quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Capítulo 58 - Good friends
Não tinha nada pra fazer quando a noite caiu realmente. Já havia arrumado os papéis para a consulta rotineira de amanhã, e estava sem sono. Andei pela casa levando comigo um copo de leite quente, para ver se o sono vinha, mas desisti de beber quando pego Bruno sentado no sofá, com fones de ouvido grandes e preto, e na televisão passando um filme preto e branco.
-Hey. - Sentei na poltrona, colocando o copo na mesa de centro. - He ey. - Estalei os dedos em sua frente, ai que ele foi notar minha presença.
-Oi? - Bruno tirou seus fones de ouvido.
-Tudo bem? Desculpa atrapalhar, mas eu estou sem sono. - Rolo os olhos e ele ri, brincando com o fone.
-Está tudo ótimo, estou apenas refletindo, escutando música.
-Isso é bom. Refletindo sobre a carreira?
-Não. Na verdade na minha vida. - Ele dá um sorriso torto.
-Nessa reflexão, o nosso filho inesperado está, não é?
-Exatamente. - Ele se recosta no sofá, direito. - No bebê, em você, em Sophie que nunca mais apareceu, na minha família...
-Sim... - Falar de Sophie não era exatamente o assunto que eu gostaria de ter, mas acho que ele está precisando desabafar. - Sente saudades da Sophie?
-Não. Eu sinto falta, às vezes, porque ela vivia no meu pé, mas não saudades. Só penso no que ela deve estar pensando de mim.
-Ela deve estar pensando que você é uma maravilhosa pessoa. - Sorrio. - E que, se ela fosse de outra forma, ela poderia ter cativado o seu coração, e então ter para ela um homem maravilhoso.
-Obrigada. - Ele diz, sem jeito, e nervoso, brinca com o fone se ouvido.
-E sobre a família, o que está acontecendo?
-Nada não. Eles me deram um apoio enorme quando descobriram que eu iria ser pai, e meu pai me avisou que esse seria um sentimento único, e está sendo aos poucos. Cada dia que eu vejo a sua barriga crescer. Queria que minha mãe pudesse assistir isso.
-De onde quer que ela esteja, ela está vendo. - Sento-me ao seu lado, passando a mão sobre o seu ombro. - Ela era uma linda mulher, além de ser extremamente cativante.
-Como sabe? - Bruno arqueia a sobrancelha.
-Eu vi uma foto dela. - Dou de ombros. - E, ela criou os filhos de uma maneira incrível. Me sinto idiota de lembrar que um dia pensei que você e o meu filho seriam duas coisas que não poderiam ter acontecido.
-Talvez esse bebê tenha vindo para mostrar para duas vidas, os caminhos certos. - Fico observando seu machucado no olho. - Nathan vai ser um bebê de muita sorte. - Ele olha para minha barriga.
-É, ele vai. - O clima, tão de repente, havia ficado propenso. Propenso à tantas coisas, que resolvi distrair.- O que estava escutando?
-Uma coletânea que tenho em meu iPod. - Ele me oferece o fone e eu coloco. A música estava pausada. - Estava escutando I got you. - Ele dá play e eu arregalo levemente os olhos pela altura. - Alto demais?
-É, um pouco.
Ele baixa o volume e passa para a próxima música.
-Ah, essa musica. - Ele sorri, como se a música o levasse para outra dimensão. - Minha mãe cantou essa música quando nós eramos pequenos. - Bruno me olha rapidamente. - Já ouviu?
-Não estou lembrada, acho que não.
Bruno colocou a música para tocar, desde o inicio novamente. Me observou escuta-la. Tão linda realmente era, quando senti algo tão mágico. Minha barriga se contorce mais do que qualquer outra vez. Meus olhos enchem de lágrimas e Bruno arregalou os seus.
-Isso doeu?
-Não. - Passo a mão pelo local, levantando a blusa. - Bruno, eu acho que ele gostou!
-Ponha para ele ouvir.
Tiro o fone dos meus ouvidos para por em minha barriga. O fone esticou o máximo que podia. Bruno aumentou o volume para que pudéssemos ouvir também e ele cantava, somente mexendo a boca, e minha mão acariciava uma pequena parte da barriga, ainda maravilhada com o que tinha acontecido.
-Eu acho que ele realmente gostou. - Sinto algo se mexer, mas não foi visível como antes. - Parabéns, seu filho terá uma alta tendência a músicas antigas e reis do pop ou r&b.
-Ele vai puxar a mim. - Seus olhos brilhavam, como estrelas. - Amber, você ouviu isso? Meu filho... Caramba, ele vai conhecer tudo, vai aprender todas as músicas...
-Hey, calme. - Começo a rir da sua empolgação. - Ele ainda não sabe do que verdadeiramente gosta.
-Mas eu vou ensinar tudo sobre música. - Seu sorriso é tão verdadeiro e sincero, que me contagia.
-É claro que vai, e ele ficará feliz com isso!
-Amber. - Nos olhamos, encarando por segundos olho a olho. Vi toda a sua emoção ali, todo seu amor, e ele parece estar tão diferente do que estava antes. - Obrigada. - Bruno pega minha mão, dando um choque, por a minha estar quente e a sua gelada.
-Pelo que?
-Por me proporcionar isso. Digo que Nathan não poderia ter alguém melhor como mãe, e eu como amiga. Companheira.
-De nada, e obrigada à você também. - Sorrio, desconfortável, por ainda não saber encarar um elogio de frente.
-É melhor você dormir, amanhã de manhã terá consulta...
-Tem razão. - Retiro o fone e levanto-me do sofá.
-Use algum carro amanhã. Qual você achar melhor, sabe onde estão as chaves?
-Sim, eu sei. - Coloco meu cabelo para trás das orelhas. - Boa noite, Bruno.
-Boa noite, Amber.
Eu havia ficado nervosa. É impossível isso, depois de termos passados por momentos íntimos dentro dessa casa, justamente agora irei sentir esse aperto no peito como se cada passo que eu tomasse seria uma escolha errada?
+++
Uma semana passou num estalo de dedos. Parece que nada acontece, além do crescimento inexplicável da minha barriga. Parece que eu engoli uma melancia inteira e ela se alojou ali. À noite será o chat de lançamento da música, e Bruno estava todo empolgado, dedicou o dia de ontem para organizar tudo no seu estúdio, e hoje buscaríamos Violet para passar o dia e esperar por amanhã.
-Não, eu não estou nenhum pouco afim de fazer isso. - Bruno se esparramou pelo sofá. - Entenda, é chato. Não nasci para tecnologias.
-Do que está falando? - Pergunto mexendo somente os lábios.
-Do hangout. Brandon quer que eu teste.
-Eu posso testar. - Dou de ombros.
-Brandon, Amber irá testar para mim. - Ele sorri em minha direção. - Sim, ela é um anjo.
Esperei ele desligar o telefone, mexendo no celular. O dia seria basicamente esperar para que Finn me dissesse a hora de nos encontrarmos, e Bruno não sabia disso ainda.
-Toda arrumada. - Ele observa minha roupa. O macacão jeans, o tênis e cabelo preso numa trança lateral.
-Vou sair.
-Onde?
-Vou encontrar com o Finn.
Bruno me olhou, sem reação nenhuma. Ele queria falar algo, mas seu rosto mostrava uma decepção.
-Finn? - Assenti positivamente. - Pensei que não se falassem mais...
-É por isso que vou vê-lo, para não ficar aquele clima chato entre nós.
-Ah... - Ele junta as mãos, inclinando o corpo pra frente. - Chance de voltarem?
-Provavelmente não... Eu estou confusa ainda. Ele é legal, mas não sei se posso dar o que ele quer.
-E o que ele quer?
-Amor? Paixão? Uma pessoa que esteja ao seu lado por completo... E eu não me sinto assim com ele.
-Mas se sente com outra pessoa? - Pergunta, curioso.
-Talvez. - Balanço a cabeça. - Eu não sei.
-Bom... tome cuidado lá. Quer carona?
-Não, eu ainda consigo dirigir. Depois passo lá em casa para buscar Violet.
-Ok. Podemos convidar a Riley, dai fazemos uma janta especial, que tal?
-Perfeito.
Em poucos minutos, Finn avisou-me por mensagem que já saíria do serviço para o almoço, então peguei as chaves e procurei Bruno para dar tchau, como não achei, segui meu caminho. A estrada até que estava calma, contando que essa hora é almoço e todos querem sair ao mesmo tempo correndo contra ele. Estacionei meu carro e entrei no estabelecimento, dispensando a moça que perguntara se precisaria de uma mesa. Avistei Finn sentado, com mãos inquietas e olheiras. Eu não sei se estou pronta pra isso. Me aproximei e puxei a cadeira.
-Hey. - Tiro a bolsa do meu ombro.
-Hey. - Ele sorri, meio sem saber o que fazer. - Que bom que veio.
-Nós precisávamos conversar, não é? - Sorrio e ele também. - Já fez seu pedido.
-Estava a sua espera.
-Ok.
Comemos o que pedimos, acompanhado de duas latas de suco. Finn parecia nervoso, e evitava falar sobre qualquer coisa, mas eu precisava me explicar.
-Desculpa por magoar você uma segunda vez. - Procuro a sua mão.
-Eu fiquei decepcionado, e não magoado. Eu sabia os riscos que poderia tomar. Só não saberia que era drasticamente e logo agora.
-Acredite, não foi assim...
-Eu não quero pensar como foi.
-Então me escute. - Ele me olhou, mas como não havia me dado a sua mão, retirei a minha. - Eu gosto de você, Finn. Mas acho que eu não gosto da forma como eu pensei que gostasse, entende?
-Você gosta dele?
-Do Bruno? - Pergunto e ele responde que sim. - Gosto, da mesma forma que gosto de você. - Havia mentido. Eu posso até dizer que gosto da mesma forma, mas ultimamente eu prefiro ele, o Bruno.
-Então o que levou você à fazer aquilo?
-Fraqueza, e hormônios. Me deixei levar.
-Eu sabia que vocês morando junto não iria dar certo.
-Mas, nunca mais rolou...
-Nunca? - Pergunta com certa descrença.
-Não... somos amigos.
-Então volta pra mim?
-Finn, não confunde as coisas. Nada irá mudar. Eu quero um tempo só pra mim. É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.
-Desculpe, não queria forçar.
-No momento certo você vai encontrar a pessoa certa.
-Não acho que seja assim.
-É assim. Você vai identifica-la quando sua mão encaixar perfeitamente com a dela.
-Nossas mãos... - Dei a mão para ele, que ri. - Não...
-Viu? E outra, eu tive que dar esse tempo pra pensar no que queria fazer. Fiquei decepcionada quando soube que você foi atrás do Bruno.
-Ele me afrontou.
-A afronta foi sua, ao ir no estúdio pra bater nele.
-Ele merecia.
-Não, ele não merecia. Fui eu que agarrou ele, fui eu que deixei ele continuar, eu que quis. Ele não tem culpa nisso.
-Foi bom pra ele ver que nem tudo gira em torno do umbigo dele.
-Isso só mostrou covardia da tua parte. Você lutou, você sabe brigar e é bem maior que ele, é por isso que foi até lá. - Ele baixou a cabeça, e isso era suficiente para saber que aquilo se tratava de uma confirmação.
-Todos erram...
-O erro de vocês foi longe de mais. Você e ele não são animais, sabem conversar civilizadamente, então não é necessário isso.
A conversa desenrolou e conforme eu ia puxando sua orelha, ele falava tudo que sentia na hora. Fiquei com raiva dele ter batido no Bruno daquela forma covarde, mas também fiquei com raiva do Bruno por deixar isso continuar. Por fim, ele deixou claro que gostaria de continuar meu amigo, o que me deixou feliz.
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Finn amigo, Bruno amigo... veremos qual amizade será colorida 😆
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