sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Capítulo 63 - Hoping to finally meet you




Bruno Pov's

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Após a festa do lançamento, um sucesso completo, embarquei para Los Angeles. Não poderia ficar afastado de lá nem por segundos. Havia mais algumas entrevistas, mas essas poderia fazer em LA mesmo, o que facilitava. Ia sobrevoando o caminho até o LAX, enquanto tentava de algum jeito falar com Riley. Queria saber se Amber estava bem e se meu bebê ainda não deu sinal.

Amber Pov's

-Avisa pra ele que nós estamos bem, e que o filho dele está tranquilo. - Balanço a cabeça. Acho lindo a preocupação

-Ele só está preocupado com vocês dois. Fofa essa preocupação.

-Eu sei, mas o bebê está previsto pra daqui há uma semana. - Reviro os olhos enquanto diminuo o ritmo da caminhada. - Quanto tempo mais temos que caminhar? - Respiro rapidamente.

-Uns dez minutos. - Riley olha em seu relógio de pulso.

Agora estou na reta final. Meu bebê nasce em uma semana e eu já estou caminhando para a dilatação ser maior. O médico me elogiou na última consulta que fizemos, disse que sou forte e que me cuidei bastante. Devo isso ao Bruno, que me cuidou durante todo o tempo que precisei. Falando nele...desde que começamos a namorar, nada é problema para nós. Estamos felizes e assumidos entre nossas famílias, que disseram já esperar isso de nós dois.

Ainda há especulações sobre mim, mas eu evito aparecer, evito qualquer coisa desse tipo agora. Um dia, se o Bruno quiser, nos assumimos publicamente para seus fãs, mas por enquanto concordamos em deixar assim, porque nosso filho precisa de paz para crescer. Terminamos de andar e eu fui para o banho, precisava de um urgentemente. Entrei na banheira e tive uma conversa com meu filho, que em breve verei seu rostinho, seus detalhes... A ansiedade mal cabe dentro de mim, a vontade de segurar em meus braços, de sentir seu amor para mim, e dar o meu amor à ele.

Será que esse amor todo é tão normal? Ou é por ser mãe de primeira viagem? Meu filho poderá ser de qualquer forma, gostar de qualquer coisa desde que não lhe faça mal, pode ser parecido com o Bruno, eu deixo, pois seu pai é lindo. Pode ser parecido ao meu pai, ter as características da minha irmã. Quero que ele seja, acima de tudo, feliz. Minha mãe sentiu-se assim quando estava grávida de mim? Provavelmente não. Agora que ele hábita dentro de mim, e eu sinto o sangue de mãe correr nas minhas veias, ainda não consigo entender a forma que minha mãe me tratou e me trata. Porque ela não poderia ficar feliz por mim? Não precisaria dar presentes, nem vir visitar, senão quisesse me ver, mas pelo menos dissesse que estava feliz e me desejava o melhor! Eu vou ser melhor que isso para o meu filho, eu vou ser a mãe que eu nunca tive, eu vou ser melhor amiga, mãe, irmã, tudo que ele precisar. Me dividirei em 50 para conseguir fazer todas as coisas, mas meu filho será criado com amor, com carinho, com dedicação.

-Amb? - Ouço três batidas na porta.

-Entre. - Peço enquanto enrolo a toalha na cabeça.

-Eu estava pensando sobre o atelier...

-Meu Deus! - Pus a mão na cabeça quando volto a posição normal.

Vou caminhando pra trás e Riley rapidamente senta ao meu lado.

-Você está bem? Está tonta.

-Não... Eu estou bem. - Aperto a mão na coxa, sentindo uma dor muito ruim na barriga, como facas entrando.

-Está sentindo dores? Contrações?

-Passou! - Aviso, respirando aliviada. - Acho que foi a primeira contração. - Levo a mão sobre a barriga.

-Meu sobrinho vai nascer. Meu Deus! - Riley beija minha barriga, com um sorriso bobo no rosto.

-Calma, o médico me disse que isso seria normal. - Rio, levantando da cama. - Que horas o Bruno chegará?

-Daqui umas duas horas. - Riley me ajuda. - Amiga, posso falar uma coisa?

-O que? - Passo pela porta depois dela.

-Você está enorme! - Ela ri, livremente.

-Eu estou carregando um ser de 50 cm dentro de mim. Um ser que está pesado, e eu engordei mais de 20kg! - Sorri, forçadamente. - Então sim, eu estou enorme. - Reviro os olhos.

-Ainda bem que Deus me fez lésbica.

-Deus não. Sua atração pelo órgão feminino.

-É...

-Eu sempre tive curiosidade de saber como... - Esperei que ela entendesse, e assim aconteceu. Ela ri, meio perdida e eu balanço a cabeça. - Melhor! Não sei se quero saber.

Bruno Pov's

Nós estávamos na sala, Riley sentada na poltrona e eu no sofá maior com a Amber, que gemia de dor. Segurava a sua mão, para lhe mostrar que estava ali com ela, mas isso é óbvio que não adiantava. Estava sentindo a sua dor ali, e queria tanto fazer algo para que parasse, porque doía em mim saber que ela estava daquela forma e eu não poderia fazer absolutamente nada. Já havíamos posto o carro estacionado na porta de casa, as coisas da maternidade, de Nathan e Amber, já estavam lá dentro. Marie fez algumas coisas para comermos, mas Amber comia um pouquinho e já não queria mais. Queria ir logo para o hospital, mas escutamos as recomendações do médico, sobre ficarmos em cada para esperar o tempo certo, porque no hospital não poderiam fazer nada. Eu estava mais nervoso que ela, confesso, e até as contrações ficassem mais fortes e um pouco mais de tempo entre elas, ai seria o momento de ir, mas isso estava demorando uma eternidade. 

Amber soltou um gritinho agudo e eu gemi de dor junto com ela, como se a dor das contrações viesse pra mim também. 

- Oh, meu Deus... - Sussurro, e largo suas mãos para segurar o seu rosto. - O que você quer que eu faça? 

-  Faz parar. - Amber choraminga.

- Você quer ir pro hospital? 

- NÃO. - Ela berrou, dolorida.

Ouvi a risada de Riley, achando graça da situação. Amber respira fundo, várias vezes seguidas, até que mais um grito invade a sala. 

- De novo? - Bruno pergunto, desesperado. - Quanto tempo passou?

- Não... Sei. 

- Riley. - Jogo a chave do carri para a Riley, que pega e levanta pra já. - Você dirige. Vamos esperar a bolsa estourar no hospital. 

Ajudei Amber a levantar, passando a mão pela sua cintura, e o braço dela sobre meus ombros - se eu fosse um pouco mais forte, a levaria no colo para não ter que estar passando por isso tudo. Ela solta mais um grito, respirando tão fundo quanto das outras vezes. Estávamos quase chegando no carro, era questão de passos. 

- Amor... A gente está quase lá. Só mais alguns passos, por favor. 

E, finalmente, chegamos no carro. Deitei ela no banco de trás, pegando o travesseiro que tínhamos posto dentro do carro. Fiz a volta no carro rapidamente e me sentei, colocando a sua cabeça repousada no travesseiro, em meu colo. Pedi que Riley dirigisse com cuidado, e ela zombou de mim, dizendo que eu estou mais nervoso que a própria Amber. O que não deixa de ser verdade. 

- Bruno... - Amber me chamou, e apertou a minha mão . - Conversa comigo, pra desviar a dor. 

- Hm... Está animada pra ver o Nathan? 

- Muito. - A resposta dela saiu como um grito, acompanhando a mão apertando firme minha. Pobre mão. 

- Estou profundamente desejando que ele tenha olhos verdes. - Apesar de ser uma distração, era uma verdade.

- Tá doendo! - Ela reclama, colocando a mão que não segurava a minha sobre a barriga enorme. 

- Eu sei, eu sei. - Beijo sua testa suada, ficando com os lábios ali por um tempo. - Já vai passar. 

Riley estacionou o carro no hospital, e já desceu para solicitar uma cadeira de rodas. A colocamos na cadeira, com o travesseiro escorado na cabeça, e corremos para entrar no hospital, levando tudo o que tínhamos de documentos da Amber e etc. Uma enfermeira começou a empurrar Amber por uma porta, e eu fui atrás, enquanto Riley ficou para preencher alguns papeis. 

- Ainda não estourou a bolsa? - Pergunta a enfermeira.

-Ai. - Amber grita de dor.

-Não, mas as contrações estão mais fortes. - Aviso-a. 

-Você não pode entrar. - Diz quando íamos passar por uma porta dupla. E Amber gemeu mais um vez. 

-Mas eu sou o pai. - Resmungo, reclamando. Me abaixo para ficar na altura da Amber.

-Ninguém pode entrar por enquanto, no momento certo o acompanhante irá ser chamado.
Suspiro impaciente, querendo desobedecer as regras e entrar com ela mesmo assim, mesmo eles querendo ou não. Ouço uma risadinha de Amber, que é um pouco abafada por um gemido. 

- Não xingue a enfermeira, por favor. - Beijei sua testa, e logo depois seus lábios. - Eu entro o mais rápido que eu puder. - Sussurro pra ela. - Vai dar tudo certo, eu te amo. 

- Eu te amo. - Ela me responde antes de ser arrastada as pressas para dentro. 

Me aproximei de Riley e a vi terminando de assinar os papéis. Ela me avisou que iria passar em casa, já que provavelmente ninguém viria a Amber por um bom tempo. Deixei ela ir e me sentei numa das cadeiras da recepção, pegando o celular do bolso. Mandei mensagens para os mais próximos, avisando onde eu estava e a situação. Recebi reclamações das minhas irmãs por não ter avisado antes, mais cedo, mas como eu iria pensar em avisar alguém daquela forma. Elas disseram que estavam vindo, e que passariam para buscar Violet. 

Levantei atrás de uma lanchonete, peguei um copo de café preto e fiquei atento à qualquer chamado que tinha. Voltei para a mesma cadeira que estava antes e balancei as pernas, ansioso e inquieto por alguma informação a mais. Peguei meu celular novamente, e gravei um vídeo de poucos segundos, balançando as pernas impaciente. Abri o instagram, e postei o vídeo com a legenda "Esperando para finalmente conhecê-lo". Em segundos o vídeo foi postado, e agora, além da América, o mundo todo está sabendo que meu filho irá nascer daqui a pouco.  E que eu sou um pai bobo e babão. Guardei o celular e escorei a cabeça pra trás, fechando os olhos, volta e meia abria para ver o movimento e aquele entra e sai de pessoas de tudo quanto era lado, até ver Violet entrar apressada pela porta. Abri um sorriso largo, me levantando, enquanto via Tiara e Jaime aparecerem logo atrás. Abracei todas elas e sorri, mostrando que estava nervoso. Mas depois de ouvir algumas palavras, consegui ficar menos e pensar numa única coisa: em algumas horas eu irei conhecer o meu filho! 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Capítulo 62 - lingerie beige and nicknames




Amber Pov's

Eu fui fisgada por Bruno há um tempo, temo que terminei com Finn e menti para mim mesma que o motivo seria a falta de fidelidade minha à ele. Fiquei temerosa com todas as coisas acontecendo, e fui me entregando aos poucos ao Bruno, que me acolheu. Entendo o que ele fez quando descobriu, as desconfianças... eu entendo tudo, consigo compreender. Então hoje, quando estávamos sentados a mesa e ele começou a falar tudo aquilo, fiquei com medo de ser mais uma imaginação, ou brincadeira. Me senti vulnerável à ele, e então me afastei para conseguir pensar. Já na cozinha, pensei tanto sobre nós, que fui ao encontro dele.
Me enganei quando, um dia, disse que estava perdidamente apaixonada pelo Finn. Eu não sabia o que era estar apaixonada até conviver com o Bruno e conseguir enxergar meu futuro ao lado dele, pai do meu filho. Sentia por Finn uma grande amizade, mas por Bruno é além de carnal! É sentimental.

Quando estávamos dentro do seu quarto, e eu finalmente disse o que estava em minha garganta, nos beijamos. Ele me segurou nos seus braços me mostrando uma incrível sensação de que eu poderia voar, nada que possa comparar a todas as pessoas pelas quais eu fiquei. Bruno é tão especial, e esse momento está se tornando mais ainda.

-Eu não quero lhe forçar a nada. - Disse quando a sua mão escorregou até minha bunda.

-Eu quero. - Gemo, próximo ao seu ouvido.

-Certeza?

Beijei seu pescoço em resposta. Andávamos até a beirada da cama, e quando Bruno bateu com as pernas, encostando na cama, eu aprofundei os beijos em seu pescoço, transformando em belos chupões de leve e mordidas pequenas, que faziam ele suspirar alto e puxar meu cabelo.

-Amber... - Levo minha mão até o meio de suas pernas.

Me viro, sentando na cama, e ele em minha frente. Abro o botão da sua calça e ele suspira profundamente. Abro a braguilha e sorrio, mostrando que realmente quero fazer aquilo e quero acertar, já que da outra vez provavelmente ele não tenha gostado tanto. Abaixo suas calças, deixando exposta a sua cueca. Passo minhas mãos sobre seu membro e o acaricio de leve.

Quando tirei suas cuecas até a altura dos seus joelhos, ele suspirou mais uma vez, juntando meus cabelos para trás. Pego no seu membro e começo a alisa-lo, masturba-lo, passando a língua sobre a glande, de leve, tentando deixa-lo mais excitado se é que era possível.

Abocanho-o com prazer, fazendo um movimento limitado, somente na glande, e aumentando aos poucos. Conforme eu aprofundava mais o seu membro em minha boca, mais ele gemia, acho que estava fazendo o certo. Mantive o contato com seus olhos, e mantive minha mão o masturbando para ajudar.

-Ah! - Geme tão alto quando tento enfiar todo o membro na boca, engasgando um pouco. - Meu Deus, Amber. - Ele diz, passando a mão nos meus cabelos e forçando um pouco a minha cabeça. - Eu não aguento tanto tempo.

Puxei minha blusa pra cima, tirei meu sutiã rapidamente, e continuei a chupa-lo, mas Bruno entendeu que se ele precisasse fazer o que teria que fazer, seria nos meus peitos. Arranhei a sua barriga, e limitei meus movimentos, deixando bem ralos, para dar mais tesão. Bruno então começou a gemer mais alto, e fechou os olhos, pegando o membro em mãos e despejando tudo sobre meus peitos. Passo a mão sobre o líquido, fazendo uma cara nojenta, e ele ri, se inclinando para me beijar.

-Isso foi incrível! Obrigada. - Depositou um selinho em minha boca.

-De nada. Só queria que tivesse prazer comigo.

-Eu sempre tenho, e quero fazer com que você tenha.

-É? - Dou um sorriso sacana.

-Não faça essa cara de puta doce, Amber. Ou daqui a pouco vamos para a segunda rodada.

Não tento escapar das suas carícias. Deixo ele me despir, ficando completamente nua, com vergonha de estar nas mesmas condições do que ele me encontrou da outra vez. Pensei que teria nojo quando abri minhas pernas, mas ele sorriu, beijando minha barriga, e trilhando até minha intimidade completamente úmida. Começou de leve, com sua língua sedenta, tentando me levar a loucura mexendo bem no meu clitóris, depois passou os dedos e introduziu dois em mim, fazendo arquear as costas, gemendo. Chupou de leve, e investiu com os dedos, aumentando o ritmo. Se ele ficou nisso por muito tempo, eu não sei, mas cheguei no meu ápice rapidamente, sem sentir tanta coisa como pensei que sentiria. Quer dizer, o oral foi maravilhoso, mas pensei que entraria em loucura, mas no final foi apenas normal. Bruno beijou as minhas coxas, depois beijando a barriga, e vindo por cima de mim com cuidado.

-Você é incrível! - Beijo de leve a sua boca.

-Eu sei. - Seu sorriso de lado me desarmou.

-Vai dormir como fez na nossa primeira vez?

-Pra quê dormir quando eu posso deitar ao seu lado e ficar conversando, ou partir para um maravilhoso segundo round.

-Essa ideia de segundo round é boa. - Passo a mão nos seus cachos.

-Não irei machucar o bebê?

-Acho que não, só tente não ir muito afundo.

+++

Ele cai ao meu lado na cama depois do tão dito segundo round. Havíamos feito com tanto cuidado, que mal pensamos em chegar num orgasmo, apenas queríamos nos tocar mais e mais. Me encarou, com um riso exposto nos lábios.

-Uau. - Bruno ri, e me puxa para deitar a cabeça sobre o seu peito descoberto. Passo a unha na sua barriga nua, e ele se arrepia completamente. - Sabe o que eu queria fazer agora?

-Não. - Escutei a sua voz bem próxima ao meu ouvido. Então ele me beija delicadamente, e eu me arrepio. - O quê?

-Hm... - Passou os dedos em meus cabelos emaranhados e se ajeitou um pouco na cama. - Queria te levar no colo para tomar banho, mas... Nathan está enorme, gordo, e eu não sou tão forte assim.

Começo a rir, imagino se ele tentasse nos levar provavelmente cairíamos no chão no mínimo. Beijo seu peito e levanto o olhar o máximo possível.

-Tem que ir para a academia, papai. - Provoco-o e mordisco os lábios.

-Não faz essa carinha, nem me chama de papai enquanto eu não puder ir fundo em você, por favor. Estou aguentando para não partirmos para um terceiro round.
-Você é insaciável, Bruno.

-Deveria ter avisado isso desde o inicio. - Ele beija o topo da minha cabeça. - Já que eu não posso carregar você, está convidada para um banho comigo.

Levanto logo depois dele, mas estaciono sentada na cama. Bruno estava nu, assim como eu também, mas ele parecia não se importar com isso, ergueu as sobrancelhas quando viu que eu o observava. Sorriu e esticou a mão para me ajudar a levantar.

-Você é linda, eu sou lindo, nós transamos, não precisa ficar com vergonha. - Ele me puxou.

Me senti tão envergonhada com ele me encarando completamente nua, minhas bochechas estavam, literalmente, queimando. O olhar dele passou por tudo o meu corpo, e um sorrisinho escapou entre seus lábios. Entramos no banheiro, e Bruno já foi ligando a torneira para encher a banheira.

-Não tem uma dessas no meu quarto. - Resmungo, encostada em um dos balcões.

-Pode usar quando quiser. - Ele despeja algum líquido na água, com um cheiro delicioso. - Se eu estiver usando, principalmente.

Dou a língua para ele, que faz cara de tarado pervertido .

-Esse cheiro é maravilhoso. - Respiro fundo, adorando o cheirinho que se propaga por ali.

-É de rosas. - Bruno passa a mão sobre a cama de espuma que se formava na banheira e estica a mão pra mim. - Vem!

Me ajudou a entrar, e puxou-me quando ameacei sentar do outro lado. Bateu na água, dizendo para sentar entre suas pernas. Sentei lentamente, já que a temperatura da água até acostumar é estranha, e me rescostei nele, que transpassou as mãos  pelo meu corpo, alcançando minha barriga.

-E aí, filho? - Rio, e balanço a cabeça de leve. - Ansioso para vir conhecer o papai?

Acho que Bruno esperava por algum chute, mas não aconteceu. Nathan continuou quietinho, então ele apoiou a cabeça sobre meu ombro, colocando meu cabelo para o outro lado.

-É oficial? - Ouço-o perguntar. - Digo, eu e você? É oficial? Estamos namorando? - Percorre um fio de arrepio sob a minha coluna, se espalhando por todo meu corpo.

-Eu não sei. - Tento virar a cabeça para encara-lo. - Você pediu? Porque estou fazendo um esforço para lembrar. - Rio e ele deposita um beijo em minha bochecha.

-Não acredito que quer que eu diga com todas as palavras.

-Por favor. - Peço.

-Okay... Nathan, pergunta pra mamãe... - Começo a rir enquanto ele falava isso próximo ao meu ouvido, com os olhos fixos em minha barriga. - Pergunta pra sua mãe se ela quer dividir a vida comigo. Quer ser minha... Em todos os sentidos. - Beijou meu pescoço, dando muitos selinhos. - Pergunta se ela quer namorar comigo?

-Com beijos no pescoço e uma banheira confortável, é golpe baixo. - Respondo baixinho.

-Você quer namorar comigo, Amber?

-Vai me deixar te chamar por apelidos broxantes, se eu aceitar? - Pergunto.

-Se você não usar lingerie bege, eu deixo. - Beijou meu pescoço mais uma vez, abafando o riso. - Você aceita? De verdade?

-Hmm... - Faço cara de pensativa, e ele belisca meu braço. Gargalho alto, pondo a mão no local. - Se for para me agredir, não aceitarei.

-Desculpa. - Ele vê meu beicinho esticado, coloca a mão sobre a minha no braço.

-Eu aceito, só me deixe pensar em alguns apelidos.

Seu corpo aperta bem o meu, me envolvendo num abraço aconchegante, sua mão repousa em minha barriga novamente e incrivelmente eu sinto uma conexão. Sussurrou em meu ouvido, com a voz meio rouca:

-Eu, você e o Nathan. Acho que eu posso viver feliz pelo resto da vida, sim? - Esperou uma confirmação minha. Balanço a cabeça de leve. - E você?

-Acho que eu também.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Capítulo 61 - Happy


Cheguei em casa em torno das seis horas. Riley estava na sala, e quando apareci, ela avisou que teria que sair e que voltaria tarde. Agradeci por avisar e perguntei sobre a Amber. Fui até o seu quarto, e a achei sentada na cama, olhando para um caderno de desenhos, com expressão ansiosa, mas duvidosa ao mesmo tempo. Fecho os olhos, e fico ali mesmo. Imagino como seria uma vida ao lado dela, criando nosso filho juntos... Balanço a cabeça negativamente e rio, baixinho, mas não o suficiente para não alerta-la de que estava ali.

-Bruno! - Vejo um sorriso grande se abrir, ela se prepara para levantar.

-Eu! Espere que eu vou ai. - Incrível uma semana e meia que fiquei fora, e meu filho já está maior, e ela está tão radiante. - Tudo bem? - Pergunto enquanto a abraço de mal jeito.

-Tudo! - Responde com um sorriso. - E você? Está há muito tempo aqui?

-Cheguei faz uns... - Olho para o despertador relógio ao lado de sua cama. - Meia hora.

-E estava rindo de mim há quanto tempo?

-Eu não estava rindo de você. - Balanço a cabeça de leve, sorrindo em meio de uma risada boba, e ela arqueia a sobrancelha. - Vamos jantar o que?

-Você que sabe. Pergunte para a Riley...

-Riley foi sair, não sabe que horas irá voltar!

-Cretina! Deve ter saído com a namorada, ou sei lá do que chamamos.

-Ainda acho estranho falar dela com outra mulher.

-Porque? - Pergunta, se ajeitando na cama.

-Porque, sei lá. - Dou de ombros. - Só é estranho. Vou pedir a comida.

Me perdi dentre os números de restaurantes. Queria poder leva-la para algum lugar, mas eu quero resolver tudo, tenho tantas questões para fazer que preciso saber de uma resposta pra me sentir um pouco melhor. Ligo para o serviço de comida italiana, e encomendo.

Sinto uma confusão dentro de mim, principalmente depois que fui para Nova Iorque. Duas semanas, praticamente, longe dela e longe do meu filho, me deixaram mal. Fiquei tão pensativo sobre tudo que está acontecendo e que aconteceu. Se fosse outra pessoa que estivesse carregando o meu filho, seria diferente. Poderia ser pior, mas Amber entende tudo ela consegue olhar o seu lado sem deixar de ver o meu, sem deixar de ver o que suas decisões irão afetar. Ela é humana o suficiente capaz de amar e sentir pelos outros. Amber se coloca pra baixo de uma maneira irreal. Ela é mais do que isso, e consegue ser bem melhor do que esperamos. E eu preciso disso acima de tudo, e eu vou arriscar!

Arrumei a mesa, do mesmo jeito que minha mãe arrumava quando era alguma ocasião especial. Larguei os brinquedos e roupinhas no quarto de Nathan e andei até o quarto de Amber.

-Eu pedi comida italiana. - Adentro seu quarto, depois de sua permissão.

-Ok. Obrigada. - Sorri, apoiando para levantar-se.

-Amber? - A chamo, e seu olhar me acompanha. - Pode ser italiana mesmo? Ainda posso trocar. Chega bem rápido.

-Bruno, está ótimo.

-Certeza?

-Sim. Porque está tão nervoso? -  Ela já estava perto de mim quando perguntou isso. Passo a mão na lateral do meu corpo, suando.

-Eu não estou nervoso. - Respondo ajudando-a a descer as escadas.

-Bruno, o que foi? - Amber ri, e eu não sei o que dizer. Acho que realmente posso estar mostrando nervosismo. Mas não queria.

Nego, dizendo que não ouve nada, e continuamos a descer. Estava tudo pronto, e Amber se encantou quando viu o que preparei, mas mantinha um ponto de interrogação no olhar, sustentando a dúvida do sobre o que se tratava toda aquela produção. Queria ter levado, realmente, ela a algum restaurante, mas se eu falar algo, prefiro que não seja tão aberto, queria algo mais privado e nada melhor do que o conforto da própria casa. Isso se sair algo da minha boca, pois dessa forma que estou, duvido. Tenho medo do que possa ouvir dela.

Busquei a comida na porta e peguei vinho sem álcool para nós dois. Servi a comida e o vinho, e Amber ficou toda boba, pegando a taça em mãos.

-Qual é a dessa arrumação toda? - Olhou para a mesa e para o vinho.

-Apenas coma. - Sorrio, sendo retribuído lindamente.

Beberico o vinho, dentre uma garfada ou outra, atento à todos os detalhes de Amber. Ela percebeu que eu a observava, corou o rosto num vermelho leve e abriu um sorriso de leve, sem mostrar os dentes, denunciando mais ainda a sua vergonha. Ela me empurra, no braço.

-Você está linda. - Digo erguendo as duas sobrancelhas.

-Eu estou gorda. - Revira os olhos, gargalhando.

-Está linda. - Repito.

-Obrigada. - Abaixou a sua cabeça e eu a encarei, levando minha mão até sua barriga.
-Vermelha fica mais bonita ainda. - Amber vira o rosto para o lado, reprimindo um sorriso, morrendo de vergonha.

Colocou a língua pra fora, de brincadeira para mim. Terminamos a janta minutos depois, e eu estava soando frio, com medo de falar algo e estragar tudo, mas eu preciso descobrir se é isso que estou sentindo, mas tenho tanto medo dela dizer algo que eu não queira ouvir. Respiro fundo, pensando que aquele era o momento, precisava aproveitar. Seguro a sua mão quando ela larga os talheres ao lado do prato, e chamo a sua atenção.

(Música)

-Você está gelado.

-Estou nervoso. - Arregalo os olhos, levemente.

-O que aconteceu?

-Amber, você gosta de mim? - Preferi ir diretamente ao assunto. Ela se assustou, arregalando os olhos. - Nada sério, Amb. Mas você gosta de mim? O suficiente para não sair correndo quando o Nathan nascer?

-Que pergunta é essa? - Ela ri.

-Me responda. - Aperto um pouco mais a sua mão.

-Bruno, você acha que eu teria vindo morar aqui se eu não gostasse de você?

-Então você gosta. - Sorrio, um pouco mais aliviado, talvez. - Mas, pensa em sair daqui quando o Nathan nascer?

-Talvez! Eu não quero viver empatando a sua vida. Assim que ele nascer vou começar a tomar algum rumo, achar algum lugar, para devolver a sua privacidade.

-Porque? Essa casa é grande demais. - Gesticulo o espaço com as mãos. - Dá para nós todos.

-Eu sei, mas um dia vai enjoar...

-Não diga isso, pois eu não vou. Você faz com que os dias nunca virem rotinas chatas. Não é a mesma coisa quando você não está, é como se faltasse metade do que eu realmente sou.

-Tá legal. - Ela puxou sua mão de leve. - O que é isso?

-Eu gosto de estar na sua companhia, ao seu lado, perto de você. - Ameaço a gaguejar, mas seguro essa ansiedade de falar tudo do nada.

-Eu também gosto de estar com você. Senti muitas saudades sua quando foi para Nova Iorque. - Meu coração palpita rapidamente.

-Você sabe do que eu estou falando, não é, Amber?

-Eu não sei. - Ela balança a cabeça. - Desconfio, mas tenho medo de estar pensando errado.

-Não, você não está. - A olho firmemente.

-Estou tentando entender então.

-Amber... A vida é assim mesmo, feitas de altos e baixos, pra alguns existe mais baixos do que altos, mas até assim as pessoas tem altos. Entende? - Continuo minha explicação enquanto ela olha-me confusa. - Quando eu soube pensei que seria um baixo na vida, afastei-me dos meus compromissos e não honrei meu nome com você, mas eu não quero ser essa pessoa! Eu me dei de conta o quão maravilhosamente duas pessoas podem me deixar feliz e completo. Eu quero vocês na minha vida! - Encostei de leve em sua barriga e ela arrastou a cadeira um pouco pra trás, franzindo a testa.

-Que?

Eu sou um imbecil! Penso comigo mesmo.

-Isso, Amber. - Respiro fundo. - Se eu pudesse desejar uma coisa, eu desejaria você.

-Onde mudou tudo isso? - Ela estava nervosa. - Quer dizer, eu ainda estou tentando entender, está confuso. - Balançou a cabeça, levando a mão nela.

-Isso começou talvez desde o instante que você me poupou de escândalos. Percebi que era diferente, que era melhor. Depois nós fomos pegando amizade, e você veio pra cá, só que os beijos diários, e a nossa transa, não foi em vão. Eu estava alimentando algo que não sabia que existia.

-Bruno...

-E toda a vez que eu cantava, eu percebia que a única opinião que me importava era a sua. - Levanto da cadeira, me abaixando a sua frente, pegando a sua mão que agora também estava gelada. - Eu poderia ter qualquer uma, sair por aí procurando alguém, mas eu não quero. Eu quero você, entende?

-Eu estou confusa.

-Desculpe... - Baixo a cabeça e ela puxa a sua mão.

-Vou tirar a mesa. - Ela pede licença para que eu saia da sua frente e assim eu faço.

Amber saiu, pegando os pratos e o resto da louça que estava sobre a mesa, e eu ainda fiquei ali parado, feito um idiota, me martirizando por ser tão otário. Quando foi que eu pensei que ela sentiria algo por mim? Mas parece tão intenso que achei certo tentar. Queria apagar isso da minha cabeça, se sentir apaixonado é uma droga. Você tem tendências à ser um idiota, continuar sendo, e mais ainda quando se declara. Amor deve ser algo pra guardar dentro de si, porque se for para sentir esse vazio e essa angústia que estou sentindo agora, é preferível que sofra sozinho. Como eu vou encara-la? Como vou dizer bom dia sem sentir vergonha de pensar em beijar a  sua boca, quando na verdade ela quer um beijo na testa. Amber é a mãe do meu filho, é minha amiga... É tão injusto isso.

Ela não voltou, mesmo depois de dez minutos. Então peguei meu celular e saí da sala-de-jantar. Andei para a sala e de longe encarei a escada. Posso ir pro meu quarto e dormir, acho que é a melhor opção.

Subo devagar, passando a mão no corrimão. Vou ignorar isso que aconteceu, vou agir como se não tivesse dito nada. Aliás, onde estava minha cabeça? Ela deve gostar do Finn, e eu a pressionando. Passo pelo corredor, abrindo a porta do meu quarto, a empurro sem nem olhar e caminho em direção a cama, mas a porta não fez barulho.

-Au! - Amber ri. Giro os calcanhares em direção da porta e ela está lá. Tive calafrios sem explicação.

-Se machucou? - Chego mais próximo dela.

-Não, só bati o dedo. - Ela me mostra o dedo indicador meio vermelho por ter batido. - Já ia dormir? - Havia ficado um silêncio estranho entre nós.

-Estou cansado. Nova Iorque levou minhas forças. - Rio para descontrair.

-Bruno... - Meu peito se aperta quando sinto que ela falará algo a respeito do que falei pra ela.

-Não precisa se desculpar... - Digo, e dou um passo pra trás. - Eu me precipitei, eu sei. Você ainda pensa no Finn, eu sou um idiota. Desculpa. Vamos agir como se aquela conversa não tivesse existido, ok?

-Ok.

Ok? Não! No mínimo ela tinha que me intervir, falar algo que queria acrescentar ao meu discurso patético de gostar, e não a bosta de um ok que concorda que não iremos falar sobre aquilo!

-Só queria dizer obrigada. - Sorriu, baixando a cabeça. - Por ter me abrigado, me acolhido, confiado em mim. Você fez muito por mim, e eu sou extremamente agradecida.

-Não tem de quê. Você merece.

-E é por você ser maravilhoso  que eu não quero deixar de sentir isso.

-Sentir o que?

-Esse friozinho na barriga quando chego perto de você. Esse frenesi que meu corpo se remete quando nos encostamos. - Ela adentra meu quarto. - Você teria milhares de mulheres para se apaixonar, e se apaixonou logo por mim. - Ela torce os lábios. - Fico feliz que tenha sido por mim, pois não saberia o que fazer alimentando o gostar de você sabendo que não sentia a mesma coisa por mim.

-Amber? - Queria entender se o que eu escutei era realmente real. Ela balança a cabeça concordando, deixando os olhos marejados. Eu sou homem, mas os meus olhos ficaram da mesma forma. - Você vai me deixar te amar?

-Eu acho que sim. - Ela diz tímida.

-Vou fazer você sentir por mim o que eu já sinto por você. - Dou três passos e fico na sua frente.

-Eu já sinto, Bruno. É intenso e muito forte. Constatei isso momentos depois que fiz a ligação para o Finn terminando com ele. Queria e não tinha coragem de admitir, pois pensava que isso poderia ser bobagem.

-E não é!

-Não é. - Repete comigo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Capítulo 60 - I miss you




Rimos de algumas coisas de fã que Violet falou. Fiquei impressionado quando Amber me falou dos surtos que a irmã dava quando eu lançava algo, ou falava. Disse que seu quarto é repleto de coisas minhas. Violet levantou para ir ao banheiro e eu afastei o prato, satisfeito.

-Hey. - Diz Riley, que apóia um braço na mesa. - O que está rolando entre vocês? 

Ficamos em silêncio, nos encarando de forma estranha. Não fazia ideia do que poderia falar, garanto que Amber também não. 

-Sem cerimônias, estamos só nós aqui. - Ela gesticulou. - Vocês estão tendo algo?

-Não. - Respondo.

-Eu acho. - Amber falou na mesma hora, mas minha voz prevaleceu por eu ter falado mais alto. 

-Nós ficamos algumas vezes, mas nada demais.

Havia um ponto de interrogação no rosto de Riley. Amber baixou a cabeça e balançou. Sinto que fiz alguma bobagem, mas o que eu iria falar? Que nós temos algo? Porque eu não acho que tenhamos algo, nós damos alguns beijos, mas não passa disso. E fomos uma vez pra cama depois que ela ficou grávida. O que eu deveria ter dito? Violet retornou a mesa, e nós estávamos calados, mas logo engatamos em algum assunto.

-Vocês me deem licença, estou cansada. - Amber levanta, colocando a cadeira no lugar. - Boa noite. - Mandou um beijo para Violet e Riley, e mal olhou pra mim. 

Meu peito se retorceu, e ao mesmo tempo que eu queria perguntar o que aconteceu, eu também queria voltar no tempo e não ter dito aquilo, como também tô com vontade de sacudir-lá e perguntar qual é essa palhaçada das mulheres?! 

-Bruno? Acho que ela ficou magoada com algo. 

-Com o que? - Pergunto mais baixo, enquanto Violet olhava para o celular. 

-Ela está com os hormônios confusos. Ela está confusa. Vi que ela falou algo contraditório ao que você falou. Não queria ter causado isso. - Ela torce os lábios.

-Você não causou nada, isso são hormônios e daqui a pouco passa. - Dou de ombros.

Por mais que eu quisesse pensar que daqui a pouco passaria, eu não conseguia. Mostrei para as meninas onde iriam dormir e as deixei à vontade. Passei para o meu quarto, mas a porta do seu me chamou mais atenção. Dei duas batidinhas antes de abrir a porta.

Ela estava deitada, de barriga pra cima e descoberta, apenas com um top, calça confortável de moletom e apenas o abajur ligado. 

-Com licença. - Apenas seus olhos me viram, de canto, e ela não moveu um músculo, continuo a olhar para o teto. -Amber? - Sentei ao seu lado na cama. - Você está bem?

-Sim. - Responde suave.

-Quer algo?

-Não, estou bem. - Responde de voz aveludada. 

-O que aconteceu? Foi algo que eu falei?

-Não, nada aconteceu, apenas estava cansada. Foi um dia e tanto.

-Isso é. - Tomei liberdade para me recostar na guarda da cama. - Amber? Eu sei que falei algo que lhe deixou assim, e eu gostaria de explicar que eu estava sem saída. Não sabia o que falar. 

-Geralmente, - Ela suspira fundo. - quando não sabemos o que dizer, permanecemos calados.
Foi uma, duas, dez facas em meu peito.

-Mas nós tivemos algo? - Pergunto, olhando diretamente nos seus olhos. Ela vira a cabeça juntamente do seu corpo, para o lado em que estou, coloca as mãos embaixo do rosto. 

-Não sei, me diga você. 

-Eu...

-Não diga. - Ela sorri fraco, fechando os olhos. 

-Por mim, sim, mas eu não sei de você. 

-A verdade é que falamos de tudo, fazemos de tudo, mas nunca fomos honestos com a situação. - Ela mantém os lábios numa linha reta.

-E isso quer dizer o que? 

-Que temos que ser honestos.

-Posso começar pedindo desculpas, do fundo do meu coração? - Passo a mão nos seus cabelos, por sua cabeça.

-Desculpado. 

-Eu juro que se soubesse que você iria dizer algo, eu não teria dito aquilo. Falei apenas porque pensei que seria o que você iria dizer, e agora me sinto um idiota.

-Não se sinta assim. - Ela pisca os olhos pesadamente.

-Desculpa, vou deixar você dormir.

-Eu não estou com sono.

-Não está com pouco, quis dizer? - A faço rir. - Boa noite, Amb.

-Boa noite, Bruno.

Me aproximo do seu rosto para depositar um beijo em sua bochecha, mas o ímpeto de seguir com aquilo foi mais forte que eu, então escorreguei meus lábios pela sua boca, e depositei um selinho, onde ela abriu para que seguíssemos com um beijo, que não demorou quase nada. Fechei a porta do quarto e me encostei nela, como um idiota, pensando no que tinha acontecido durante o dia, e principalmente no seu beijo. Isso está ficando tão intenso, e eu não estou aprendendo a controlar a situação.

+++

Briguei pela décima vez com o programa de desenho do meu notebook que não queria abrir, e então desisti, deixando o notebook ligado sobre a mesinha de centro. Liguei a televisão para ver se me sentia mais a vontade e não tão sozinha.

Bruno viajou há três dias, e eu passo o dia com a Marie e à noite Riley dorme aqui comigo. Hoje, Marie teve que sair mais cedo, então permaneci em casa, sozinha, só esperando a hora de Riley chegar. Ele está em Nova Iorque, arrumando coisas do lançamento, e gravando o SNL que foi convidado. É um grande salto pra carreira dele, principalmente após a música que lançou, que está fazendo muito sucesso, além do vídeo clipe estar bombando em tudo quanto é televisão.

-Mars, você é um sucesso. - Passo a mão sobre a barriga e sinto um pequeno revertério.
Levanto do sofá e procuro comida na cozinha.

Com esse negócio de entrar no oitavo mês daqui à uma semana, eu estou indo no médico todos os dias. Ganhei 18 quilos e meu bebê está bem gordinho e grande. Ele chuta, brinca, e se acomoda quando eu preciso descansar. Chuta menos do que antes, porque agora minha barriga está literalmente quase explodindo, e não tenho espaço nem pra minha bexiga, quanto mais para ele dar voltas dentro de mim.

Essa semana passada foi bem estranha. Tive que ir ao médico e pela primeira vez, senti a sensação de estar sendo observada, até que Riley me alertou sobre um paparazzo parado no outro lado da rua. Mas esse não foi o ponto alto, já que ainda ninguém sabe quem sou, o ponto alto foi saber que Belle e Finn estão bem próximos. Eu já havia imaginado que isso poderia acontecer, mas ainda me incomoda um pouquinho por dentro. Não sei se houve beijo, ou se foi só um jantar, mas está havendo algo entre eles. Fui ao banheiro e quando saí, me deparei com pensamentos idiotas que me fizeram sorrir. Bruno deixa essa casa tão mais alegre.

Bruno Pov's

Fazia frio em Nova Iorque. O estúdio estava quentinho, por conta do ar condicionado, mas foi só sair de lá que voltei a tremer o queixo. Estava todo encasacado, querendo logo chegar no quarto do hotel para poder ligar para Amber e saber como ela está. Lá está mais cedo que aqui, então suponho que ainda esteja acordada. Os caras se separaram, cada um para o seu quarto. E eu entrei no meu, já discando o número dela. O mais incrível disso tudo é que eu me acostumei com ela na minha casa, e agora o tempo está acabando e daqui a pouco ela vai querer voltar para a casa da amiga, ou alugar algo pra si.

-Alô? - Ouço sua voz suave.

-Oi, boa noite. - Respondo.

-Como está? Como está Nova Iorque?

-Estou bem, e Nova Iorque está gelada. - Sento na cama, retirando o casaco. - E vocês, estão bem? O que estão fazendo?

-Estamos deitados, tentando fazer o programa de desenho funcionar, mas esse notebook é uma bosta.

-Então larga esse programa e liga o skype pra mim. - Foi a primeira ideia que tive.

-An... ok, mas eu estou um caco. Hoje eu não fiz nada, e estou praticamente sozinha.

-Onde está a Riley? - Levanto para achar meu notebook.

-Ela chegou cansada. Jantamos e ela foi dormir.

-Ah.

Enrolamos mais um pouquinho e eu desliguei o telefone para conseguir me concentrar no notebook. Conectei o wifi, e liguei meu skype esperando que ela ficasse online de uma vez.
Ajeitei o ar condicionado, aumentando bastante, por isso me vi livre da camiseta. Frio não é pra mim. Vesti calça de moletom e retornei para a frente do computador. Não precisei chama-la, pois logo que ela entrou, já apareceu sua solicitação de chamada de vídeo na tela. O barulho mostrava que ela estava conectada ali, e eu também, mas no entanto a tela estava preta e eu só ouvia a sua voz.

-Hey.

-Hey, Amb. - Eu aceno para a tela, sem nem saber se ela está me vendo, porque não consigo vê-la. - Consegue me ver?

-Hm... - Ouço o barulho dos teclados. - Consigo.

-Não consigo ver vo... - Sorrio feito bobo quando ela aparece na tela. - Agora sim.

-E ai, como está tudo?

-Ótimo. - Ajeito o notebook no colo, apoiando as mãos atrás do pescoço. - Um pouco, muito, de frio, apenas. E ai?

-Normal. - Observo seus olhos percorrerem pela tela, posso jurar que ela está olhando para os meus braços. - Está animado com tudo?

-Muito! Vão me colocar num vestido, acredita? - Começo a rir lembrando de todos meus personagens. - Muitas entrevistas! Tudo agitado, mas nada que eu não dê conta.

-E eu aqui... Apenas casa, sofá, comida, banheiro, televisão... Acordando tarde.

-Que vida boa, Amber Lucy!

Nós rimos, e quando ela fecha os olhos para gargalhar, aproveito para fita-la. Ela tem algo de especial, tudo nela me faz pensar que ela é um anjo.

-Como está o Nathan? - Lembro rapidamente da barriga enorme.

-Agitado, grande, e espaçoso.

-Hey, meu filho não é espaçoso.

-Fala você que se espalha pela cama à noite.

-Ele só está sentindo falta do papai. - Me gabo, e ela ri novamente.

-Talvez... - Sorri, limpando algo na tela. - Sabe o que tocou na rádio hoje?
-Hm?

-Sua música. - Ela bate palmas, falsas, sem fazer barulho e faz uma careta engraçada. - Está sendo um enorme sucesso.

-Obrigada. - Sorri, orgulhoso do meu trabalho. - Vou cantar pela primeira vez essa semana. - Levo a mão na boca, em espanto.

-Eu sei, Violet vem assistir comigo. - Ela dá de ombros. - Espero que não se importe... Tem algum problema?

-Está casa é tão sua quanto minha, então, problema algum. Fique a vontade, Amb.

Conversamos mais alguns assuntos banais, mas geralmente sobre minha carreira e a música. É tão empolgante falar nela, ver onde eu cheguei e onde eu estava antes disso. Nós ríamos de qualquer besteira, e eu contava algumas situações pra ela. Peguei os brinquedos que havia comprado para o meu filho e algumas roupinhas. Mostrei todos à ela.

-Você vai deixar a criança mimada. - Ela reclama quando mostro o último. - E essas musicas vão irritar e enjoar.

-Eu tiro a pilha, qualquer coisa. - Rio, largando o brinquedo. - E são só alguns brinquedos, não faz mal.

Amber revira os olhos, ia falar algo, mas levou a mão na boca por conta de um bocejo. Ela deve estar cansada, e eu também estou, admito. Fiz o mesmo que ela, porque é inevitável bocejar quando alguém boceja. Rimos juntos, baixinho.

-Acho melhor eu ir dormir. - Ela continua sorrindo. -Se cuida.

-Vou me cuidar. - Sorrio de volta. - Boa noite, Amb.

A vejo se curvar, e fico encarando seu rosto, ela iria desligar, mas eu precisava dizer que estou com saudades dela. Aperto minha mão contra minha coxa, e a interrompo.

-Amber?

-Bruno? - Ela imita-me, usando o mesmo tom.

-Estou com saudades.

Falei rápido antes que pudesse me arrepender. E minhas bochechas esquentaram de vergonha, e minha cabeça pareceu até doer quando ela apenas sorriu, e não respondeu nada sobre isso. Eu sou um completo idiota, otário.

-Bruno? - Olho para o notebook, ela está mais próxima da tela. - Eu também estou com saudades. Boa noite.

Ela desligou. Não deu tempo nem de ver ela mais um pouco e a chamada foi finalizada. Meu Deus como sentia saudades dela. E agora fiquei feliz por saber que ela também sente. Isso pode ser recíproco. Fechei meu notebook, colocando na mesinha, e empurrando os brinquedos na sacola para o lado da cama. Encostei a cabeça no travesseiro, e sorri. O pensamento levado àquela chamada de vídeo, onde ela também disse que estava com saudades, me fizeram dormir.

No alto da madrugada, no meio do sono, sou despertado pelo toque do meu celular. Atendo sem nem ver quem é, mas com receio, pois ligação de madrugada sempre é acompanhada de notícia ruim.

-Alô? - Falho a voz, pelo sono.

-Bruno? Consegue me ouvir? - Ouço a voz baixinho de Amber. Pulo, sentando na cama rapidamente e despertando de vez.

-Oi, consigo sim. Aconteceu algo?

-Não... Na verdade sim, eu não sei.

-O que houve? Você e o Nathan estão bem?

-Sim, foi um susto grande, mas passou.

-Não consigo imaginar o que tenha sido. - Balanço a cabeça, tentando me aliviar.

-Começou um temporal aqui, e eu havia me esquecido da janela do quarto aberta, então ela bateu e eu me acordei, com medo. Eu precisava falar com alguém.

-Shiii, calma. - Peço. - A chuva já passou?

-Não! O tempo está horrível.

-Você não tem medo de tempestades, nem de trovões e raios... - Digo, pensando alto.

-Não tenho, mas hoje eu levei um susto. Você está bem?

-Sim.

-Desculpa te acordar, eu só precisava... Precisava ouvir sua voz.

Paro por segundos nesse instante. Rebubino a fita em minha cabeça com a parte de que ela precisava ouvir a minha voz, e alimento meu ego de uma forma estranha. Não sei como chama o que estou sentindo, mas fiquei realmente feliz por isso.

-Ah, está tudo bem, eu estou aqui. - Tento conforta-la. Ouço sua risada baixinho. - Você precisa dormir, e deixar o pobre Nathan descansar também. Estarei em casa daqui há uns dias.

-Quantos?

-Cinco, talvez. - Torço os lábios.

-Obrigada, Bruno!

-De nada, Amb. Boa noite.

-Beijos.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Capítulo 59 - Hangout "slightly"



Bruno Pov's

Sai da sala pois não iria ficar para assistir ela sair pra encontrar ele. O que ela quer vendo ele? Ele é um idiota. Amber tem tudo o que precisa, ela não precisa dele pra nada. Depois que vi o carro saindo, voltei para a sala, com uma lata de soda nas mãos, sentei de frente para a televisão e liguei em qualquer canal.

 O tempo passava tão devagar, que já estava me deixando estressado. O que será que esse cara não deve estar falando pra ela sobre mim? Garanto que me difamando, dizendo que eu não presto e aposto que disse que fui eu quem começou a briga. Ando de um lado para o outro. Me preocupo com o que ele vai dizer, é óbvio. E se eles voltarem? Será que Amber sairia daqui para morar com ele? Não, ela não faria isso...Pego meu celular sobre a mesinha de centro e disco o seu número. Ela demorou, mas atendeu. 

-Alô?

-Oi, é, Amber? Vai demorar muito? - Não sabia o que dizer. 

-Porque?

-Tenho que conversar com a Violet sobre amanhã. - A primeira desculpa, esfarrapada, que me vem a cabeça.

-Ah, eu estou indo pra lá. Quase chegando.

-Ah... Ok! Então, tchau.

-Tchau, Bruno.

Descanso meu corpo, me tocando no sofá. Graças à Deus ela não está mais ao lado dele.
O nervosismo toma conta de mim mais uma vez. Agora não mais pela Amber, já que sei que ela está segura sem ele por perto, mas sim pelo hangout se aproximando. Acho que é tanta coisa ao mesmo tempo, que me deixa meio tonto. Esse final de ano vai ferver. Tem esse hangout, depois meu aniversário, depois um bando de entrevistas e apresentações, halloween, ação de graças, lançamento do CD, natal, nascimento do meu filho, ano novo... Haja coração pra aguentar tudo isso.

E ainda haja cabeça para pensar em tudo isso. Passo os olhos por minhas fotos, minha família, sobre a lareira, e sinto falta de alguém por ali. Sei que a Amber vai achar estranho, mas assim que ela fizer seu book de grávida, quero uma foto dela para por aqui, afinal, meu filho está dentro dela e agora nós somos, indiretamente, uma família.

Em torno de meia hora, Amber chegou, trazendo consigo Violet, que não deu a mínima pra mim e ficou boquiaberta com a casa.

-Péssima ideia trazer você, estou invisível aqui. - Resmungo.

-Sabe qual é a estatística de fãs que entram na casa dos ídolos? Nenhuma! Eu posso ser a primeira a estar realizando esse sonho. 

-Realmente. - Torço os lábios, tentando me por no lugar dela. 

-Ela está encantada. - Amber comenta ao chegar ao meu lado. 

-Percebe-se. - Olho para ela, que caminha até a ponta da escada. Pediu permissão para subir, e eu a concedi.

-Obrigada por chama-la. Não sabe o quanto é importante pra ela tudo isso. 

-Eu imagino como seja. - Sorrio, pondo a mão no seu ombro. - Como foi lá?

-Ah, foi tudo bem. - Seu sorriso. Porque ela tá sorrindo? Ela não deveria sorrir quando pensasse nele! 

-Tudo bem? Só isso?

-É. Nós conversamos bastante, e vimos que somos somente amigos. 

-Hm. Amigos então? 

-É, amigos. Quero um tempo para pensar sabe? Tanta coisa na minha cabeça, que chega a me dar tontura. 

-Quer uma água?

-Foi modo de dizer, Bruno. - Ela ri, andando em direção da sala. - Ansioso?

-Muito. - Passo a mão na lateral do corpo.

Amber Pov's

+++

Já passava das seis. Bruno estava se ajeitando, sentando no sofá ao lado de Phil, e Ari, que conheci hoje. Eu estava sentada atrás da câmera, e do meu lado estavam Riley e Violet. Violet não largava seu celular por um segundo, e tirava muitas fotos, mesmo antes do hangout começar. Há dois minutos atrás ouvimos a música, antes de todos, e eu posso garantir que ela é tão boa, que vem um enorme sucesso por ai. Aproveitei para escutar algumas palinhas de seu álbum, mas ele se negou a me mostrar tudo sem estar com todos os arranjos finais. 

Tinha um cara, Victor, que mexia nas coisas do computador, música e imagem, e esse avisou que faltava três minutos para começar. Olhei para o Bruno, que sorriu pra mim, aparentava estar nervoso. Sorri de volta, fazendo uma joinha com as mãos, incentivando ele que ia dar certo. Victor começou a contar regressivamente, e no um, começaram.

-Nós estamos aqui! - Phil gritou, e eu ri baixo por seu intusiasmo. 

-Ohhhh. - Bruno grita. - E aí, mundo? Meu nome é Bruno. 

-E aí, mundo? - Phil imitou Bruno, e eles riram. - Meu nome é Phil. 

-E aí universo? - Começamos a rir pela expansão do pensamento de Ari. - Meu nome é Ari. 

-Ele é engraçado. - Riley me cutuca. - Gostei. 

-Quer? Eu te apresento. Apesar de ter conhecido hoje também.

-Não, tô tentando fazer dar certo com outra pessoa. - Sabia que se tratava de sua amiga, do curso.

-Ele trapaceou. - Phil reclama. 

-Ele escolheu o universo. - Bruno soltou uma gargalhada, tão gostosa, e mexe o copo azul que está em suas mãos. - Senhoras e senhores, hoje é um dia muito especial. Hoje é o dia que vocês vão ouvir minha primeira música do meu novo álbum "Unorthodox Jukebox"! 

Ria feito idiota com as palhaçadas dos três, mais os espasmos que Violet tinha, dando mini ataques sentada na poltrona, e Riley que era só elogios quanto à tudo. Ele conversava com alguns fãs no hangout sobre tantos assuntos. Vez ou outra nós nos olhavamos, mas nada demais, apenas sorrisos sinceros de mais incentivos. Violet me olhou, ora que tinha sorrido para o Bruno, e sorriu pra mim. Ela deve estar pensando bobagem. Bruno estava bobo para nós, imagina para quem o assistia em casa. 

Sabia que estava sujeita à isso, mas não pensei que essa pergunta fosse vir, ainda tinha esperança que ninguém comentasse nada sobre o assunto.

-Não vejo nenhuma barriga de grávido. - Brinca uma moça de cabelos longos e presos num rabo de cavalo. Não tinha um inglês tão bom, dava para notar que não era daqui. - Nós não vamos ter nenhum detalhe sobre isso?

-Bem... - Ele coça sua nuca, e eu tamborilo meu dedo em minha perna, receio que com medo do que ele fosse responder, mas confio nele. - Eu não sei se posso falar muita coisa... O que você quer saber?

Ri, nervosa, e percebi que ele também.

-É uma garota ou um garoto?

-Hmm... O que você acha? - Bruno brinca e dá um gole da sua bebida. - Façam suas apostas. - Levantou o champanhe. 

-É um menino. - Phil estragou  entregando Bruno, que olhou para ele com riso frouxo e quando passou os olhos por mim, só faltou pedir desculpas. Não me importaria, desde que não viesse alguma fã doida bater em mim, até porque não sei brigar. 

-E a mãe dele? Queremos conhecê-lá. 

-Posso garantir pra você que ela é uma pessoa maravilhosa. - Ele sorri, e eu abro o meu espontaneamente. - E linda. Então, meu filho vai ser lindo. E sensual como eu. 

-Levemente. - Comenta Ari, brincando. 

-Levemente. - Bruno ri em concordância.

Sinto minhas bochechas pegarem fogo, e Riley percebeu que eu estava nervosa, e suando frio. E se alguém perguntasse mais coisas? Começo a balançar a perna, e Riley põe a mão para eu parar. 

-Odeio quando começa com tiques de nervosismo. Só me deixa nervosa também.

-É que... Esquece. Desculpa.

Terminei de prestar atenção, passando a ficar mais concentrada em qualquer outra coisa, mas isso não seria justo com o Bruno, então me controlei e passei a prestar atenção neles e suas palhaçada, que contagiava todos à rirem.

Bruno Pov's

Estava tão empolgado por causa do lançamento da música. O hangout foi um sucesso, consegui me divertir demais e fazer meus fãs rirem com coisas que falo. Ver o sorriso deles é importante, e ver a reação de todos quando escutaram a música me fez pensar que eu não poderia ter escolhido profissão melhor para seguir. 

Fomos para casa, rindo e conversando. A janta estava sendo preparada por Marie, que iria embora mais tarde hoje. 

-Eu quero a música no meu celular. - Resmunga Violet. 

-Calada. - Amber a cutuca. 

-Eu passo depois! - Sorrio e pisco pra ela, cúmplice, e Amber põe a língua pra mim. 

A casa estava silenciosa até entrarmos. Riley falava comigo, e Violet vinha mexendo em seu celular, enquanto Amber dizia algumas coisas dentre nossos assuntos. O mais engraçado de conversar com a Riley é que eu me sinto conversando com outro homem. 

Na sala de jantar a mesa estava posta, a comida estava quentinha e Marie estava parada ao lado da mesa, sorrindo.

-Parabéns. - Caminho para abraça-la. - Escutei a música, está maravilhosa.

-Onde esse mundo vai parar? Você sabe mexer no computador melhor do que eu.

-Detalhes. - Ela ri. - Espero que gostem da comida. Tenho que me retirar.

-Pegue um táxi, Marie. Por minha conta. - Beijo o topo de sua cabeça.

Esperamos Marie ir embora e sentamos rente a mesa para comermos. Estávamos famintos, então nas primeiras garfadas ninguém disse absolutamente nada, mas após isso, conversamos.

-E a menina perguntando do bebê? - Rio, comentando. Fiquei nervoso com aquela pergunta.

-Fiquei pensando no que iria falar. - Amber diz, soltando um riso abafado.

-Ela estava nervosa. - Diz Riley. - Suava gelado quando perguntaram isso.

-Porque? - Olhei para ela, esperando uma resposta, e por alguns segundos me perdi naquele olhar. 

-Oi? - Pergunta ela. 

-Porque ficou nervosa? Não iria dizer nada que comprometesse você e nosso filho. 

-Eu tenho vontade de gravar cada coisa que você fala e colocar pra reproduzir todos os dias antes de dormir. - Violet diz sua primeira frase à mesa. A olhei e ri, esticando a mão para pegar a sua. - Eu disse isso? Eu queria tuitar, ou só pensar. Mas eu sou burra.


Oi, gente. Sei que nunca apareço aqui no final, mas hoje vim mostrar a sinopse da minha próxima fanfic! É sobre o Bruno, mas a história é diferente de tudo que já li. Espero que gostem, beijos! 

"A luz veio em sua direção, e ele tentou, inutilmente, virar a direção para outro lado. Não foi rápido o suficiente.
Deveria agradecer a qualquer divindade por continuar vivo, mas não. Da cintura para baixo, não sentia nada, como se fosse a metade de um homem que um dia fora.
Ele tinha uma carreira de sucesso, uma vida boa. Mas uma noite chuvosa e um jovem bêbado mudaram sua vida. 
Os sorrisos tornaram-se carrancas, as palavras bonitas se perderam e abriram espaço para palavras horríveis, em um peito cheio de ódio. Bruno Mars está perdido. E ninguém sabe se irá se salvar."

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Capítulo 58 - Good friends



Não tinha nada pra fazer quando a noite caiu realmente. Já havia arrumado os papéis para a consulta rotineira de amanhã, e estava sem sono. Andei pela casa levando comigo um copo de leite quente, para ver se o sono vinha, mas desisti de beber quando pego Bruno sentado no sofá, com fones de ouvido grandes e preto, e na televisão passando um filme preto e branco.

-Hey. - Sentei na poltrona, colocando o copo na mesa de centro. - He ey. - Estalei os dedos em sua frente, ai que ele foi notar minha presença.

-Oi? - Bruno tirou seus fones de ouvido.

-Tudo bem? Desculpa atrapalhar, mas eu estou sem sono. - Rolo os olhos e ele ri, brincando com o fone.

-Está tudo ótimo, estou apenas refletindo, escutando música.

-Isso é bom. Refletindo sobre a carreira?

-Não. Na verdade na minha vida. - Ele dá um sorriso torto.

-Nessa reflexão, o nosso filho inesperado está, não é?

-Exatamente. - Ele se recosta no sofá, direito. - No bebê, em você, em Sophie que nunca mais apareceu, na minha família...

-Sim... - Falar de Sophie não era exatamente o assunto que eu gostaria de ter, mas acho que ele está precisando desabafar. - Sente saudades da Sophie?

-Não. Eu sinto falta, às vezes, porque ela vivia no meu pé, mas não saudades. Só penso no que ela deve estar pensando de mim.

-Ela deve estar pensando que você é uma maravilhosa pessoa. - Sorrio. - E que, se ela fosse de outra forma, ela poderia ter cativado o seu coração, e então ter para ela um homem maravilhoso.

-Obrigada. - Ele diz, sem jeito, e nervoso, brinca com o fone se ouvido.

-E sobre a família, o que está acontecendo?

-Nada não. Eles me deram um apoio enorme quando descobriram que eu iria ser pai, e meu pai me avisou que esse seria um sentimento único, e está sendo aos poucos. Cada dia que eu vejo a sua barriga crescer. Queria que minha mãe pudesse assistir isso.

-De onde quer que ela esteja, ela está vendo. - Sento-me ao seu lado, passando a mão sobre o seu ombro. - Ela era uma linda mulher, além de ser extremamente cativante.

-Como sabe? - Bruno arqueia a sobrancelha.

-Eu vi uma foto dela. - Dou de ombros. - E, ela criou os filhos de uma maneira incrível. Me sinto idiota de lembrar que um dia pensei que você e o meu filho seriam duas coisas que não poderiam ter acontecido.

-Talvez esse bebê tenha vindo para mostrar para duas vidas, os caminhos certos. - Fico observando seu machucado no olho. - Nathan vai ser um bebê de muita sorte. - Ele olha para minha barriga.

-É, ele vai. - O clima, tão de repente, havia ficado propenso. Propenso à tantas coisas, que resolvi distrair.- O que estava escutando?

-Uma coletânea que tenho em meu iPod. - Ele me oferece o fone e eu coloco. A música estava pausada. - Estava escutando I got you. - Ele dá play e eu arregalo levemente os olhos pela altura. - Alto demais?

-É, um pouco.

Ele baixa o volume e passa para a próxima música.

-Ah, essa musica. - Ele sorri, como se a música o levasse para outra dimensão. - Minha mãe cantou essa música quando nós eramos pequenos. - Bruno me olha rapidamente. - Já ouviu?
-Não estou lembrada, acho que não.

Bruno colocou a música para tocar, desde o inicio novamente. Me observou escuta-la. Tão linda realmente era, quando senti algo tão mágico. Minha barriga se contorce mais do que qualquer outra vez. Meus olhos enchem de lágrimas e Bruno arregalou os seus.

-Isso doeu?

-Não. - Passo a mão pelo local, levantando a blusa. - Bruno, eu acho que ele gostou!

-Ponha para ele ouvir.

Tiro o fone dos meus ouvidos para por em minha barriga. O fone esticou o máximo que podia. Bruno aumentou o volume para que pudéssemos ouvir também e ele cantava, somente mexendo a boca, e minha mão acariciava uma pequena parte da barriga, ainda maravilhada com o que tinha acontecido.

-Eu acho que ele realmente gostou. - Sinto algo se mexer, mas não foi visível como antes. - Parabéns, seu filho terá uma alta tendência a músicas antigas e reis do pop ou r&b.

-Ele vai puxar a mim. - Seus olhos brilhavam, como estrelas. - Amber, você ouviu isso? Meu filho... Caramba, ele vai conhecer tudo, vai aprender todas as músicas...

-Hey, calme. - Começo a rir da sua empolgação. - Ele ainda não sabe do que verdadeiramente gosta.

-Mas eu vou ensinar tudo sobre música. - Seu sorriso é tão verdadeiro e sincero, que me contagia.

-É claro que vai, e ele ficará feliz com isso!

-Amber. - Nos olhamos, encarando por segundos olho a olho. Vi toda a sua emoção ali, todo seu amor, e ele parece estar tão diferente do que estava antes. - Obrigada. - Bruno pega minha mão, dando um choque, por a minha estar quente e a sua gelada.

-Pelo que?

-Por me proporcionar isso. Digo que Nathan não poderia ter alguém melhor como mãe, e eu como amiga. Companheira.

-De nada, e obrigada à você também. - Sorrio, desconfortável, por ainda não saber encarar um elogio de frente.

-É melhor você dormir, amanhã de manhã terá consulta...

-Tem razão. - Retiro o fone e levanto-me do sofá.

-Use algum carro amanhã. Qual você achar melhor, sabe onde estão as chaves?

-Sim, eu sei. - Coloco meu cabelo para trás das orelhas. - Boa noite, Bruno.
-Boa noite, Amber.

Eu havia ficado nervosa. É impossível isso, depois de termos passados por momentos íntimos dentro dessa casa, justamente agora irei sentir esse aperto no peito como se cada passo que eu tomasse seria uma escolha errada?

+++

Uma semana passou num estalo de dedos. Parece que nada acontece, além do crescimento inexplicável da minha barriga. Parece que eu engoli uma melancia inteira e ela se alojou ali. À noite será o chat de lançamento da música, e Bruno estava todo empolgado, dedicou o dia de ontem para organizar tudo no seu estúdio, e hoje buscaríamos Violet para passar o dia e esperar por amanhã.

-Não, eu não estou nenhum pouco afim de fazer isso. - Bruno se esparramou pelo sofá. - Entenda, é chato. Não nasci para tecnologias.

-Do que está falando? - Pergunto mexendo somente os lábios.

-Do hangout. Brandon quer que eu teste.

-Eu posso testar. - Dou de ombros.

-Brandon, Amber irá testar para mim. - Ele sorri em minha direção. - Sim, ela é um anjo.

Esperei ele desligar o telefone, mexendo no celular. O dia seria basicamente esperar para que Finn me dissesse a hora de nos encontrarmos, e Bruno não sabia disso ainda.

-Toda arrumada. - Ele observa minha roupa. O macacão jeans, o tênis e cabelo preso numa trança lateral.

-Vou sair.

-Onde?

-Vou encontrar com o Finn.

Bruno me olhou, sem reação nenhuma. Ele queria falar algo, mas seu rosto mostrava uma decepção.

-Finn? - Assenti positivamente. - Pensei que não se falassem mais...

-É por isso que vou vê-lo, para não ficar aquele clima chato entre nós.

-Ah... - Ele junta as mãos, inclinando o corpo pra frente. - Chance de voltarem?

-Provavelmente não... Eu estou confusa ainda. Ele é legal, mas não sei se posso dar o que ele quer.

-E o que ele quer?

-Amor? Paixão? Uma pessoa que esteja ao seu lado por completo... E eu não me sinto assim com ele.

-Mas se sente com outra pessoa? - Pergunta, curioso.

-Talvez. - Balanço a cabeça. - Eu não sei.

-Bom... tome cuidado lá. Quer carona?

-Não, eu ainda consigo dirigir. Depois passo lá em casa para buscar Violet.

-Ok. Podemos convidar a Riley, dai fazemos uma janta especial, que tal?
-Perfeito.

Em poucos minutos, Finn avisou-me por mensagem que já saíria do serviço para o almoço, então peguei as chaves e procurei Bruno para dar tchau, como não achei, segui meu caminho. A estrada até que estava calma, contando que essa hora é almoço e todos querem sair ao mesmo tempo correndo contra ele. Estacionei meu carro e entrei no estabelecimento, dispensando a moça que perguntara se precisaria de uma mesa. Avistei Finn sentado, com mãos inquietas e olheiras. Eu não sei se estou pronta pra isso. Me aproximei e puxei a cadeira.

-Hey. - Tiro a bolsa do meu ombro.

-Hey. - Ele sorri, meio sem saber o que fazer. - Que bom que veio.

-Nós precisávamos conversar, não é? - Sorrio e ele também. - Já fez seu pedido.

-Estava a sua espera.

-Ok.

Comemos o que pedimos, acompanhado de duas latas de suco. Finn parecia nervoso, e evitava falar sobre qualquer coisa, mas eu precisava me explicar.

-Desculpa por magoar você uma segunda vez. - Procuro a sua mão.

-Eu fiquei decepcionado, e não magoado. Eu sabia os riscos que poderia tomar. Só não saberia que era drasticamente e logo agora.

-Acredite, não foi assim...

-Eu não quero pensar como foi.

-Então me escute. - Ele me olhou, mas como não havia me dado a sua mão, retirei a minha. - Eu gosto de você, Finn. Mas acho que eu não gosto da forma como eu pensei que gostasse, entende?

-Você gosta dele?

-Do Bruno? - Pergunto e ele responde que sim. - Gosto, da mesma forma que gosto de você. - Havia mentido. Eu posso até dizer que gosto da mesma forma, mas ultimamente eu prefiro ele, o Bruno.

-Então o que levou você à fazer aquilo?

-Fraqueza, e hormônios. Me deixei levar.

-Eu sabia que vocês morando junto não iria dar certo.

-Mas, nunca mais rolou...

-Nunca? - Pergunta com certa descrença.

-Não... somos amigos.

-Então volta pra mim?

-Finn, não confunde as coisas. Nada irá mudar. Eu quero um tempo só pra mim. É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.

-Desculpe, não queria forçar.

-No momento certo você vai encontrar a pessoa certa.

-Não acho que seja assim.

-É assim. Você vai identifica-la quando sua mão encaixar perfeitamente com a dela.
-Nossas mãos... - Dei a mão para ele, que ri. - Não...

-Viu? E outra, eu tive que dar esse tempo pra pensar no que queria fazer. Fiquei decepcionada quando soube que você foi atrás do Bruno.

-Ele me afrontou.

-A afronta foi sua, ao ir no estúdio pra bater nele.

-Ele merecia.

-Não, ele não merecia. Fui eu que agarrou ele, fui eu que deixei ele continuar, eu que quis. Ele não tem culpa nisso.

-Foi bom pra ele ver que nem tudo gira em torno do umbigo dele.

-Isso só mostrou covardia da tua parte. Você lutou, você sabe brigar e é bem maior que ele, é por isso que foi até lá. - Ele baixou a cabeça, e isso era suficiente para saber que aquilo se tratava de uma confirmação.

-Todos erram...

-O erro de vocês foi longe de mais. Você e ele não são animais, sabem conversar civilizadamente, então não é necessário isso.

A conversa desenrolou e conforme eu ia puxando sua orelha, ele falava tudo que sentia na hora. Fiquei com raiva dele ter batido no Bruno daquela forma covarde, mas também fiquei com raiva do Bruno por deixar isso continuar. Por fim, ele deixou claro que gostaria de continuar meu amigo, o que me deixou feliz.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Capítulo 57 - Gifts

Amber Pov's

Depois da madrugada um tanto agitada, por Bruno ficar conversando com nosso filho, ele finalmente foi para o quarto descansar. Não quis apavora-lo, mas tive medo de suas marcas no rosto, se ele não tomar cuidado elas podem não sair. Mas, passei a noite bem, e quando acordei, Bruno já não estava mais em casa.

-Bom dia. - Dou um sorriso de lado para Marie.

-Bom dia. - Ela abre uma garrafa de leite. - Como está se sentindo?

-Gorda, inútil. Um caco. - Faço uma careta.

-Essa é a única vez em que eu amei estar gorda. A magia de quando nosso filho nasce é incrível.

-Eu imagino.

-Posso ser um pouco indiscreta? - Balancei a cabeça, positivamente. - Você se alimentou direito ontem? Porque eu não vi isso, e a vitamina continua ali.

-Ah. - Passo a mão nos cabelos. - Tive um dia complicado demais para pensar em comida.

-Mas não pense na comida, pense no bebê. Aliás, já foi dado um nome?

-Sim. - Agora respondo empolgada. - Nathan. - Passo os dedos pela barriga.

-Lindo nome. - Seus olhos brilham. - Bruno está feliz, eu percebo isso nele.

-Que bom. Eu também estou feliz. - Sorrio para ela.

-Vou falar, Bruno não é do tipo que agrada qualquer um, ele tem que gostar da pessoa pra fazer isso. E quando ele gosta, ele gosta mesmo. Estou feliz que ele tenha aprendido que um filho será uma coisa boa.

-Eu sei, Bruno é intenso e aos extremos. - Mexo minhas mãos, como um tique.

A manhã passou rapidamente. Em momento algum Marie falou sobre o rosto de Bruno, talvez ela nem tenha visto como ele ficou. Mas no inicio da tarde ele me liga, avisando que foi ao dentista e que voltará no final da tarde. Riley me liga em seguido, avisando que viria pra cá.
Atendo a campainha e dou um beijo estalado em seu rosto.

-Que saudades. - A aperto num abraço.

-Muitas. - Ela respira profundamente.

-Entra. - Indico a casa para ela.

Fomos para a sala, liguei o ar condicionado para estabilizar uma temperatura legal, e ficamos sentadas, primeiramente conversando sobre a sua nova amiga/affair.

-Mas fora isso, eu acho que nada de novo. - Riley cruzou as pernas e se recostou no sofá. - Agora, a sua sei que tá agitada.

-Eu diria que ela está mais confusa do que qualquer outra coisa.

-Eu vi o Finn conversar com a Belle ontem... Ouvi sobre o término de vocês, e sobre a briga dele com o Bruno. Ele está se orgulhando de ter batido nele.

-Nunca pensei que ele fosse capaz de fazer isso.

-Bruno é a única ameaça que ele sente. É a única coisa que te prende para longe dele.

-Não... - Balanço a cabeça. - É disso que eu falo. Não terminei com ele pelo Bruno.

-É o que ele acha.

-Foi por mim. Eu que sonhei com ele, eu que vim morar aqui, eu que passo momentos bonitos ao lado dele e tenho vontade de beijar a sua boca. E fui eu que deixei ele continuar quando dormimos juntos.

-Vocês o que?

-Dormimos juntos?

-Isso foi bem mais do que eu pensei. - Riley faz um gesto com a mão. - Wow.

-Eu que deixei, eu que tive vontade. Todas as vezes!

-Foram mais de uma?

-Mais de um beijo, sim. Mas para a cama só uma.

-Escute. - Ela se inclina, descruzando as pernas. - Eu estou do seu lado. Sei que está confusa, que não sabe o que está sentindo e o que quer, mas isso vai passar. No momento certo você vai escolher a coisa certa.

-Obrigada. - Fecho os olhos, torcendo os lábios. - Não queria brigar com o Finn, que nada fosse daquela forma.

-Vai se resolver logo, logo. Eu garanto.

-Como Belle ficou quanto à isso?

-Ela pareceu desapontada, mas não é segredo pra ninguém que ela prefere o Finn do que o Bruno.

-E você?

-Finn ou Bruno? - Ela pergunta e eu concordo. - Pensei que estivesse na cara. Bruno, é claro.

-Bruno não poderia estar como opção. - Passo a mão na cabeça. - Nós somos amigos.

-Amigos que se pegam. - Ela ri. - Essa história de amizade colorida tem dois caminhos. Um é você e ele nunca mais serem amigos como eram e acabarem quase nem se falando mais. E o outro é, você e ele levarem isso pra frente, cada vez mais sério. E a última opção está mais em conta, já que ele ama essa criança.

-Bruno tem a vida dele, eu tenho a minha. Apenas suprimos nossas vontades.

-Ok... mas se um dia isso acontecer, eu quero ser a primeira a saber.

Depois de Marie levar, por conta própria, um belo pedaço de torta para nós, fomos até o quintal dar uma volta. Ainda continuávamos a conversar sobre muitas coisas, e então resolvi mostrar para ela o quarto do meu filho. Depois que abri a porta do quarto, ela abriu sua boca e atentamente olhou tudo, e literalmente, boca aberta com todos os detalhes do quarto.

-Bruno pensou nisso tudo?

-Sim, e deu a ideia para um decorador, e ele tentou fazer como Bruno disse. - Passei a mão pelo berço.

-Nossa, me surpreendeu. - Ela faz o mesmo gesto que eu. - Olha esse móbile. - Ela aponta para o móbile sobre o berço.

-Lindo, não é?

-Maravilhoso. - Riley sentou no sofá, e esticou-se para frente. - O que é isso?

-Ah, isso. - Ela havia pego a letra H, do nome que Bruno comprou para por na parede. - É pra por ali, na parede. - Respondo.

-Mas o que está escrito com H?

-O nome dele... - Estava planejando contar para todos juntos, mas acho que isso não vai mais acontecer.

-Você já escolheu o nome dele? - Riley levanta, olhando para onde havia pego a letra. Pegou mais algumas.

-Sim...

-Thana? - Pergunta quando montou as letras que achou.

-Aqui. - Entreguei um N perdido. - Nathan.

-Que lindo. - Ela prontamente coloca as letras lado a lado. - Porque não me contou?

-Não contamos para ninguém ainda. Queria o momento certo.

-Corta essa. - Rye dá um tapinha em meu ombro. - Eu amei o nome.

-Eu também. Bruno que escolheu.

-Mmmmmm.

Como esse "mmmm" foi intencional. Sei porque depois tudo ela falava sobre o Bruno e as escolhas, dizendo que meu filho vai ser a cara dele só por tantos agrados que ele dá. Eu ria de tantas piadas, e fiquei vagando em pensamentos do dia em que desenhamos meu bebê.

Riley foi embora um pouco antes de escurecer. E Bruno chegou assim que Marie foi embora. Estava com algumas sacolas de super mercado, e de boné e óculos escuros, com um pequeno band-aid em seu nariz.

-E ai, quebradinho?

-Você tem apelidos melhores. - Eu o sigo para a cozinha.

-Eu sei, mas hoje estou zero por cento de criatividade. - Ele retira os óculos assim que põe as sacolas sobre a mesa. - Ai, Bruno! Isso está feio. - Levo a mão até seu rosto, mas por receio, não encosto.

-Obrigada por lembrar.

-Desculpa. - Ri baixinho.

-Isso é por você ter cuidado de mim ontem à noite. - Bruno tira da sacola uma grande caixa de bombons finíssimos. - E isso, é um presente...Uma lembrança.

-Bruno, não precisava. - Tomo as coisas de sua mão, e pego primeiramente o presente. Um embrulho fino e comprido. Abro e vejo um lindo colar. - É lindo. - Estava maravilhada com a jóia.

-Ele abre. Dá para por duas pequenas fotos, uma do Nathan e outra de alguém que ama. Pensei em dar já com a foto da Violet, mas era melhor deixar pra você decidir.

-Bruno isso é maravilhoso. - Faço a volta para dar um abraço. - Obrigada. - O apertei.

-Meu braço. - Ele reclama pondo a mão em cima.

-Me desculpa. - Faço uma careta.

-Não foi nada.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Capítulo 56 - Care and affection




Estacionei o carro e continuei ali dentro. Respirei fundo, olhando pelo retrovisor meu rosto completamente terrível. Tentei limpar o que pude, mas o sangue já estava seco, e estava doendo. Meus dedos conseguiam estar mais doloridos, as juntas pareciam que iam se separar. Com cuidado para que Amber não me visse, entrei dentro de casa tentando não fazer barulho. Não quero que ela me veja dessa forma, e também não quero explicar do que isso é proveniente. Abaixei a cabeça e pedi para Deus que ela não estivesse na sala, mas nem precisa dizer que o Universo conspirava contra mim hoje. Ela estava lá, se levantando para me cumprimentar.

-Hey. - Continuei a andar de cabeça baixa. - Hey?

-Hey.

-Vamos jantar? Quer dizer, você quer agora? Porque chegou mais cedo. - Aparentemente sua voz estava bem mais calma. Não me virei e continuei a andar.

-Depois eu desço.

-O que aconteceu?

-Nada. - Respondo.

Eu esperei por essa reação dela, por isso apressei o passo até a ponta da escada para ela não me alcançar, mas Amber disparou na minha direção. Me sentia uma criança que queria esconder da mãe que brigou na escola. Ela tocou nos meus braços e eu ergui minha cabeça, olhando pra ela. Sorri, para tentar amenizar o choque, mas creio que isso não adiantou muito.

-O que aconteceu com você? Meu Deus. - Ela levou a mão na boca, chocada.

Esquivei do seu toque no meu rosto.

-Não foi nada. - Repito, e em seus olhos se alojam lágrimas. - Porque está chorando?

-São...os hormônios. - Ela reclama, passando o dorso da mão pelos olhos. - O que aconteceu com você?

-Nada. Eu só preciso de um banho.

-Bruno, seu rosto está sangrando. - Ela passou em minha frente, subindo as escadas.

Eu a segui, meio sem rumo e sem pensar em minhas ações. A verdade é que esse cara vai me pagar.

Ela entrou no meu quarto e eu sentei na cama, vindo logo atrás dela. Amber entrou no banheiro e trouxe consigo a caixa de pequenos socorros, talvez nunca usada por mim.

-Me conta o que aconteceu. Por favor. - Ela pede, enquanto pega um pedaço de algodão.

-Você não pode se estressar, Amb. - Amber humidece o pedaço em algum líquido. - Eu consigo me cuidar sozinho.

-Calado. - Ela pede. Senta ao meu lado e me olha com ternura. - Me diga o que aconteceu, por favor.  - Amber aperta o algodão em meu nariz e doeu, fiz uma careta e gemi de dor.

-Desculpa... Desculpa. - Amber estava tremula, parecia já estar nervosa, bastante preocupada. Peguei sua mão e olhei em seus olhos.

-Está tudo bem, de verdade. Você precisa se acalmar. - Peço.

-Como eu vou me acalmar? Como eu vou me acalmar com você chegando em casa dessa forma, nesse estado, e nem me contando o que aconteceu?

A segurei pelo outro braço também, para ficarmos de frente um para o outro. Foi vã a tentativa de não contar, mas ela parece uma criança birrenta.

-Diz pra mim, Bruno...

-Não fica com raiva de mim, por favor.

-O que você fez?

-Me promete que não vai ficar com raiva, por favor?

Ela não me respondeu, somente alisou meu rosto, passando a mão sobre todos meus hematomas, machucados, e sei lá mais o que. Assentiu com a cabeça e eu tomei a liberdade de falar.

-Eu encontrei com o Finn. - Explico com cuidado. - Nós nos desentendemos, Amb.

-O que? Eu acho que não estou entendendo muito bem. - Ela balança a cabeça. - Você brigou com o Finn?

-Sim... ele me provocou, e... eu não iria deixar assim.

-Você é louco, não consigo acreditar. - Amber passou a mão no rosto, parecendo nervosa. - Olha o jeito que ele deixou você.

-Eu também deixei marca nele. - Digo, birrento.

-Claro, marca do seu sangue na camisa e na mão dele. - Seu riso sai nervoso. - O que deu na sua cabeça de fazer isso?

-Fiquei nervoso! Ele foi até lá para brigar, eu não iria deixar de qualquer jeito.
-Hey! Ele foi até lá?

-Até meu estúdio? Sim!

-Meu Deus, não sei quem é mais inconsequente.

-Queria que ele fosse me bater e eu ficasse quieto?

-Não brigasse. Caramba, não consigo imaginar Finn fazendo isso. - Amber retorna a balançar a cabeça.

-Obrigada por dizer que eu sou o equivocado.

-Você não pensou nas consequências?

-Quais? Quais consequências, Amber? - Aumento meu tom de voz. - Acha mesmo que eu iria ficar parado vendo aquele idiota me bater?

-Argh. - Ela levanta, pegando novamente o kit, mas parecia com mais raiva.

Passou o algodão no meu nariz fortemente, e continuo a limpar todo o meu rosto não tomando tanto cuidado e carinho como antes.

-Você está com raiva de mim? - Seguro seu punho.

-Raiva? - Ela da outra risada nervosa. - Não. Claro que não.

-Então, se não está mais com vontade de me ajudar, eu peço que não me machuque mais.

-Desculpa, mil desculpas. - Ela beija minha testa por impulso. - Eu só não sei o que fazer... o que pensar.

-Eu sei que está do lado dele agora, mas não haja como se eu fosse um cara horrível.

-Eu não estou do lado dele.

-Então eu não sei, porque parece que está.

-Tem lado nisso tudo? Eu estou do meu lado e do mau que estou causando em todos vocês. - Ela se abaixa de mau jeito na minha frente.

-Eu nem sei o que dizer, mas você não tem culpa nisso.

-Bruno... - Ela passa a mão pelo meu rosto. Sinto sua pele gelada em minha pele fervendo. - Eu estou do lado que não quer que você se machuque. Finn é bom de briga e é bem mais alto que você. Iria me sentir horrível se ele fizesse algo grave. Olha o jeito que ele já o deixou.

-Eu também machuquei ele. - Falo como uma criança. Havia deixado algo de marca nele, não como ele deixou em mim, mas quero deixar claro que não sai perdendo também.

Ela passou os dedos finos pelo meu queixo, alisando minha pele. Meu Deus, devo estar horrível.

-Está tudo bem, eu não estou com raiva. - Ela voltou a me limpar, passando um algodão novo em meu rosto.

-Não devo estar nada atraente assim. - Digo enquanto ela faz algum curativo em minha sobrancelha.

-Não está mesmo. - Ela concorda.

-Amber você devia me consolar dizendo que eu continuo maravilhoso. E sexy. - Rio.

-Ah sim, perdão. Não gosto de mentir. - Amber senta na cama e descansa um pouco. Presto atenção em sua barriga, sempre crescendo mais e mais. - Vai tomar banho, e descansa. Quer que eu busque alguma coisa?

-Água.

-Eu pego. - Ela levanta. - Deixo aqui em cima, boa noite.

Fui para o banho, deixando meu corpo descansar e limpar. Deixei meus músculos se descontraírem enquanto lavava meu corpo. Vesti uma boxer azul marinho, uma regata branca, e me olhei no espelho, estava realmente feio tudo aquilo. Fiz careta olhando, e já senti nojo. Outra careta e voltei para o quarto, me joguei na cama.

Vi o copo e dois analgésicos na mesa ao lado da cama, tomei os dois e virei o copo todo. Me revirei na cama por muito tempo, pensava na Amber, no Finn, e no Nathan. Em todos os rumos que minha vida estava tomando, e tudo isso em pouco tempo. Pensava na minha carreira, mas não da forma que estava pensando antes, que o filho iria estraga-lá, e sim que ela está decolando, e meu filho vai estar ao meu lado quando eu chegar ao topo do mundo.

O ímpeto de me levantar foi mais forte. Andei para fora do quarto, e quando me toquei parei na frente do quarto dela. É mais forte que eu.

Bati duas vezes.

-Amber? - Chamei, abri a porta e coloquei a cabeça para dentro do quarto.

-Mmmmm. - Ela resmunga, abrindo os olhos. - Pode entrar.

-Posso me deitar com você? - Perguntei timidamente.

-Bruno...

-Só deitar, Amb. Para dormir.

Ela deu dois tapinhas ao seu lado e eu me jogo ao seu lado. Puxei o edredom e senti seu cheiro maravilhoso.

-Hey, filho. - Amber começou a rir, toquei em sua barriga e meu filho não chutou. Deve estar dormindo. -Mexe pro papai, Nathan.

-Deixa a criança em paz.

-Nathan, meu bebê, acorda, papai tá precisando de carinho. - Mexo o polegar em sua barriga. - Porque ele não quer falar comigo?

-Porque ele deve estar dormindo. - Ela resmunga, boba.

Tocou meus cabelos, e fez cafuné. Me aproximei mais, rindo baixinho. Minha mão ainda estava sobre a sua barriga, aquele saliência que em meses será meu bebê. Amber ainda passava seus dedos em minha cabeça, dando até sono. Sinto que poderia passar a vida toda assim. Meus olhos pesaram, levantei minha cabeça e a chamei.

-Amb?

-Oi.

-Me dá um beijo?

Pedi desinibidamente, esperando que ela entendesse. Senti seus lábios na ponta do meu nariz, em minha bochecha, e finalmente ela deposita um selinho demorado em minha boca. Eu tive vontade de aprofundar, mas sei que ela odiaria que eu tentasse, e não queria estragar aquele momento. Estávamos tão inocentes ali.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Capítulo 55 - Fight




Minha tarde no estúdio foi tão boa, que eu nunca imaginaria que chegaria aqui e estaria tudo dessa forma. Falei até com o Phil sobre a minha felicidade, mas não mencionei que havia ido para a cama com ela novamente, e nem sobre nossos beijos quase todos os dias, e nem sobre a estranha sensação de querer acordar ao seu lado. Dia após dia.

Estava no mesmo sofá que ela, quando sua cabeça repousou em minhas pernas. Ela estava tão cansada, seus olhos inchados, até seu nariz estava levemente vermelho de chorar. Amber estava parecendo mais frágil que é, e eu não estava suportando ver isso. Não, ela não pode ficar assim por conta daquele idiota, ou por algo que fizemos em consciência. Passo a mão nos seus cabelos, mas quando me inclino um pouco para ver, ela está dormindo.

Amber deve ter engordado uns bons quilos com a gravidez, e eu não sei se dou conta de pega-la para ir até o quarto, principalmente por causa das escadas. Dou a ela mais alguns minutos e seguro a sua cabeça para conseguir levantar. Coloco uma almofada por baixo e me abaixo em sua frente. Balanço levemente seu braço e ela me olha, sonolenta.

-Vamos dormir no quarto, Amb.

-Eu não quero dormir.

-Sei. E eu sou papai noel.

-Me traga a felicidade nesse natal.

Amber fala com a voz melancólica. Eu não fazia ideia de que aquele idiota britânico significava tanto assim pra ela, a ponto dela ficar dessa forma. É estranho. Peguei seu braço e a ajudei a subir. Amber a porta de seu quarto e eu beijo sua testa.

-Boa noite. - Viro as costas e ela faz um barulho.

-Bruno? - A olho. - Dorme comigo?

-Você precisa pensar sozinha, descansar. Amanhã nos falamos, ok?

-Então... me faça companhia até eu pegar no sono?

-Ok.

Entrei no seu quarto e ela se deitou, com a mesma roupa que estava antes. Não iria dizer pra ela trocar, visivelmente ela estava muito exausta e sem animo. Enrolei meus dedos em seus cabelos quase louros e a vi passar de um olhar pesado, para um sono angelical.

+++

A primeira coisa que fiz quando abri os olhos foi ver onde eu estava. No quarto de Amber. Disse que não iria dormir aqui, mas acho que ontem à noite a exaustão me pegou de jeito, e eu não soube ir até meu quarto. Levanto com cuidado para não acorda-la, e vou para o meu quarto me arrumar.

Amber Pov's

Ouvi alguém me chamar, mas ignorei. Queria continuar a dormir, ou essa pessoa que está me chamando é no sonho?

Abro meus olhos e Marie está diante de mim, com o olhar meio confuso.

-Bom dia, Amber. Sinto lhe acordar, mas há um moço lá fora que diz precisar falar muito com você.

-Um moço?

-Acho que se chama Finn. - Ela pareceu bem pensativa.

-Eu já vou. - Fiz um rápido movimento para levantar que me causou uma náusea terrível. - Bom dia, Marie.

Ela saiu e encostou a porta. Tirei minha roupa e fui para o banheiro. A pus no cesto e fiz minha higiene matinal. Vesti algo e desci as escadas para ver o que ele queria. Hoje estava melhor do que ontem, mas ainda sim, não estava pronta para ver Finn ali.
Abri a porta da entrada e segui até o portão. O vi recostado no seu carro, com cabeça baixa. Fui chegando mais perto e ele levantou a cabeça apresentando leves olheiras.

-Oi. - Digo sem jeito.

-Amber... - Ele pareceu analisar cada movimento meu, querendo se aproximar mais, mas com medo. - O que está acontecendo?

-O que eu lhe falei ontem. - Respondo.

-Você falou que queria acabar com nosso namoro.

-Então!

-Mas... mas porque? O que eu fiz de errado?

-Nada, Finn. - Me perdi por segundos nos seus olhos. - Você não tem nada de errado.

-Mas tem que haver algo que a impeça de continuar comigo. É porque eu não estou ligando muito? Eu juro que começo a ligar mais...

-Finn! - O interrompo. - Não é por isso.

-É pelo quê então?

-Meus motivos, meus erros...

-A cada minuto eu estou mais curioso. O que aconteceu?

-Não quero falar sobre isso, ok? - Meus olhos já começaram a arder só de sentir as lágrimas se formarem. - Somente acabamos. Isso acontece normalmente. Não precisa de um motivo.

-Precisa sim! - Ele se altera. - Foi o Bruno, sim?

-Finn...

-O que aconteceu entre vocês? - O olho profundamente, queria tanto dizer que não aconteceu nada e que ele está enxergando coisa onde não tem. Mas há, e ele não merece mentiras. Não tem o porque mentir pra ele. Mas também a verdade é tão dura. - Vocês se beijaram?

-Me escute. - Peço.

-Amber, vocês foram pra cama? - Queria olhar para ele, mas só tive coragem de baixar a cabeça, entregando a resposta de bandeja. - Olhe pra mim, por favor? - Levanto o olhar, e ele me encara, ainda meio perdido. - Você foi pra cama com ele, Amber?

-Finn, eu estava...

-Não... - Ele balança a mão na minha frente. - Eu não quero saber. - Finn anda dois passos pra trás, fecha a mão em punho e gira o corpo, aposto que queria gritar comigo e extravasar sua raiva. Eu o entendo. - Porque?

-Eu senti que deveria. Não sei explicar.

-Nossa.

-Finn, não espero que me entenda.

-Que bom, por que eu não entendo.

Fiquei como idiota o vendo partir com seu carro. Não estava com tanta vontade de chorar como antes, apenas queria entrar e me aconchegar novamente.

Bruno Pov's

Já passava das três, quando a porta alguém bate. Não queria incômodos, estava tentando me concentrar no planejamento de tudo, sou perfeccionista e quero que esse CD seja perfeito. Levantei, embora quisesse continuar sentado e ignorar quem quer que seja, e abro a porta. A figura daquele homem alto, com olheiras, britânico, se fez a minha frente. A ideia de continuar sentado e deixar bater a porta continua de pé? Indiquei a entrada pra ele, que já foi se instalando em pé. Ofereci a cadeira e ele não quis.

-Aconteceu algo? - Pergunto querendo saber o porque da sua presença ali. - A Amber está bem?

-Me diga você. - Ele cruzou os braços. Ele está tentando me ameaçar?

-Não estou entendendo.

-Me diga você, Bruno. Está tudo bem com ela? Já que vocês estão tão próximos.

-Do que está falando? - Não queria acreditar que Amber havia dito algo de nós para ele. Ou o sem vergonha está jogando verde para colher maduro.

-Não se faça de sonso! Minha mulher, e você a levou para a cama.

Não tive tempo suficiente para processar algo na minha cabeça. Levo um soco no meu rosto, que na mesma hora faz meu nariz latejar. Meu corpo cai sobre a cadeira. Passo a mão no meu queixo, sentindo latejar também, respiro fundo, procurando fazer um enorme esforço para conseguir, mas dei o melhor de mim para sorrir sarcasticamente.

-Não tenho culpa que você não dá conta. - O provoco assim que levanto. - Ela precisa de alguém que consiga suprir todas as necessidades. Moramos na mesma casa, uma coisa leva a outra, e, acabamos entre lençóis.

Eu estava pronto para seu soco, então desviei.  Era para acertar meu olho em cheio, mas pegou no meu ombro. Finn é bem mais alto que eu, o que dificulta um pouco mais a situação pra mim, mas não iria arregar, principalmente pra ele. Agora já não importava mais, minha vontade era de bater nele, sentimento que estava nutrindo há tempos.

Acertei um, dois, três socos no estômago dele, antes dele me acertar com um no maxilar. Filho da mãe! Minhas costas batem na parede e Finn me segura pela gola da camisa.

-Isso! - Ele berrou na minha frente, senti seu cuspe enquanto falava. Ele acertou um soco em meu nariz. - É por ter levado-a para cama. - Ele me acerta com mais um na costela. - Esse, é por achar que tem direito de me provocar.

Estava tonto, confesso que ele é bom de briga, mas não deixaria me rebaixar assim. Vi mais um soco vindo em minha direção e desviei, fazendo a mão do idiota bater com tudo na parede. Me afastei dele e passei a mão pelo nariz, que sangrava. Meu corpo doía, mas não queria demonstrar isso. Ele sorriu tão sarcasticamente pra mim, nojento, e se virou por completo, segurando a mão. Eu posso estar com dor, mas o deixei mal também, e isso se denunciava por sua mão que parecia doer. Mas isso não é suficiente, ele precisa sentir mais dor, muito mais.

 -E ai, cansou de apanhar? - Pergunta bancando o macho. Caminhei em sua direção, de peito estufado.

Finn pensou que eu era previsível. Foi me dar um soco e eu segurei, sabia que com isso ele torceria meu braço, então passei a perna pela sua e apertei a sua garganta, fazendo ele se desequilibrar. Isso foi mais fácil do que pensei.

-Nunca iria deixar você sair daqui sem uma marca minha. - Soco seu rosto com toda força e deu a impressão que pude sentir meu anel batendo em seu osso facial.

Ele tentou apertar minha garganta, e até conseguiu, mas eu me joguei pra trás, batendo na mesa e, meio cambaleante, levantando. Ele levantou-se também e veio com fúria pra cima de mim, sua sobrancelha estava com um pequeno ferimento e sangrando.

No momento em que ele ia socar meu rosto, soco a boca do seu estômago. Ele tosse com dificuldade e eu penso que é melhor que ele morra assim mesmo, mas o idiota é forte. Me pegou pelo pescoço e tocou meu corpo para a parede, bati com a cabeça e bem na hora que vi, que ele iria me bater com mais raiva e que eu não iria conseguir revidar, a porta se abre.

-Bruno, eu acho que esses papeis... Ai meu Deus. - Ashley deixa cair todos os papéis no chão, apavorada com a cena. - Eu vou chamar a polícia. - Ela correu para a mesa.

-Ash. - Tentei chama-la.

Finn correu para fora da sala, ele ficou com medo quando ela mencionou a polícia. Será que ele tem medo de ser acusado de bater num famoso, ou ele deve alguma coisa? Deixo meu corpo deslizar pela parede. - Não chame a polícia. Eu estou bem.

-Mas você está... meu Deus. - Ash costumava fazer o trabalho de secretária do Brandon, ela já sabia de tudo e praticamente era uma empresária.

-Preciso ir embora. - Coloco a mão na cabeça e levanto do chão.

-Sozinho? Não!

-Ash, eu vou pra casa. Sozinho. - Puxo minha jaqueta da cadeira e pego minha carteira, meu celular e minhas chaves.