segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Capítulo 27 - I am barren

Não sabia o que sentir, o que falar, o que gritar. Não queria me mover com medo que eu pudesse cair, porque eu sentia meu corpo afundar cada vez mais, me sentia menor a cada palavra da minha mãe. Eu também saberia que os riscos seriam esses, eu já estava me preparando para sair de casa, mas quando a gente ouve que vai acontecer isso mesmo, muda tudo.

Senti braços me envolverem num aperto rápido. Respiro fundo e sorrio diante de vários motivos para chorar.


-Você não pode mandar a minha irmã embora! - Violet fala com sua voz abafada em minhas costas.

-Vai ficar tudo bem, meu amor. - Falo baixinho pra ela.

-Não está achando bom, pode ir junto com a sua irmã. - Minha mãe da de ombros, claro que ela adoraria que nós duas fossemos embora, ela nos odeia.

-Você está passando dos limites, Debra! - Meu pai se ajeita, agora em pé, e ela passa a mão no rosto e em seguido nos cabelos.

-Os três vão ficar contra mim agora. O monstro aqui é ela e esse bastardo que ela carrega. - Ela aponta pra mim com desdém. - Querem ir todos embora, podem ir.

-Olha aqui pra mim. - Meu pai segura fortemente nos braços dela. - Ninguém vai ir embora dessa casa, ela é nossa filha! Não vamos abandona-la assim.

-Mas ela está com esse negócio dentro dela. - Ouvi sua voz, que mesmo meio chorosa, não vacila.

-Negócio... ele não é um negócio, ele ou ela é seu neto.

-Filho de alguém que nem conhecemos. O que eu vou dizer para o reverendo? Para minhas amigas? Para a vizinhança.

-Me poupe, Debra. - Ele bufa. - Você está pensando primeiro na igreja e na vizinhança pra depois pensar na nossa filha?

-Chega vocês dois. - Me desvencilho dos braços da Violet e ando um passo pra trás. - Eu vou ir embora, porque não aguento mais isso daqui. - Respiro fundo. - Não ouse, nunca, chegar perto do meu filho, se ele é negócio agora antes de nascer, ele será pra sempre  um negócio, e más vibrações e negatividade eu não quero pro meu filho. - Dei ênfase no meu filho.

-Pode ir. - Ela começou a falar isso, e ficou repetindo.

Meu pai assentiu para que eu fosse para o quarto e Violet veio atrás de mim como uma sombra.

-Se eu soube tarde assim, eu posso saber pelo menos quem é o pai? Eu calculei que é o Finn... - Ela para sob a porta fechada assim que entra junto comigo.

-Eu prometo que até semana que vem eu falo pra você, mas não, não é o Finn...

-Tudo bem, eu vou te entender, quer ajuda? - Pergunta ela, já mudando de assunto.

-Eu amaria!

Nós íamos comentando coisas sobre a minha mãe, eu estava nervosa e tremia um pouco, mas nada que depois quando eu descansasse passasse. Eu estou literalmente aliviada, além de sair do mesmo teto que ela, pude falar algumas coisas. O fato do meu pai e minha irmã estarem do meu lado e me apoiarem já é o suficiente.

Enquanto Vi foi pegar a outra mala, eu aproveito para ligar para as meninas que devem estar esperando minha ligação desde antes. Falo por cima sobre as coisas que rolou, e já falei sobre a minha saída de casa, e meu novo lar: a casa da Belle!

Por muitas vezes ouvi Violet dizer que vai comprar uma casa para morar comigo, sozinhas, e com sua sobrinha, ela aposta que é menina e já pediu para poder escolher o nome se for mesmo. Óbvio que eu disse que irei pensar, mas eu confio no gosto dela, e talvez ela escolha um lindo nome.

Doía dobrar as roupas como se não houvesse uma volta para essa casa. Não, na verdade não há volta, ao não ser que eu tire meu bebê - mas isso nunca. Se antes, quando ele era apenas um pequeno embrião, com semanas de fecundação, eu não tirei, não irá ser agora que irei tirar. Ele já pertence à mim, mais do que eu pertenço à ele.

Alguns minutos me remetem a pensar no Bruno, pensar em como ele está agora sabendo que esse filho é dele e que ele irá mesmo ser pai. Ele parecia tão mal quando soube, tão aflito, me bateu medo e um certo reconhecimento na sua face perdida, porque eu me senti exatamente assim quando soube: perdida. Sei que passa a sua vida toda pela cabeça, e ela passa pela transformação de pensamentos, a mudança de planos. Eu estava juntando dinheiro para conseguir comprar um atelier, montar meus look's, fazer tudo direitinho até um dia ser uma grande confeccionista, fazer um nome. Mas, eu vou ter outra direção para esse dinheiro, não será mais eu, será eu e ela ou ele.

-Pensando no que? - Pergunta Violet fechando a última mala.

-Em tudo, na vida... esse bebê. - Passo a mão rapidamente pela minha barriga e ela sorri.

-Você vai ter tudo o que precisa e tudo vai se encaixar, não tenha medo. - Ela levanta e vem na minha direção. - Lembra quando eu era pequena que você vivia dizendo que eu não deveria temer o escuro? - Balancei a cabeça lembrando de muitas vezes em que falei isso. - Agora você é quem não deve ter. Você é forte e é muito mais especial do que pensa.

-Eu estou recebendo conselhos seus... quando cresceu tanto? - Pergunto com os olhos marejados e passando a mão no seu cabelo.

-Enquanto você fazia roupas e fazia filhos, eu estava crescendo. - Ela ri e da de ombros. - Bruno me ensinou muita coisa com suas músicas.

-Ah. - Fico com a minha boca entreaberta e ela sorri. Se ela soubesse o quão cachorro ele é, ela não teria tanta paixão por ele. Uma pena.

Bruno Pov's 

Eu estava com um peso sobre mim, ninguém sabe além de mim e do Phil, e isso está realmente me matando. Eu queria poder compartilhar que estou com medo, assustado de verdade, mas não consigo nem pensar direito. Passei a noite com a Sophie para ver se algo melhorava, mas nem isso melhorou, transei com ela sem muita vontade e depois ainda tive coragem de pedir para que ela dormisse em algum outro quarto porque eu realmente queria descansar. E quando ela saiu, esbravejando, eu parei pra pensar e pensei que essa foi a cama que aquele bebê foi concebido.

-Droga de cama, droga de vida! - Repouso as mãos na cabeça.

Eu sei que preciso fazer algo, mas o que? Phil disse que eu tenho que pelo menos assumir essa criança, mas eu não sei se quero. É meu filho, mas ele não foi planejado. É uma criança, sangue do meu sangue, mas tenho meus pés e mãos atadas, não há muito o que fazer.

Viro para o lado, me apoio para levantar da cama e fecho os olhos quando me sento na beira da cama. Calço meus chinelos e ando para o banheiro. Abro o chuveiro e mergulho meus pensamentos naquela água, que desce pelo ralo, eu estou quase indo com ela.

++++

Canso ficar sentado escutando aquelas batidas do estúdio. Outro dia, qualquer dia, eu estaria pensando nas músicas, no meu CD para o final do ano, em tudo, mas agora só quero me afastar desse som. Saio do estúdio e vou para o pátio, sento-me na mureta que tem próximo as flores e respiro fundo para conseguir voltar e produzir o quanto antes, mas fica difícil com tudo isso acontecendo.

-Vamos ter que melhorar isso daí, vamos ter que aumentar a estima e voltar para o estúdio. - Phil senta ao meu lado e eu me ajeito direito. Sua mão encosta no meu ombro de leve. - E tudo isso vai começar quando você ir atrás da menina, falar com ela, e assumir.

-É difícil, é mais complicado do que parece ser. - Bufo revirando os olhos. Ninguém vai entender como eu estou me sentindo agora.

-Parece que o mundo está caindo sobre a sua cabeça, que nada mais faz sentido, e que tudo isso parece que não vai ter fim?! - Phil faz a pergunta e eu respondo assentindo. - Está esperando ela ganhar esse filho, pra você ver a carinha dele e aí sim tocar seu coração?

-Não... eu não sei se eu quero ver ele ou ela.

-Você não sabe se vai assumir ou não, é isso?

-É, mais ou menos isso. Eu vou lançar meu segundo álbum, eu tenho uma carreira, fãs, eu tenho uma família que vai me odiar só por estar pensando que esse filho é uma pedra no meu sapato.

-Nunca diga que ele é uma pedra.

-Phil...

-Bruno, eu vou falar última vez para você pensar sobre isso tudo, pensa sobre seu filho, não só na sua carreira. Vá atrás dela, ofereça um auxílio, o seu sobrenome nessa criança. Assuma as suas responsabilidades mesmo que elas sejam mais complicadas do que pareçam.

Por mais que eu me sentisse na obrigação de dizer algo ali, eu não sabia o que dizer, parece que as palavras trancaram. Ele pode ter uma razão, uma pequena razão, mas eu sou mais egoísta do que pareço ser, e isso seria praticamente um fim pra tudo isso. Meu gênio é forte demais para arcar com esse tipo de consequência.

Amber Pov's 

Ao chegar na casa da Belle, é esquisito dizer isso, mas meu corpo aliviou cem por cento. Assim que saí daquela casa, de perto daquela mulher que tornava minha vida extremamente infernal, eu sinto dizer que eu estou feliz, mesmo com essas coisas acontecendo.

-Eu vou arrumar o resto do quarto, semana que vem eu irei comprar as tintas para pintarmos ele.

-Não, nem sabemos o sexo. - Oponho contra a ideia da Belle.

-Mas eu não irei pintar de cor forte, apenas branco, e quando soubermos o sexo, vamos colocar um pedaço de papel de parede. - Rye da de ombros.

-Ah bom. - Dei um risinho sem graça.

-Eu estou morando com as minhas duas melhores amigas, isso parece um sonho de adolescente.

-Daria um filme. - Riley meche em sua unha, aparentemente lascou ao lado. - Três meninas e um bebê.

-Ou Quatro é demais. - Eu ri da minha ideia e Rye também, Belle demorou para associar, mas riu quando viu que eu estava brincando.

++++

Me instalei na casa da Belle a exatamente uma semana atrás. Estou sentada há mais ou menos duas horas fazendo confecções. Eu consegui essa semana três vendas no blog, e com isso engrenei na frente da agulha e da linha, do papel e do lápis, da máquina e dos tecidos de diversas cores e formas.

Estou cada vez melhor com meu bebê, aceitando ele de uma forma inexplicável. Recebi a visita da minha irmã e do meu pai, no final de semana. Sei que com a minha mãe a coisa será mais embaixo, e sei que ela é minha mãe, é meu sangue, mas se for para me atrair mais negatividade do que minha vida já está,eu prefiro que ela fique bem longe de mim.

Ouço o barulho da porta e levanto para ir ver se Belle ou Rye chegaram. A casa está silenciosa, acho que o barulho foi algo da minha cabeça. Escuto um ruído na mesa da cozinha e caminho espiada para lá. Além de todos os defeitos, sou medrosa.

Há uma xícara sobre a mesa, estranho ela ali, ainda mais porque ela está cheia, com algum tipo de desenho daqueles que fazem em café expresso. E há mais um papel dobrado embaixo. Cheguei mais perto, talvez seja algo que Belle tenha ganhado de alguém, ou até mesmo Rye.

-Alguém? - Perguntei.

Não há nenhuma resposta. Cheguei mais perto, o desenho sobre o café é lindo, são dois ursos escrito "love". Balbuciei um "que lindo" e fiquei com receio de pegar o papel que estava ali.



-Pode pegar o papel e ler, e o café não está com sal, garanto que ele está bem gostoso! - A voz masculina que ouço, já ouvi muitas vezes. Respiro fundo e olho para trás.

Lá está o Finn, com uma camisa branca, um casaco social por cima, e sua calça jeans que combina super com seu sapato. Seu cabelo baixo e sua barba por fazer, bem baixinha.

-Finn. - Encho meus olhos de lágrimas.

Minhas pernas fraquejaram, ele me abraçou, envolveu seus braços em meu corpo e apertou-os mais forte, me passando segurança, força, e amor...O que ele está fazendo aqui? Isso significa que eu estou perdoada por ele? Minha cabeça girava e girava e a única coisa que eu mais pedia era tempo, tempo para aproveitar mais esse abraço, esse amor, esse carinho.

-Eu não consigo acreditar. - Meus olhos se enchem de lágrimas e ele pega emu rosto carinhosamente com suas mãos, e limpa as lágrimas com seus polegares.

-Não precisa chorar.

-Mas...- Comecei a chorar novamente, mas agora com um sorriso nos lábios.

-Não precisa ler aquele papel, eu posso falar pra você tudo que tem ali. Quer ouvir?

-Que-quero, claro. - Gaguejo um pouco.

Enquanto caminhamos até o sofá para sentarmos, ele põe a mão sobre o meu ombro o que me deixa completamente desarmada, eu gosto muito dele. Sentei-me ao seu lado, com uma certa distância até, não como eu estava acostumada antes. Perguntei, antes de tudo, onde as meninas estariam, e ele falou que planejou isso com a Belle e levou elas para o shopping ficar um pouco lá para nós conversarmos.

Fiquei calada e ele riu nervosamente.

-Você sabia que é a primeira pessoa que eu me envolvo por mais de um mês que eu não levei para a cama?

Corei instantaneamente e sorri da maneira mais sem graça do mundo, querendo ficar com o rosto no chão por vergonha de ter feito uma coisa tão ruim para um homem tão bom.

-Não quero tocar em feridas antigas. Mas Amb, o que eu quero dizer com isso, é que você foi a única pessoa que eu confiei rapidamente, a única pessoa que me cativou com tão pouco, logo eu que sempre fui mais seletivo.

-E em troca eu te dei uma decepção. - Ponho minha mão esquerda sobre a barriga e ele observa.

-Não vou mentir que fiquei decepcionado, mas havia mais raiva do que decepção. Geralmente não comento isso com as pessoas, mas o que mais me doeu nisso é saber que mesmo que você ficasse comigo, esse filho não poderia ser meu, eu sou estéril, Amb.

Me choquei mais do que já estava. Minhas mãos quiseram apertar as suas, meu tio por parte de mãe é assim, e eu lembro de quantas noites ele passava em claro se lamentando baixinho por não poder ter filhos graças a um tombo que levou e machucou seriamente a área genital.

-Eu não sabia...- Eu também não sabia o que falar.

-Viu, é por isso que eu não falo, geralmente as pessoas sentem pena.

-Eu não estou com pena, apenas lamento por você não poder colocar mais crianças lindas no mundo com o seu gene.

-Obrigada. - Agora é seu rosto britânico que cora levemente. - Amb, eu tomei semanas de coragem para vir aqui, me remoí até o último instante durante uma semana, passei pensando o tempo todo. E o que mais me tocou foi uma notícia que li no jornal, sobre um homem que adotou mais de vinte crianças e as deu um lar. Eu pensei, porque eu não adoto? - Sorri com seu pensamento. - Mas aí à noite me veio outro pensamento, porque adotar um estranho agora, se eu posso criar uma criança e cuida-la desde a gestação, já que a mãe dessa criança é alguém que me tem por completo?

Ele estava falando de mim, ele estava falando que eu o tinha por completo. Meu mundo pareceu ficar no ar, pareceu sair corações vermelhos dos meus olhos, o que eu mais queria era lhe dar um beijo.

-Fui criado pela minha mãe e pelo meu pai como um casal bom, com princípios, sendo assim eu tive uma educação muito boa na Inglaterra. Todos lá são pessoas respeitosas e muito educadas. Desculpe se eu pareci irritado aquele dia, se eu lhe falei algo ruim ou se eu não lhe dei mais atenção do que deveria. Escolhi que com você seria do jeito certo.

-Eu sou eternamente grata por você me tratar como uma dama, mas também sou eternamente endividada com a falta de caráter perante à você.

-Falta de caráter? Sabe o que mais me fez vir aqui, além desse pensamento?

-Não. - Balanço a cabeça levemente.

-Foi você ter me dito com todas as letras isso, não ter escondido e nem ter tentado dizer que esse filho era meu.

-Até porque se eu dissesse isso seria duas furadas, pois nós não transamos e você não pode ter filhos. - Pus a mão na boca quando vi que falei isso, que deve feri-lo, tão abertamente. - Desculpa, desculpa, desculpa.

-Não foi nada, sorte dos meus pais que minhas irmãs podem ter e tem filhos. - Ele ri.

-Eu não quis, você sabe... não quis. - Balancei a cabeça diversas vezes e ele pôs a sua mão por cima da minha.

-Calma, eu sei que não quis. - Ele ri e então eu me sinto a vontade para desabafar a risada nervosa. - A propósito, eu já consigo ver uma pequena saliência aqui. - Ele aponta para minha barriga.

-Ah. - Levanto o moletom e em seguida a blusa, olho para a quase imperceptível barriga e olho pra ele. - Não tem muita graça agora, mas quer toca-la? - Pergunto e ele intercala os olhares entre eu e a barriga.

-Claro.

Sua mão quente encostou na minha barriga que estava mais quente ainda, seus olhos pairaram sobre a barriga e em seguida sobre os meus. Meu corpo todo estremeceu, e ele se aproximou lentamente enquanto a mão fazia movimentos circulares em minha barriga. Levemente seus lábios tocaram os meus, molhados, e minha boca se entreabriu para aprofundarmos um beijo cheio de saudades e talvez de algo a mais.


Minha respiração se confundiu com a dele, e quando meus olhos abriram levemente, para ver que isso não era realmente um sonho, ele abriu os dele também. Quebramos o beijo com o riso.

-Está com quantas semanas mesmo?

-13, quase 14. - Suspiro fundo.

-E o Bruno?

-Não sei, depois do dia que ele soube que o bebê era realmente dele, ele nunca mais entrou em contato comigo. - Respiro e sorrio de lado. - Eu sei que ele ficou tão apreensivo quanto eu quando descobri, sei o que ele sentiu, e não é nada bom.

-Eu imagino que deva ser difícil pra ele.

-Principalmente porque ele tem fama e tudo mais. Agora imagina como vai ficar a minha fama... Vai ser manchetes como "golpista" e minha foto bem grande, isso caso todos saíbam que ele vai ter essa criança, o que eu acho quase impossível que ele irá registrar.

-Se ele não registrar, eu faço questão.

-Não, isso eu não deixarei Finn.

-Shii. - Ele coloca o dedo sob a minha boca. - Isso discutimos mais tarde, acabamos de reatar e eu não quero uma briga.

-Acabamos de reatar? - Lembrei-me que nós nunca namoramos.

-Que foi? - Pergunta ele com o riso em seus lábios.

-Nós reatamos o que não tínhamos? Confuso. - Agora ri mais descontraída e ele gargalha.

-Nós não tínhamos nada?

-De certa forma não, nada concreto. - Arqueio as sobrancelhas e ele ri mais ainda e aproxima o rosto do meu.

-Então vamos ter. - Fiquei o olhando, entendi o que ele falou, mas eu sei que posso estar imaginando coisas. Aí senhor. - Eu tenho que perguntar com todas as letras se você quer namorar comigo?

Eu rio balançando a cabeça e ele fica me olhando mais ainda, esperando uma resposta para a pergunta que acabara de fazer. Respondi que sim milhares de vezes enquanto ele ia me dando vários  selinhos.

Com quase toda a certeza, hoje talvez é o dia mais feliz depois que eu descobri que estava grávida!

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Capítulo 26 - the moment of truth

Amber Pov's 

Estamos no sábado. A quinta, a sexta passaram e eu não tive coragem nenhuma para começar o assunto, mas hoje, eu me sinto um pinguinho mais confiante e sei que minha irmã estará em casa, ela precisa estar junto para quando irei falar. 

Estou adotando melhor essa ideia que tem alguém dentro de mim, uma vida que depende da minha. Andei acariciando minha barriga, como estou fazendo nesse exato momento enquanto encaro o teto do meu quarto - que provavelmente não será mais meu. Ela está bem pouco perceptível, olhando quase nem da pra notar a diferença, mas passando a mão dá para perceber que ali tem mais uma vida. 

Os primeiros momentos foram assustadores, foram terrivelmente assustadores. O mundo desmoronou sobre a minha cabeça, coisas terríveis me fizeram pensar que o melhor era nada disso ter acontecido. Eu vou ter a reprovação dos meus pais, talvez da minha irmã, ele não terá um pai presente - poderá até nem chegar a saber quem é seu pai -, nós iremos enfrentar o mundo juntos. O mundo contra nós e nós contra eles. Foi difícil aceitar a ideia, eu sempre penso nas coisas ruins, mas agora meu pensamento está mudando. Talvez eu possa amar ele antes mesmo de completar 30 semanas, talvez eu possa acordar amanhã já sentindo ele mais do que sinto e consequentemente adorar, talvez eu encoste em minha barriga daqui há algumas semanas e ele ou ela estará feliz, se revirando. Talvez eu chegue no dia da primeira ecografia, eu sei que vou ver somente um borrão, mas só de assisti-lo ali e ouvir seus batimentos eu possa ver que eu já estou o amando. 

Ele(a) faz parte de mim. Ele(a) é parte de mim.

-Desculpa por tudo que você irá passar, mas nada disso é sua culpa, ok? - Falo com minha barriga enquanto a acaricio. 

-Amb, a mamãe está chamando para o almoço. - Violet bate na porta e eu levo um susto me ajeitando rapidamente pensando que ela iria abrir e pudesse me ver naquela cena, mas lembrei-me de ter trancado a porta, então aliviei meu peito. 

-Ok, já estou descendo. - Ajeito-me e respiro fundo contendo as lágrimas que queriam cair. Eu tenho que ser forte, eu tenho que ser forte. Repetia para mim mesmo como um mantra. 

Nosso almoço foi tranquilo, comemos frango frito com purê de batatas. Eu amo esse prato, e não tive nenhum enjoo quando o ataquei bruscamente. Quanto tempo eu não me alimento direito mesmo? Acho que em semanas essa é a primeira vez que eu estou verdadeiramente comendo, afundo, um prato de comida de sal. 

-Eu preciso falar com vocês. - Digo assim que todos terminaram de comer, meu pai estava espetando um palito de dentes na boca, e minha mãe juntava os pratos em uma pilha. 

-Vai assumir algum namoro? - Pergunta Violet. 

-Você acha que eu sou encalhada? Sempre fala de namorados. - Balanço a cabeça. 

-E não é? - Pergunta ela. Dou um murro de leve em sua cabeça e ela ri gostosamente. 

-Eu lavarei a louça e vamos para a sala conversar. - Minha mãe diz, ela não estava num dos seus dias felizes do ano, infelizmente. 

Quase vacilei em algumas vezes enquanto minha mãe estava lavando a louça, pensei em inventar alguma outra coisa para não ter que falar nisso hoje. A imagem das meninas se projetaram na minha mente, principalmente da promessa que eu fiz. Ri sozinha e respirei fundo para encarar a realidade. 

Levantei-me assim que minha mãe se sentou ao lado do meu pai. Violet balançava os pés impaciente. 

Eu sabia que assim que começasse a falar, eu teria que terminar. Provável que viria uma bomba de variadas perguntas sobre como, quando, quem e etc. No fundo isso não é errado, é o que qualquer um perguntaria, mas a situação se complica mais quando essa criança que gero não tem um pai, quando ela é apenas minha filha dentro de mim, somente com meu sobrenome e que é óbvio que seria rejeitada por meus pais que não aceitariam, nunca, o fato de eu ter um bebê avulso.

Não, não é avulso, é apenas um bebê que não irá ter um pai. Pode ser que não tenha os avós presentes, e que terá uma tia bem nova, e madrinhas loucas. Uma mãe um tanto quanto porreta das ideias, mas que vai ama-lo loucamente.

Não era eu que há semanas atrás estava chorando dizendo que eu não o queria?

-Estamos esperando. - Avisa minha mãe, rolando os olhos impacientes.

Meu pai encarava o relógio, provável que esteja esperando dar o horário de algum jogo, de alguma aposta imbecil, ou algo do tipo, e Violet nem ao menos ligava para o que iria ser dito ali. Talvez,  na verdade certeza, isso mudaria tudo.

Aperto meus olhos e fecho minha mão esquerda em punho.

-Eu estou g... - A voz falhou. Eu pigarreei para tentar novamente,  mas tive falha. Parecia que as palavras recusavam-se a sair da minha boca. Seria tão mais fácil se Finn estivesse aqui, segurando minhas mãos, passando segurança dizendo que tudo iria ficar bem. Ou que pelo menos Rye e Belle estivessem de longe, vendo tudo, para me segurarem caso caísse. Enchi minha boca novamente, olhei para o teto e comecei a pronunciar. - Eu estou grávida. - Suspirei fundo. Taquei todo o ar que estava trancado dentro de mim, para fora.


-Co-como? - Minha mãe regala seus olhos esverdeados, que agora pareciam tão opacos, tão perdidos. Qual é, não se faça de surda ou como se preocupasse com o que se passa comigo.

Meu pai, ele sim parou o olhar sobre meu rosto. Mas ele não olhava em meus olhos, olhava para o nada com o pensamento bem distante. Arrisco que estivesse pedindo a Deus que isso não passasse de uma piada. Mas, no fundo, ele sabe que é real. Não tenho tanta proximidade suficiente para fazer esse tipo de brincadeira com eles.

Violet, ela sim havia largado seu fiel e companheiro celular, para me encarar com a faceta perdida. Ela não sabia calcular o que falaria, e se falaria algo. Seus pés, que antes balançavam, agora pararam e cruzaram um ao outro. Na minha cabeça eu só pedia que isso passasse o mais rápido possível.

-Você não nos disse que estava namorando! - Meu pai se pronuncia. Não identifico nenhuma tristeza em sua voz, como pensei que haveria.

-Eu... - Travo novamente, mas olho para minhas unhas e suspiro fundo. - Eu não estou namorando.

-Oh, meu Deus. - Senhora Debra leva sua mão, pálida de natureza, até a boca e me encara inexpressiva. - Quem é o pai? - Pergunta, com a voz meio incompreensível pela sua mão na frente.

-No momento certo eu irei dizer. - Meu olhar estava caído, arrependido.

Em minha mãe eu podia ver o que ela sentia: nojo. Áspera pela filha que engravidou sem ao menos ter um namorado ou um trabalho descente. Ela pensava, provavelmente, no que suas amigas da igreja iriam dizer. Josh, meu pai, estava transparente. Ele mostrava sua frustração, mas não como se fosse o fim do mundo. Em seu olhar eu poderia ver que ele seria o menor dos seus problemas.

Violet faz um barulho com a boca, uma espécie de negação. Acho que ela sente-se traída. Sempre falo à ela sobre meus relacionamentos, somos abertas uma a outra, apesar das brigas, então, quando ela me olhou daquela forma, vi que tinha à magoado. Mas ela não deveria ficar brava comigo, eu apenas queria evitar tudo isso, eu ainda queria absorver que estava mesmo carregando uma criança fruto do seu ídolo...

Essa é a pior parte. Se ela já está com esse semblante apenas por eu não ter comunicado à ela sobre a minha gravidez antes, imagina quando ela souber que esse filho é fruto meu e do homem que ela tem sua paixão platônica.

-Falem alguma coisa, por favor, só não me deixem nesse vazio. - Peço indo para trás, direção da poltrona vazia, onde meu pai costuma sentar.

Encaro a mão da minha mãe entrelaçada com a do meu pai. Fecho a minha e tento formar a figura do Finn ao meu lado, me dando apoio suficiente para permanecer em pé.

-Eu preciso absorver tudo isso. - Diz minha mãe, atormentada.

-Quanto tempo você está? - Você? Sério? Minha irmã sempre me chama de irmã, de amiga, de Amb, mas quase nunca de você. Eu me sinto como uma estranha.


-Inicio de doze semanas. - Respondo olhando para ela.

-Três meses. - Ela pareceu pensar bastante e dá um sorriso. Não, não é um sorriso de "que bom que eu vou ter um sobrinho". É um sorriso de "estou me sentindo mais do que uma desconhecida".

-Amb...Eu realmente não sei o que dizer. - Minha mãe balança a cabeça. 

-Eu só queria que você confiasse em mim, assim como eu confio em você e conto todos meus segredos. Estou me sentindo traída. - Minha irmã fecha os olhos dando um ar mais dramático ainda à tudo aquilo. 

-Você, Amber Lucy, é a ovelha negra da família. - Minha mãe balançou a cabeça. Eu posso ser qualquer coisa, posso ter dado uma decepção tremenda, mas eu não sou a ovelha negra, não mesmo.

-Debra, está generalizando. - Pai coloca a mão sobre a dela, que vacilou a puxou rapidamente.

-Generalizando? Acha mesmo? - Ela levanta e olha-me no maior desdém. - Vai dizer que não está achando ela suja, Josh? Ela não deve saber nem quem é o pai desse bastardo.

-Fala como se eu não estivesse presente aqui! - Bufo e olho rapidamente para minha irmã que encarava o nada, bem pensativa.

-Eu não ligo pra que esteja aqui, por que logo mais não estará!

-Como? - Pergunta meu pai olhando para seu semblante transtornado.

-Isso mesmo que ouviu, embaixo do meu teto, eu não irei abrigar nenhum bastardo e nenhuma vadia.

Meu coração se espedaçou na hora. Quem eu pensei que me apoiaria, está olhando decepcionada para mim, e quem eu pensei que não ligaria, está tentando concertar as coisas no meu lugar. Meu pai balançou a cabeça como se dissesse que daqui a pouco ela esquece daquilo, mas eu sei que não e eu sinto que não.


  • Olá, tinha dito que iria postar short fics, e postei duas. Uma é do Bruno, outra é de personagens originais. Se caso quiserem ler, fiquem a vontade.
  • O último baile: personagens originais. Spirit / All Time / Blog
  • Do I wanna know?: Bruno Mars. Spirit / Blog: 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Capítulo 25 - torment

-É sério, você precisa falar o quanto antes. - Entre uma dentada e outra de pizza, Rye fala.

-Não é tão simples, eles não irão entender. - Balanço a cabeça negativamente.

-Você pode vir pra cá caso eles te expulsem de casa, meu amor. - Belle passa a mão pelos meus cabelos.

-Você acabou de colocar esses dedos nessa pizza gordurosa e agora está passando nos meus cabelos. Além de grávida quer que eu fique um bicho de feia?

-Desculpa. - Ela ri de maneira travessa.

-Ok, prometa à nós que irá falar essa semana. - Riley larga a pizza e ergue a mão. Belle faz a mesma coisa e eu olho para as duas, bufando e ainda meio contra, levanto a minha mão. - Repita comigo. - Ela ordena. - Até domingo eu irei falar para minha família que estou esperando um bebê, e se algo der errado, irei morar com as minhas amigas.

Eu repito e nós todas caímos na gargalhada. Aquilo fica engraçado de um jeito bem legal, na teoria. Porque na prática sei que irei chorar, espernear e no fim, irei sair de casa.

Bruno Pov's 

Não sei como eu dormi, muito menos como eu acordei. Ontem Sophie me ligou duas vezes atrás de explicações do porque não estamos nos vendo tão seguidamente, eu novamente pratiquei o sermão de que eu e ela não temos nada e não somos nada, e que no momento eu não estava com cabeça pra isso.


Se ela entendeu ou não, eu não sei, mas realmente eu não tinha cabeça para nada mais além daquela criança. Eu vou ter um filho, sabe o quanto isso soa estranho? Eu não planejava ter filhos por enquanto, nem casar, quero fazer isso mais tarde, mais além da minha vida. Eu, no auge da carreira, terei que embalar uma criança chorona.

Eu não terei que embalar ninguém, eu não preciso assumir. Só preciso dar o que ela precisará e deu.

+++

-INCOMPETÊNCIA, nada se resume mais perfeito que essa palavra! - Grita Ryan na sala de reunião. - Pô brother, eu precisava disso hoje! - Ele baixa um pouco seu tom de voz.

-Fala alguma coisa, Bruno. - Exige Marc.

-Um bicho comeu a língua dele. - Brinca Phil, mas eu não consigo enxergar a graça de nada.

-Eu sou amigo, mas sou seu assessor, eu preciso dar respostas pra gravadora que não irá esperar. Ela precisa do seu aval!

Estávamos falando do meu segundo álbum que lança no final do ano, mas sinceramente eu não ando pensando nisso, eu só consigo pensar no meu filho, ou seja lá o que for...Ele é meu, o exame comprovou isso, e agora eu vou ser pai, mas eu tenho 27 anos e não sei cuidar de mim mesmo!

-É melhor abrir essa boca, Peter. - Ryan bufa mais uma vez e fecha sua mão.

-Olha a cara dele. - Phil aponta pra mim.

-Tá bem, cara? - Pergunta Ryan.

-NÃO, eu não estou bem! Eu estou com a minha cabeça cheia de problemas, eu não sei o que fazer, e tem o CD que está me consumindo, eu estou entrando na loucura. Me internem. - Baixei minha cabeça na mesa e quando fechei os olhos desejei aquela noite nunca ter acontecido.

-Ih, se irritou. - Ryan brinca diante da situação.

-O que houve, cara? - Phil passa a mão em minhas costas.

-Leva ele pra beber uma água ali fora. - Ouço a voz de Marc.

Eu parecia um zumbi quando levantei. Andei até o lado de fora da sala de reuniões e sentei-me no banco de estofamento vermelho vinho e baixei minha cabeça. Só sinto que Phil está do meu lado quando sua mão encosta no meu ombro.

-A pressão do CD não é só em você. - Diz ele. - Sei que está difícil, mas assim que lançarmos vai...

-Não é o CD Phil. - No momento eu me sentia um verdadeiro idiota por não ter falado nada pra ele.

Ele é meu melhor amigo, caramba!

-O que é então?

-É pior do que você imagina. - Bufo entre minhas mãos espalmadas em meu rosto.

-Engravidou alguém.. - Ele ri como se pra ele isso fosse uma piada. Mas pra ele é, pra mim é a mais pura e doída realidade. Encarei seu rosto que ficou perdido ao ver minha expressão facial extremamente seria. - Não fica brincando, cara.

-Eu não estou brincando. - Fecho as mãos e inclino minha cabeça pra trás.

-Quem é a mulher? - Pergunta ele mudando de expressão.

-Acho que você não vai lembrar de uma menina que foi no camarim uma vez por causa de uma promoção...

-Fala sério, a menina deve ter uns 14 anos Bruno! - Ele disse seriamente e friamente.

-É claro que não foi a menina né seu idiota. Foi a irmã dela, a que acompanhou ela.

-Eu não consigo lembrar...

-Lembra que elas foram a primeira vez e eu acabei dando ingressos para a próxima? - Ele assentiu positivamente. - Então...

-Mas foi no camarim mesmo?

-Não, nós nos encontramos em uma noite qualquer. - Dei de ombros.

-Uma única vez e já... que chute certeiro hein. - Ele bate nas minhas paletas.

-Agora estou perdido.

-Mas é seu mesmo?

-Fizemos o teste de DNA...

-Já tem planos para o que irá fazer? - Suas mãos se entrelaçam e eu olho para a parede à nossa frente. Eu não tenho planos, eu estou perdido, isso sim.

-Não... não sei de nada, na realidade. - Digo, confuso.

-Eu nunca pensei que você carregaria uma coisa importante assim em mãos...

-Ninguém pensou e ninguém pensa.

-Bruno, não é querer por a lenha na fogueira, mas eu tenho dois e sou casado, a barra não é tão simples assim para nós que estamos juntos, imagina pra você que nem está com ela.

-Eu não sei nada sobre ela.

-Sobre qual garota que você saiu por aí, você sabe? - Ele tem razão, não sei de nada de nenhuma. - Sophie ficará uma fera.

-Ela não pode saber. - Imaginei o que ela seria capaz de fazer comigo.

-E vai fazer o que? - Olho pra ele, perdido. - Colocar a sujeira embaixo do tapete?

-Não, eu vou dar o que ela precisar, só não serei presente. E não sei se irei registrar...

-Nunca diga isso! - Phil pareceu irritado, eu sei porque, família acima de tudo. - Apesar de ser indesejado, essa criança é seu fruto, é sangue do seu sangue. É mágico ser pai.

-Ah, fala por você que já é.

-Você sabe mais que ninguém que nenhum dos dois filhos meu foi planejados.

-Phil, você tem uma mulher, uma família, e eu tenho quem? Minhas irmãs irão me chamar de irresponsável, meu pai irá discutir comigo. Eric falará que eu sou um idiota e que tenho que ser um pai presente para a criança, e eu não tenho mais minha mãe para me guiar. - Minha voz chorosa saí, parece mais do que um lamento, parece uma súplica por um abraço.


E foi isso que ele fez. Ele abraçou-me como seu irmão, seu amigo, aquele que sempre me acolhe.

-O que todo mundo diz é que tudo vai ficar bem, mas isso depende de você. Eu só posso te dar conselhos, e se eu fosse você, assumiria essa criança. Você não precisa namorar com a mãe dela, mas dar seu sobrenome, fazer visitas, dar amor... você vai ver que cada momento é único, é mágico, é lindo.

-Eu só posso fazer isso se alguém confiar em mim.

-Eu confio em você. - Ele dá dois tapinhas em minhas costas e nos afastamos. - De olhos fechados, eu confio.


  • Fiz uma short fic (capítulo único) sobre o Bruno, gostaria de saber que, se eu postasse, vocês iriam ler? Obrigada à quem sempre comenta e à quem lê, mas não comenta. -A

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Capítulo 24 - about sex...is great?

-Bruno... - Tento chamar a sua atenção.

Ele não responde, não me olha, apenas continua com seu olhar fixo no nada, e sua expressão vasta de perdido no mundo. Ele me desarmou com isso. Eu que antes estava brava porque ele me tratou como uma qualquer, e queria esfregar esse resultado na cara dele agora estou pensando que ele pode estar sentindo o que eu senti e ainda, quando paro um pouco para pensar, sinto.

Acaricio seu ombro, não tenho nada para falar, e vejo que ele não quer me falar nada, então percebo que talvez seja melhor deixa-lo sozinho.

Viro-me para a porta e quando vou abri-la, ele respira fundo.


-Isso nunca tinha acontecido... Digo, eu sempre fui cuidadoso. - Ele desabafa, agora me olhando. - Agora tem um ser que depende de mim.

-Não, ele depende de mim. - Rebato.

-Ele depende de nós. - Ele fala baixo, e eu olho pra frente. - Eu não sei o que fazer. Eu tenho que pensar... Eu não conheço você, quer dizer, eu não sei nem que dia você faz aniversário, eu nunca convivi um dia inteiro com você. - Sua voz estava perdida.

-Eu também não sei nada de você, nada além do que todos sabem.

-Você não pode falar pra ninguém que esse bebê é meu. Eu preciso pensar, eu preciso contar para todos com calma. - Ele diz, desesperado agora.

-Calma, nem meus pais sabem ainda. Só quem sabe é você, Annabelle, Riley minha outra amiga, e Finn...-Digo o nome dele baixinho.

-Finn, seu namorado?

-Não. - Olho pra ele, os olhos talvez houvesse alguma esperança que eu pudesse dizer sim para essa resposta. - Quisera eu. - Digo baixinho.

-Você vai tirar o bebê? - Pergunta.

-Não! - Respondo rispidamente. - Ouça, Bruno, se não quiser arcar com as consequências e ficar longe de nós, é até melhor. Posso criar meu bebê sozinha. - Ouça, um progresso, eu me referi ao feto como "meu bebê".

-Bom, eu preciso ir. Tenho uma reunião amanhã e tenho que dormir, se eu irei conseguir dormir. - Ele coloca a mão no volante deixando o papel cair. - Qualquer coisa eu lhe ligo.

-Tchau, Mars. - Bato a porta do carro.

Eu pensei, no fundo, que o coração dele tinha amolecido, depois daquele choque que ele levou quando comuniquei à ele, mas nem isso aconteceu, ele continua daquele jeito, me tratando como uma idiota. Que ideia é essa de perguntar se eu irei tirar o bebê! Ele é doido? Inconsequente!

Arranco meu carro e tento pensar em outras coisas, o que praticamente é impossível. Levo meu carro para o caminho da casa da Belle e passo pela frente da rua do apartamento do Finn. Ele não falou nada nessa uma semana que se passou, para a Belle. Eu sabia que tive uma pequena esperança em vão, infelizmente.

Entrar na décimo segunda semana essa semana não está me fazendo tão bem assim. A fome ainda não vem, o médico puxou minha orelha dizendo que é preciso que eu coma mais, mas o que fazer se eu não tenho vontade? E como eu tinha pensado, eu emagreci dois kg, o que de acordo com o médico, não é muito bom.

Mas também notei pequenas coisas, como agora minha barriga está bem mais saliente. Bem mais saliente não, ela está levemente saliente. E uma das minhas calças já vacilou para fechar, ela é de cós alto e não fiquei muito confortável com ela quando a vesti esses dias. Eu queria compartilhar esses momentos com alguém. Acho que agora eu já estou aceitando esse bebê, não muito, mas já estou com aquele sentimento materno em mim, aquele extinto de proteção acima de tudo.

Assim que estaciono o carro na frente da casa da Belle, vejo ela espiar pela cortina. Rio da atitude dela e caminho até a porta, a qual ela abre - escancara - e sorri.

-Detonou com o Bruno? - A primeira coisa que ela me pergunta.

-Eu estou bem, obrigada. - Vou entrando e dando um beijo no rosto da Rye.

-Desculpe, mas pagaria para ver a cara dele.

-Cadê a comida? - Riley olha para minhas mãos, a única coisa que tem em mim é minha bolsa atravessada no corpo.

-Droga, eu esqueci. - Bati na testa. - Vamos aproveitar que eu acabei de chegar e vamos comprar juntas! - Disse e Riley sorriu.

-Ok, vou calçar um sapato. - Ela caminha em direção do quarto.

-Eu já estou pronta, vou de chinelo mesmo.

Entramos no carro e fomos rindo. Passamos na frente de um mercado, mas não quisemos comprar nada ali, acho que é porque a conversa no carro estava tão boa.

-Mas afinal, como ele reagiu? - Belle troca de assunto.

-Eu pensei que ele iria esbravejar, mas ele ficou estático. Parecia que tinha visto um fantasma. Aí, um minuto ou dois depois, ele falou algo, senti pena dele, porque ele ficou da mesma forma que eu fiquei, perdido, completamente. - Torço os lábios. - Nós tivemos uma breve, mas muito breve, conversa e ele tinha que soltar uma de suas bostas da boca... Perguntou se eu iria abortar! - Observo o trânsito e faço a curva com cuidado. - Fiquei pasma. Ai ele falou que qualquer coisa me liga, e foi isso.

-Nojento, asqueroso. Ele é uma barata, tenho nojo dele, assim como eu tenho nojo de baratas. - Belle diz fazendo cara feia.

-Vocês falam dele como se fosse um monstro, credo. - Ás vezes me esqueço que Riley não conhece ele pessoalmente.

Continuamos falando mal do Bruno, ou pelo menos da sua personalidade, porque se há algo que todas nós ali concordávamos é que ele tem seus charmes, ele é bonito, mas não faz totalmente meu tipo.

-Mas ele é só um rostinho bonito, ou ele é bom no que faz? - Pergunta Riley.

-Safada. - Diz Belle. - Mas também quero saber. Qual a nota?

-De quanto à quanto? - Pergunto.

-De 0 à 10... - Belle arqueia as sobrancelhas.

-9, só não dou 10... Não sei, talvez porque tenha faltado amor. - Respiro fundo. - Não que eu quisesse que fosse amoroso.


Elas riram e eu observei a cara de cada uma.

-Eu preciso ir pra cama com ele para ver se é 9 mesmo. - Riley ri. - Brincadeira.

-Você gozou? - Pergunta Belle. Fiquei corada, completamente.

-S-sim. - Ri baixinho, com vergonha e sentindo meu rosto pegar fogo.

-E é grande? Grosso?

-É maravilhoso. É grande e grosso! - Respondi sentindo meu rosto pegar fogo.

-Não posso deixar de fazer um comentário. - Observa Belle. - Ele praticamente arrombou você!

Nós caímos na gargalhada. Expliquei para elas, de maneira torta, que realmente ele havia me deixado bem "mal", pois de inicio parecia que tinha perdido minha virgindade novamente. Mas também expliquei o porque disso, eu sou magra, esguia - não alta, mas fina - não tenho muito corpo, por isso senti aquela sensação. Com Riley e com Annabelle é óbvio que irá ser diferente, afinal tanto uma quanto a outra são lindas de corpo, dá inveja à qualquer pessoa. A mais linda loira, a mais linda morena latina.

Entramos em um supermercado e andamos a busca do que comer. Decidimos que iríamos assistir um filme para passar o tempo e comer algumas besteiras.

No meio das compras, meu celular toca, um número desconhecido. Atendi, um pouco com medo, mas a pessoa só respirava ao outro lado, e eu insistindo para que ela falasse algo.

-Ok, vou desligar porque não sou palhaça! - Ameacei desligar e ouço algo.

-Não. - Uma voz abafada diz. Não soube identificar se era feminina ou masculina, o barulho do supermercado somado com o jeito que foi pronunciado, quase sussurrando, não deu para ver.

Esbravejei e desliguei o telefone.


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Capítulo 23 - an envelope, and a result ... positive!

Entrei em casa e aparentemente não tinha ninguém, mas o som vindo do quarto da Violet me fez pensar ao contrário.

-Trocou o repertório? - Perguntei ao escutar paramore tocando.

-Eu gosto muito deles, e também não posso escutar somente Bruno, não é? - Ela revira os olhos e eu faço uma careta e dou um sorriso.

-Obrigada. - Agradeço e ela põe o dedo do meio pra mim. - Não foi na aula porque, pirralha? - fico atrás dela enquanto ela se volta ao computador, conectada no twitter.

-Porque acordei tarde, e a mamãe foi no mercado, aí aproveitei para ficar, disse à ela que estava com cólica.

-Odeio cólica. - Faço uma careta e ela ri. Observo ela rolar a timeline para baixo e vejo uma nova foto do Bruno. É tirada por alguém, ele estava com a mesma roupa que estava hoje na clínica, e a rua é a mesma que a da clínica. - Que foto é aquela? - Pergunto apontando e ela volta para a foto.

-Ele foi visto nessa rua hoje, sozinho. O que é um milagre porque ele sempre está com um amigo ou segurança. - Ela diz. - Ele está lindo com essa roupa.

-Hm... - Digo. - Tem mais fotos?

-Acho que não, porque?

-Porque passei por lá hoje, saí com a Annabelle, eu poderia ter aparecido em alguma, não acha? - É verdade que eu fui sair com a Belle, é verdade que eu estava nessa rua, só não emiti o porque estava lá e nem que estava com ele.

-Ah bom... imagina se você encontrasse com ele? Eu queria mais um autógrafo. Será que ele lembraria de você? - É óbvio que ele lembraria quem eu sou.

-Com certeza não, ele conhece muitas pessoas diariamente, e eu não tenho nada de especial para ele lembrar. - Na verdade tenho algo que ele sempre, para o resto da vida, irá se lembrar.

-O que eu achei estranho é ele não estar com a namorada, talvez eles tenham terminado. - Engoli a seco.

-Ah... e-ele tem uma namorada? - Pergunto. - Você nunca me falou dela. - Comento sondando para saber mais sobre o assunto.

-Não sabemos ao certo, ele negou e ela também, mas já vimos algumas fotos dos dois juntos. Ela se chama Sophie.

-Não é famosa pelo jeito, nunca ouvi falar.

-Não é não, ela participou de um programa, como assistente de palco, mas fora isso nada demais.

Eu rio enquanto ela vai me contando as coisas. No computador ela procura no meio de algumas - muitas - fotos, fotos deles juntos. Ela me mostra umas oito fotos, e a cada foto meu nojo ia aumentando. Óbvio que é porque ele é um desgraçado que tem alguém na vida dele, mas traí a reviria. Também não devo tirar conclusões precipitadas, talvez ela seja somente aquela pessoa certa que ele pode transar quando quiser, mas não seja uma namorada concreta. Ou ela pode ser namorada e ele trair ela porque faz bem o estilo cachorro que ele tem.

Evitei falar/pensar sobre o Bruno o resto do dia. Fiquei um tempinho com a minha irmã e depois entrei em meu quarto. Arrumei algumas coisas, e quando parei um pouco, olhei para o quarto pensando em como posso botar um berço aqui, onde posso colocar um pequeno roupeirinho para esse bebê, onde posso instalar um lugar para brinquedinhos e trocador. Mas, balancei minha cabeça, para dispersar esses pensamentos. Meus pais não sabem ainda, e do jeito que são, tenho minhas dúvidas se ainda irei continuar a morar aqui.

O jeito é pedir abrigo por enquanto para Annabelle. Me contentar com um quarto pequeno e para eu e meu bebê. E esse tempo está chegando cada vez mais próximo, daqui uns dias vai chegar a hora que eu vou ter que sentar com eles e falar sobre tudo isso.

++++

-Tem certeza que vai sozinha? - Pergunta Belle no telefone. - Rye está disposta a ir com você.

-Eu estou bem meninas, vou completar doze semanas a recém... Imagina quando eu estiver com 30, vocês não vão me deixar levantar. - Brinquei enquanto colocava os pequenos brincos.

-Idiota, a gente só está preocupada com você e com nosso afilhado. - Ela diz. - Aliás, acho que nesse caso nem é bom irmos com você, vai que você e o Bruno se reconciliem.

Eu gargalho alto, e balanço a cabeça enquanto confiro minha roupa no espelho. O celular estava na cômoda, no auto falante e carregando.

-Vocês são engraçadinhas. - Digo sorrindo ironicamente. - A única coisa que eu e ele queremos em comum é distância um do outro.

-E o sexo. - Grita Riley.

-Quando você sair de lá, venha pra cá, precisamos conversar... - Belle grita, provável que Riley tenha feito algo nela.

-Ok, eu irei. - Suspiro. - Levo alguma coisa? - Pego minha bolsa sobre a cama e tiro meu celular do carregador.

-Traz algo para comermos. - Diz Belle.

-E uma bebida. - Instiga Rye.

-Cala a boca, estúpida, ela não pode beber! - Tiro do auto falante e rio delas com o celular na minha orelha.

-Vou desligar, mais tarde falo com vocês. Amo vocês.

-Também te amamos.

Desço as escadas e Violet estava abrindo a porta. Ela comentou algo de estar voltando cedo da escola porque sua professora acabou passando mal, eu não acreditei. O mais provável é que ela tenha cabulado a aula para ficar com os amigos, a coisa mais normal do mundo, todos já fizeram isso um dia. Pego a chave no console e digo para minha mãe não me esperar para a janta, pois iria chegar mais tarde.

Já é de tarde. Bruno mandou uma mensagem - bem seca - dizendo que pela manhã não iria poder ir, então combinamos ás quatro horas na frente da clínica. Belle e Rye estão em casa porque nenhuma das duas acordaram para seus compromissos.

Dirijo com cuidado, escutando música, até a clínica. Deixei o carro onde havia deixado da outra vez. Havia um na minha frente, preto com os vidros fumê. Um carro aparentemente caro. Andei até a clínica e me identifiquei na recepção. O andar que teria que subir era outro.

Parei na frente da mesa onde tiraria os envelopes e mandei uma mensagem ao Bruno.

"Onde está você?"

Assim que ela envia, sinto um vendo perto das minhas costas.

-Aqui. - Responde ele dando um sorriso, tão falso quanto meu relógio rolex.

-Ah, oi. - Falo num desanimo.

-Oi. Já pegou o seu? - Pergunta ele virando os olhos para o guichê.

-Ainda não, esperei você.

-Então pegue. - Ele diz num tom áspero. - Eu vou depois de você.

Vou sem falar nada. Não havia nenhum paciente na fila esperando, então não precisei pegar senha, apenas fui até o guichê, entreguei o pedaço do papel com minha identificação e ela procurou algo no computador. Levantou da sua cadeira, ajeitando sua saia lápis, e pegou um envelope branco com azul, entregou-me e desejou boa sorte.

Eu estava confiante, sorri ironicamente para o Bruno, que só não deu um soco em minha cara, eu não sei exatamente o porque. Talvez porque eu seja mulher, e seja crime bater em mulheres. Ele foi até o guichê enquanto eu rodava o envelope em minhas mãos. Da esquerda para a direita, da direita para esquerda, e assim, sucessivamente.

Descemos juntos no elevador, até que ele abriu sua boca para falar algo.

-Meu carro está na rua ao lado. - Ele diz. - Eu saio primeiro e você vai depois. Ele disse que não podemos abrir aqui dentro e nem é seguro para mim.

-Tudo bem. Qual é o seu carro? - Pergunto.

-Um Audi A7, preto. Vidros fumê.

-Ah, eu sei qual é, ele está bem a frente do meu. - Dou um sorriso e ele não esboça nenhuma reação.

-Tudo bem. - Ele saí do elevador e caminha rapidamente para fora do prédio.

Eu paro na recepção para dar uma disfarçada, pergunto se ali há somente a clínica ou outros estabelecimentos. Ela diz que é um prédio comercial, então perguntei se havia dentista e ela disse que há uma dentista muito boa, e que cabe na renda de todos, agradeci pelo cartão que ela me deu e andei para fora dali.

Ajeitei meu vestido e baixei meus óculos. Andei bem devagar até a rua do lado, disfarcei quando vi o carro do Bruno e então parei na frente da porta, ele destrancou e eu entrei rapidamente. Não é o mesmo carro que eu fui até a casa dele naquela noite.

-Pensei que iria abrir. - Levantei o óculos e ele sorrio para o envelope.

-Quero ver a sua cara quando der negativo.

Eu ri e apenas assenti. Ele, vorazmente, abre o envelope, enquanto eu, com o maior cuidado, vou tirando o papel de dentro.


-Não é possível. - Ele esbraveja vendo o resultado. - Não é possível.

-Genes compatíveis em 99,9 por cento. Resultado: positivo. - Tusso por algum pigarro não-existente em minha garganta e levanto o olhar para o Bruno.

Pensei que ele estaria com a face esbravejada, mas ele parecia perdido, engraçado. Muito engraçado, ele parecia mais perdido que eu, ele estava completamente fora de si, como um estado de choque. Eu desmanchei minha cara de vitória e o fiquei encarando para ver alguma reação, mas não havia nenhuma.

Levei minha mão até seu ombro, e ele não me olha.


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Capítulo 22 - a thread of hope

Larguei Violet em sua amiga num condomínio aqui perto e aproveitei para checar a mensagem da Belle. Ela dizia que iria falar com o seu chefe para lhe dar mais meia hora no horário do almoço, então direcionei meu carro até seu trabalho. Ela entra nele afobada, saiu apressada para conseguir fazer tudo a tempo.

-Cansou? - Pergunto enquanto observo ela colocar o cinto.

-Se eu contar uma coisa pra você, acho que não acredita.

-O que? - Pergunto.

-Eu estava com o Finn na sala, ele tinha ido pegar um café quando você me ligou perguntando se eu iria com você. Quando eu desliguei ele perguntou quem era, mas como ele sempre faz, eu disse que era você e ele abriu um sorriso. Voltamos a trabalhar, e no meio de alguma coisa que eu estava fazendo, ele virou pra mim e perguntou se você estava bem... Eu posso estar enganada, mas eu sei que ele ficou feliz em saber que você estava bem, e já é um grande progresso. - Ela bate palmas animadamente enquanto da minha boca o sorriso não saí.

-Ele falou isso mesmo? - Eu sentia meus olhos brilharem.


-Claro, não teria o porque mentir pra você.

Fiquei com esse pensamento na cabeça. Parecia uma idiota apaixonada. E se ele realmente estivesse pensando em me perdoar? E se ele e eu reatasse-mos o que nunca verdadeiramente concretizamos? Seria demais eu pedir para que ele ficasse comigo com um bebê bastardo, seria muito. Fecho os olhos enquanto paro na sinaleira, deixei transparecer para Belle que fosse nervosismo de encontrar o Bruno novamente.

Estacionei na rua ao lado da clínica. Engatei o braço no de Belle e fomos caminhando em silêncio até a clínica. Entre pela porta de vidro automática e me identifiquei na recepção.

-Terceiro andar, sala 34. - Ela entrega-me um pequeno papel com algumas coisas que eu não paro para ler.

Pegamos o elevador e descemos no andar. Bruno estava na frente da sala. Olhei para ele, e mesmo que de longe eu captei seu olhar meio confuso, com medo e com raiva.

Aproximei-me da sala e quando ia bater, ele intervem.

-Disseram para esperar, estão arrumando todos os procedimentos.

-Obrigada. - Agradeço.

Belle olha para ele como se fosse alguém normal, enquanto uma enfermeira que passou pelo corredor o encarou dos pés a cabeça. Se fosse em outro momento menos apreensivo eu garanto que ele iria atrás dizendo que iria tomar água, mas aproveitaria para pega-la em algum canto.

-Não olhe para ela como se ela tivesse culpa sozinha do que está acontecendo. - Já mencionei o quão sincera Belle é? Pois é.

Bruno a olha de cima a baixo, se fosse em outra ocasião eu garanto que até em cima dela ele daria, ela é linda.

-Foi você que falou comigo? - Pergunta ele.

-Foi sim. - Ela estufa o peito.

-Obrigada por estragar minha felicidade. - Ele estica a mão.

-Não mandei ser irresponsável e transar sem camisinha. - Ela desdenha sua mão esticada e ele a recolhe. Parcialmente a culpa é minha nesse aspecto.

-Como se a culpa fosse somente minha.

-A por favor, guarde suas palavras para outra hora. - Annabelle escora-se na parede e bem na hora o enfermeiro abre a porta.

-Somente as duas pessoas que irão fazer o exame, por favor.

Bruno deixou que eu entrasse antes dele, enquanto eu ia caminhando o médico que estava lá dentro mostrou-me onde sentar, Bruno sentou-se ao meu lado. Começamos com uma conversa breve do porque iríamos fazer esse exame. Falamos o porque e ele nos alertou que se eu estivesse com menos de seis semanas seria muito provável que acontecesse um aborto, disse a ele que estou com onze semanas e ele sorri grato pela resposta.

Deitei numa maca e Bruno foi induzido a sentar numa poltrona ao meu lado. Enquanto o enfermeiro ia me preparando, levantando minha blusa até a altura dos seios, o médico tirava uma pequena quantia de sangue do braço do Bruno.

Ele ficou olhando fixamente para minha barriga quando uma agulha foi espetada em mim. Fisguei de dor e fechei os olhos tentando imaginar um lugar bem bonito, foi assim que eu aprendi com minha tia e assim que ensinei a Violet, para amenizar a dor. Eles sugaram um líquido estranho e fizeram um curativo onde foi aplicada a agulha.

-O resultado saí em 7 dias. A probabilidade desse resultado der errado é de 0,01 à 0,10. Praticamente impossível. As medidas que tomamos é duas cartas obtendo o resultado, uma para a mãe da criança, outra para o possível pai. Nós temos a política de que é mais fácil sentarem para abrirem juntos em casa, mas não dentro da clínica, somos de respeito e não queremos que brigas de casais se formem em nosso interior. - Ele entrega duas folhas, uma para mim e outra para o Bruno. - Assinem o termo e podem levar essas duas folhinhas para virem retirar o resultado.

Saímos em silêncio absoluto de dentro daquela sala. Quando Bruno abriu a porta, pensei que ele iria deixar eu passar na frente, um ato de cavalheirismo, mas ele saí e a porta bate quase em meu rosto. Bufo impaciente com a atitude infantil que ele teve. Belle, vendo a cena, caminha até mim e pergunta primeiramente se me machuquei.

-Não, obrigada. - Agradeci pela pergunta e andamos até a frente dos elevadores.

Bruno ainda esperava o elevador chegar e Belle tinha que falar algo.

-Garoto insolente. - Ela bufa e olha para os andares onde o elevador para.

-Não amola, garota. - Ele revira os olhos.

-Dá pra vocês dois pararem. - Peço, com a maior calma do mundo. - Estamos num ambiente de saúde, e não numa have. - Reviro os olhos e Bruno coça a cabeça.

-Não precisaríamos estar aqui se você não tivesse engravidado. - Ele fala "engravidar" com um certo ódio, raiva, como se eu fosse a única culpada disso tudo.

-Engravidar não é o problema.- Sorrio para ele. - O problema é o filho ser seu. - Aguento meu sorriso e ele sorri, quase que vitorioso.

-Até semana que vem saberemos se é mesmo meu. - Ele olha para o outro lado, duas mulheres passam conversando olhando para um bloco de papel em mãos. Entramos no elevador e ele fica do outro lado, bem afastado. - Quanto você quer? - Ele cruza os braços na altura do peito.

-Porque você acha que tudo se resume a dinheiro? Não é porque tem dinheiro, que é rico, que acha que nós vamos querer o seu dinheiro. Posso muito bem ter tudo que eu quero com o meu trabalho, conquistar tudo com o meu suor. - Esbravejo jorrando as palavras quase sem pausa nenhuma. Minha fala saía rápido demais. - E outra, você verá que esse filho é seu mesmo, mas estará fazendo um favor à mim e à ele se ficar bem longe.

-Você está pedindo para eu me afastar do meu filho?

-Agora a pouco disse que o filho não era seu. - Sussurra Annabelle dando um sorriso e balançando a cabeça.

-Pouco me fodo para o que eu disse. Se ele for realmente meu, nós vamos ver a situação. E se não for, eu faço questão de ficar bem longe de vocês. - Ele desdenha-nos e enfatiza o "eu" da sua frase, como se ele fosse superior à nós.

-Não perde mais seu tempo com esse idiota. - Belle me puxa para fora do elevador.

-Querendo ou não, foi você que fez eu estar passando por esse momento. - Reviro os olhos e ela sorri ironicamente.

-Eu pensei que ele fosse aceitar, e que talvez isso fosse melhor para ambas as partes. - Ela dá de ombros andando ao meu lado.

-Só não estou mais irritada porque acendeu uma pequena chama de esperança quanto eu e Finn...Sabe, só a amizade dele já estaria tão bom. - Suspiro apaixonadamente.

-Ele fisgou você, não é mesmo?

-Com certeza. - Dobramos a esquina onde deixamos o carro.

Fui falando para Belle sobre tudo o que rolou lá dentro. Mostrei a ela o pequeno furo da agulha em minha barriga e comentei sobre a cor do líquido. Ela, assim como eu, achou nojento e disse que preferia que eu não entrasse em detalhes.

Almoçamos juntas em um restaurante próximo ao seu serviço, e com cinco minutinhos de atraso, ela subiu para o seu serviço e eu peguei o caminho para minha casa. 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Capítulo 21 - thoughts, thoughts and thoughts

Do consultório saí guardando meus papeis em minha bolsa. Esbarro em uma pessoa no corredor que olha nos meus olhos. Uma mulher de vestido vermelho com pequenas bolinhas brancas. Ela me encara e dá um sorriso no qual retribuo de má vontade.Quando começo a caminhar, olho pra trás e vejo ela se sentando quase no mesmo lugar onde eu estava antes de ser chamada. Sua barriga estava grande, há uma possibilidade de ser gêmeos ali, porque é muito grande. Ou ela está ganhando.

Daqui a alguns meses sou eu assim, sou eu com esse barrigão, sou eu de corpo miúdo e bola de basquete em minha barriga, sou eu colocando o banco do motorista um pouco mais pra trás porque a barriga atrapalhará o girar do volante.

Evito pensar em mais coisas. Dobrei os papéis de exames que tinham em minhas mãos e guardei-os na pequena pasta. O fato de Bruno ter aparecido aqui, ainda me incomodava. Eu sabia que Annabelle estava encucada com toda essa história, mas não sabia como e nem o porque ela havia feito isso. Será que de uma certa forma ela pensou que isso iria resolver alguma coisa? Inocente, não resolveu, mas piorou. Como eu vou criar um filho cujo o pai eu odeio? Cujo o pai dele odeia a própria mãe dele. A questão é, como eu vou criar um filho?

Minha cabeça girava e girava e nada de respostas vinham. Eu estava com saudades do Finn, à essas horas eu poderia estar conversando com ele, falando que eu preciso de um abraço amigo e ele confortante, como sempre, iria me abraçar, beijar o topo de minha cabeça, e dizer que tudo iria ficar bem.

Não, nem tudo vai ficar bem!

Corro um pouco para atacar o ônibus que para na parada, mas ele não esperou-me e arrancou cantando pneu. Havia duas pessoas agora na parada em frente ao hospital. Definitivamente eu preciso desenhar e produzir para esfriar minha cabeça, preciso ter ideias para roupas.

Abaixo minha cabeça e penso no Finn - novamente. Ele não merecia passar por isso, se ele gosta de mim como realmente aparenta e fala, ele deve estar mal. Bom, eu sei como é ser largada por um namorado depois de um tempo apenas porque você não quis sair com ele e ficou em casa, lendo - sei que não foi só esse o principal motivo. Mas eu preferia os livros do que sair por aí.

Nem tinha visto que alguém atacara o ônibus. Uma senhora com base na idade da minha mãe estava entrando no ônibus quando eu apresso meu passo para seguir até a porta. Pago minha passagem e sento-me no banco onde há dois bancos a minha frente.


Pela janela daquele ônibus, durante algumas paradas que ele fizera, eu pude notar tantas coisas. Eu fico me martirizando, mas tem tantas pessoas com problemas maiores. Sei que o meu não é pequeno, pelo menos não para mim, mas tem tantas pessoas passando por dificuldades maiores, que acho que um filho nessas circunstâncias é até um sinal de benção. E se eu quisesse ter um bebê e não pudesse? Eu estaria sofrendo igual. Eu tenho que amar essa criança. Ou melhor, tenho que me acostumar e cair em si que ela é real e que daqui há um tempinho ela estará aqui, porque amar eu acho que já a amo. 

Foi impagável a cara do Bruno hoje naquela sala. Se o assunto não fosse tão sério, seria cômico. Realmente ele não esperava que fosse ter um filho tão cedo, principalmente vindo de mim. Mas ele terá que se contentar. Eu tenho a mais plena certeza que esse filho é dele, ele querendo ou não. Ah, se fosse com o Finn seria diferente. Ele tem jeito de quem se dá bem com crianças, e minha filha poderia sair com seus olhos, seus cabelos, sua estatura e postura bonita, mas provável que ela terá cabelos castanhos escuro, olhos mel e bem amendoados, sua pele pode ser tanto cacau como a do Bruno quanto branca-papel, puxando a mim. Imaginar esse bebê é legal.

-Já estamos nos dando bem, princesa. - Falo para ela baixinho, encarando minha barriga mesmo que somente com o olhar de cima.

O ponto que teria de descer acabou passando, o próximo eu terei que andar um pouquinho, mas me fará bem, então levantei da cadeira sentindo um forte enjoo, me segurei para não cair no chão do ônibus e fui andando até a porta para sair. Desci as escadas e andei na direção contrária da minha casa. Em um dos apartamentos que ali tinha, pude ver aqueles varais suspensos com dois macacões, um rosa fraco e o outro verde água. Fiquei olhando como boba pra cima, até tropeçar e quase cair no chão. Ri de mim mesma e segui o caminho para casa.

Meu celular toca dentro da bolsa bem na hora em que abro a porta de casa. Deixo tocando enquanto fecho. Minha mãe não está por ali, não ouço música vindo do quarto da minha irmã, e meu pai não estava ali.

Talvez esteja sozinha em casa mesmo. Subo as escadas e quando largo minha bolsa sobre a cama, procuro meu celular. Há uma chamada perdida do Bruno, e logo chega uma mensagem. A abro quase de imediato.

"Espero que não tenha nada planejado para quarta pela manhã. Marquei o exame, será numa clinica particular. Mando o endereço mais tarde."

Passo o dedo sob a mensagem, deslizando ele de cima a baixo. Como ele pode ser tão grosso? Rio debochadamente dele achar que esse resultado possa ser negativo e largo o celular sobre a cama novamente. Eu preciso é de um banho e depois comer alguma coisa.

Pego um pijama antigo, e coloco ele em cima da minha toalha junto de minhas roupas intimas. Quando entro no banheiro, largo minhas roupas e me direciono para o box. Abro-o de modo que fiquei quente, mas nem tanto. Deixo a água correr um pouco, quando observo meu corpo no espelho. Eu estou mais magra, mas aquela pequena saliência em minha barriga é um pouco perceptível.

Não consigo me imaginar com a barriga muito grande, simplesmente porque não parece real. Minha cabeça tem um misto de sentimentos, e tem uma pequena chama acessa que ainda me diz "isso pode não ser real, apenas um sonho". 

Assim que terminei meu banho, lembro-me do que iria fazer antes mesmo de entrar para ele. Peguei meu celular e disquei o número de Annabelle que estava nos favoritos. Chamou uma, duas, três vezes e na quarta ela finalmente atendeu. 

-Você sabe que não tinha o direito. - Bufo sem ao menos deixar ela  falar um "alô". 

-Amb, meu anjo, eu precisava disso. 

-Não precisava, eu tenho que tomar as decisões, eu sou a mãe dessa criança. - Falo um pouco mais baixo. - Belle, caramba, eu já tinha tantos problemas, tantos... agora só mais um. 

-O que ele falou pra você? 

-Com certeza não foi um "fica tranquila que eu irei ajudar em tudo". - Falo estridente e ela da uma risada nervosa. 

-Eu fiz isso pensando no seu bem, e no bem da minha afilhada. 

-Não, você pensou em você. Eu disse que iria pensar sobre isso, era só respeitar uma decisão minha. - Reviro os olhos. - Eu não sei o que fazer agora. 

-Fica calma. - Pede ela. 

-Como se isso fosse possível. Tudo está desmoronando. - De repente eu me sinto mal, mas não no sentido saudável, mas mal porque antes eu estava rindo, agora já quero chorar sobre tudo que está acontecendo. Respiro fundo para não deixar as lágrimas caírem.

-O que ele lhe falou? 

-Ele disse. - Suspiro fundo. - Ele disse que eu não passo de uma fajuta, que transei com ele e agora estou dizendo que estou grávida somente para ganhar o seu dinheiro. - Respiro fundo novamente. - Eu sabia que ele teria essa reação, por isso queria me preparar primeiro. 

-Amb, eu não sabia... 

-Eu sinto que quando eu começar a chorar, eu não vou conseguir parar mais. Sabe o que é ter que fingir que está tudo bem aqui dentro de casa? Ter que fingir que eu sou normal.


-Você é normal. - Ela fala. 

Rio debochada. - Posso ser, mas eu não estou normal. 

-Eu estava pensando sobre seus pais. Semana que vem você pode falar pra eles, e se tiver realmente que sair de casa, eu vou ficar feliz se for lá pra minha. É pequena, mas sempre cabe mais um. Principalmente agora, estou me sentindo culpada. Desculpa por falar com o Bruno, eu não deveria ter feito isso sem perguntar antes, mas eu quero o seu bem, e o bem da minha afilhada. Por favor, me perdoa. 

Eu já estava chorando, isso é óbvio. Como eu posso ser tão idiota? 

-Tudo bem, eu te entendo. 

-Não chora. - Dei um riso para disfarçar. - Não adianta disfarçar. Ouça sua amiga, tudo, absolutamente tudo, vai se encaixar, tudo vai ficar bem. Eu te amo mais do que possa imaginar, e eu estou aqui. Te sirvo de coluna quando não tiver onde se apoiar. Conta comigo. 

Eu chorava, mas agora não é exatamente pelo mesmo motivo de antes, não é de tristeza, mas é de ver que eu tenho amigas de verdade, pessoas que eu posso confiar de olhos fechados, ver que eu não estou sozinha encarando essa, é bem melhor. 

++++

Pela manhã de quarta feira, me arrumei com a roupa mais simples que tinha, e me juntei para tomar café com a minha família. Minha mãe estava estranhamente de bom humor, e minha irmã não tirava os olhos do seu celular. Não tive nenhum enjoo, apenas muita vontade de comer o bolo de laranja que ali estava. Comi uns quatro pedaços e ninguém estranhou, por não estarem prestando atenção. 

-Vai sair? - Pergunta Violet. 

-Sim. - Respondo limpando a boca no guardanapo. 

-Pensei que pudesse me dar uma carona até a casa da Becky. 

-Posso, mas tem que ser agora, tudo bem? 

-Tudo sim, vou pegar minhas coisas. 

Ela sobe as escadas correndo enquanto eu tiro nossos pratinhos e canecas da mesa. Minha mãe olhava para a televisão, aqueles programas de culinária, meu pai deveria estar por aí, mas em casa ele não estava. Peguei as chaves do carro e coloquei minha bolsa em meu ombro. Liguei para Belle e ela me atendeu rapidamente. 

-Estava esperando minha ligação com o celular em mãos? - Pergunto e ela ri alto. 

-Claro que não, mas eu tinha pego para guardar aí você ligou. 

-Ah, ok. Então, você ou a Rye irão comigo? 

-Acho que a Rye, não sei se sairei a tempo. 

-O certo seria quem fez a burrada, não é? - Falo e ela ri sem graça. 

-Isso foi uma boa ação. 

-Um escambal. - Comento baixinho. - Vê com ela e me manda uma mensagem, estarei dirigindo e não poderei atender. 

-Ok, beijos. Se cuide. 

-Você também. 

domingo, 14 de setembro de 2014

Capítulo 20 - the reunion, the discovery

Passou mais uma semana, agora dez, faltando dois dias para finalmente onze. Eu fiquei alguns dias em casa, colocando a máquina chamada cérebro para funcionar, para pensar em mais coisas, desenhar mais e produzir. No fim, consegui mais algumas roupas, mais algumas ideias novas e novamente eu coloquei os desenhos no scaner e enviei para os estilistas. Não tenho tantas esperanças quanto à isso.

Dou uma ajeitada na minha roupa, estou indo para o hospital. Hoje tem mais uma consulta de rotina, e talvez marcamos minha primeira ultrassom hoje. Eu não estou tão empolgada, mas talvez já pense nessa criança como algo bom.

Ando comendo pouco ainda, e acho que emagreci um pouco. Minha calça velha jeans está um pouco mais larga do que de costume.

Belle e Rye estão na mesma casa ainda. Belle está pensando seriamente sobre o assunto de Riley morar lá, seria até bom para Riley não se sentir só e talvez cair na tentação de alguma droga ou depressão. Eu, penso mais no Finn do que antes. Isso não pode ser normal.

Li nossas mensagens antigas, só para ter certeza de que ele era realmente um homem certo pra mim. Bobagem, pois eu sei que ele é, mas eu joguei tudo isso fora.

++++

Estava lá eu olhando para a parede pintada daquele hospital, as horas pareciam não ter fim, parecia que a cada sessenta segundos que se passavam, neles continham longos anos de demora. Não sei porque me sinto assim.

Um cheiro de perfume e novas vozes adentram o corredor, limitei meu olhar, afinal eu estou numa ala para gestantes e recém nascidos, vai que eu veja algo que depois possa me arrepender.Porque esse médico está demorando tanto tempo mesmo?

A porta do consultório se abre a minha frente, eu sou a unica que restara ali, então ele assentiu e eu entrei.

Procedimentos mais procedimentos, a cada dois exames que eu fazia e remarcava uma nova consulta, lá se vinham mais três ou quatro exames. Estava cansada de tantas coisas pra fazer, é ginecologista, é obstetra. Ainda bem que senhora Debs me disse que isso é mais no primeiro estágio.

Fui abandonada um pouco na sala para que ela fosse fazer algo onde foi chamada. Deitada na maca, olhando para o teto, alguém abre a porta, não vi quem era pois sei que era o médico, mas o mesmo cheiro curioso de perfume ali entrou. Olhei para a porta e tomei como susto. Levei minha mão ao peito e respirei fundo.

-Oi. - Sua voz não estava nada amigável.

-Oi. - Respondo na defensiva. - Não pode entrar aqui.


-Fica tranquila, falei que precisava de um rápido tempo com você! - Ele se aproximou da maca e meu coração gelou.

-Como soube que eu estava aqui? - Pergunto. Na verdade eu não queria parecer que estava surpresa ou algo assim, queria parecer que eu estava controlada emocionalmente e que tudo está certo e feliz, mas eu só estava armando um teatro pra não parecer que eu queria pular daquela janela naquele exato momento.

-Eu tenho informantes. - Sua voz saía cada vez mais “vingativa”, um tom de ameaça. - Como ficou grávida?

-Quer mesmo que eu te diga? Não sabe? - Ironizo.

-De quem é esse filho? - Pergunta Bruno fazendo a cara mais idiota que eu já vi, estou com nojo dele agora.

-Como assim? Acha que eu durmo com quantos caras todos os dias? - Horrorizada, espanto-me.

-Pra ter ido pra cama comigo logo no primeiro encontro, eu não me surpreenderia.

Engoli toda a saliva que estava na minha boca. Juro que se eu pudesse gritar, eu gritava ali mesmo, se eu pudesse mata-lo, eu também mataria. Mas ele tem razão, quem é a louca que vai pra cama com um cara que mal sabe a data de aniversário? Ah, certo, essa louca é eu mesma!

-O que veio fazer aqui? - Pergunto mudando um pouco o foco do assunto.

-Vim saber quem é o pai.

-Calcula o tempo. Estou com nove semanas… quando foi nosso encontro mesmo? - Arqueei uma sobrancelha.

-Não sou bom com números. - Ele rebate.

-Além de idiota, é burro. - Ranjo meus dentes e ele aperta a sua mão como se estivesse prestes a me dar um soco.

-Tá legal, quer aplicar o golpe logo em mim? Conheço muito bem esse tipinho. - Ele olha-me com desdém. Com quem essa coisa pensa que está falando.

-Como? - Pergunto.

-Se faz de madre santa, transa comigo e depois aparece grávida. Quanto você quer pra parar com isso? - Ele vai enfiando a mão no bolso de sua calça.

-Não. - Toco rapidamente no seu braço e retiro minha mão quando ele para. - Não quero o seu dinheiro, não quero nada seu. Você nem deveria estar aqui.

-Então porque mandou a sua amiga atrás de mim? - Ele rasteja seus olhos e os meus param na porta.

Claro, só podia ter dedo da Annabelle no meio! Eu vou matar ela.

-Eu não mandei ninguém. - Quis aumentar o tom de voz, mas mantive o controle.

-Só me diz de quem é esse filho! - Em súplica, pede ele mais uma vez.

-É seu, caramba. - Quase grito novamente, tenho que aprender a me controlar, não perder a cabeça por mínimas coisas.

-Não é. - Ele revida.

-Então porque está aqui? - Seu olhar encontra o meu. Não consigo ver nada de bom na sua cabeça, ele está me odiando da mesma forma que eu o odeio. - Se está aqui é porque alguma culpa você tem. - Revido mais uma vez deixando ele desarmado.

-Eu vou atrás de um exame de DNA.

-Tudo bem! - Digo e o silêncio prevalência por segundos. - Mais alguma coisa? - Pergunto debochadamente.

-Se esse filho for mesmo meu… - Ele contraí seu maxilar e seus punhos se fecham. A distância que ele pega da cama, como se fossem dois passos para trás, parecia que ele pegaria impulso para bater em mim ou socar minha barriga. - Eu vou marcar esse exame para o quanto antes possível. - Ele quase grita.

-Ok. - Respondo tranquila.

-Passar bem.

Ele só não bateu a porta quando saiu porque estava num hospital e não na sua casa. Tenho certeza que ele deve estar me xingando de tudo quanto é coisa na sua cabeça, e eu também estou-o odiando. Eu o odeio, odeio o que aconteceu. Deus, se eu pudesse retornar aquela noite.

Aperto o colchão fino da maca e meus olhos marejam completamente, eu não vou chorar. Passo a mão pela minha imperceptível barriga e quando fecho os olhos ouço um barulho, pensei que fosse ele novamente, mas logo ouço a voz do médico.

-Ok, vamos ver como está o coraçãozinho? - Ele diz como se falasse com uma criança.

Levanto minha blusa, não há nada ali, bem que poderia não haver nada ali mesmo. Giro meus olhos quando ele coloca sua mão gelada na minha barriga quente. O estetoscópio estava mais gelado que suas mãos. Fiz uma careta, mas logo me acostumei. Tentei relaxar e olhei para o médico que deu um sorriso.

 -Quer escutar? - Pergunta ele.

Por um momento penso em exitar. Eu não quero pensar nele como uma coisa boa - sei que é pecado, mas isso está acabando comigo. Lembrei-me da cara do Bruno quando soube que havia possibilidades desse filho ser dele, é claro que é dele. Peguei os conectores e coloquei em meus ouvidos.

Tum tum - tum tum - tum tum - tum tum - tum tum...

Os batimentos eram tão rápidos, tão intensos. Me emocionei ao ouvir o pequeno coração do meu embrião batendo como tambores que nunca param. Olhei para o médico que anotava algo na prancheta.

-Está com dez semanas, isso? - Pergunta ele.

-Sim, quase onze - Respondo ouvindo somente com um lado e no outro escutando os batimentos ainda.

-Descobriu cedo, que bom. - Comenta ele enquanto anota mais coisas.

-É normal os batimentos assim? - Pergunto - Tão rápidos...

-É sim, principalmente nesse estágio da gravidez. Mas esses são seus batimentos, é normal que fiquem acelerados ás vezes.

Realmente, eu não sei nada sobre gravidez. Jurei que os batimentos que escutei eram do bebê, mas não. Acho que tenho que me acostumar com isso. Quer dizer, agora não sou somente eu, é eu e ele ou ela...Fico no conflito do desespero e da emoção. Estou desesperada, daqui a pouco minha barriga vai começar a crescer mais ainda, meus pais vão perceber... Finn ainda não entrou em contato comigo. Somos somente eu e esse bebê no mundo.

Talvez não seja uma má ideia ter um filho, mas sinto dizer que ele veio em péssima hora. Ninguém sabe como eu me sinto por dentro, a vontade que eu estou de enfiar uma faca na minha barriga e acabar com tudo isso, mas ao mesmo tempo a vontade de sumir para um lugar muito longe e criar minha filha longe de todas essas pessoas, longe de todos, somente eu e ela. Ela sendo minha família, e eu a família dela.

Sentamos frente à frente na mesa e lá se vai mais dois exames que tenho que fazer. Prestei atenção nas recomendações dele e fixei o aviso em minha mente: não devo comer tudo que vejo pela frente, tenho que controlar o que como, mas também não posso passar fome, pois agora eu alimento a mim e ao bebê.

Mal ele sabe que eu nem como o que comia normalmente, quanto mais comer além da quantia certa. Por sorte ele não me pesou, mas também na próxima eu posso não me escapar da balança, até porque eu aparento estar mais magra. Ou não?

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Capítulo 19 - small slipper

Talvez o mal tempo, talvez aquele frio incomum, talvez as gotículas de chuva que apareciam no jardim, mas tudo estava me deixando mais pensativa. Absolutamente tudo.

Ouvia qualquer coisa na televisão, eu já pensava no que fazer. Passou uma semana que eu estou na casa da Belle, e tenho que voltar pra minha casa. Por mais que eu quisesse ficar, e que Belle tenha me oferecido mais estádia, eu não posso abusar e não posso tentar fugir das coisas que tenho para resolver com a minha família.

Ao total, duas semanas que eu falei com o Finn. Duas semanas sem ele. Eu chorei, e ás vezes ainda choro antes de dormir, eu realmente não queria que as coisas fossem assim, eu queria que tudo fosse menos complicado, ou que eu tivesse esse filho, mas que ele fosse dele.

Devo me orgulhar pelo pequeno gesto de que eu já fui ao médico, já iniciei meu pré natal, e que já comecei a fazer exames.

Ainda não caiu a ficha que eu irei ter um bebê, ainda não caiu a ficha de que daqui alguns meses eu estarei sentada numa sala de recuperação, provavelmente na neo natal, com minha filha nos braços. Uma desconhecida muito conhecida. Uma criança que não chega a ser bastarda, mas é filha de mãe solteira. Aquela criança que terá na certidão "pai ignorado".

Sequei as lágrimas fujonas enquanto olhava a rua sentada em sua poltrona. Levantei dali e procurei alguma coisa para comer, afinal o jejum prevalece desde a hora em que acordei, ás nove da manhã, e agora são uma e dez.

-Mas e você acha que as indicações foram bem feitas? - Pergunta a apresentadora para um cara sentado ao seu lado, vestido o que parecia terno francês.

-Acho que as indicações foram mais do que bem feitas, foram selecionadas a dedo com todo o cuidado. - Escutava enquanto fazia um pão com pasta de amendoim. - No caso dos artistas teens temos indicações magníficas, depois temos uma categoria que particularmente achei a melhor, onde temos indicados como Justin Timberlake..- Ele falou nome de três artistas, até eu ouvir um nome. - Bruno Mars.

Bruno Mars blá blá blá. Será que as pessoas não cansam de falar nele? Será que eu sempre vou ter que ouvir esse nome? Giro os olhos e com a mão desocupada, levo na barriga e acaricio levemente.

-Seu pai é um tremendo idiota. - Sussurro pro feto.

Ataquei o pão para comer, eu estava com fome, mas na maioria das vezes não sinto vontade nenhuma de por algo em minha boca. Não tive nenhum tipo de desejo, mas também penso que estou a recém no inicio da gravidez e que ainda tem uma boa parcela está pela frente, muita coisa ainda está por vir.

-Cheguei. - Belle empurra a porta da entrada me dando um pequeno susto. Vejo ela entrar direto para a sala carregando uma sacola em suas mãos com algum embrulho, e a larga ao lado da sua bolsa.

-Que milagre vir cedo. - Digo.

-Saí na hora do almoço, pedi que me dispensassem, estava com dor de cabeça. - Sua mão vai até o local da cabeça onde estava doendo. -Mas tomei remédio e passou.

-E ao invés de voltar, matou serviço, que bonito. - Balanço a cabeça e ela gargalha.

-De bom humor, que legal. - Ela senta ao meu lado na mesa. - O que já comeu hoje?

-Isso, - levantei o pequeno pedaço de pão em minha mão, carcomido. - é minha primeira refeição.

-E que horas acordou? - Ela franze a testa.

-Nove e pouca. - Torço os lábios e ela suspira.


-Isso ainda pode prejudicar vocês dois... - Belle levanta e vai até o sofá. - Tenho um primeiro presente! - Ela pega a sacola e me entrega assim que chega perto.

-Nossa! - Receio de abrir a sacola, não pensava em ver roupinhas de bebês, nem derivados, pelo menos não agora.

-É branquinho, porque ainda nem sabemos o sexo, mas quero que ela, ou ele, use e lembre que foi o primeiro presentinho dado pela dinda.

-Primeiro presentinho dado, na realidade, porque é a primeira coisa que ela tem. - Vou abrindo a sacola e o embrulho enquanto ela retorna a sentar-se de frente pra mim.

Dentro de uma pequena embalagem de plástico na cor rosa, há um pequeno sapatinho branco de croché, e um tiptop. Fiquei encarando aquele presente, não somente como um presente, mas como o inicio de que essa pessoa aqui dentro de mim só tende a crescer até ganhar vida fora de mim, crescer e crescer. Meus olhos levemente se umedeceram.


-Não chora, eu vou chorar junto, estou na tpm. - Belle bate na mesa, eu ri da situação e passei a mão por baixo dos meus olhos.

-É que esse ser é tão pequeno aqui dentro... ele não sabe como o mundo aqui fora pode ser tão cruel, ou tão injusto.

-Não se refira esse bebê à uma injustiça. Todos cometemos erros e pagamos por eles, ela é uma pequena consequência de um erro, mas não é o erro.

-O erro sou eu. - Bufo e coloco o presente sobre a mesa para encara-la. - Eu amei o presente, de verdade.

-Essa criança ainda vai ser bem babada por mim, pode ter certeza.

-Isso eu imagino, você e a Riley.

-Mal cheguei e já falam de mim, credo. - Rye bate a porta e nós rimos.


-Para ver como é famosa. - Belle abre o sorriso. Ela parece estar feliz por ter pessoas ao seu lado em sua casa, que é, quase sempre , tão vazia.

-Estávamos falando sobre o quanto esse bebê vai ser babado. - Passei a mão em minha imperceptível barriga.

-Essa menina vai ser a mais amada de toda Terra. - Belle faz uma careta tentando ser fofa, olhando para minha barriga.

-Você nem sabe o que vai ser. - Rye deposita um beijo em minha bochecha e senta-se à mesa conosco. - Não dou algum palpite porque tenho a mania de errar sempre. Então, não quero alimentar falsas expectativas.

-O que você acha, Amb? - Pergunta Annabelle. Eu, até então, não tinha pronunciado quase nenhuma palavra assim que Riley chegou, suspiro fundo pensando que ao invés de chutar o sexo, eu poderia não precisar pensar nisso.

-Acho... Acho que pode ser uma menina. - Suspiro fundo vendo o sorriso vitorioso de Belle. - Como também pode ser um menino. - Complemento, e ela, delicadamente, solta um bufo e me manda gentilmente à merda.

Jogamos conversa fora. Hora falávamos de coisas banais, ora elas lembravam-me do que teria que acontecer obrigatoriamente daqui a algum tempo. Eu sei de minhas responsabilidades, e sei de minhas irresponsabilidades também. Enfrentar meus pais não será uma tarefa fácil, assim como também não foi enfrentar o Finn. Falando nele, dá saudades de sua voz, suas ligações. Como pode um errinho de nada causar um estrondo desse tamanho?

Se esse feto fosse dele, como seria simples. Eu apenas enfrentaria com mais rigor. Seria capaz de falar com meus pais no mesmo dia que descobri. Seria capaz de largar as coisas que tenho dentro daquela casa para viver minha vida ao lado dele.

Mas, sempre tem um mas na história.

Com a ajuda das meninas, arrumo minhas coisas dentro da minha mochila, e separo o que preciso dentro da minha bolsa. Antes de sair, coloco meu celular por mais cinco minutinhos no carregador, somente para não morrer no meio do caminho, sem bateria. E, sentada na sala, jogamos mais conversas ao vento.

-Ele era um cara legal, tenho que admitir. - Diz Rye com a rouquidão de sua voz. - Mas, não deu certo.

-Não deu porque você não quis, amiga. Desculpa, mas é o que eu acho. - Belle balança os braços.

-Eu acho, que quando não tem amor, não tem química, não tem aquela  vontade de estar junto e de apreciar cada momento, não há conversa boa e nem pessoa legal que firme um relacionamento. - Dei de ombros, apenas mais um palpite meu.

-Isso. - O dedo magro de Belle aponta para mim. - Isso sim é verdade, mas com esforço, talvez desse certo. - Ela dá de ombros também.

-Agora isso é passado. - Riley enfatiza seu isso. Referindo-se ao seu ex.

*** 

No caminho para casa, atalhando por ruas e ruas, eu consegui acrescentar um tempinho extra para, quando passar na rua popular de lojas, olhar, mesmo que de longe, algumas coisinhas de crianças que estavam na vitrine. Bufei, ainda acho bobagem.

Mas, mesmo assim eu me convencendo que tudo isso é bobagem, ainda há algo na minha mente que me faz olhar aquilo e achar, de alguma forma, bonito. Um ato carinhoso, coisinhas pequeninas para um ser pequenino.

Balancei minha cabeça e pisei novamente no acelerador para seguir em frente. Volta e meia cuidava meu celular para ver se recebia uma ligação, mas é uma esperança em vão. Sei disso também.

Abri a porta de casa, que estava destrancada. Acenei para minha mãe que estava na cozinha e virei-me para o lado da sala, mas meu pai não habitava em sua poltrona. Subi as escadas com a mochila pesada e quando passava pelo corredor, ouço bem, bem até demais, Bruno Mars tocar a toda altura. Será que ela não se cansa?

Penso em bater na sua porta e esbravejar com ela, mas ela não tem culpa das bobagens que faço, e ela também não tem culpa que eu pegue nojo desse homem do nada, então me concentro em apertar minha mordida dente à dente e ando em passos largos para o quarto.