.

-Hernandez. Esse será um garoto de sorte.

-Bruno, você é um egocêntrico de merda. - Bato no seu braço e ele gargalha alto.

-Eu sabia que iria falar algo do tipo. - Ele passa a mão onde bati. - Ele terá sorte por ser nosso filho.

-Somos um casal normal.

-Casal?

-Casal, digo, como homem e como mulher, e não como namorados. - Me atrapalho com a explicação.

-Eu sei, eu sei. - Provoco seu riso.

-Somos pais normais.

-Com um talento aperfeiçoado. Imagina se ele herda o seu dom de desenhar?

-Ou o seu de cantar?

-Ele pode ter seus olhos esverdeados. - Seu olhar penetra no meu.

-Ou sua pele amorenada e bugre.

-Ou seu jeito delicado e angelical.

-Menos o seu cabelo. - Brinco e ele coloca a língua pra mim.

-Menos sua personalidade.

-Mas é a melhor parte de mim. - Coloco a língua sapeca para o lado.

Até colocaríamos o nome naquela hora, mas estava tarde e era bom não ligar a furadeira. Isso pode esperar. Bruno perguntou se eu ia mesmo dormir agora, concordei, dizendo que hoje estava com mais sono do que qualquer outro dia. Dei boa noite e fui para o meu quarto.

A luz forte já me irritou logo de manhã. Às vezes estar grávida é um saco.

Passo a mão pela barriga, alisando-a e dando bom dia para o meu filho. Arrumo minha cama, que não gosto de deixar para Marie, e saio do quarto para tomar café.

Encontro Bruno na cozinha com uma espátula em mãos.

-Bom dia?

-Bom dia, Amb. Bom dia, filho.  - Ele estava sorrindo de um jeito lindo.

-Onde está a Marie?

-Ah, ela teve que sair hoje, ai dei o dia de folga. Vamos sobreviver, sim?

-Só se você não fizer a comida. - Sento na cadeira.

-Minha comida não é ruim. - Ele bufa.

-Bruno?

-Não é ruim. Nunca ninguém reclamou.

-Já cozinhou para suas mulheres?

-Minhas mulheres? - Sua gargalhada foi bem alta. - Cozinho para as pessoas mais próximas, ou seja, meus amigos e família.

-Suas mulheres sim, todas aquelas que entravam e saiam daqui ou de onde ia.

-Das mulheres que um dia fiquei, só trouxe duas a minha casa.

-Desculpa. - Me rendo e ele ri, voltando atenção para o fogão.

Tomamos um belo café, e quando falei que ele cozinhava mal, era mentira, isso é óbvio. Sua comida é muito boa, seus temperos também. Sentei no sofá da sala para assistir televisão, e Bruno se juntou a mim depois de algum tempinho.

-Acredita que o tempo lá fora ainda está meio nublado. É raro isso acontecer bem em setembro.

-Outono. - Respondo.

-Continua sendo estranho, porque Los Angeles é Los Angeles.

-As coisas mudam.

Queria poder mandar ele calar a boca, mas estava com pena. Estava passando um programa que eu gostaria muito de assistir. Bruno saiu da sala e quando voltou, estava com um iPad em mãos, mexendo e fazendo algumas caretas.

-O pessoal está ansioso para o CD. - Bruno fala consigo mesmo.

-É que faz tempo que você não lança nada, e seus fãs querem muito.

-É complicado, passa por muita coisa antes de lançar, porque se fosse assim eu estaria com mais de dez álbuns.

-Ui. - Balanço as mãos no ar e ele ri alto.

-Quem sabe posta uma foto sua, só pra atualizar eles. - Dou uma ideia e ele prontamente prepara o Ipad.

-Vou tirar do que estou fazendo agora.

-Tire de você mesmo.

-Não consigo. É estranho me auto retratar.

-Bruno. - Rio e estico a mão para ele me entregar o aparelho.

-Vou tirar pra você.

Tirei a foto dele olhando para o nada, e ele gostou, e já postou em seguido. Depois acabamos tirando fotos juntos, ele no outro sofá e eu aqui.

-Vai fazer um book, certo?

-Quando? - Arqueio a sobrancelha.

-Antes de ganhar o Nathan. Quero ver fotos de você grávida, e quero mostra-las para nosso filho.

-Olha aqui filhão, como sua mãe é horrível, você não teve sorte. - Imitei uma voz, o máximo possível parecida com a de Bruno.

-Para. - Pede.

-Papai, tem certeza que eu nasci dela? - Fiz outra voz infantil.

-Amber, pare. - Ele ria, meio contra gosto. - Você é linda, e ele vai achar a mesma coisa.

-Brigada. - Sorrio, baixando a cabeça.

O dia foi bem preguiçoso. Vimos um filme, mas nada demais. Pedimos almoço e lavamos a louça juntos. No auto da tarde peguei meu celular e mandei uma mensagem para as meninas, avisando o nome, com certeza depois elas iriam me ligar. Disquei o número de Finn e ninguém atendeu.

Na terceira tentativa, ele finalmente me atende.

-Hey, amor. - Ouço sua foz pacata.

-Oi, Finn. - Digo mais melosa, mas procurando não chama-lo de nenhum apelido, não consigo sentir vontade.

-Está tudo bem?

-Maravilhosamente, com nós dois. - Acaricio minha barriga. - E ai?

-Tudo ótimo. Estou com saudades.

-Eu também.

-Vamos ao cinema hoje?

-Eu combinei de assistir filme com o Bruno. Estamos sozinho hoje, a Marie teve que sair.

-Mmm. - Ele evitou falar qualquer coisa.

-Finn?

-Oi?

-Eu escolhi o nome.

-Escolheu? E qual é?

-Na verdade, o Bruno escolheu, eu apenas concordei porque achei lindo.

-O Bruno? - Finn bufa.

-Sim, o Bruno. - Respondo mais ríspida. Não acredito que iriamos brigar de novo por bobagem. - Vai ser Nathan.

-Quer que ele escolha as próximas cores das suas calcinhas também? Escolha onde nós vamos nos encontrar e que horas?

-Não falei isso, apenas ele disse um nome e eu concordei, porque eu gostei.

-Se fosse eu que tivesse dito esse nome, eu garanto, que não iria gostar.

-Iria gostar da mesma forma, Finn. Para com essas bobagens, tenho nojo disso.

-Agora é nojo. Porque não quer me ver hoje?

-Porque eu já combinei com o Bruno. Já até alugamos filmes. Se você quiser pode vir aqui... - Sei que ele e Bruno não iriam gostar da ideia, por isso ofereci. Bruno estava atento, olhando para mim.

 -Eu quero que isso se exploda, Amber. - Finn gritou comigo no telefone. - Estou cansado de sempre ser trocado pelo Bruno.

-Trocado? - Pergunto incrédula. - Quando troquei você por ele?

-Diversas vezes.

-Quero que me liste. - Peço.

-Eu sei que sou sempre eu o deixado de lado.

-Eu estou tentando fazer o possível para conseguir dar tempo para você e para o Bruno com o filho dele, que está dentro da minha barriga.

-Esse cara é uma pedra no meu sapato. - Finn bufa. Bruno para ao meu lado e faz um gesto para que lhe dê o celular.

-Não. - Respondo para o Bruno.

-Sim, me dê. - Ele fala baixinho.

-Bruno... - Não sabia o que ele poderia falar para o Finn. Mas ele pôs o celular no auto falante e se apoiou na mesinha atrás do sofá.

-O que você quer? - Pergunta Bruno.

-Era só o que me faltava. Devolve o celular para ela, faz o favor?

-Não. - Bruno responde curto e grosso. - Você tem noção que está gritando com ela? Ela não pode se estressar.

-Quem está fazendo isso é você.

-Claro, sou eu que estou tendo essa crise ridícula de ciúmes.
__________


2 comentários:

  1. Finn pé no saco. Manda de volta pra Inglaterra kkk enfim amei, mas ja falei que quero pegaçaaaao

    ResponderExcluir
  2. To curtindo bagarai. parabéns e merry X.

    ResponderExcluir