quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Capítulo 18 - Pizza? Again?

Tive a leve impressão de que Belle ficou braba conosco durante alguns segundos após a nossa conversa. Mas ela não está na minha pele, não está sabendo o que eu estou passando e a confusão que está na minha mente. Eu vou ter que fazer uma completa mudança de planos com essa criança em minha vida. Eu não devo tirar, não pelos outros, mas eu tenho princípios, eu sempre fui contra isso, abominei pessoas que já fizeram o aborto, porque iria praticar também. Eu me culparia pelo resto da minha vida chamando-me de assassina, pois mesmo sendo um feto de 10mm, ou sei lá quanto, é um ser humano.

Riley tem curso pela manhã, e Belle precisa trabalhar. Segundo ela, essa semana que passou, Finn nem tocou no meu nome, mas nenhum momento evitou ela. O problema é comigo, sei que ele nunca vai me perdoar, e logo agora que eu só consigo pensar nele.

Eu estou apaixonada, ou estou gostando, só sei que normal não é a palavra exata para os meus sentimentos com ele.

-Meninas, eu vou tomar um banho. - Riley levanta do sofá no meio do filme.

-Eu já estou bocejando, mas tenho que saber quem matou a menina. - Belle olhou para a tela, onde passava o comercial.

-Eu acho que foi o padastro, ele tem cara de louco. - Balanço a cabeça em repulsa e elas riem.

-Boa noite, amo vocês.

-Também te amamos. - Belle responde por mim e por ela.

Agarrei a almofada ao meu lado, e continuei olhando o filme. Metade da minha concentração estava nele, mas a outra estava em como vou resolver essa bola de neve de problemas. Eu não posso simplesmente esperar o verão chegar e deixar tudo derreter, eu não posso deixar acumular mais nenhum, eu tenho que resolver tudo, começando com a saúde do meu feto.

Na hora minha mente brilhou. E se eu o doasse? Não... não iria ter uma criança para depois abandona-la, não serei tão cruel. Eu tenho condições de cuidar dela, e minhas amigas me ajudaram. Posso falar com o Harry, qualquer coisa eu tenho certeza que ele me dará um apoio, ainda somos amigos.

-Agora eu vou nessa, boa noite. - Belle levantasse. - Me conta amanhã o que aconteceu.

-Ok. - Respondo dando uma piscadinha. -  Boa noite.

Ela foi para o seu quarto e eu continuei ali assistindo o filme sozinha. Não era nenhum terror tão horrível a ponto de não poder assistir sozinha. Eu sou medrosa para filmes de terror que envolvam espíritos, e não para esse tipo.

Deitei no sofá mesmo, e não sei a que altura do tempo eu peguei no sono. Recordo-me do fim do filme, mas não lembro se vi algo depois que acabou.

Dou dois tapinhas no sofá assim que acordo. Minhas costas doem fortemente, parece duas facas enfiadas em cada lado da minha coluna. Será que eu vou sentir isso daqui pra frente?

O sonho volta a minha cabeça e lembro do que sonhei com nitidez.



Não era exatamente eu, e se era eu, foi depois de algumas plásticas. Meu cabelo estava mais escuro, meus olhos ainda continuavam na mesma cor, meu corpo era mais cheio do que isso, não era gordo, mas era, popularmente, "gostoso". Eu olhava-me em um espelho, admirando um biquíni enquanto Harry preparava algo em uma prancha.

Estávamos em uma praia, algum lugar de água cristalina e pessoas com peles amorenadas. Ele falava comigo sobre coisas aleatórias, e de repente alguém aparece com um machado tentando podar um coqueiro - quem podaria um coqueiro com um machado? Seus bigodes eram compridos, e havia uma senhora ao seu lado, que dizia para ele seguir as regras sem quebra-las.

Balanço a cabeça para esvairar o pensamento desse sonho maluco e respiro fundo para voltar ao quarto. Mas já está de dia!

Que horas devem ser?

Olho para o decoder da televisão, onde marca quinze para as nove. As meninas já saíram, e eu dormi a noite toda nesse sofá estragando a minha coluna, aí está o belíssimo resultado, a dor horrível em minha coluna.

Sigo para a cozinha procurar algo para comer. Minhas mãos ficam batendo levemente na geladeira enquanto eu olho as coisas. Nada me chama a atenção, eu só penso em matar a fome, mas não sinto fome. Confuso isso ao extremo.

Pego uns biscoitos doces, tinham de chocolate e coco, e pego um copo de leite. Sento-me tranquilamente no sofá, em frente à televisão e a ligo. Não passa nada de interessante nos canais, enquanto vou comendo, vou dedilhando o controle, exatamente nada que prestasse, então deixo em qualquer canal, e assim que termino de comer, cruzo as pernas sobre o sofá e levanto minha blusa. Não há nada aparente ali, parece que não há ninguém, mas com delicadeza e cuidado, com minha conexão, parece que eu consigo ouvir seu coração, mesmo nunca tendo o ouvido alguma vez. Aliso minha imperceptível barriga e dou um breve sorriso que logo desfaço. Será que é menina? Ela vai se parecer comigo? E se for menino, como vai ser o nome? Será que essa criança vai ter o dom de cantar, o dom de desenhar...

Balanço minha cabeça com esses pensamentos e olho para a televisão, onde um comercial de aparelho ginástico diz o que pode prevenir as tensões nos músculos durante a ginástica.

***

-Marquei uma consulta pra você, amanhã a Rye te leva.

-Como marcou sem meus documentos? - Pergunto arqueando uma sobrancelha.

-Quem disse que eu não estava com eles? - Ela balança minha carteira em sua mão. - A propósito, havia uma camisinha na carteira, se tivesse usado...

-Eu sei. - Giro os olhos. - Digamos que eu não estava pensando nisso.

-A gente nunca pensa, mas... bom, o que está feito, está feito.

-Ok...é médico ou médica? - Pergunto sentando-me no sofá.

-Médico. Foi a única coisa que consegui.

-Obrigada. - Atiro um beijo pra ela.

-Comeu direitinho?

-Na verdade eu comi umas bolachas, leite, e ao meio dia passei geleia de morango em um pão.

-Só isso? - Ela fala, apavorada. - Você quer matar a criança e se matar também, não é?

-Não. Mas eu não tenho fome. - Retruco e ela faz uma imitação de mim.

-Eu sei que não tem, mas tem que comer. Não irei gastar saliva, amanhã o médico fala com você.

Eu sei que ela tem razão, qualquer um tem mais razão que eu, mas o que eu posso fazer se não sinto fome? Enfiar a comida goela abaixo? Isso, definitivamente, não é uma opção. Começo a conversar com ela sobre outras coisas, disse que na tarde, enquanto esperava-as desenhei algumas peças e ela disse que irá providenciar o tecido para fazer, e assim que pudermos, vamos mandar um polígrafo com meus desenhos para algumas agências, assim como fazemos todos os anos.

Nunca ninguém chamou, meu último emprego foi meu estágio. Pagavam mal, mas lá aprendi tanta coisa sobre o mundo da moda, que não me arrependo. Harry disse uma vez que iria aproveitar para mostrar aos seus chefes meus desenhos, mas depois que acabamos, acho que ele esqueceu completamente disso.

Nós somos amigos, muito amigos, mas ainda há aquele tempo ruim que paira quando nós dois ficamos sozinhos, por exemplo. Ele me olha como se tivesse arrependido por um dia termos namorado, e eu olho pra ele da mesma forma, mas meu olhar não é cem por cento verdadeiro, eu olho pra ele assim porque ele me olha desse jeito, porque na verdade eu tenho compaixão por ele, um cara legal que merece muita coisa boa, mas quando eu digo isso, ele balança os braços e diz que se ele fosse realmente bom e legal, as coisas dariam certo pra ele.

-Seus vizinhos estão se matando, não estão ouvindo? - Riley assusta eu e Belle quando entra falando isso, na sala.

-Que susto. - Diz Belle.

-Não ouvi nada. - Digo e ela Belle concorda com a cabeça.

-Nossa, acho que é briga por ciúmes, algo assim. Seus vizinhos estão todos na rua. - Observa Riley.

-São um bando de macacos fofoqueiros. - Belle levanta-se revirando os olhos. - Já era de se esperar.

-Odeio vizinhos. - Riley faz cara de repulsa e eu rio. - Não ri, é sério. Só prestam para fazer da sua vida um inferno.

-Eu gosto da senhora Durley. - Falo sobre a senhora minha vizinha.

-Ela é legal, simpática, e sempre nos dava frutas da sua árvore. -  Annabelle estala os dedos.

-Mas não gosta do Lee, não é? - Pergunta Riley.

-Aquele é o único japonês que me faz pensar que japoneses são imprestáveis e chatos. - Reviro os olhos.

-Porque odeia ele?

-Porque ele é fofoqueiro... - Respondo pensativa.

-Bingo! - Grita Riley fazendo Belle rir.

-Pessoal, o que vamos jantar? - Pergunta a mesma.


-Pizza. - Respondo e elas riem.

-Vamos chegar aos 100kg com isso. - Comenta Riley.

-Pensei em fazermos algo da internet, acho que seria mais fácil.

-Verdade. - Concordo.

4 comentários:

  1. Ai chessus essa meninas parecem eu só querem saber de pizza hauahua Aaai Dri to ansiosa pelo futuro de tudo isso carambaaa continua logo pf

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  2. cada capítulo sem o bruno é um tapa na minha cara DRI NÃO AGUENTO MAIS ESSA MULHER ESCONDENDO

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  3. driiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii cade voce aparece mulherrr

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