quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Capítulo 13 - thank u for staying by my side

Minhas amigas me odeiam, minha mãe vai me odiar, meu pai não vai nem opinar só vai querer saber da onde eu vou tirar sustento…e de onde eu vou me sustentar agora? Eu não tenho nem pra onde ir se caso minha mãe me tirar de casa. Eu não quero gastar minhas economias com fraldas para o bebê, roupinhas.

Não.

Só de pensar eu sinto um arrepio estranho, uma repugna em mim, um nojo de mim mesma. Se eu pudesse dar um jeito de voltar no tempo… Eu poderia abortar, claro, mas eu sempre fui contra isso, eu sempre incentivei as pessoas a não abortarem, aí vai eu e me contradizer… não, isso nunca.

-Sabia que ele estava preparando uma surpresa pra você? - Ouço a voz da Belle, ela só pode estar falando comigo.

Limpo algumas lágrimas com o dorso de minhas mãos e olho pra ela confusa.

-O que? - Pergunto baixinho. 

-Finn… Ele pediu que eu pedisse pra você me largar em algum lugar amanhã, aí iríamos até um restaurante, onde ele te pediria em namoro após um jantar… - Seus olhos não encontram os meus em momento algum.

-Eu sou uma idiota. - Começo a chorar novamente. - Eu não quero perder o Finn, ele é tão bom pra mim. Eu estou gostando dele. - Quase berro, como se estivesse sofrendo com uma dor intensa. Meu peito estava doendo demais.

-Não podemos nos lamentar agora. - Secamente, Belle diz.

Levanto do sofá e ando até a janela da sala, puxo a cortina e fico olhando o céu ficando laranja, o sol já indo dando lugar para a linda lua. Eu ainda não estou pronta pra ter esse filho! Levo minha mão na barriga e impressionante é como eu sinto uma energia renovada com isso. Deixo mais lágrimas caírem. Meu bebê vai ser bem recepcionado por mim, ele vai vir ao mundo mesmo que eu perca minha família, mesmo que ele(a) nunca venha a saber quem é seu pai, mesmo que minhas amigas fiquem de mal comigo por um longo tempo. Ele(a) vai ser minha família agora.


Imagina se eu contasse para a Violet que estou grávida, ela vai a loucura. Ela se vê doida para ter um sobrinho… ainda mais se ela descobrir que esse sobrinho é do seu ídolo. Acho que minha irmã caí no chão durinha.

Sinto uma, duas, três, quatro mãos, me abraçando por trás. Chorei mais ainda diante disso. Virei-me de frente para elas e pensei em mil coisas ao mesmo tempo.

-Tudo vai ficar bem, tudo. - A voz embargada da Belle, ela também estava chorando. - Nós vamos te ajudar com tudo que precisar, você não vai ficar sem uma casa. Amanhã você vai bem linda para o jantar com o Finn e quando ele perguntar se você quer namorar com ele, você vai dizer o que está acontecendo. Ele gosta de você, talvez lhe entenda. Nosso passo será ir ao médico amanhã pela tarde, e semana que vem quando tudo estiver melhor, vai conversar com a sua mãe.

-Vai dar tudo errado, tudo! - Negativamente, digo. - Minha mãe vai surtar, essa criança não vai ter um pai… Eu não queria isso pra minha vida.

-Nem sempre o que nós queremos é o certo para nós, e nem sempre nós podemos ter o que queremos. - Diz Rye enquanto passa sua mão por minhas costas num conforto.

Suspiro alto e novamente começo a chorar. Recebi o abraço mais confortável que eu poderia receber em qualquer outro momento. Eu preciso das minhas amigas mais que nunca agora. Minha vida mudou de uma hora pra outra, literalmente.


-Nós precisamos falar com esse tal de Bruno. - Ouço Belle dizer.

-Não, por favor! - Peço. - Ele vai me interpretar mau, ele vai dizer que estou querendo arrancar dinheiro dele, eu não quero mais esse sofrimento. - Elas me olharam. - Eu estou carregando um filho de um cara que eu mal conheço e que eu não gosto. - Era pra ser somente mais um pensamento.

Minha vida está completamente perdida, eu sei disso!

Eu só queria chorar, um bebê agora é uma das piores coisas que poderia acontecer comigo. Não sentia mais meus olhos, e minhas bochechas estavam doendo de tanto forçar meus olhos a pararem de produzir lágrimas. Sentei-me no sofá com as meninas, o olhar da Belle ainda estava perdido, ela sabia que precisava me ajudar, mas ela ainda estava remoendo o fato de eu não ter dito nada a ela, e ao mesmo tempo que pensava em tudo isso, tenho a mais plena certeza que estava pensando em um modo de amenizar tudo isso.

Tossi secamente, tentei respirar pelo nariz congestionado pelo tanto que chorei, mas era impossível. Minha mão direita parou sobre o meio do meu peito e agarrando a camisa, eu soltei um grito abafado pela minha própria mão. Meu mundo está perdido…

Que mundo?

Meus planos foram por água abaixo!

-Nós vamos dar um jeito de resolver isso. - Riley estava mais tranquila que Belle, era perceptível até por sua voz mais calma. Eu estava a ponto de gritar, espernear, chorar até cair desmaiada em minha cama, mas Riley parecia estar vendo o lado bom daquilo. Mas eu tenho uma pergunta; Isso tem lado bom?

Deus que me perdoe, filhos não são pesos, são dádivas! Mas porque comigo, porque agora? Um ato inconsequente que vai mudar minha vida pra sempre. Sempre mesmo. O que eu vou fazer quando essa criança perguntar sobre o seu pai? O que eu vou fazer quando chegar a adolescência e fase rebelde onde ela vai querer descobrir quem é o seu pai e ele vai estar lá no topo do mundo com um sucesso estrondoso, e não irá reconhecer. Essa criança vai sofrer, eu sei disso, e não há praticamente nada que eu faça que pode mudar isso.

Depois de tanto tempo de choro, sou levada por elas, uma segurando cada braço e sustentando meu corpo no chão, até chegarmos no quarto. Nunca me senti tão impotente como estou me sentindo agora.

Belle e Rye ficaram comigo por um bom tempo e perguntaram se eu queria algo para comer. Eu estava com fome, mas não queria comer. Não queria nem viver se fosse possível.

-Posso ficar sozinha? - Pergunto.

É claro que elas me deixaram sozinhas. No meio das cobertas cheirosas da Belle, eu virei-me para o lado da janela que estava entreaberta e tentei ver o que de bom poderia acontecer, porque agora eu só penso desgraças. O que eu posso fazer? Eu preciso de conselhos, eu preciso de um pilar para me sustentar.

***

Pensei que dormiria assim que as meninas largaram algumas coisas pra comer no quarto. Eu comi tudo tentando sentir o menos cheiro possível, mas ainda sim o estômago embrulhava. Com o rosto no travesseiro gritei e chorei o mais alto que poderia. Eu estava cansada de chorar, mas não havia outra opção.

Eu pensava no Finn! Que bosta que eu fiz, vou perder o cara que me deixa feliz, o cara que eu estou gostando -  que sa posso dizer que estou o amando. A cada vez que tento pensar em algo feliz, mais besteiras e verdade são postas em minha frente. Como eu vou agir daqui pra frente?

Pesadamente vou fechando meus olhos e tentando deixar minha respiração tranquila. E então, antes de dormir, caçoei a última frase.

-Minha vida vai se tornar um inferno, e é tudo culpa sua, Bruno!

Eu estava o odiando com todas as forças que eu tinha. E não é pra menos. Mas antes de odiar somente à ele, tenho que me odiar por ser uma mulher fútil por uma noite e deixar-me ceder por fraquezas internas.

Acordei com um leve incomodo na minha cabeça. Não chegava a ser dor, era um peso, algo estranho. Procurei meu chinelo que deveria estar ao lado da cama, mas não estava, só estava meus tênis colocados direitinhos com os calcanhares virados para o outro lado.

Aí foi que lembrei que eu não dormi do mesmo jeito que sempre dormia antes, nem na minha casa eu estou. Assim que coloquei os dois pés no chão de forma que eu ficasse em pé, senti um leve incomodo também no meu estômago e quando tentei abrir meus olhos - que pensei que estivessem assim por sono - eles ficaram pequenos ainda, limitando minha visão.

As meninas não estavam ali no quarto, muito menos o colchão. Andei pela casa, passei na sala, cozinha, banheiro, mas só quando cheguei na área do lado de fora, achei as duas sentadas conversando. O certo, pelo horário, era a Belle estar no serviço, mas aí lembrei que ela tem um empecilho, que no caso sou eu.

-Bom dia. - Digo apertando meus olhos do sol forte.

-Bom dia. - Responderam em um coro.

-Ainda bravas comigo? Me desculpem.. - Já ia começando um belo discurso sem nem pensar direito quando Rye me interrompeu.

-Em momento algum fiquei brava com você, mas sei que há coisas que preferimos deixar sem comentar.

Seu olhar lançasse para Belle que pigarreia de forma ligeira. A tensão dos seus ombros agora estavam mais visíveis.

-Eu confesso que desejei o mau pra você quando soube que não tinha me dito aquilo, mas foi em vão, passou… cada um sabe o que faz e eu vou respeitar isso. - Belle diz me surpreendendo com a resposta.

-Estávamos conversando sobre o médico que vamos hoje. - Diz Rye.

-Eu não quero dar incomodações pra vocês, posso ir sozinha… - Sento-me na escada ao lado delas.

-Não, não pense que está nos incomodando, esse filho também será nosso! Mais novo integrante da família. - Belle levou sua mão a minha barriga que nem sinal de aparecimento tinha.

-Estou louca pra comprar várias roupinhas e coisinhas para o cabelo. - Rye soou mais patricinha falando desse jeito com suas mãos juntas estilo “plano mirabolante”.

-Não vai ser uma menina. - Diz Belle.

-Pode ser uma menina e um menino. - Rye rebate.

-Hey, um já é um enorme problema, dois não dá… - Brinco e elas me encaram seriamente.

-Filho não é problema. - Belle diz mau humorada.

-Claro que não é; Quando é planejado não é nenhum problema. - Dou de ombros.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Capítulo 12 - the test is positive

Belle já não estava mais ao meu lado quando abri os olhos, no colchão do chão Riley dormia tranquilamente. Ela provavelmente acabou não indo para o curso. Levantei sentindo as piores cólicas que eu poderia sentir, minha cabeça girou um pouco e eu tive que me segurar na porta para não cair.

Fui a caça de algo para comer, mas tonteei novamente somente com o cheiro de alguma coisa na geladeira, acabei pegando torradinhas para beliscar. Peguei meu notebook que já estava sobre a mesa de centro da sala e liguei a televisão. Conectei o wifi da casa dela e entrei primeiramente no e-mail para ver se havia algum pedido, nada. No blog tinha um comentário sobre uma menina que estava com duvidas do que vestir, e outra moça pedindo mais roupas para pessoas "gordinhas".

Respondi os comentários, entrei em minhas redes sociais só para ver o que tinha de novo por lá, e voltei para a página do YouTube. Coloquei no canal da moça que ensina uns truques legais - que eu não aprendi na faculdade - para fazermos as roupas mais estilosas. Olhei os blogs dos estilistas famosos e abri o programa para ver se vinha a inspiração para desenhar algo. Sempre gostei mais de desenhar vestidos, os de noivas principalmente. Os de gala…

-Porque não me acordou? - Riley aparece com o cabelo todo bagunçado. - Bom dia.

-Ah, você estava dormindo tão bem que eu não tive coragem de chamar.

-Faz muito tempo que levantou? - Pergunta ela.

-Na verdade uma hora, pra menos. - Torci os lábios e voltei a olhar o notebook.

-Comeu algo? - Ela abre a geladeira.

-Não… - Tapei o nariz com as mãos. - Essa geladeira tá com um cheiro horrível. - Digo com a voz fanha.

-Não está não… cheiro de leite, cheiro de geladeira normal. - Ela franze as duas sobrancelhas.

-Eu achei, até me deu tontura, pensei que tinha algo estragado. - Comento fechando a tampa do notebook.

-Amber… - Ela pareceu pensar longe.

-Oi? - Pergunto.

-Não nada… vamos tomar café?

-Vamos.

Ela pôs a mesa e pra mim ainda estava com cheiro de algo estranho. As cólicas significam que minha menstruação está por vir, esses são meus piores dias. Como um pedaço de bolo de laranja - o que sobrou de ontem - e coloco pasta de amendoim por cima.

-Você sempre faz nojeiras pra comer. - Ela faz uma careta. - Eca.

-Lembra quando comi tacos com recheio de bolacha recheada? - Comentei e ela gargalha.

-Depois não queria sair do banheiro.

-Mas deu um revertério na minha barriga. - Começo a rir.

-E isso não vai dar? - Ela aponta com o queixo pro meu bolo.

-Não. - Coloco um pedaço na boca. - Tá gostoso. Prova. - Estiquei minha colher pra ela que faz cara de nojo e recusa meu pedaço.

Recebemos uma mensagem da Belle avisando que conseguiria chegar cedo em casa, logo após ao meio dia, só para ficar mais tempo conosco - isso que é bom ser gerente da emissora. Ela perguntou se queria que o Finn fosse ali, mas optei por não. Eu queria, e ainda quero ver ele, mas estou com minhas amigas e quero aproveitar o máximo de tempo com elas ao meu lado.

Estou numa maré meio pensativa desde que acordei, a dor passou após eu tomar um chá de camomila. Sentamos na sala, eu e Riley.

-Temos que aproveitar esse verão ao máximo, temos que ir pra Santa Monica.

-Temos que conseguir dinheiro. - Digo tirando com os dentes, a pelezinha ao lado da minha unha.

-Isso é o de menos, nós juntamos tudo e dá uma grana legal.

-É uma boa ideia, mas não vou tirar nada das minhas economias.

Ela sabe que eu tenho uma conta onde estão minhas economias, tenho um bom dinheiro guardado lá e pretendo juntar até conseguir comprar minha casa e meu carro, ou primeiramente minha casa pra depois comprar o carro.

Tenho uns planos para tudo o que eu faço, isso desde pequena, e quando eles não costumam dar certo, fico meio perdida, sem saber o que fazer. Isso é de mim já, nasci com esse modo de viver. Repousando os pés na mesa de centro e os tirando assim que ouve o barulho da porta, ouço o barulho das sacolas. 

-Comida. - Gritamos Riley e eu juntas. 

-Vocês são gulosas, credo. Trouxe nosso almoço. - Annabelle balança a sacola. - Mas antes preciso ir no banheiro. - Ela torce as pernas e quando larga a sacola corre em direção do banheiro único.

Corremos para as sacolas ver o que de bom continha ali. Tinha três viandas. Uma dizia que continha mais salada e sem carne, já sei que aquele era o prato da Riley. As outras duas não tinha nenhuma anotação. Abri uma delas assim que sentei e quando vi um pouco de sangue naquele bife mal passado - em qualquer outro momento eu atracaria aquilo sem pensar muito -, mas agora meu estômago se revira. Coloco a mão na cabeça e corro para o banheiro atropelando - literalmente - a Belle que quase caí no corredor. 

Fiquei a postos no vaso, mas não saiu nenhuma gotinha de vômito.

-Tá vomitando de novo? - Belle pergunta num tom de desconfiança.

-Não… alarme falso. - Passo a mão pelo meu cabelo e aproveito para prender num coque.

Eu mal toquei na comida. Ela estava gostosa, mas talvez por esse mal estar que tive, agora perdi totalmente a fome. Dei três ou quatro garfadas e ri sobre o que Riley falou: “se eu fosse comer essa carne sangrenta, até eu vomitaria.”. Ela é vegetariana há um bom tempinho, mas é só de carne, porque ovos, leite, queijo e outros derivados, ela come tranquilamente. O ar de desconfiança que Belle ficou me olhando era perceptível há metros de distância. Tentei disfarçar com uma piadinha ou outra, mas não tinha muito sucesso.

Ajudei com a louça. Riley lavou, eu sequei e Belle guardou. Me senti melhor assim, mas estava com um aperto no peito, e algum motivo desconhecido me fez pensar na minha mão. Tranquei a respiração e fechei os olhos pensando o porque estou pensando nela tão repentinamente. Respirei fundo e toquei no ombro da Riley.

-Eu topo em jogarmos twister. - Digo vendo as duas com cara de tédio.

-Vamos! - Animadamente e prontamente, Rye se pronuncia. 

-Não vamos… estou pensando numa coisa aqui.

Sentei-me no sofá ao lado de Riley e ficamos olhando para a Belle que estava com os olhos fixos em algo, mas o pensamento muito distante.

-O que foi? - Pergunta Riley.

-Lembram que eu falei sobre minha irmã, que cuidei dela durante toda sua gestação…

-Sim. - Confirmei.

-Lembramos. - Riley faz uma expressão compreensiva.

-Eu estava com ela quando ela descobriu, e ela estava com os hormônios assim… sabe, ela queria comer, ela vomitava, ela tinha tonturas, ela se enjoava. - Acho que Riley entendeu, mas eu ainda fiquei processando alguma informação no meu cérebro. - Você está grávida, Amb? - Pergunta ela.

Abri minha boca para dizer que não, mas o “não”, não saiu.

-Não… - Digo baixinho.

-Ai Senhor. - Rye pôs a mão na boca.

-Cuida dela que eu vou na farmácia. - Belle levanta da poltrona e corre para o cabideiro pegar sua bolsa que lá estava pendurada.

****

Eu não dei mais palavras desde que Belle saiu. Rye entrou nas suas redes sociais e eu fui passear pela casa. No espelho do quarto vi minha pálida pele, meu corpo magro e meu rosto um pouco mais “doentio” do que é. Tremi minhas pernas pensando nessa possibilidade, isso não é real.

-Amb, vem cá. - Grita Belle pra mim. Dou uma última olhada em meu rosto e sigo para a sala, minha cabeça não se mantinha firme como sempre, ela tendia a olhar pra baixo. - Comprei quatro, faça três e se der alguma dúvida, faça o quarto. - Ela entrega-me três testes e deixa o outro na sua mão.

Meu corpo tremia de medo, meu queixo não parava de bater, como se eu estivesse morrendo de frio, mas estava calor. Parecia que minha pressão tinha se desestabilizado. Parei no corredor, ainda na vista delas e olhei para as duas com minha visão embaçada. Sentei-me devagar no chão enquanto via elas vindo em minha direção, mas minha visão estava cada vez mais embaçada, até que não enxerguei mais nada. 

Meu olhar estava perdido assim que acordei, estava má colocada na cama e senti as mãos da Belle no meu braço.

-Ela acordou. - Diz ela.

-Por quanto tempo estou assim? - Pergunto ainda “dopada”.

-Uns sete minutos, dez no máximo. - Riley aparece respondendo.

-Você precisa fazer isso e depois precisamos visitar um médico. - Belle me mostra o teste.

Fecho meus olhos e rezo para que quando eu abra não seja nada real, que isso tudo é mentira e eu apenas estou com alguma infecção.

Com a ajuda delas vou para o banheiro. Uso os três testes assim como eles pediam conforme as instruções. Sentei-me no vaso e coloquei eles bem longe de mim, não queria ficar ansiosa, mas era impossível. Mergulhei meu rosto sobre minhas mãos e baixinho orei para Deus. Não quero que isso seja real, isso tem que ser uma mentira, um engano… eu posso estar somente com alguma coisa, uma infecção, um problema intestinal e por conta de não comer, minha pressão baixou e eu desmaiei. É isso que aconteceu, somente isso.


Controlei o tempo no meu celular, as horas pareciam voar, e o que eu precisava era de cinco minutos, mas haviam se passado quase dez. Levantei e firmei meu olhar. Os três testes sobre a bancada… duas linhas, uma fraca, uma forte… meu coração palpitou tão forte. Peguei a caixinha do teste para confirmar o que era, isso pode ser negativo, mas não era.

Eu não sabia e nem tinha reação no momento, eu apenas pensei na primeira coisa que qualquer pessoa pensaria: minha família. Mas isso é o de menos agora. Não chorei, me mantive forte. Saí do banheiro com os três testes em uma mão e o celular em outra. As meninas estava em pé na sala, me olharam confusas. Estiquei os testes.

-Eu nunca fiz um na vida, não sei o que isso significa… - Belle ficou olhando as listras.

-Pela cara dela não é nada legal, imagino o que seja. - Diz Rye. Meu olhar estava estático, eu estava me sentindo branca e gelada, como se estivesse morrido.

-Aí meu Deus… - Elas correram e me deram um abraço que infelizmente eu não consegui retribuir.

Caminhamos até o sofá e elas ficaram se encarando como se quisesse fazer mil perguntas, mas não tivessem coragem.

-Vamos começar. - Belle pigarreia. - Não precisamos nos preocupar com casa, você tem a mim e tem a Rye, não é? - Rye concorda com a cabeça. - Sua mãe vai querer te matar. - Ela lamenta fazendo uma cara pensativa.

-Mas Finn é um cara legal pelo que vocês disseram, acha que ele não vai assumir a criança?

-É… mas porque não falou que você e o Finn tinham ido pra cama? - Pergunta Belle.

Não falei porque simplesmente não fomos. Eu só fui pra cama com o Bruno...Bruno!

É ele o pai dessa criança, é ele que tornou minha vida esse inferno a partir de agora. Minha cabeça girou em mil pensamentos, eu tenho um bebê dentro de mim, eu tenho uma vida. Aperto minha roupa com pretensão de apertar minha barriga, mas não consigo. Seguro a lágrima que vai cair e respondo:

-Porque nós não fomos pra cama. - Meus olhos marejaram a ponto que se eu piscasse, choraria até não parar mais.

-Quem é o pai? - Pergunta Rye.

-Porque eu não estou sabendo que tinha outra pessoa na jogada? - Belle aparentemente ficou brava por isso.

-Porque não é outro cara, foi apenas uma noite há um mês e pouco atrás. - Birrei sentindo uma lágrima rolar pelo meu rosto.

-Quem é o cara? - Pergunta as duas ao mesmo tempo em tons diferentes.

-Bruno… - Sinto meu coração apertar-se muito quando pronunciei seu bendito nome.

-Que Bruno? - Annabelle estava morrendo de raiva de mim, isso dava pra ver de longe.

-Foi só uma noite, estávamos quase bêbados e prometemos guardar isso somente pra nós… - Cruzei minhas pernas pra cima do sofá com o olhar vago e lágrimas que rolavam silenciosas. Eu mal podia pensar.

-Continuo querendo saber quem é! - Belle bate os pés e senta-se. Rye não pronunciou nenhuma palavra a mais.

-Bruno, o ídolo da minha irmã. - As duas me olharam sem entender. - O cara famoso, o cantor, o Mars. - Expliquei.

-O QUE? - Grita Belle levantando-se novamente. - Você poderia ter feito promessa à todos os santos do mundo, mas que falasse pra mim, isso é importante. O que deu em você pra não usar camisinha? O que deu em você pra transar com qualquer um…


Ela não parava de falar. Minhas lágrimas foram saindo mais e agora eu soluçava pra chorar, chorava como um recém nascido, deslocado do mundo. Ela está falando a verdade, eu sou uma idiota, porque eu fui fazer isso…Bruno, eu nem o conhecia, eu não sei nem quando ele faz aniversário, não sei que doenças ele poderia ter me trazido. Esse é mais um dos meus defeitos, eu ajo por impulso e sempre quebro a cara. O que me fez pensar que isso mudaria? Eu sou uma burra.


-Para de gritar, para de xingar ela. Isso não vai adiantar. Olha o estado que ela está. Belle, ela precisa de nós. - Ouço Rye sair em minha defesa.

-Queria saber o porque… - Olho pra ela com a vista embaçada pelas lágrimas.

domingo, 24 de agosto de 2014

Capítulo 11 - strange sickness

(Semanas depois)

Acordei desnorteada, mas logo veio a lembrança de que eu dormira na casa da Belle essa noite. Ela já não estava mais na cama, e então passei para o lado onde ela dormiu pra conseguir alcançar meu celular, mas assim que viro meu corpo um forte enjoo toma conta de mim, tapei minha boca com medo de vomitar e engoli a seco aquela vontade. Isso deve ser mais coisa do que eu comi ontem à noite, aquele fest food não me fez bem.

No meu celular não tinha nada demais. Levantei e dobrei os lençóis que usamos, me abaixei para arrumar o lençol de baixo, mas novamente veio o forte enjoo e a vontade de vomitar foi forte. Corri como doida para o banheiro e abri a porta deixando ela bater na parede atrás dela. Ouvi o grito da Belle perguntando o que estava acontecendo lá da cozinha, mas não tive tempo de responder. Vomitei tudo o que eu podia e olho para ela com o olhar baixo, parada na porta.

-Ninguém mandou comer o mundo ontem à noite. - Resmunga.

-Agora acho que não adianta me xingar. - Dei um sorriso chato, aquele gosto ruim prevalecia em minha boca.

-Faço  o café! Lava o rosto e se veste para irmos comer.

-Tudo bem… - Levantei apoiando-me na privada. - Belle? - Chamo ela novamente que se vira. - Vamos ir encontrar a Riley?

-Vamos sim. Acho que ela está precisando de nós um pouco.

Voltei ao que estava querendo fazer. Olhei para o vaso antes de dar descarga e vi que não havia nada do que eu comi ali, apenas um vomito branco. Olhei-me no espelho, olheiras quase aparecendo, isso é de noites acordada com a Belle e o Finn, ou de ás vezes jogar vídeo game com a Violet à noite.

Troquei minha roupa para uma calça jeans apertada nas minhas pernas, uma botinha estilo country e uma camisa branca larguinha no corpo. - um chapéu de cowboy e estou pronta pro rodeio. - Pensei comigo mesma. Prendi meus cabelos em um rabo de cavalo e caminhei para a cozinha.

-Melhorou? - Pergunta ela.

-Estou nova em folha, acho que foi só aquele mal estar. - Torci os lábios em um sorriso.

-Que bom. Sabe que eu estou com medo da Riley mais afastada de nós? - Comenta ela enquanto sentava-se na mesa.

-Porque?

-Porque você sabe que ela está pancada, ela é capaz de fazer uma loucura.

-Isso é. - Respondo provando um pedaço do bolo de laranja que só pelo cheiro já estava maravilhoso.

-Será que ela não aceita passar um tempo comigo? - Pergunta Belle em duvida.

-Acho que você quer experimentar uma mulher e está com vergonha de admitir. - Digo com a boca cheia e ela gargalha.

-Não. - Ela continua seu riso. - Sou aberta a novas oportunidades e horizontes, mas não sou radical.

-Preconceituosa. - Apontei o dedo indicador sujo pra ela.

-Você ficaria com mulheres? - Pergunta Belle.

-Não.

-Então, eu também não. - Responde. - Mas ao contrário de você estou preocupada com ela. - Faz birra. 

-Como se eu não me preocupasse com as duas sua sem consideração. - Fingi indignação.

-Ultimamente você só quer saber do Finn. - Ela faz um coração com as duas mãos.

-Você está se queixando de mim e da minha amizade? - Pergunto.

-Não, longe disso. - Diz sinicamente.

-Eu não estou aqui, sua cachorra? - Bato com a caneca na mesa pra chamar sua atenção.

-Está, você sabe que eu estou brincando. - Ela dá um sorriso simpático e verdadeiro. - Estou muito feliz por vocês dois.

-Eu também. Com ele é diferente, eu sinto que posso ser eu mesma e que ele gosta de mim assim, eu sinto que eu posso confiar nele, que podemos ter algo muito forte. - Mais um sorriso sai dos meus lábios.

-Com ele é a mesma coisa, pode ter certeza. - Olho nos seus olhos. - Ele vive me elogiando você, vive falando coisas boas, e eu me sinto feliz e responsável por tudo isso.

Fiquei como boba depois disso. Há quatro quase cinco meses atrás eu o conheci e agora estamos assim, tão próximos. Eu gosto dele como nunca gostei de alguém antes e só espero o momento que ele peça-me para ficar ao seu lado que eu aceitarei sem exitar.

Pegamos nossas coisas assim que nos arrumamos e ela eu entrei no banco da direção. 

-Não vai me deixar dirigir? - Pergunta ela com cara de cão sem dono.

-Não. - Respondo diretamente. 

No caminho colocamos música para escutar até chegarmos na praça onde combinamos com a Riley. O caminho é longo. Tocou uma música que somente pela batida eu já reconheci, é do Bruno. Depois daquela noite,  nós tivemos contato uma ou duas vezes no máximo por mensagem. De uma forma estranha, eu senti um arrepio em meu corpo.

-O que foi isso? Se tremeu toda … - Observa Belle.

-Não sei, uma sensação esquisita, mas passou.

++++

-Ah eu não queria vir pra dar trabalho. - Diz Riley puxando sua mochila pra dentro da casa da Belle.

-Você não dá trabalho algum.


Rimos tanto sentadas na sala. Riley estava bem, pelo menos era isso que ela aparentava estar. Estava feliz por estar ali ao lado delas, mas pensava um pouco no Finn.

-Ela está aérea, nem dá bola. – Diz Belle sobre mim.

-Pois fiquem sabendo que eu estou ouvindo tudinho. – Retruco.

-Aérea... quem é o cara? – Pergunta Riley.

-Finn... você conhece ele, eu acho. – Belle torce os lábios. – Ele é um gato.

-Ele é o meu gato. – Dou autoridade ao meu tom de voz.

-Quero conhecer ele. – Grita Riley. – Quero ver se ele é bom o suficiente pra você.

-Ele é sim. – Diz Belle em meu favor.

-Já estou gostando dele, muito. – Falo nas nuvens sem nem pensar muito.

-Cuidado gaivota, não caí de vôo alto. – Avisa Riley, olho pra ela me perdendo no que ela disse. – Sabe como é, quem já se partiu sabe como é ruim.


Fizemos um jantar para nós, novamente eu vou dormir ali, mesmo amanhã sendo uma segunda feira. Nosso prato de massa a bolonhesa estava um espetáculo, mas senti um incomodo na minha barriga enquanto comia, um desconforto pelo molho pronto. Tentei ao máximo evitar sair da mesa, evitar passar mal, mas aquele cheiro foi adentrando minhas narinas de forma rude, agredindo todo meu funcionamento intestinal. Olhei para elas que riam e comprimi meus lábios para não vomitar ali mesmo. Corri para o banheiro e ouvi elas me chamarem.

Dessa vez eu fechei a porta e vomitei até meu sulco gástrico. O gosto azedo e ácido invadia minha boca e me deixava com mais nojo. Uma tontura fez-se na minha cabeça e eu me escoro na parede sentada no chão, minhas pernas largadas como se ali eu estivesse vomitando de bêbada.


-Nós vamos no médico! – Ordena Belle assim que entra.

-O que foi isso? – Pergunta Riley.

-Ontem à noite nós jantamos num fest food e alguém passou dos limites, agora está aí vomitando até o que não deveria.

-Mas você já tinha vomitado antes? – Riley me olha enquanto pergunta.

-Sim. – Respondo unindo minhas forças.

-Lembram que eu fiz dois semestres de enfermagem? – Riley pergunta, mas ela mesmo se responde. – Se fosse algo que te afetasse no estômago, como comida, você teria somente vomitado de manhã e melhoraria... não está com algum problema no intestino?

-Eu acho que não. – Respondo pensativa.

-Vamos pro quarto. – Belle estica as mãos pra mim.

Sou carregada até o quarto da Belle, enquanto íamos eu me sentia um pouco tonta, fraca. Me deitando na cama, Riley deitasse ao meu lado e passa a mão na minha testa.

-Você está quente. – Ela diz um pouco mais séria.

-Eu tenho um termômetro. – Diz Belle já virando para pega-lo.

Tossi um pouco e fechei meus olhos, parecia que assim melhorava o mal estar. Belle pôs o termômetro em minha boca e eu a fechei. Riley pareceu correr para a cozinha. Na mão ela trouxe um copo de água e um remédio.

-Não vamos dar remédio, não sabemos o que ela tem... – Diz Belle torcendo os lábios.

-Estou melhor. – Digo de mau jeito pelo termômetro em minha boca.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Capítulo 10 - I'm sorry, I'm stupid



Acordei confusa, quando olhei que estava no quarto do Bruno, eu me lembro de cada detalhe da noite. Puxei a coberta para o lado e vi meu corpo completamente nu, eu não posso crer que não tomei nenhum banho depois que fomos pra cama, nojo de mim mesmo. Bruno dormia de barriga pra cima, mas diferente do meu pai quando dormia assim, ele não roncava, dormia tranquilamente.

Peguei minhas coisas do chão e catei tudo pensando em tudo que eu tinha feito. E aí Amber, se sente melhor com isso? Só porque não quis dizer para o Finn que queria ele na cama com você agora dormiu com o ídolo da sua irmã. Cheguei a rir da situação, mas pra qualquer efeito, essa noite nunca acontecera, ficará tudo na minha mente, e tenho a mais plena certeza que pelo Bruno isso também ficará somente entre nós.

Após vestir minha roupa e entrar no que eu pensei que era o banheiro, mas era o closet, então entrei na outra porta, passei água em todo meu rosto, fiz minhas necessidades e depois de lavar as mãos, passei um pouquinho de pasta de dente em meu dedo e coloquei na boca. Pelo menos meu rosto melhorou depois de uma noite dessas. Observei Bruno desde que saí do banheiro, pensei numa forma de acorda-lo, então passei minha mão sobre o seu braço tatuado e sussurrei seu nome.

-Bruno.

-Hmmmm. - Ele resmunga e enfia seu rosto no travesseiro.

-Obrigada por ontem, estou indo embora. - Disse dando um sorriso grato pela nossa noite.

Ele não se mexeu muito, muito menos levantou. Ali ele continuou dormindo. Desci e abri a porta da frente para sair. Quando saio do portão, vejo dois caras da banda dele chegando. Abaixei minha cabeça e quase tropeço em uma pedra que estava na calçada.

Pego meu celular e vejo sua bateria quase no fim. Abro a caixa de mensagens e há duas do Finn.

“No meio da noite me pego pensando em você e pensando o que eu vim fazer nessa festa. O que você fez comigo?” 

É eu que pergunto o que você fez comigo. Finn me deixou uma espécie de feitiço, e com certeza se eu puder passar muito tempo com ele, não irei perder essa oportunidade. Li a próxima.

“Cheguei em casa, não aguentei até o final. Saiba que eu não tenho vontade nem de olhar para as outras, sempre penso em você. Mal vejo a hora de encontrar você novamente… Amber, eu acho que estou gostando de você.” 

Amber, eu acho que estou gostando de você”. Estou me sentindo a pessoa mais idiota do mundo. Acenei para um táxi que passava, mas ele não parou, em seguida outro parou pra mim. Escorei minha cabeça no vidro e pensei que eu sou a mas idiota. Eu fui transar com um cara que nem bom dia me deu quando eu levantei - não que eu esperasse algo a mais, mas… - enquanto tenho o Finn, o cara que está habitando meus pensamentos todos os dias, que me trata com amor e carinho, o cara que me dá atenção.

Eu sempre fui burra, sempre agi sem pensar, mas agora foi demais. Apesar que eu prometi a mim mesma que isso não precisa sair de mim, ninguém precisa saber, ninguém mesmo. Foi uma noite que aconteceu e acabou.

Disquei o número do Finn enquanto a minha casa não chegava.

-Alô. - Diz ele no segundo toque.

-Já acordado? Milagre. - Dei um sorriso bobo.

-Bom dia, inclusive, educada.

-Bom dia. - Nós rimos.

-O que você está fazendo acordada a essa hora? Você paga pedágio pra não acordar cedo…


-Idiota. - Dou risada do que ele fala. - Eu fui no banheiro e acabei já ficando acordada. - Torci os lábios.

-Tadinha..

Eu não queria mentir pra ele, não agora que ele foi fofo ao máximo comigo... isso foi uma das minhas piores decisões.

-Quer ir comigo no treino de hoje? - Não havia comentado, mas Finn faz treinos de Jiu Jitsu.

-Ah... hoje eu estava com planos de ir praticar um pouco de nado, faz tempo que não apareço no clube.

-Olha... posso ir com você? - Pergunta ele. Tem como negar?

-Claro. - Respondo empolgada.

-Que horas vai ir?

-Vou ver se a Belle vai comigo, mas se ela não ir, vou sair ás quatro horas.

-Ok, daí me avisa que eu passo pra te buscar.

-Nossa, que honra. - Dou um sorriso bobo.

-Tudo pra ver você sorrir. - Fiquei como boba sem saber o que responder, tremi um pouco na base, tentei não pensar em besteira, mas não respondi. - Eu vou tomar um banho, mais tarde nos falamos, tudo bem?

-Tudo ótimo.

Eu fiquei somente sorrisos até chegar em casa, era algo que de longe todos percebiam. Passei cumprimentando minha mãe, meu pai deve estar na casa dos meus tios porque não está na sala em frente a televisão. O quarto da Violet estava aberto e ela escutava alguma música, que não era Bruno para minha surpresa.

-E aí baixinha. - Digo parando na porta sorrindo.

-Nossa, você é a miss altura.

-Quase isso. - Fiz uma careta engraçada.

-Onde estava Hannah Montana?

-Hannah Montana? - Dei uma gargalhada. - De onde tirou isso? Eu saí para uma festa.

-Não sei, me veio na cabeça agora. - Ela volta seu olhar para o computador.

-A mana vai ir no clube de natação hoje, rever aquele lugar... quer ir? - Pergunto.

-Vou ver se eu tiver tempo, tenho que montar uma maquete...

No meu quarto atirei-me na cama e fiquei olhando pro teto. Terminei com que estava me matando, mas agora pensando bem eu sou doida e estou parecendo uma prostituta louca. Eu transei com um cara completamente desconhecido, e ele me levou pra jantar, e o pior: eu gostei. Mas ainda há uma pequena parcela de culpa em minha mente pelo Finn. Nós não estamos namorando, mas eu acho que isso foi a coisa errada a se fazer com ele, e eu ainda menti…

Escrevi uma mensagem para Belle.

“Eu acho que cometi uma loucura, mas estou me sentindo melhor por isso. Sou doida? Precisamos conversar.” 

Não… se eu mandar isso pra ela, ela vai vir correndo aqui querendo saber o que aconteceu e eu não posso falar, ao menos não agora. Ah, qual é Amber, você prometeu a si mesma que isso não saíria de lá e agora já quer contar para a Belle.

Apaguei o que eu escrevi e fui para o meu banho.

***

Três e quarenta, nenhum minuto a mais e nenhum a menos, pontualmente Finn me esperava ali na frente de casa, já acompanhado da Belle que topou ir conosco.

-Ah, essa pirralha vai com nós. - Belle colocou a língua para Violet, que girou os olhos e passou reto por ela para dar oi ao Finn.

-Ela tem um ótimo humor. - Digo enquanto ela abraça ele.

Belle tenta abraçar Violet, que escapa dos seus braços fingindo estar pra lá de indignada com ela. Começamos a rir tanto com isso, e quando cheguei perto de Finn para abraça-lo, virei o rosto quando ele me beijou, eu me sentia imunda perto dele agora.

No carro ele dava sorrisos pra mim, enquanto Annabelle e Violet conversavam no banco de trás. É errado eu estar arrependida? É errado eu estar pensando que ele é tão bom pra mim e que eu não mereço uma pessoa como ele? Droga, eu não posso nem reclamar com alguém, prometi que irei deixar isso embaixo dos tapetes.

Depois que nadamos um pouco, que comemos algumas porcarias, decidimos nos arrumar e ir pra casa. Passei praticamente o tempo todo mais calada do que o normal, até Violet percebeu. Finn puxa-me para o braço assim que eu saio do vestiário.

-Ficou com vergonha de me beijar na frente dela? - Finn se referia a Violet, obviamente.

-Não. - Olhei em seus olhos, eu não tinha uma resposta certa para dar, só disse a verdade curta e rápida: não.

-Foi pela mensagem de ontem? Olha, me desculpa, eu não quis apressar as coisas. - Ele passa a mão no meu rosto e eu sorrio pra  ele.

Caralho, ele disse que está gostando de mim, e eu estou gostando dele. Será que não da para eu simplesmente esquecer o que aconteceu ontem, e levar minha vida em frente com ele ao meu lado? É, é isso, eu vou esquecer as coisas e vou seguir normalmente com ele.

-Você só disse o que eu estava com vergonha de dizer. - Falei timidamente, peguei suas mãos e lhe dei um longo selinho. - Desculpa estar assim, estranha, mas tive um pesadelo à noite.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Capítulo 9 - oops, the light went out!


-Chegamos. - Bruno puxou o freio de mão e tirou a chave da ignição.

Desci do carro e olhei para a casa. Nunca estive num lugar tão chique como esse. Abobada, catei cada detalhe daquilo. Já na frente exposta tinha uma grande piscina de água clarinha e bem tratada, grama verde e não parecendo ser artificial. Sua casa num tom rústico de marrom e branco, com a faixada linda, um modelo bem moderno, dois andares e pelo que parece, muito, mas muito grande.

Caminhei um pouco atrás do Bruno, acanhada de vergonha agora. Assim que ele abriu a porta, um cachorro pulou sobre ele e fez maior festa, mas quando notou minha presença, rosnou pra mim.

-Aí meu Deus. - Segurei minha bolsa em frente a minha barriga.

-Ele não vai morder, né garotão. - Ele passa a mão tranquilo em sua cabeça, o cachorro para de rosnar pelo menos. - É que como ele não conhece você, ele fica assim, mas ele é bem brincalhão com todos.

-Menos mau. - Comento e ele ri da minha cara pro “cãozinho”.

O hall de entrada era bem bonito, com duas belas plantas em vasos bem caros e um tapete lindo bem trabalhado. Descemos dois degraus e chegamos na sala. Ele me mostrou a entrada para sala de jantar - que só pra constar, é chique assim como toda a casa -, mostrou-me a sala da televisão, e o lugar onde está um pequeno bar, uma lareira, um rádio aparentemente bem poderoso, alguns banquinhos e um sofá que mais parecia uma cama. Ali havia uma porta para uma espécie de sacada no térreo.

A cozinha, nós fomos lá para pegarmos água para o Bruno. Onde ele ia, eu ia atrás, ou senão ficava parada no meio olhando para o nada. A cozinha também, tão chique quanto ao resto. Em frente a ela tem uma enorme escada que nos leva para o andar de cima. Claro, no espaço de baixo tem mais portas e coisas assim, mas nós não entramos em nenhuma.

-Vou buscar um baralho para jogarmos, quer ir junto? - Pergunta ele dando o último gole de sua água.

-Claro. - Respondo sem nem saber o que fazer.

Já chovia mais forte lá fora. Esperei Bruno na ponta da escada enquanto ele prendia o cachorro, só não me pergunte o lugar porque eu não vi, e fechava a porta da frente. Se Violet descobre que eu estou aqui, acho que ela me mata porque eu não a trouxe junto, ou porque eu não estou tirando foto de todos os detalhes. Subimos as escadas até a parte de cima, parei de olhar para as coisas, observar os detalhes quando tudo ficou escuro. Dei um gritinho e me encostei na parede da escada.

-Calma, faltou luz.

-Isso é visível. - Digo ironicamente.

-Eu tenho lanternas, o problema é acha-las. Abaixa-se e coloca a mão nos degraus para subir com segurança.

Fiz o que ele disse, mas em dois degraus acima eu já estava em chão firme. Tateei algo para apoiar-me a levantar e peguei nas canelas, sobre as calças do Bruno. Subi com a ajuda de sua mão na minha.

-Obrigada. - Agradeço enquanto bato minha mão em mim para tentar tirar alguma poeira, se tivesse alguma.

-Não queria que tivesse de passar por isso. - Ele ri.

-Isso acontece nos melhores lugares.

-Pega minha mão. - Sua mão tateia no escuro atrás da minha, mas bate na minha cintura.

Pego ela e seguimos algum caminho em passos lentos e cuidando para não bater em absolutamente nada, o pior de tudo é não conhecer a casa, eu não sei nem onde estou pisando, nem nada. Ouço o barulho do trovão novamente e Bruno abre alguma porta.

-Estamos no meu quarto, sei que no armário do meu banheiro tem vela, vou pegar. - Avisa ele me guiando pra dentro do quarto que estava mais escuro ainda por suas cortinas estarem fechadas. - Senta aqui na cama. - Ele guia a cama pra mim e eu me viro para sentar-me.

Dentro da minha bolsa, penso que tenho meu celular ainda, posso iluminar um pouco, como não pensei nisso antes? Iluminei o que pude com o celular e ajeitei meus sapatos e tentei limpar o que visivelmente estava sujo. Bruno chega no quarto com a vela.

-Ah sim, celular. Não pensei nisso. - Ele diz quando eu o ilumino, pouco, devido a potência da luz do celular.

-Pois é, eu também esqueci. - Comecei a rir sem graça.

-Achei uma vela. - Ele se aproxima de mim para coloca-la numa mesinha de cabeceira, aproveitei para iluminar e ver que tinha três controles sobre ela, um eu tenho certeza que é o controle do ar condicionado, e um porta retrato com a foto dele e de uma mulher, suponho que seja sua mãe pelo que Violet já havia me mostrado.

Ele consegue ligar a vela e eu bloqueio meu celular e o guardo novamente.

-Bom, não ficou tão iluminado assim, mas pelo menos nós podemos nos ver. - Bruno ri meio que sem graça.


-É. - Desvio meu olhar do dele, eu nem sei o que pensar agora, mas subiu um friozinho na minha barriga.

-Baralho não vamos poder jogar. - Diz.

-Nem ver filme. - Falo entre um risinho bobo.

-Nem isso… - Ele concorda comigo.

-Então. - Comento, mas eu não queria ter dito isso, parece que eu o estava convidando pra algo assim.

-Não gosto de rodeios.


Sentado ao seu lado, sua mão que estava no seu colo, agora passou pra minha coxa, arrepiei-me da cabeça aos pés. Fiquei esperando ele fazer algo a mais que isso, e então com a mão esquerda segurando minha nuca agora, ao invés de minhas coxas, aproximamos nossos lábios e demos entrada para nossas línguas. A minha já estava sedenta atrás da dele, procurando uma sincronização que logo foi achada. Nosso beijo não se encaixou de primeira, houve um tempinho antes disso.

Ouvi o barulho dos seus tênis no chão, óbvio que ele o tirou com os pés mesmo. Nossas mãos foram cegas para pontos estratégicos. Dei um impulso pra trás e com as duas pernas prendendo meu corpo na cama, e se colocar seu peso, ele subiu sobre mim. Nossos beijos já nem estavam mais compassados, sua língua passava pelos meus lábios, por minhas bochechas e quando chegava no pescoço - meu ponto fraco - eu fraquejava na hora. Ele dava beijinhos em minha pele me provocando uma sensação ótima, um prazer que intensificava. Há quanto tempo eu estava precisando disso, meu Deus.

Passei minha mão por seus cabelos, seguidos por suas costas, ele então se ajeitou e tirou a jaqueta e logo em seguida sua camisa. Com um olhar safado, iluminado somente pela luz daquela vela, projetando sombras nossas na parede do quarto, ele pega minha mão e a guia por sua barriga lisinha, não era aparente os músculos, mas podia sentir eles direitinho, sua pele amorenada e quente. Parei na barra da sua calça e o olhei como se isso fosse uma permissão, ele somente sorriu pra mim.

Abri a fivela do cinto e o botão, só não consegui fazer grande coisa para tirar a calça porque ele estava no meu colo e ficava difícil de me movimentar com ele sobre mim. Bruno saí do meu colo e levanta-se rapidamente para tirar a calça, tiro meus sapatos avoada e ele me ajuda com o vestido, ele desliza pelo meu corpo e Bruno passa a mão sobre meus braços nu. Fiquei com vergonha, congelei de vergonha na verdade, eu estava na frente dele somente de calcinha já que o sutiã dispensara essa noite por conta do meu vestido que não precisava.

-Você é linda. - Eu sei que não sou, ele não precisa dizer isso para que eu me sinta bem, mas ele disse e conseguiu arrancar-me um sorriso.

Olhei para sua cueca, uma boxer branca com duas listras, uma grossa e a outra fina, na cor azul. Ah claro, e o evidente volume maravilhoso que ali tinha. Senti minhas bochechas corarem quando ele teve que subir meu queixo com as mãos para que eu não ficava somente olhando. Nos atracamos novamente em um beijo, onde ele se jogou na cama e eu fiquei sobre seu corpo.

Beijando perto da minha nuca, descendo para os peitos e voltando para o meu pescoço, perto da orelha ele dá vários beijinhos consecutivos e mordisca a ponta dela. Arrepiei-me novamente como tinha acontecido antes, mas dessa vez, enquanto sua mão estava instigando meus mamílos já rígidos demais por conta do que eu estava sentindo, ele dá uma pequena fisgada em meu pescoço. Não quero pensar nisso agora, mas acho que ele me deixou alguma marca.

Não nos desgrudamos, até ele me jogar para o lado e tirar minha calcinha, dando beijos desde meu pescoço, meus peitos e percorrendo o caminho da felicidade, até minha virília. Quando seus lábios encostaram na parte interna das minhas coxas e minhas pernas estavam totalmente abertas para ele fazer de mim o que quisesse, minha consciência pesou. Caramba, eu estou na cama com um cara que eu nem conheço direito, só porque eu não quero falar para o Finn avançar o sinal. Ele é um perfeito cavalheiro e não merece isso que eu estou fazendo. Porém o lado mais “diabólico” meu, pensa: o que tem de errado nisso? Você já andou com outras pessoas antes, você não está namorando com ele...isso é apenas um sexo casual, agora relaxa e goza!

Foi isso o que eu fiz, relaxei. Bruno passava a mão sobre minha intimidade me deixando sem armas para usar, instigando meu clitóris fazendo minha cabeça se erguer pra trás. Subindo sobre mim novamente, agora ele leva sua mão guiando seu membro lubrificado com sua saliva sobre minha intimidade com lubrificação natural. Sinto ele invadir-me e meu corpo recuar um pouco. Eu não havia visto em que momento ele tirou sua cueca, por tanto até agora a única coisa que eu vi foi o volume, e agora senti-lo é completamente diferente...ele parecia não caber em mim.

-Cuidado. - Ponho a mão na sua barriga impedindo dele fazer movimentos muito bruscos.

-Você é, ou era…

-Não. - Dei uma risada. - Mas também não sou nenhuma arrombada. - Arregalei os olhos.

-Não te garanto nada após essa noite.

O que ele falou no pé do meu ouvido é a pura realidade, ele não pode me garantir isso. Seu membro é grande demais pra mim, precisamos acostumar com movimentos amenos pra depois aumenta-los. Dávamos beijos para ver se tudo amenizava.

Não passou muito tempo com os movimentos controlados para que nós dois implorássemos para irmos mais rápido, e assim ele fez. Suas estocadas eram fortes, mas ao mesmo tempo eram suaves. Ele sabia ser selvagem, sexy e dar prazer aos dois ao mesmo tempo. Minhas unhas arranhavam suas costas e ergui-as quando ele beijou meu peito. Mexi meu quadril levemente em seu sexo e ele gemeu gostosamente em meu peito. 


Trocamos nossa posição para eu sobre ele. Nunca tenho o controle disso, mas Henry dizia que essa era uma das melhores posições de se fazer comigo. Cavalguei sobre seu sexo, rebolei e usei tudo o que eu poderia usar de minhas armas para faze-lo sentir prazer. Suas mãos intercalavam entre minha cintura e meus seios pequenos que nem balançavam muito enquanto eu pulava no seu colo.

Eu o via dizer meu nome entre alguns sussurros, o que me possibilitava de dizer o dele também e revirar os olhos livremente. Meu gemido a cada vez mais se intensificava. Nos viramos novamente, mas dessa vez sem nos desvencilharmos, e ele pôs minha perna sobre seu ombro enquanto ia dando movimentos prazerosos. Revirei meus olhos e gemi alto sentindo minhas pernas tremerem, pedi com que ele tirasse seu membro de dentro de mim, pois não estava em condições. Fiquei assim enquanto ele passava a mão sobre meu rosto e quando abri meus olhos, ele sorria como se aquilo pra ele fosse um troféu. Enxerguei estrelas com aquele orgasmo.

-Posso continuar? - Pergunta ele, pareceu fofo isso.

-Deve.

Continuando com as suas estocadas, agora eram suas unhas que tentavam me arranhar e eu ainda estava lá, em transe, tentando me recuperar firmemente do que acabara de sentir em meu corpo. Cravando suas unhas no colchão - pelo menos tentando - ele solta um gemido alto, e enquanto seu climáx ia acontecendo, seus gemidos ficavam saindo. Conseguia sentir ele depositando todo seu ápice em mim, sorri diante daquilo.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Capítulo 8 - let's go to my house?


Combinei com o Bruno de que iriamos a um restaurante mais reservado, não queria estar com o rosto estampado em várias revistas de fofocas amanhã dizendo que eu sou seu novo affair. Bom, eu decidi mesmo ir e se rolar algo, rolou. Finn é o cara mais perfeito do mundo, lindo, atencioso, e eu acho que estou gostando dele, me apaixonando, mas eu preciso de alguém agora que me beije, que me leve pra cama. Não pense que eu sou uma ninfomaníaca, mas enquanto somos virgens é uma beleza, mas depois que aprendemos o que é sexo, meu Deus, um mês sem é teste de resistência... e eu estou há um tempinho sem, quer dizer, como diria Belle "estou subindo nas paredes". E também estou com uma rebeldia impaciente dentro de mim, acho que é TPM.

Coloquei a música Summertime Sadness bem alta, não estou nem aí que minha mãe reclame. Escolhi minha roupa horas antes do "encontro" - encontro não, troca de favores, eu quero, ele quer. Sou solteira, ele também. Peguei um belo vestido inspirado em uma coleção anterior do Marc Jacobs, preto com uns detalhes em dourado nas costuras, ele não chega a ser colado no corpo, mas acho-o bem sexy. Separei meu sapato, uma bootie da Forever21 coleção Urban Style. Achei meu look completamente lindo. 

-Dá pra diminuir um pouquinho o som? - Sem nem bater na porta, Violet abre. 

-E a privacidade fica a onde? - Pergunto aparentemente irritada. 

-E os meus tímpanos, ficam a onde? 

-Os meus ficam nos ouvidos, se os seus não, aí eu não sei. - Dou de ombros. 

-Gracinha. - Ela revira os olhos. - Sério mana, eu quero estudar pra prova de amanhã. 

-Ok! - Só relevei porque estamos em dia de semana e quando Violet diz que vai estudar, ela estuda mesmo. 

-Obrigada. - Ela atira um beijo no ar pra mim. 

***

Bruno ofereceu-se para vir me buscar, mas achei melhor não. O tempo está fechando lá fora, parece que vem uma bela chuva por aí, mas não é nem por isso, mas eu sei a quantidade de perguntas que minha mãe faria caso visse o carro parado ali na frente, capaz de querer conhecer o Bruno pra saber com quem eu ando. Engraçado como é as coisas, nunca dá bola pra mim, me trata como invisível, mas quando vê que eu estou conseguindo um namorado, ela faz de tudo pra parecer que minha família é normal. Ela não sabe que fingir e mentir é feio? E da pra ver de longe que ela faz teatrinho.

Peguei um táxi até o restaurante onde ele fez reserva. Morri de vergonha assim que desci na frente, é tudo tão chique. Recuei três passos pra trás pensando se isso é mesmo o certo a se fazer… mas o que de tão grave pode acontecer? Eu só vou conversar com ele, e depois da conversa, se rolar algo vai ser algo de uma noite só, sem mistérios.

Não sou nenhuma louca, nenhuma “vadia”, mas ele é atraente, está dando mole logo pra mim que sou essa mulher magrinha, sem nem onde cair morta praticamente, de um metro e sessenta, e rosto comum…

Passei pelo recepcionista e ele me disse que nossa mesa é o reservado no andar de cima. Subi as escadas e observei a luz vermelha que iluminava fracamente as paredes em tom branco, as toalhas brancas com a de centro vermelha e todas as mesas separadas por “cabines”, elas tem tipo paredes as separando. Já vi isso em filme e sabia que tinha aqui em LA, mas nunca fui em um lugar assim.

Ele estava lá, olhando para o seu celular parecendo não saber muito o que estava fazendo. Caminhei com meu salto dando um barulho no chão, e ele levanta o olhar pra mim. Diferente do chapéu habitual o qual eu o vi nas duas vezes que nos encontramos no show e nos bastidores, ele estava com um lindo topete que parece ter levado algum tempinho para ser feito. Sua camisa branca o realçava com a jaqueta de couro preta sobre ela. Ele levantou-se da cadeira-sofá em que estava sentado e largou o celular.


Colocando a mão na minha cintura, demos um beijo na bochecha um do outro.

-Olá. - Diz ele sorridente.

-Oi. - Digo ainda tímida.

-Pensei que não viria.

-Oh meu Deus. - Peguei minha pequena bolsa para checar meu celular e ver o horário. - Demorei tanto assim?

-Não, na verdade está no horário, o problema é que quando recusou minha carona, pensei que não viria mais e iria me enganar. - Ele deu um sorriso torto. Não, ele não é tão lindo quanto ao Finn, mas sua beleza é inigualável.

-Ah, desculpa-me, mas o tempo está feio, aí achei que seria melhor eu vir de táxi. - Eu definitivamente não sei dar desculpas, muito menos mentir.

Não sei se ele acreditou, mas pegamos o cardápio e logo pedimos a comida. Pedi uma porção pequena e para o acompanhamento um vinho tinto do porto. A nossa conversa… não tinha “a nossa conversa”, nós mal tínhamos assunto, então resolvi fazer algo para isso acabar, esse silêncio e ficar nós dois olhando para lados opostos.

-Me fale mais de você.. - Pedi.

-Ah, acho que não tem muito o que falar.

-Então porque é um passado bem obscuro ou porque não quer falar mesmo. - Tentei descontrair um pouco e adiantou, mas bem pouquinho.

-É…me pegou...eu não sei falar de mim.

-Eu também não. - Dei de ombros.

Nosso assunto mudou, agora era comida. Resumindo, enquanto jantávamos e falávamos de comida, eu mal sabia a idade dele. Quer dizer, se não fosse pela Violet me dizer esses tempos, eu nunca iria saber. Foi produtivo o jantar. Melhor, foi produtivo porque ele é legal, e a comida era boa, porque eu estava a ponto de ligar para o Finn e conversar com ele pelo telefone, já que nem assunto, Bruno, tinha.

-Que tal irmos pra minha casa? - Ele pergunta limpando delicadamente a boca no guardanapo.

Ir pra casa dele...Amber, essa é a hora de desistir. Eu quero, mas ao mesmo tempo não quero. Fico nessa indecisão, mas o que seria de Amber se não fosse seus vários conflitos de ser ou não ser, ou querer e não querer.

-...Ok. - Respondi depois de um tempo.

Bruno chamou o garçom para acertar a conta, insisti um pouquinho para pagar o meu, mas ele disse que não precisava pois passava em seu cartão. Saímos do restaurante e no andar de baixo, várias pessoas nos olhavam curiosas. Tive a impressão de que se não tivéssemos andando rapidamente, eles teriam tirados várias fotos.

Seu carro tinha um cheiro gostoso de morango, mas não era aquele cheiro delicado de morango, era uma mistura com uma menta, hortelã, algo que não enjoava nunca. No rádio ele pôs uma música pra tocar, não ousei em perguntar o que iriamos fazer em sua casa, mas ele acabou me contando.

-O tempo está ficando muito feio, por isso convidei você pra ir lá. Não sou nenhum tarado. - Agora eu pensei numa pequena coisinha.

Ele acabou de dizer que não é nenhum tarado, mas e se fosse? Eu nem conheço ele…

-Entendo, não estou preocupada com isso. - Respondi tentando ser mais transparente possível.

-Mas eu acabei nem perguntando… O que faz da vida?

-Ah. - Dei um risinho sem graça. - Sou designer de moda, mas não tenho nenhum atellier, trabalho com um blog na internet mesmo.

-Interessante, uma autônoma?

-Quase isso, minha amiga me ajuda bastante, mas ela tem um emprego fora esse.

-Pensei que vendas por internet não fossem bem remuneradas. -Diz ele sinceramente.

-E não são. - Torci os lábios, mas acabamos os dois rindo. - É terrível.

-Desculpa me intrometer, mas porque não trabalha e aluga um espaço pra isso?

-É o que eu estou vendo, mas arranjar um emprego assim não é fácil, preciso de algo que ganhe dinheiro pra conseguir alugar e comprar os móveis… Muita coisa.

-É, é um planejamento e tanto.

Continuamos o caminho falando sobre o meu trabalho, minha faculdade, em quanto tempo eu me formei, e essas coisas. Até que eu estava achando bem legal o papo. Um trovão se faz nos céus, provocando um barulho intenso. Tremi no banco e senti que Bruno queria rir da cena, mas me respeitou.

Bruno abriu um pouco a janela do carro, onde já pudemos perceber que estava garoando bem fraquinho. Ele pôs a mão pra fora e apertou um pequeno controle em suas mãos, e o portão abriu. Catei meu celular que vibrara dentro da bolsa.

“Sua safada, falou que iria sair comigo e eu tive que inventar uma história. Depois quero saber onde está e detalhes. Aproveita”




Claro, eu dei uma mentirinha básica de onde eu iria. Falei que iria numa festa com Belle depois iriamos para a casa dela dormir lá.


  • Gente, me perdoem, mas estava difícil as coisas por aqui. Meu pai já está melhor, mas ainda aspira muitos cuidados, tá bem complicada a situação toda. Enfim, eu fiz o que eu pude, e tô postando pra não deixar sem, mas não prometo que virei amanhã pra postar. Beijos e comentem se puderem <3 

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Capítulo 7 - a meeting?

Sua mão escorregou pela minhas costas e parou na minha cintura. Fisguei de medo, receio, ou até posso dizer que um arrepio estranho subiu minha espinha.

-Calma, é só uma foto. - Ele diz baixinho sem tirar o sorriso dos lábios para as câmeras. 

Dei um sorriso nervoso, e vi uma quantidade de flash's vindo pra cima, claro que eu não estou acostumada com isso então pisquei sem parar. Acho que Violet reparou algo, quando consegui estabilizar meu olhar sobre as pessoas, olhei para ela que sorria travessa. Me afastei do Bruno e agradeci pela foto. Isso foi mais tenso do que a primeira vez, talvez porque hoje tinha mais câmeras, mais pessoas, e eu sou mais tímida nesse aspecto. 

-Vocês tem um jeito legal de estarem ao lado um do outro. - Comenta Violet. Olhei para ela incrédula e mexi minha mandíbula. 

-Cala a boca pentelha, não sabe de nada. - Afaguei minha mão no seu cabelo e ela ri gostosamente. Envolvi-a em um abraço passando todo meu amor de irmã para ela. 

Foi quase a mesma coisa que dá outra vez, fotos, camarim, espera, o show que foi bem empolgante - talvez seja porque eu já estava sabendo suas músicas de cor e salteado -, e depois visitamos seu camarim novamente, com direito a comes e bebes. Dessa vez eu não estava tão cansada como na outra, e já me senti mais a vontade, mas nem tanto, afinal a timidez fala muito alto sobre mim. 

-É sempre tão quieta assim? - Pergunta um dos meninos da sua banda, ih, esqueci o nome. 

-Sou tímida demais, minha irmã é totalmente ao contrário de mim. - Digo olhando para ela empolgada com os meninos. - Desculpa, mas você é o...? Me confundo com vocês. 

-Ah, desculpe eu, sou o Phred. - Ele estendeu a mão e eu a apertei. 

-Então Phred... eu sou tímida assim mesmo. - Comento tentando puxar algum assunto legal, mas "Blé", eu não sou boa nem nisso: puxar assuntos! 

-E o que achou do show? - Ainda bem que ele puxou assunto. 

-Achei maravilhoso, mas eu estava mais empolgada nesse do que no primeiro. - Comentei. 

Ficamos conversando sobre mil e uma coisas, principalmente sobre os shows dele, e como as coisas acontecem na turnê, mais dois meninos se juntaram a nossa conversa, até chegar a hora de irmos embora, mas antes passei no banheiro. Fiz minha necessidade, lavei as mãos e após seca-las, passei nos meus cabelos para dar uma ajeitada. Abri a porta do banheiro e não tinha ninguém ali, sinal de nenhuma pessoa. 

Olhei para os lados, já não tinha mais ninguém ali mesmo. Caminhei rapidamente até a mesinha onde ainda estava minha bolsa e a peguei. Ouço um barulho, mas quando olho pra trás não tem ninguém. Eu nem sou medrosa, capaz, meu coração já estava disparado.

-Oi. - Levei a mão no peito e olhei para o lado tirando o olhar de pavor com os olhos arregalados e trocando por um suspiro de alívio.


-Quase me matou! - Digo colocando a bolsa no meu ombro.

-Imagina que desperdício matá-la. - Minha timidez aparece e cora minhas maças do rosto perfeitamente.

-Pensei que tinham me abandonado aqui dentro. - Dei um riso sem graça tentando desviar o assunto.

-Poderiam te abandonar comigo. - Nossos olhos ficaram fixos um no outro, pigarreei e ele se afastou um pouco. - O que acha de sairmos qualquer dia desses?

O que eu entendi foi outra coisa.

-Ah - Eu gaguejei de novo, qual é, será que eu não sei mais falar, fiquei completamente sem jeito, quando emendei o que eu nem sabia se era o certo  e se responder. - Pode ser. - Balancei meus ombros. Eu estou marcando de sair com o ídolo da minha irmã, eu não estou bem, ou eu não estou bem!

-Perfeito… tenho o seu número ainda então eu te ligo ainda essa semana. - Fomos indo em direção da porta e ele deixou eu passar na frente, senti seu olhar no meu corpo. Ouvi seu pigarreado e olhei para os lados do corredor escuro. - Ou nós poderíamos começar a nos conhecer melhor hoje mesmo.


Um certo poder de persuasão em sua voz, um olhar enigmático que fez eu não pensar em nada, mas ao mesmo tempo pensar em tudo.

-Marcamos algo essa semana. - O que eu estou falando?

-Ok.

Bruno Pov’s 

Saí aborrecido, fulo da vida com Sophie. Ela não é nada sério, e odeio que as pessoas exijam coisas de mim sendo que eu não tenho nenhum compromisso com elas.

Hoje no show foi tranquilo, as fotos que eu tive com a fã da promoção novamente foram melhores do que a primeira vez que nos encontramos. Meu objetivo ainda estava em pauta: pegar ela. Aquele corpo, tímida, jeitosinha, cheirosa e um jeito de mulher limpinha, daquelas que não saem com todos os caras que veem pela frente. Foi esse um dos motivos principais pelo qual dei o ingresso para o outro show. Percebi que os meninos também acharam ela legal, e claro, Phred a achou linda.

-Vamos esperar ela lá fora? - Pergunta Kam quando todos estão saindo. Olhei para a porta do banheiro onde ela estava e voltei meu olhar a ele.

-Eu vou esperar ela aqui. - Digo e Kam dá um sorriso safado direcionado a mim.

-Não demorem muito.

-Não respondo por mim. - Fiz um movimento com meu quadril e ele saiu, rindo.

Fiquei no meio das roupas, ajeitando umas coisas e vendo qual seria minha próxima roupa para o show que vem. Conferi meu celular com mais algumas notificações chatas de aplicativos e umas mensagens novas que depois eu termino de ver. Apavorada, ela saí do banheiro e pega sua bolsa pra sair dali, mas antes eu apareço e dou um pequeno susto nela.

Convidei-a pra sair essa semana, assim teríamos mais privacidade do que temos nesse camarim. Ela aceitou, ainda bem… quem recusaria? Saindo na minha frente, observo que o corredor está escuro, ao mesmo tempo dou uma olhada para o seu corpo magro, mas não deixando de ser bem lindo e atraente.

Não seria má ideia ataca-la ali, leva-lá ao camarim e ficaríamos um tempinho, assim não precisávamos sair essa semana. Mas nem tudo é mil maravilhas, o importante é que ela confirmou que essa semana nos encontraríamos.

Amber Pov’s

No caminho pra casa eu só pensava em uma coisa: o que Finn está fazendo a essa hora? Mentira! Não era nisso que eu pensava.

Mentira, era nisso também, mas também pensava sobre o Bruno e seu convite inusitado. Não seria nada mal sair com ele, não tenho nada sério com o Finn e que mal teria nisso? Nenhum, então vou aproveitar.

Finn ainda não criou coragem pra me pedir em namoro, mas assim que ele pedir é claro que eu vou aceitar, aí sim eu não irei fazer nada disso, mas agora nós dois somos livres solteiros e desimpedidos. Esse é meu medo, Finn está livre pra fazer qualquer coisa com quem quiser, e se ele desistir de mim?

-Mana, sinal vermelho. - Violet me grita. Olho rapidamente para a travessia e freio o carro.

-Obrigada. - Ponho a mão no peito voltando a me concentrar no agora.

-Está com a cabeça no mundo da lua, eu hein.

-Vai me dizer que você também não está! - Falei ironicamente.

-Estou, mas eu estou pelo Bruno.

-Eu também. - Falei em pensamentos e comecei a rir. Ela me olha como se eu fosse louca e volta a escorar sua cabeça no banco do carro.


Entramos em casa pé por pé para não acordar nossos pais, principalmente minha mãe, se ela acordasse seria o inferno na terra. Peguei uma garrafinha de água na geladeira e servi num copo pra mim. Violet foi como zumbi para o seu quarto e trancou a porta, deve estar morta de cansada assim como eu.


  • Volto na segunda com mais capítulo! Sei que ta pequeno, meio sem emoção, e que vocês esperavam mais, mas tudo isso depois vai ter um porque <3 comentem se puderem, e ah, quem achou o Finn chato... eu achei ele um fofo <3 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Capítulo 6 - kiss-me

-Somos todos vítimas da manipulação governamental. - Finn parece ser mais entendido de política e história do que aparenta ser. Confesso que esse lado dele eu ainda não tive muito contato.

-Isso que eu digo. - Eu acho que agora entendo o porque Finn e Belle se tornaram tão amigos, porque gostam de quase as mesmas coisas. - Somos fantoches. - Belle balança seus ombros pequenos.


Dei uma leve bocejada, não que eu não estivesse gostando do assunto - okay, minha paciência esgota quando falamos em política e principalmente nesse mundo que vivemos. Eu sou muito opiniática, e esse é um dos problemas -, mas eu estava precisando que eles mudassem esse assunto, ou meu sono aumentaria.

-Vou pedir mais uma dose de tequila. - Belle levanta pegando seu copinho pequeno.

-Não vou levar ninguém pra casa. - Falo um pouco mais alto quando ela vai se afastando.

-Desculpa falar desses assuntos, mas acho que percebeu que eu me empolgo bastante, não é? - Ele ri com que fala e me conduz a rir também. Pareço uma adolescente idiota falando com ele.

-Não que eu não estivesse gostando do assunto, mas... meio chato para uma noite como essa. - Faço um barulho com a boca e ele sorri timidamente.

-Adoro essa sua sinceridade. - Ele se aproxima mais de mim e passa a mão de leve em meus cabelos.

-Cof cof - Belle faz barulho de uma tosse - eu não convidei vocês dois para ficar olhando os pombinhos se beijarem. Que nojo. - Ela coloca a língua pra fora em uma careta nojenta.

-Até parece que nunca beijou ninguém. - Finn rebate e ela rola os olhos.

-Perdi alguma coisa? - Pergunto olhando para os dois.

-Seu namorado, louco. - Ela oferece "gentilmente" o dedo do meio pra ele e ao mesmo tempo eu sinto meu coração palpitar mais forte, eu não sei o que falar, mas eu e o Finn não somos namorados.

-An, Belle... nós não... - ela não permite que eu termine de falar e se ajeita na cadeira.

-Bla bla bla e nós não somos namorados bla bla bla estamos nos conhecendo... corta essa. - Belle sempre tão direta, fez eu e Finn gargalharmos.

Olhei tão timidamente para ele que senti minhas bochechas arderem de vergonha por dentro, balancei meus pés e ele sorrio sem nem mostrar os dentes. Qual é o tipo de feitiço que esse homem está jogando sobre mim que agora eu estou assim?


Fiquei um pouco mais calada quando eles engataram em outros assuntos. Prestei atenção em algumas músicas que tocavam, e prestava atenção também nele e na conversa.

-Licença, vou ao toalete. - Belle levanta da mesa de um jeito madame.

-Nem parece aquela menina que eu conheço que fala palavrão a cada dois minutos. - Falo num tom mais alto.

-Vá a merda, Amb. - Ela oferece aquele dedo do meio dela e de uma forma Finn me chama a atenção quando ri.

Olhei o seu rosto tão lindo e ele fixou o seu olhar no meu.

-Acho que vou te beijar. - Ele coloca o fio do meu cabelo para trás da orelha e a única coisa que eu faço é sorrir de forma tímida.


Espero o seu beijo doce em meus lábios, sua língua sempre tão convidativa à apreciar mais o momento e talvez aprofundar isso, mas ele nunca fala sobre isso, parece que nunca vamos sair disso. Enquanto ele dá alguns selinhos em meus lábios, ouço a música do Bruno tocar e só de ouvir já lembro automaticamente da Violet.

-Deu tempo dos pombinhos se beijarem? - Finn assente para Belle, que sorri enquanto senta-se novamente na mesa. - Que bom, porque eu nem usei o banheiro.

-Você não presta! - Começo a rir descaradamente.

-Ontem à noite você não falou assim comigo enquanto eu lhe dava prazer. - Mania dela de falar audaciosamente "ontem à noite você..." em qualquer situação que isso possa se tornar constrangedor.

Como agora.

-O que? - Pergunta Finn já rindo.

-Essa idiota. - Respondo olhando para ele e voltando o olhar pra ela. - Hoje não terá nada. - Rebato na mesma moeda.

-Hoje eu procuro um homem. - Ela fala um pouco mais baixo.

-Eu sei que você prefere meus dedos e minha língua. - Mostrei minha língua e meus dedos para ela.

-Isso é... - Finn parecia não encontrar nada pra falar.

-Excitante? É, eu sei. Todo o homem tara uma transa de duas mulheres.

-De uma certa forma. - A forma que Finn piscou para mim fez meu rosto pegar fogo.

O tempo passou gradativamente rápido, estava cada vez melhor ficar ao lado dos dois, mas eu tenho que voltar para casa, amanhã é mais um dia. Enquanto nós prosseguíamos até o carro, Finn pegou minha mão e entrelaçou nossos dedos, que se encaixaram de uma forma perfeita. Se perguntarem o que ele é meu, eu não sei responder. Ele está sendo meu amigo, meu companheiro e eu pretendo que seja a mais do que isso, pois estou ficando apaixonada por esse sorriso de lado, esse sotaque para lá de lindo, e tudo mais que o compõe.

+++

Eu não estava nem um pouco afim de sair hoje, mas pensei que Finn também foi a uma janta de negócios, e eu senti ciúmes por isso sim. Nós não estamos namorando, mas eu ainda sim tenho medo que nós nem chegamos a esse ponto e eu perde-lo para alguém.

-Nós não podemos nos atrasar. - Violet bate o pé na porta como se tivesse idade e capacidade de mandar em mim.

-Mocinha, trate de falar com respeito comigo. - Digo autoritária e ela ri. - Vou vestir-me, em cinco minutinhos estou pronta.

-Okay, daqui a meia hora eu vejo se você já saiu do banho. - Ela vira as costas e sai do quarto.

-Desgraçada abusada. - Reclamo dela e ouço um "escutei isso, mana" vindo dela, no corredor.

Não fiz questão de por vestido, o tempinho hoje estava mais chato. Dizia uma temperatura, mas a sensação era bem menor. Reclamei quando a porta do guarda roupa travou um pouco e procurei entre minhas roupas alguma que eu pudesse vestir. Veio a brilhante ideia de um look em minha cabeça.

Separei uma calça jeans skinny, e puxei uma blusa branca de manga curta, sem nenhuma estampa. Coloquei sobre a cama e entre meus cabides mergulhando até em algumas peças que nem tiveram seu devido acabamento, eu pego meu blazer preto. Com um cabelo despojado e sapatilhas, e minha bolsa, vai ficar legal.

Entrei para o banho, no qual não pretendia demorar muito tempo. E não demorei, saí logo em seguida e já coloquei minha roupa. Sentei-me na cama, ajeitei minha sobrancelha rapidamente, olhei para minhas unhas feitas, e elas estavam boas ainda. Iniciei minha maquiagem básica, passei meu batom, e prendi o cabelo.

-Estou pronta. - Saio no corredor e Violet saí quase ao mesmo tempo. - Estava de campana a minha espera? - Pergunto levando um susto da sua presença rapidamente.

-Estava contando o tempo, se passasse de meia hora eu iria sozinha.

-Mas também não entraria porque não deixariam uma criança entrar sozinha. - Revido e ela faz cara de nojo.

-Eu não sou criança, caramba. - Ela cruza os braços e vai em direção da sala.

Começo a rir da sua atitude e continuo em frente para sairmos. Confirmei minha identidade na bolsa e nossas credenciais, e o número do portão que entraríamos. Tudo com precisão para irmos de uma vez, ou Violet teria um filho.

-Filha, se cuidem, por favor. - Meu pai até assusta-me com sua fala repentina no meio do silêncio.

-Ah. - Eu não sabia o que falar, então gaguejei mais algumas coisas que nem eu mesma entendi. - Obrigada pai, nós iremos nos cuidar. - Sorri de lado e caminhei em direção da porta, onde Violet já estava lá.


  • Tô tentando fazer o mais rápido possível as coisas acontecerem para que chegue logo na parte interessante da história. Amanhã venho com mais um, espero que gostem chuchus <3 Beijos 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Capítulo 5 - a dream

Quase cochilei ali de tanto tempo que fiquei olhando para os lados ou um ponto fixo. Quando comecei a bocejar levantei do sofá e me ajeitei..

-Violet, acho melhor nós irmos, está tarde. - Disse chegando próxima dela.

-Fiquem mais um pouco. - Bruno estava com uma garrafinha de água na mão, e logo que falou isso bebericou-a.

-Eu queria ficar mais um pouco, mana. - Violet disse numa súplica.

-Eu sei Violet, sei que você queria que esse momento não acabasse, mas eles tem uma vida e nós duas também. - Olhei para ela, fiquei com pena de ter que dizer "sim, nós vamos embora".

-Mas... - Ela não tinha argumentos, coitada.

-Então vocês vem no próximo show. - Bruno dá um sorriso, olhei para ela com ar de repreensão, não é que nós estivéssemos sem dinheiro, mas para gastar com "bobagens" não tínhamos mesmo. Ela compreendeu meu olhar e levantou da cadeira em que estava sentada. - Ryan, me dá dois ingressos.

-Eu não tenho nenhum aqui. - Ryan torce os lábios batendo com as mãos na lateral do seu corpo.

-Droga. - Bruno revira os olhos. - Qual o seu número?

-Pra que? - Arqueei uma sobrancelha.

-Vou mandar uma mensagem com o meu número e você responde com o seu endereço. - Ele da um sorriso. - Não irei passar trote, não se preocupe.

-Ok.

Disse para ele o número e só não insisti para que ele não desse os ingressos porque eu sei que Violet iria ficar brava comigo. Deixei que ele pegasse meu número e então demos tchau para todos, eu apenas acenei de longe e Violet deu um abraço em cada um. Fomos guiadas para o carro que nos esperava quase no mesmo lugar em que nos largou. Já estava um pouco mais frio.

Ela foi dormindo e eu a carreguei para dentro de casa, depois de toda a sua euforia, vem o cansaço. Larguei-a na sua cama e fui para a cozinha beber um copo de leite para tomar meu banho e ir dormir.

-Boa noite filha. - Diz minha mãe chegando na cozinha.

-Pensei que já estivesse dormindo. - Disse olhando para o relógio que marcava uma hora da madrugada.

-Eu tentei, mas fiquei preocupada com vocês. - Egocentrismo da minha parte dizer que não foi por isso que ela não dormiu, porque eu conheço ela, ela não se preocupa tanto assim conosco, pelo menos não comigo e nem com a pobre Violet. Coloquei o leite no copo, guardei a garrafa e fui tomando ele ligeiramente. - O show foi bom?

-Foi maravilhoso. - Dei um sorriso limpando os cantos da minha boca, sujo pelo leite.

-Filha...- Logo vi que ela iria engatar em algum assunto no qual eu não estava afim de ouvir, estava cansada e só queria minha cama após um banho.


-Boa noite, mãe. - Passei por ela largando o copo sujo na pia sem ao menos lava-lo e fui para o quarto.

Peguei meu pijama e fui para o banho. Tudo o que eu aprendi, de sempre até sempre, fui eu mesma que corri atrás. Eu não julgo a minha mãe, nem meu pai desleixado um pouco, mas julgo-os por me terem sendo que não estavam preparados para terem um filho. Quando eu tinha sete anos presenciei uma briga muito feia entre os dois, minha mãe é mais dura que o meu pai. Ele era general no quartel, mas pegou aposentadoria cedo devido a uma lesão que teve na perna direita. Minha mãe tem curso de radiologia, mas ela se aposentou cedo também, mas o dela é por causa do próprio local de trabalho, ela era exposta ao câncer e outras doenças, por isso a aposentadoria cedo. Lavei meu corpo cuidando para não molhar o cabelo. Vesti meu pijama de cetim e me deitei na cama.

***

Acordei assustada, sim, foi um susto!


Sonhei com o Bruno, o Bruno ídolo da minha irmã. Nós estávamos em uma casa de campo conversando assuntos legais, ele conversava comigo e dava alguns sorrisos. Dentro da casa tinha algumas pessoas conversando também e eu não conhecia ninguém. Falando em mim, no sonho eu estava de cabelo loiro platinado. Lavei o rosto com água corrente e me sequei. Livrai-me desses pensamentos idiotas.

-Quero usar o banheiro. - Violet grita do outro lado da porta.

-Espera, não tá vendo que tem gente. - Retruquei.

-Então vamos de uma vez. - Ordena.

-Esqueceu a educação no show, Violet? - Gritei para ela que resmunga algo que eu não entendo. Terminei de fazer minha higiene e liberei o banheiro para ela, que entra rapidamente.

-Menina doida. - Reclamo baixinho.

Abri meu computador e não tinha nada de importante nas minhas redes sociais, ao não ser por uma mensagem no meu celular que me chamou muito a atenção. Era do Finn, o sorriso foi automático.

"Oi. Tudo bem? Abriu um bar no centro da cidade, hoje à noite é inauguração, vamos ir? A Annabelle irá te convidar, mas já estou me antecipando, beijos."

Dei um sorriso com a mensagem, ele é fofo demais. Respondi logo em seguida dizendo que com certeza iria junto com eles.Arrumei meu quarto, bom, só a minha cama e minhas roupas sujas no cesto. Fui para a sala e passei pela cozinha, minha mãe estava fazendo panquecas.

-Bom dia, família. - Diz Violet chegando na cozinha.

-Bom dia mau humorada. - Falei enquanto abria a geladeira.

-Não enche. - Diz ela.

-Bom saber que eu "encho". - Digo pegando o leite. - Assim não levo mais ninguém ao show do meio metro.

-Ele tem a sua altura, e sim mana, eu amo você.

-Idiota oportunista. - Digo e nós rimos.

***



-Posso saber o porque da produção toda? - Pergunta Violet chegando na porta do meu quarto.

-Posso saber o motivo da curiosidade? - Pergunto e ela me oferece o dedo do meio, coloco a língua para ela. - Vou sair com o Finn.

-Tenho um cunhado?

-Não, não sei ainda, quem sabe futuramente.

-Já vi vários encontros que teve com ele, prevejo que ele será meu cunhado em breve.

-Mas que audácia da mocinha estar cuidando o número de encontros que eu tenho. - Comecei a rir. - Nós não chegamos a nos ver naquela vez. Aconteceu um imprevisto e ele não foi. - Torço os lábios.

-Então aproveita hoje.

-Estou recebendo conselhos da minha irmã adolescente.

-Sua irmã adolescente tem mais juízo que você.

Ela saí serelepe pelo corredor da casa e me faz rir baixinho. Minha pequena cresceu tão rápido, ela está tão sabida, tão atenta a todas as coisas. Desde que nasceu eu sabia que ela seria mais que especial para mim, ela é como um amuleto da sorte, só que eu não tenho como carrega-lá num cordão e pendura-lá em meu pescoço.

Não sei como o carro do papai não está no meu nome ainda, porque quem mais usa ele aqui sou eu. Também, ele não saí da frente da televisão, fica ali o dia todo ou senão lê o jornal para apostar alguma grana em corridas de cavalos, e minha mãe não se presta a sair de casa com o carro. Ela pode ter carteira e tudo, mas dirige muito mal.

Continuei o caminho do bar enquanto escutava algumas músicas legais no carro e imaginaria minha noite com o Finn.


  • Gente, é necessário eu fazer essas partes mais "zzz" porque daqui a pouco a fic engrena para a verdadeira história e é preciso vocês saberem o que se passou antes de tudo. Obrigada por comentarem, e continuem se puderem <3