quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Capítulo 37 - Desire

Quando dei meu primeiro bocejo, todos já começaram a dizer que iam embora. Não queria que o jantar acabasse por minha causa, estava gostando tanto de estar conversando com ele, rodeada das pessoas que eu amo. Mas não poderia negar que eu estou completamente entorpecida pelo sono, estou bem cansada e minhas costas doem.

-Vamos indo, filha? - Meu pai levanta e Violet também.

-Um dia eu vou dirigir e sair por aí sem hora pra voltar. Odeio depender dos outros. - Vi bufa e Bruno ri dela.

-O dia que fizer isso vai ter sua própria casa, seu próprio carro e eu estarei morto. - Meu pai bagunça seu cabelo e ela revira os olhos. Rio do bom humor que os dois estavam, principalmente meu pai.

-Viu mocinha. Você deve ter deveres pra fazer, vá descansar. - Bruno encosta no seu ombro, e ela se abre num sorriso.

-Dormir? Descansar? - Rio alto.

-Ela vai pro computador. - Belle implica.

-Vocês estão fazendo uma má fama minha pra ele, com licença. - Ela põe a mão no peito como se estivesse bem ofendida. - Não sou essa pessoa que elas falam, Bruno.

-É pior. - Belle intica com ela, que põe o dedo do meio. Me inclino e dou um peteleco em sua orelha que a faz rir e por a mão no lugar.

Acompanhei meu pai até a porta e Violet também. Finn já estava indo também,  e consequentemente Bruno. Dei tchau para meu pai que esperou Violet, mas Bruno veio me dar tchau primeiro. Ele me abraçou e eu senti uma boa vibração.

Uma vibração. Vinda da minha barriga.

Bruno me olhou, meio sem saber o que fazer e eu levei minha mão até a barriga. Meu bebê havia mexido. Meus olhos marejam instantaneamente, eu estava prestes a chorar de emoção. Fiquei procurando o lugar que ele poderia mexer novamente, e todos me olhavam.


-O que houve? Ele mexeu? - Pergunta minha irmã.

-Sim, eu senti. - Bruno parecia estar bem emocionado também.

-Ele mexeu, mas agora não quer mais. - Começo a rir.

Ele pousa sua mão sobre a minha barriga, é tão estranho ver as pessoas mal pedirem e já irem colocando sua mão na minha barriga. Parece uma invasão de privacidade. Na realidade não parece, tecnicamente é. E então a lágrima caiu quando ele esfregou sua mão e ele mexeu bem no local.

-Ele mexeu de novo. - Bruno parecia tão empolgado com isso. Finn sorria, mas não se aproximou de nós. Acho que ele respeitou o momento que eu estava tendo.

-Quero sentir meu afilhado! - Belle grita e vem para o meu lado tentando achar onde ele possa chutar novamente.

-Tenta por a mão aqui. - Bruno indicou e ela põe. Mas nada acontece.

Meu filho não mexeu mais, apenas aquela hora e apenas para o Bruno. Já vi que ele terá um grande fã, e que nós teremos briguinhas de atenção, vou ser ciumenta, até demais, com meu filho. E não vou dizer que se não estivesse muito emocionada por sentir ele mexer realmente, eu estaria com raiva dele só mexer quando o Bruno encostasse na minha barriga.

Dei tchau para todos, Bruno, meu pai, minha irmã e Finn. Todos foram embora e o que restou para nós foi ir dormir. Tomei um breve banho e lá tentei ter mais contato com meu filho, falei com ele, mas nada feito, ele parecia não ceder pra mim, somente aos encantos do pai. Deitei depois das meninas, já que elas estavam bem mais cansadas que eu, e tentei mais uma vez falha que meu filho mexesse, mas isso não aconteceu.

Repousei meu corpo de vez e fechei os olhos para dormir.

++++

O dia após o jantar foi basicamente por uma única frase: "mexe pra mãe, filho". Ele não cedeu. Teimoso. E agora quando deitei para dormir, não foi diferente, ainda estava morrendo de ciúmes dele mexer para o Bruno e não para mim.

Acordei aproximadamente perto das três da manhã e uma vontade doida preenchia meu peito. Desejo de torta de limão com caramelo. Minha boca salivava por isso. Andei até o quarto onde Belle e Rye estavam e abri a porta.

-Meninas. Hey. - Chamei por elas inconsequentemente.

-O que aconteceu? - Annabelle pula da cama e acorda Rye, que assim que me vê arregala os olhos e acende o abajur.

-Nada... quer dizer, tudo. - Balanço a cabeça.

-Está passando mal?

-Não. - Nego. - Estou com desejo.

-Liga pro Finn. - Belle enfia o travesseiro no rosto.

-Desejo de que? - Pergunta Rye.

-Torta de limão com caramelo. - Minha boca saliva novamente e ela revira os olhos.

-Antes de estar grávida já comia coisas estranhas, agora pior ainda. - Ela boceja e eu ando até a porta. - Ligue pro Finn ou tente tomar água para que  o desejo passe, sei lá.

Deixei as meninas dormirem, eu fui idiota em fazer isso porque ambas sairão amanhã cedo e eu não. Não deveria acorda-las. Mas a vontade está tão grande. Rolo a tela do celular e paro no contato do Finn, mas não é justo com ele, ele também acorda cedo amanhã...

Bruno é a única solução pra minha noite. Disco o número dele, que atende no terceiro toque.

-Alô? Amber? O que foi? - Ouço sua voz preocupada.

-Oi, tudo bem? - Pergunto com voz travessa.

-Ai, que susto! Está tudo bem sim, só não o fato de você me ligar ás... - ele parece olhar para algum lugar que tenha horário e retorna. - ás três da manhã. Está sentindo algo?


-Sim. Desejo. - Novamente escorre água dentro da minha boca.

-Ah. - Bruno parece meio perdido. Espero que ele se toque do que falei. Quando foi que eu perdi toda a minha vergonha na cara? Que cara de pau! - E...

-Eu preciso comer torta de limão com caramelo. Eu preciso muito. - Levo a mão na barriga.

-Onde eu irei achar isso ás três da manhã? - Revoltado, pergunta.

-Não sei. - Levo o dedo, sapeca, até a boca.

-Ai senhor! - Ele bufa. - Levo pra você assim que achar.

-Não é pra mim...é pro seu filho.

-Que seja. Estarei ai assim que der.

Desliguei o celular e fiquei com pena dele, ter que acordar essa hora pra fazer minha vontade, que é a vontade do seu filho. Nunca sei se é eu que estou sentindo vontade ou se é meu bebê. Pego minhas coisas e levo para a sala, cobertas e meu travesseiro. Afofo o sofá com as almofadas e meus cobertores, e ligo a televisão.

Até dou uma cochilada, quando escuto uma batida de leve na porta. Levo o olhar até o relógio da sala que marcam quinze para as cinco. Bruno!

Levanto rapidamente e abro a porta pra ele, que carrega em mãos uma caixa rosa.

-Nunca reclame de mim! - Ele vai entrando e eu dou abertura.

-Obrigada? - O olho confusa e ele leva a torta até a mesa. Tranco a porta e vou atrás dele.

Encaro a torta, parecendo estar bem deliciosa, mas infelizmente eu havia perdido a vontade.

-O que foi? Não vai atacar? - Pergunta arqueando uma só sobrancelha.

-É que...

-Não me diga... - Ele me olha semicerrando os olhos e joga a cabeça pra trás. - Não me diga que não quer mais.

-É... - Estico meus lábios e deixando-os numa linha reta e ele fecha os olhos.

-Você vai comer.

-Não estou mais com vontade. - Falo tentando levar um pouco de humor na conversa.

-Eu andei até Venice Beach, chamei um cara amigo do meu irmão que é dono de uma confeitaria, ele abriu a loja dele e procurou uma torta de limão, ele teve que fazer a porcaria da calda de caramelo, e eu paguei caro por isso. Agora, você vai comer. - Ele arqueia bem as duas sobrancelhas.

Sinto pena da sua história e não falo nada. Apenas pego dois pratinhos e duas colheres, e uma espatula para servir. Bruno me cuida enquanto sirvo, e  me direciono pra a sala com meu pratinho. Olho para ele significando como um "vai ficar parado ai?", e ele se toca, vindo atrás de mim.

Sentamos no sofá, enquanto a televisão passava o fim de algum filme que eu não sabia qual era. Mal toquei na minha torta. Comi um pouquinho e Bruno me olhou de cara feia, então comi mais.

-Como ele está? - Pergunta ele quebrando o gelo.

-Bem, e não está mais com fome.

-Você tem se alimentado direitinho?

-Sim. - Suspiro lembrando de uma ou duas vezes que não havia sentido fome então não comi.

-Trarei algumas coisas para vocês. Já estou vendo o quarto dele lá em casa, e já mandei pintar! Um dia terá que ir lá ver.

-Ah sim. - Falei meio enjoada.

Escutei mais algumas palavras do Bruno quanto ao quarto do nosso filho, quando senti que a torta estava voltando, não era esse percurso que ela deveria fazer. Corro para o banheiro tentando fazer o mínimo barulho possível e me ajoelho na frente do vaso, isso é tão nostálgico.

-Você está bem? - Bruno segura meu cabelo quando pergunta.

-Sim. - Tento sorrir em meio aquele cheiro horrível. - Falei que não queria  mais.

-Não forcei você a comer. - Olho para ele quando me levanto e ele ri. - Talvez tenha um pouquinho. Mas eu estava irritado por ter feito todo esse percurso.

-Desculpe. - Peço assim que lavo minha boca e seguimos para a sala.

Dei duas cobertas das três que eu estava, e as almofadas para ele deitar no chão. Aumentei um pouquinho mais o volume e nos preparamos para assistir o clássico Titanic, já que era o único filme que estava passando.

Pedi para ele dormir ali, afinal esta muito tarde para ele voltar para casa e é o mínimo que eu poderia fazer por ele.


  • Desculpa a demora, Tá virando rotina, mas gente, eu estou completamente bloqueada com a fic, Momentos de tensão enquanto eu escrevo, parece que não sai nada do que eu quero que saia. Espero que possam me entender. Obrigada <3

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Capítulo 36 - sing

Um pequeno jantar foi inventado para mim no dia seguinte da minha vinda do hospital. Estava vestindo minha roupa quando Finn pediu para tirar uma foto. Pegou meu celular e fotografou de lado minha barriga. Fiquei com vergonha, sou tímida para fotos e coisas assim, tanto que sou estranha por não ter um instagram pessoal, e que minha conta do facebook consta apenas com três ou quatro fotos minhas no máximo.

-Essa barriga está tão linda, deliciosamente linda. - Ele beija meu pescoço  e me deixa com vontade de cancelar o jantar e ir para a cama com ele. Fecho meus olhos e tento me concentrar, mas seus beijos encontram minha boca e ele segura meus cabelos com vontade.

-Precisamos. - Consegui falar isso, mas seus beijos estavam incontroláveis.- Ir. - Respirei entre seus beijos e tomei coragem para segurar seus ombros antes que eu mesma decidisse não aparecer pelo jantar. - Precisamos ir pra lá, ainda temos que buscar Violet. - O lembrei.

-Sobre isso, - ele pigarreia. - ela não vai conosco.

-Vai com quem? - Arqueio uma sobrancelha e ele ri.

-Com seu pai!

-Meu pai vai ir? - Sinto meus olhos se encherem de lágrimas e ele deposita um beijo em minha bochecha.

-Ele ama você, Amb, está disposto a fazer de tudo por sua filha.

-O mais engraçado é que ele não era assim antes. - Comento enquanto visto um casaquinho fininho. - Ele sempre foi mais fechado e sem opinião. O que minha mãe escolhia estava bom. Passava o dia na frente da televisão assistindo jogos, ás vezes lendo jornal e fazendo algumas apostas.

-Parece um filme o jeito que o descreveu. - Finn ri e coloca em seus braços uma jaqueta de couro marrom. - Queria poder terminar o que quase começamos. - Ele faz um beicinho lindo.

-Temos tempo para isso, senhor. - Bati continência e ele balança a cabeça, sorrindo.

-Você ficará lá na Belle. - Novamente seu beicinho aparece. - Mas tudo be, é pro seu bem. Tudo pronto?

-Tudo! - Falo empolgada.

Escutamos música no caminho, e ele estava todo empolgado pondo a mão ás vezes sobre a minha barriga para ver se dava a sorte de sentir ele mexer, mas avisei para ele que eu o mal senti, quanto mais ele que está de telespectador. Troquei a estação porque tocava músicas chatas de country e não era o que eu estava precisando. Na outra tocava Bruno, e eu deixei na estação. Finn deu um sorriso sincero.

-Não falei que tudo ficaria bem. - Ele me olha brevemente e volta a encarar o trânsito. - Bruno está sendo um bom amigo para você? Ele parece um cara bem legal.

-Ele é legal, pelo menos está se mostrando ser um por trás daquele idiota que eu conheci. - Respirei fundo e por segundos eu pensei que as coisas estão se ajeitando aos poucos mesmo, nada está tão ruim quanto eu pensei que ficaria. Ainda bem.

Sei que vou ter que abrir mão de muitas coisas. Abrirei mão de montar meu ateliê em pouco tempo, abrirei mão de comprar um carro só para mim, abrirei mão das longas noites de sono somente para acompanhar meu filho nos seus primeiros meses quando se sentir sozinho na noite, abrirei mão da bebida num pub qualquer em alguma reunião de amigos. São tantas coisas que terei que abrir, algumas fúteis e outras com precisão, mas que terão que dar um tempo para que eu consiga criar meu filho com tudo que ele precisará. É assustador no começo sim, a gente acha que não está pronta, que o mundo vai mudar e cair em cima da gente, é louco pensar que há um ser dentro da gente, dependendo da gente para continuar vivo e que vai depender a vida toda, assim como nós dependemos de nossos pais um dia. Mais louco ainda é a gente amar este pequeno ser desde o instante em que descobre que está gravida, mesmo depois do susto, das lágrimas, das dúvidas, dos medos, depois de alguns minutos isso passa e a gente sente um amor imenso sem ao menos saber como esse ser é, sem saber se é ele ou ela, sem nunca ter visto, sem nunca ter sentido, só saber que está ali, que já ama a gente, e o melhor de tudo é nosso. Eu vou dar ao meu filho todo o amor e carinho extra que eu queria ter recebido dos meus pais. Vou fazê-lo ser uma boa pessoa, vou fazê-lo amar sobre todas as razões, vou cria-lo com amor e tentar livra-lo de todos os maus. Agora ele viverá para ele e eu viverei para ele também, boa parte do tempo.

A casa estava arrumada, a mesa estava com talheres, copos, e pratos. A comida estava cheirando bem, Riley estava fazendo-a. Não estava com tanta fome, mas sei que devo comer, pelo menos mostrar para eles que não tem o que se preocuparem comigo e minha alimentação. Violet e meu pai chegam e Finn engata uma conversa com ele, enquanto vou para a cozinha com minhas meninas.

-E então eu acordei, e percebi depois de um tempo que aquilo tinha sido apenas um sonho ruim. - Sorrio depois que explico a elas minha breve fase de um sonho chato. - Foi quando senti um pequeno movimento, quase imperceptível, aqui. - Aponto para a barriga.

-AAAAAAAAAH. - Foi um coral de meninas babonas pelo meu pequeno. Violet abaixasse ao meu lado e coloca a boca perto da minha barriga.

-Você vai mexer para a titia? - Pergunta ela cutucando a barriga de leve.

-Diz que não, príncipe. - Mexo com ela como se estivesse falando com ele e ela me belisca no braço. - Isso doeu! - Fiz cara de dor e ela ri.

-Bem feito. Meu sobrinho irá ser a minha cara e terá minha personalidade só pra você ter que aguentar.

-Já te aguentei, agora com ele vai ser moleza. - Ponho a língua pra ela.

-Engraçadinha.

Engato numa conversa com as três, mas somos interrompida pela ligação em meu celular, atendi e olhei para elas com cara de suspense. Não preciso nem dizer que atingi o ponto fraco de todas: curiosidade.

-Alô? - Pergunta na linha.

-Oi Bruno. - Sorrio para elas quando sigo. Belle rolou os olhos, Riley ri e Violet se assanha na minha frente tentando ouvir nossa conversa.

-Tudo bem, Amber?

-Tudo sim, e com você?

-Estou bem. Como vai meu filhote? - Pergunta com tanta doçura. Realmente ele não se parece nada com aquele Bruno.

-Está bem, aliás, acho que essa noite ele até mexeu. Senti algo, mas foi muito rápido.

-Sério? Oh meu Deus, ele está esperto. Vai sair cantando daí, vai ver. - Rio da sua piadinha e ouço sua respiração mais próxima do telefone. - Posso ir visitar você?

-Oh, não... - Não concluo a frase. Não sabia ao certo se poderia convida-lo para vir até a casa de Belle já que eles não se falam, mas queria poder convida-lo para o jantar, assim seria mais um motivo de nos unirmos, já que teremos que ter proximidade e até um pouco de vínculo amigável. Respiro fundo e ando dois passos pra frente. - Só um minuto. - Digo ao Bruno e tapo o telefone onde a voz passa. - Posso convidar o Bruno para o jantar? - Peço piscando os olhos para Belle que franze a testa.

-Não entendi... - Belle parece confusa.

-Pode! - Responde Rye.

-Não permiti nada. - Belle diz e Rye faz um gesto para que eu diga que sim, então me viro rindo, e destampo o telefone.

-Estou de estádia na casa da Belle por tempo indeterminado. Já falei isso pra você. - Do jeito que comecei o assunto aposto que ele pensou que iria dizer que não. - Mas adoraria vê-lo no jantar que vamos fazer daqui a pouco, aqui na casa dela, e você está convidado a comparecer.

-Quanta honra. - Ambos rimos da palhaçada. - Ela não se incomodará com a minha presença?

-Claro que não. Pode vir tranquilo.

Passei o endereço para ele e disse mais ou menos em quanto tempo a comida ficaria pronta. Desliguei o telefone e me juntei para perto da mesa.

-Eu não tenho nada contra ele, gosto dele inclusive. - Finn explica para Belle. Aposto que estão falando do Bruno.

-Eu não consigo entender vocês.

-A palavra perdão costuma aparecer como turista no vocábulo dela. - Bato em seu ombro e ela me olha fulminantemente. - Ele irá vir.

-Eu vou jantar com meu ídolo. Estou morta! - Vi se abana com a mão nos fazendo rir.

Foi dito para meu pai e minha irmã o jeito que fui tratada pelo Bruno quando descobri que estava grávida. Meu pai se exaltou, disse que isso não foi extremamente uma atitude boa, mas também se colocou do lado dele e pensou como se ele fosse famoso e tivesse dinheiro e alguém aparecesse dizendo que estava grávida dele. Disse que agiria quase da mesma forma, mas menos agressivo com as palavras. Violet falou discursos e discursos. Disse que ele não é assim, só agiu assim por impulso, e blá blá blá, tudo o que eu já estou começando a perceber nesse pouquinho tempo que estamos nos falando melhor.

Minha irmã ligou o som e Bruno chegou trazendo com ele dois vinhos, um sem álcool - para mim e para Violet - e outro do porto. Além de ter levado dois Whiskes caros, um para meu pai e um para o Finn. Belle tentou ser bem simpática e acabou até conseguindo. Antes de sentarmos na mesa, falei para o Bruno meu feedback sobre o dia em casa, já que ele perguntou detalhes. E também me falou que acha que foi seguido por paparazzis enquanto saía do mercado, e quando estava vindo para cá. Meu coração gelou por segundos, mas depois resolvi ignorar um pouco esse detalhe.

Sentamos a mesa e desfrutamos da maravilhosa comida da Riley. Não repeti como as outras pessoas, estava com pouca fome e falei que já tinha comido antes de vir, na hora em que Finn estava no banho. Recolhemos a louça e Bruno nos ajudou, enquanto Violet fazia algumas perguntas pra ele e acabava rindo de algumas coisas que ela falava. Fomos para a sala e ele sentou-se no mesmo sofá que eu. Finn ao meu lado, e ele no outro lado, e Violet empuleirada na guarda, ao lado dele. Contamos histórias de infância, e rimos bastante. Brindamos e tudo mais.

-Eu amo essa música! - Grito quando começa a batida de a thousand miles, que faz parte da trilha sonora de um dos meus filmes favoritos.

-Eu também. - Bruno diz e nós rimos.



Making my way downtown
(Percorrendo meu caminho para o centro da cidade)
Walking fast
(Andando rápido)
Faces passed
(Rostos passaram)
And I'm home bound
(E eu estou perto de casa)

Tive ataques de risos enquanto cantávamos juntos. Ninguém prestava atenção em nós além de Violet que nos olhava sem ao menos piscar. Faço o instrumental com a boca e ele caí na gargalhada.

Staring blankly ahead
(Sem expressão, olho para frente)
Just making my way
(Apenas percorrendo meu caminho)
Making my way
(Percorrendo um caminho)
Through the crowd
(Através da multidão)

Agora ele que fez o instrumental, e é óbvio que me pôs no chinelo. O aplaudi e ele fez sinal de reverência, mesmo sentado.

And I need you
(Eu preciso de você)
And I miss you
(Eu sinto sua falta)
And now I wonder
(Eu sinto sua falta)

Demos um gritinho por estar no refrão e nos olhamos intensificados. Violet se empolga e acaba fazendo o instrumental junto com nós, e após uma breve risada, começamos o refrão atrasados.

If I could fall
(Se eu caísse)
Into the sky
(No céu)
Do you think time
(Você acha que o tempo)
Would pass me by
(Passaria para mim)
'Cause you know I'd walk
(Pois você sabe que eu andaria)
A thousand miles
(Mil milhas)
If I could
(Se eu pudesse)
Just see you
(Apenas ver você)
Tonight
(Essa noite)

Continuamos a música com o acompanhamento da Violet que cantava meio sem saber a letra direitinho e vacilando ás vezes. Falamos sobre o filme e o fato de termos esse ponto em comum. Comentamos muitos nomes de filmes que amávamos e mal sabíamos que tínhamos mais isso em comum, muitos filmes dos quais eu amo, ele também ama.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Capítulo 35 - Sometimes I think it'll be a bad mother

Estava sentada de frente para o médico, que analisava todos os papéis com maior cuidado, anotando algumas coisas em um outro papel. Estava ansiosa pra saber como meu bebê e eu estávamos, já que no hospital as consultas estão sendo rotineiras, sem muito tempo para ecografias de "enfeite" como titulou a enfermeira, apenas exames com mais precisão.

-Amber, como está se sentindo?

-Muito bem. - Respondo convicta.

-Tem passado as noites bem? Digo, dormindo direitinho, comendo, e etc?

-Na verdade até demais. Agora sinto mais fome do que antes sentia, multiplicaria até.

-Isso é bom, muito bom. - Ele anota, muito provável sobre o que eu falei agora. - E o bebê, já pôde sentir algum movimento dele essa semana?

-Não. - Balanço a cabeça também.

-Você está entrando na vigésima primeira semana, então isso é absolutamente normal. Tem mães que os sentem à partir da décima oitava semana, raros casos até antes, e tem outras que o sentem mais para o final da gravidez. Então, caso tenha se perguntado sobre isso, não precisa se preocupar. - Na verdade eu parei para pensar sobre isso agora. Tenho tantas outras perguntas borbulhando em minha mente que nem sei como parar para pensar em cada uma e reformula-las para o doutor. - Deite na maca, por favor.

O doutor me examina rapidamente, checando minha respiração, minha garganta e dando até uma rápida olhada em meus dentes. Ele passa a mão sobre a minha barriga, explicando exatamente a posição em que meu filho se encontra. Consigo sentir uma parte mais "dura" em minha barriga, e ele também me explica que é onde ele está mais concentrado, e que é normal alguns dias a minha barriga estar mais dura do que nos outros.


-Amber, eu irei marcar uma ecografia para semana que vem. - Ele anota em um papel de exame diferente. - Até lá, se tudo continuar a mesma coisa, você já poderá sair do hospital. E claro, obtendo o máximo de cuidado possível mocinha, porque sabes que se não cuidar direitinho da sua alimentação e essa anemia não se curar completamente, a gravidez pode se tornar de risco. E isso é o que não queremos.

-Entendo doutor. Eu juro por tudo que é mais sagrado que eu irei me cuidar. - Sorrio pra ele. Eu irei me cuidar muito mais. Com certeza.

Bruno Pov's 

As coisas estão mudando aos poucos. Está cada vez mais difícil esconder da mídia que eu vou ter um filho, mas isso não é nem o que me importa. Para quem, há duas ou três semanas atrás, não queria nem ver a cara dela, agora está como idiota contemplando a beleza da qual meu filho pode herdar. Passei uma noite praticamente em claro pensando em quais características ele irá pegar de mim, pegar dela, ou uma mistura de nós dois. Estava pensando que ele poderia ter os traços labiais da minha mãe. Ela era toda linda, mas especialmente sua boca, ela era encantadora.

Amber é uma pessoa legal, eu é quem foi o monstro na história. A ideia de ser pai ainda está sendo digerida por mim, ainda está em processo de digestão, então não posso tirar nenhuma conclusão, mas a cada dia percebo que dentre muitas pessoas que poderiam ser a mãe do meu filho, ela pode ter sido a melhor escolha sem escolha. Não tive opção de dizer que a queria como mãe dos meus filhos, mas pelo que eu conheci-a, tenho certeza que não irei me decepcionar.

Levantei da cama e entrei no closet atrás de uma roupa. Tomei uma ducha rapidamente e liguei para o Dre combinando o horário, e ele disse que estava tudo certo. Coloquei a jaqueta sobre meu corpo e enfiei um boné em minha cabeça para não ser tão mais identificado do que já sou, já que dessa vez é dia e eu não posso vacilar.

++++

-Eu estou nervosa sim. - Ela arregala seus olhos castanhos esverdeados pra mim quando o médico saiu da sala.

-Não vai adiantar em nada, nós já vamos vê-lo. - Rio da cara dela de pavor, enquanto passa a mão na barriga, parecia procurar algo. - O que houve?

-Estou desde semana passada... desde que o médico falou... esperando que ele se mexa, mas ele não mexeu ainda. - Seu suspiro sai pesado, vejo que ela ta realmente preocupada com isso.

-Deve variar de mulher para mulher o tempo que os bebês se mexem. - Não sabia se era isso, não faço ideia, mas arrisquei algo somente para tentar acalma-la.

-Sim, o médico falou isso, mas ai eu me dei de conta que não estou pensando em tantas coisas. - Amber suspira mais uma vez e espalma  a mão na barriga. - Tem horas que eu acho que serei uma péssima mãe.

-Não existem péssimas mães. - Balanço a cabeça. - Você apenas é uma mãe de primeira viagem, isso é normal.

-Por ser mãe de primeira viagem e não ter o auxilio de uma mãe para me apoiar, tenho medo do que possa acontecer, do que eu possa fazer... - Não tinha o que falar para ela, fui desarmado. Ela praticamente não tem uma mãe como eu também não tenho, porque sinceramente, não conto a mulher que a colocou no mundo como mãe, ela é apenas a mulher-que-a-colocou-no-mundo.

-Tudo vai ficar bem. - Encosto no seu braço e ela sorri pra mim, e eu igualmente pra ela.

O médico prepara tudo para que possamos começar com o exame. Fico em pé ao lado dela enquanto um gel é posto em sua barriga, e pela fisgada que ela deu, isso não é nada agradável. Uns borrões apareceram na tela, de inicio eu não consegui entender nada, muito menos a Amber que exprimia os olhos tentando adivinhar o que era o que. Doutor dizia cada pedaço do que era e escrevia algumas coisas quando congelava a imagem, e então, finalmente, quando ele falou para nós que poderíamos admirar a imagem do meu filho, a imagem focou-se no exato bebê.


Não existe homem que não chore, não existe machismo, não existe barreiras, não existe absolutamente nada quando se trata desse momento. Meu filho é lindo, mesmo sem poder ver muita coisa, mas só de saber que ele está ali. Um outro aparelho foi conectado e ele aumentou um pouco o som, agora ouvimos seu coração rápido e bem acelerado, como se estivesse correndo. Por impulso, segurei na mão de Amber, que fechou seus dedos, encaixando perfeitamente nossas mãos, e ficamos ali, ambos emocionados. Não vejo a hora de poder dizer para todos que eu vou ter um filho, que eu vou ser pai.

Assim que ouvimos muitas coisas do médico, somos direcionados ao quarto dela para juntar suas coisas. Abri a porta para ela e indaguei:

-Eu levo você pra casa. - Eu estava sorrindo até ver Finn, que alegre, abriu um sorriso para ela e acenou para mim. - E ai, Finn. - Disse sem jeito.

Não sei o que deu ali, mas aquele momento era para ser entre eu e ela, e nosso filho. Ninguém mais. Fiquei realmente incomodado com isso, e mais incomodado fiquei quando vi que ela o abraçou com vontade de beijou seus lábios. Procurei fazer outra coisa e demonstrei que estava incomodado com isso.

-Vou levar vocês pra casa. - Ouço ele dizer.

-Eu iria com o Bruno, mas não posso recusar um convite seu. - Virei de costas para pegar minha mochila sobre a mesinha e imitei uma cara feia para reproduzir (sem som) o que ela falou.

-O que deu no exame? - Pergunta ele.

-Ele está ótimo. É um garoto tão lindo. Não dá para ver muita coisa, é preto e branco e ainda nenhum traço definitivo, mas é emocionante.

-Ele vai ser parecido com a mãe, tenho certeza disso. Nosso garoto vai ser o máximo.

Nosso garoto? Sério, panaca ? Nosso? De "seu" esse garoto não tem nada. Somente será seu amigo, porque ele é meu filho, ele é meu sangue, e quero tanto que ele seja mais parecido comigo possível só para dar um gostinho a ele. Dou tchau para eles e saio sem muita alegria do quarto e novamente faço questão que eles vissem isso. Gosto de ser notado quando não estou bem, não que eu goste que sintam pena de mim, mas gosto que as pessoas saibam que eu não estou legal, não no meu melhor dia nem melhor momento.

Amber Pov's

Finn fica todo atencioso ao meu lado quando chegamos em casa. Arrumou a cama deixando-a bem acolchoada com edredons e travesseiros, fez questão de me ajudar a tomar banho e por um pijama de soft para ficar mais aconchegada do que já estava. Assim que sentei na cama, com as costas escoradas na cabeceira, ele trouxe café em uma bandeja, com bolinhos e algumas bolachas de água e sal. Não tive tanta fome, acho que pelo fato de ter comido algo quando saí do hospital, mas quando ele insistiu muito, eu pus um pedaço do bolo de chocolate em minha boca. Depois que me lembrei que a comida fora do hospital era maravilhosa, não pude deixar uma migalha sequer na bandeja, e ainda recebi aplausos do Finn por ter comido tudo.

-Que tal um filme? - Pergunta ele.

-Hm, ótima ideia. - Digo divertidamente enquanto ele me dá um beijinho de leve na boca e levanta em busca de um filme.

Demoramos para escolher e ainda quase discutimos. O problema foi eu e meu humor, queria assistir comédia romântica, mas não queria nem rir e nem chorar muito. Queria assistir terror, mas lembrei das mortes e dos sangues e minha barriga embrulhou, pensei que vomitaria e Finn prontamente trouxe um balde com um pouquinho de água para caso eu vomitasse, o que de fato não aconteceu.

Colocamos somente uma comédia boba. Sabia que no meio do filme Finn iria dormir, e eu, bom, fiquei olhando pro filme não achando graça e lembrando dos detalhes do meu exame de hoje. Como minha criança é perfeita. Graças à Deus ela é inteira e com saúde. Automaticamente a imagem de Bruno aparece na minha mente, ele pareceu irritado quando saiu do quarto do hospital, nem tchau nos deu direito, mas não o julgo.

Passo a mão pela barriga e cuidadosamente canto uma canção de ninar, bem baixinho.

++++

Levanto rapidamente e vou ao banheiro com muita dor e literalmente fazendo minhas necessidades nas calças. Algo dizia que aquele não era meu dia. Olho minha urina quando levanto do vaso e observo a quantidade de sangue vivo que ali saiu. Acordo Finn rapidamente para me ajudar. Me sinto fraca quando descemos as escadas da casa dele. O espero em frente a porta e ele pega minha bolsa e sua bolsa de tira-colo. Saímos desesperados para o hospital enquanto minhas dores iam se intensificando cada vez mais. Passava a mão na minha barriga tentando acalmar tudo, mas meu filho parecia que não queria facilitar para o meu lado, e então ficava cada vez mais alvoroçado.

Levanto do banco do passageiro e Finn grita para enfermeiras me ajudarem, e chegam duas com uma cadeira de rodas, elas perguntam como eu estou me sentindo, mas eu só sei gritar de dor. Minha visão cada vez se embaça mais, minhas pernas pareciam mais tremulas do que antes, e bem perto do meu ventre há mais sangue.

Um médico ancião pede que me coloquem o termômetro, enquanto uma enfermeira ia tirando minha pressão. A dor pareceu aumentar mais quando uma agulha foi espetada em meu braço e eu grito pela última vez.

Acordo tentado não fazer barulho porque estou no hospital. Olho atordoada para os lados, mas lembro que estou no quarto do Finn. O procuro ao meu lado, mas ele não está por ali. Tiro o edredom que me cobre e verifico que não há nada, nem sangue, nem dor... Nada! Mas minha barriga se contorce brevemente.

E eu sinto que não é de fome. Repouso minha mão sobre onde eu constei a mexida e novamente, bem discretamente, sinto um leve empurrãozinho de dentro para fora. É meu filho me avisando que ele está ali, está comigo. Foi apenas um sonho ruim.


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Capítulo 34 - What my idol is doing in your bathroom?

A aflição de não poder fazer nada sem ter que depender de algumas pessoas. Pela tarde, quando o médico esteve aqui, ele me falou que se tudo continuasse do jeito que está, antes mesmo que eu imagine, já estarei em casa. Recebi a visita do Finn, antes de anoitecer, e as meninas ligaram.

-Hey. - Ouço duas batidinhas, e olho em direção da porta.

-Oi? - Fico surpresa em ver o Bruno por ali, afinal, ele já veio hoje pela manhã.

-Tudo bem? - Ele pergunta enquanto eu observo sua mochila nas costas.

-Na medida do possível. E você, está bem? - Pergunto de volta e ele sorri se aproximando mais da cama.

-Eu estou bem, completamente bem.

-Desculpa, não pude deixar de notar e nem de falar, mas você vai sair? Viajar? Porque já veio mais cedo aqui. - Comento e ele senta na poltrona colocando a mochila em seu colo.

-Posso ser preso por isso, mas trouxe uns doces pra você, minha irmã disse que talvez você irá gostar, e uma roupa mais confortável que essa que estou. Pedi que Rye ficasse em casa hoje.

-Rye? - Acho engraçado ele trata-la com intimidade.

-É, estamos nos dando muito bem. Você tem muitas pessoas boas ao seu lado.

-Eu sei, eu os amo muito. - Fiz uma careta quando, sem querer, mexi o braço demais e senti uma fisgada nas costas. - Você irá dormir aqui, comigo? - Pergunto retornando o assunto.

-Se não se importar. - Ele me entrega uma caixa com vários docinhos, incluindo cupcakes. A irmã dele tem razão, eu amarei isso.

-Claro que não. - Sorri.

Desde a primeira vez que suas irmãs estiveram aqui, já passaram mais uma semana. O tempo, em horas, parece nem passar, mas quando me dou de conta, os dias voaram. Mas eu não tenho coisas boas que acontecem comigo aqui, apenas visitas, conversas, visitas, dormir, remédios, comida, e visitas. Minha barriga de 19 semanas já aparece bastante, agora dá para sentir toda a saliência direitinho, e eu estou tão ansiosa para poder sentir meu bebê mexer.

Bruno e eu temos conversado bastante. Ele não está parecendo o monstro que eu tive a impressão que ele fosse. Todos os dias ele me tratou bem, e parece estar muito interessado no seu filho.

-Ia esquecendo, Pres mandou isso! Ela usou para nomes de cachorros. - Ele olha feio para um livro e troca ele de mão. - Só espero que o nome do bebê não seja nenhum nome que já esteja batizado em um cão. Vai saber quantas pessoas batizaram os cachorros assim, ou o problema é com a minha irmã. - Pego o livro da mão do Bruno e rio, passando os olhos rapidamente por ele.

-Creio que o problema seja com a sua irmã, também! - Eu o faço rir. Bruno ajeita a calça de abrigo que pôs e sentou-se novamente na poltrona. - Amy? Amy não é nome de menina? - Comento quando olho no livro, na sessão da letra "a".

-Realmente, feminino demais. Mas tem, como por exemplo, Taylor, que serve para ambos os sexos.

-Mas eu já vi meninos e meninas chamadas Taylor, agora, Amy eu só vi meninas. - Arqueio minha sobrancelha e ele deixa os lábios numa linha reta, concordando comigo.

-Pensei que pudesse ser Elliot. – Ele se recosta mais na poltrona, de forma folgada.

-Eca, não! – Fiz cara de repulsa. – Parece nome de velho fofoqueiro.

-Se fosse menina, poderia ser Livy . – Sorrio afortunada, pensando que mesmo ele sendo esse babaca, idiota, e ter feito tudo o que fez, nós temos pensamentos bem parecidos.

-Eu gosto desse nome, de verdade. Se fosse menina acho que não teríamos tanto problemas. – Dou de ombros e ele ri.

-É garotão, dá tempo de mudar de sexo? – Bruno fala como se falasse com nosso filho.

-Está induzindo meu filho a ser gay? – Arqueio levemente a sobrancelha e ele ri, entrelaçando suas mãos, as colocando atrás da sua cabeça.

-Ele vai ser o que ele quiser e achar melhor pra ele. Sem preconceitos. – Gostei de ver que mesmo ele sendo de um jeito rude, ele não teria preconceitos caso nosso filho venha ser homossexual. – Mas é bom que seja um menino, assim vou poder ensinar muitas coisas pra ele.

Me aticei para falar sobre o seu jeito, e o que eu não queria que ele ensinasse ao meu filho. Bruno está se mostrando muito legal agora, ele parece ter pensamentos parecidos com os meus em diversas situações, mas isso não muda o fato dele ter dito que eu estava querendo o seu dinheiro, me aproveitando de sua fama, e ter falado daquela forma como se fosse qualquer uma – bem, pensando por um lado, eu até poderia ser, já que ele não me conhecia e não sabia nada sobre mim, mas ele não tinha o direito de ter me tratado daquela forma, e isso é uma coisa que vou levar um tempo pra esquecer. Ia falar quando o barulho da porta preencheu o quarto e tomou a atenção minha e do Bruno.

-Hã? – Violet pergunta estática, com um pequeno embrulho em mãos.


Não tínhamos reação, tanto eu quanto o Bruno estávamos pasmos, não estávamos esperando por isso. Violet parecia assustada, com medo, com receio, e praticamente havia um ponto de interrogação no seu olhar, já o Bruno havia tirado aquela postura relaxada do corpo, e trocado por uma tensa e com medo. Eu apertei meu livro, e o coloquei sobre a caixa de doces fechada.

-Alguém me explica o que está acontecendo, o que eu perdi, porque realmente eu estou assustada, com medo. Ou melhor, eu estou apavorada. – Ela dá um passo vacilante para frente, mas parando novamente.

-Eu... – Bruno intercalou olhares entre eu e ela e levantou-se da poltrona. – Com licença.

Encarei isso como um “ela é sua irmã, faça isso você”. Bruno entrou no banheiro rapidamente, e juro que se eu pudesse faria isso também, ou sairia correndo pelos corredores fugindo dela somente por não ter que passar por isso. Saberia que um dia eu teria que falar pra ela, mas não dessa forma.

-Eu posso passar o dia esperando as respostas. – Ouvi uma autoridade adulta em sua voz. Medo! Ela andou até os pés da minha cama e parou por ali. Por impulso, recolhi minhas pernas de imediato e ela me encarou com curiosidade.

-O que está acontecendo? – Torna a repetir a pergunta.

-Violet, há tanta coisa que você precisa saber... – Tento iniciar a conversa de um jeito mais pacífico, mas ela me interrompe.

-Estou percebendo. – Ela olha pro banheiro. – O que meu ídolo está fazendo no banheiro do seu quarto do hospital?

-Vi... lembra quando eu estava mais distante? Quando odiava ouvir alguma música dele? – Apontei para o banheiro. – Tinha um motivo óbvio pra isso.

-O motivo era, ou é...? – Esperou por algo mais completo da minha fala, mas minha voz parecia não querer sair quando eu ameaçava falar. Eu não estava com coragem suficiente para encarar minha irmã e dizer que o bebê que eu espero, é filho do seu ídolo.

-A sua irmã estava passando por um momento, digamos... complicado. – Não havia palavra que se encaixasse, e eu também não poderia dizer “eu estava necessitada de sexo, e fiquei com ele na primeira oportunidade”. – E eu acabei encontrando o Bruno...


-E o que faz você pensar que eu não poderia saber disso?

-Porque não era nada demais. – Minha voz sai um pouco mais exaltada.

-E então o porque ele está? Viraram amigos? – Debochada ela pergunta.

-Porque ele é pai do meu filho! – Não tinha explicação para as palavras que soltaram da minha boca. Ao mesmo tempo que um peso saiu das minhas costas, por estar escondendo isso, outro pegou o lugar do anterior quando eu vi sua expressão indecifrável. Eu não sabia dizer se ela estava feliz com isso, confusa, triste, ou se ela pensou que fosse algum tipo de pegadinha. Ou ela pode estar pensando em tudo isso com um misto de sentimentos confusos. Eu não a julgo.

O silêncio prevaleceu até que Bruno sai do banheiro, passando a mão no cabelo, meio sem saber o que fazer e o que dizer. Ele pergunta, apenas movendo os lábios, se deveria sair dali, balancei a cabeça negativamente. Uma hora ou outra isso iria acontecer, então que aconteça de uma vez.

-Você é meu ídolo... eu amo você. – Ela levanta a sua cabeça, seus olhos estão transbordando lágrimas, que silenciosas, correm pelo seu rosto, fazendo a curva da lateral do nariz e parando no canto da boca.

-Ai meu Deus, não chore. – Bruno ficou com um pé pra frente e outro no mesmo lugar de antes, pelo visto ele não sabe lidar com choros.

-Desculpa, Violet, desculpa. Eu não sabia que iria ser assim, eu juro que iria contar quando eu estivesse pronta, mas eu estou confusa. É tanta coisa acontecendo na minha vida que eu sinto que no momento que eu chorar, eu não vou mais conseguir parar. Tudo mudou de um dia pro outro. – Desvio o olhar para o lado, tentando não permitir que as lágrimas teimosas caíssem.

-Eu estou feliz. – Ela sorri. – Feliz porque ele é o pai do meu sobrinho. Porque eu vou ter um sobrinho. E porque você é a mãe desse bebê.

Olhei para o Bruno, que me olhou também. Ambos estávamos confusos. Eu esperei outra reação, mas a cada dia mais essa família me surpreende com reações diferentes das que eu pensava que eles teriam. Violet corre para o meu lado e dá um beijo em minha bochecha, me abraçando como pode. Eu pensei também que se ela fosse fazer algo desse tipo naquele quarto, e naquela hora, seria abraçar o Bruno, mas ela veio primeiramente a mim. Tenho ela como minha filha, como uma boneca que eu pude criar do jeito que queria. Talvez Deus tenha colocado um menino em minha vida porque eu já tive a possibilidade de cuidar de uma menina, uma menina que só me dá orgulho, e que eu me arrependo a cada briga que temos. Que eu faria qualquer coisa para não ver chorar e nem sofrer.

Assim que ela me abraça, ela abraça ele. Foi lindo o carinho que eu vi ele passar pra ela, e vice versa. Passei a mão por de baixo dos meus olhos para secar qualquer vestígio de lágrima e fiquei sorrindo ao ver a cena. Tudo que ela mais queria era poder conviver com ele, e ter uma família com ele – claro, não eu sendo a mãe do filho dele, e sim ela, mas como isso não será possível.

-Violet, eu tenho que te pedir algo. – Ele passa a mão na lateral do seu cabelo e ela assente positivamente. – Por favor, não comente nada com ninguém. Ninguém que não saiba. Na hora certa eu irei comunicar, mas por favor, não espalhe isso.

-Só se você autografar muitas coisas minhas, além de tirar uma foto comigo pra eu poder colocar de perfil das minhas redes sociais. A que tiramos no show está ficando um pouco velha já. – Ela da de ombros. Chantagista. Tive que rir.

-Violet, para! – Falei entre risadas e Bruno assente, para minha surpresa, ele ri também.

-Deixa eu aproveitar. – Ela gargalha ao meio do choro de felicidade.

Violet saiu do quarto, com muita custa, para meu pai entrar rapidinho. Acabei falando pra ele, o que no inicio foi chocante, e ele me olhou com aquela cara de "conversamos depois, mocinha". Me senti uma adolescente rebelde. As visitas encerraram, e ficamos somente eu e Bruno novamente. Conversamos um pouco e ele caiu no sono. Levantei para ir ao banheiro, e lentamente pus uma coberta sobre ele para que não passasse frio. Fecho a cortina da janela e deixo somente ligada a luz do abajur, e vou ao banheiro. Quando volto, uso o livro de nomes como um passatempo. Vi muitos nomes e muitos significados, e então acabei dormindo.

Pela manhã não tinha ninguém no quarto, sou acordada com o auxiliar trazendo meu café. Sento-me para comer e aproveito para olhar que em cima do meu celular havia um bilhete.

"Obrigada por me tapar a noite, e desculpa sair assim, tenho que estar no estúdio em poucos minutos. Volto assim que puder. Beijos"

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Capítulo 33 - "I'm glad you're the mother"


Clima estranho naquele ar. Ele me olhava calado, e eu procurava algo para dizer à ele, mas parecia que nada saia da minha boca. Vacilo com a voz pigarreante e finalmente digo algo.

-Surpresa em te ver.

-Ah, eu sei que devo muitas desculpas.

-Não deve... eu entendo perfeitamente como você se sentiu, acredite. As coisas não foram e não estão sendo fáceis para mim. - Lembrei da briga com minha mãe, apesar de nós duas já não termos contato antes, agora piorou, mas acima de tudo ela continua sendo a minha mãe.

-Eu tive que pensar em tantas coisas, na minha carreira, na minha vida, na minha família...

-Na namorada...eu sei que não é fácil.

-Não, namorada não! - Ele respira bem fundo.

-Obrigada por pagar o quarto pra mim, mas não precisava. - Me ajeito com o travesseiro e ele prontamente me ajuda a coloca-lo nas minhas costas direitinho.

-Eu farei tudo daqui pra frente para que tudo dê certo. Irei assumir as responsabilidades. - Só as responsabilidades, porque eu prefiro que o Finn assuma meu filho do que você. Penso e rio interiormente.

-Está tudo indo bem agora. - Bato a mão na cama num gesto confuso.

-Estou vendo, e vai ficar tudo bem. Já sabe o sexo do bebê? - Não imaginei que ele fosse perguntar sobre o bebê.

-An, é um menino. - Levo a mão automaticamente na barriga.

-E o nome? - Pergunta.

-Nome? Nós ainda não escolhemos... - O nós saiu por hábito, Finn está me ajudando com os nomes e já temos uma lista de possíveis nomes.

-Nós? - Pergunta ele engolindo a saliva.

-Sim, eu e meu namorado, Finn.. você ainda vai conhece-lo.

-Eu o conheço. Lembro que você também falou dele no dia que buscamos os resultados. - Porque diabos ele lembra disso?

-Ah, naquela época ele não tinha absorvido bem, e ainda creio que não absorveu tão bem assim.

-Mas admiro ele ter assumido você mesmo o filho sendo meu. - Não sei se acredito no que ele falou. Depois que ouvi aquele bando de coisas inúteis de sua boca...

-Ele é um ótimo homem. - Cutuco-o, sei que ele não vai entender que eu quis dizer "ele é um bom homem, você não".

-Deu para perceber... Você está precisando de algo? Digo, meu filho e você... roupas, comida, móveis...

-Hey, espera! Eu posso não ter tanto dinheiro, mas não sou nenhuma morta de fome. E voltamos novamente aquele motivo das nossas discussões. Eu não quero o seu dinheiro Bruno, e se acha que só porque eu estou esperando um filho seu e estou no hospital, dá direito de você falar como se eu fosse uma pobre coitada, então peço que você retire o pagamento desse quarto e não me procure, somente depois que esse bebê nascer. - Eu sei que extrapolei um pouco, afinal ele tinha sido legal comigo agora, mas eu falei o que veio na minha mente, e meus sentimentos estão a flor da pele.

-Calma, você não pode se exaltar. - Ele coloca uma das suas mãos como apoio na cama. - Não estou querendo dizer isso... talvez antes eu quis dizer, estava com raiva, não tinha pensado no lado bom disso tudo, apenas na ruína.

-Não pensei no lado bom também, pensava que não tinha lado bom.

-Amber, posso confessar uma coisa?

-Claro. - Dei de ombros.

-Estou feliz que isso tenha acontecido. Eu preferia planejar, mas já que aconteceu sem planejamento, estou feliz que você seja a mãe.

-Nós mal nos conhecemos, não tem como dizer isso.

Balanço a cabeça. Embora ele seja um idiota, nada me faz pensar que ele é a  melhor pessoa para ser pai do meu filho, nada agora. Quem sabe se com o tempo, eu possa mudar de ideia.

-Eu soube muito de você.

-Riley? -Chuto a dedo-duro e ele ri.

-Ela mesmo! E eu quero avisar que eu vou registra-lo.

-Você vai querer mesmo? Lembre que eu tenho uma irmã apaixonada por você, que vai ficar louca com nós dois por isso. Primeiro ela vai surtar de alegria, depois ela vai pensar no porque eu escondi que você era o pai da criança, depois ela vai te abraçar e chorar, e depois ela vai querer passar todo o tempo babando você e meu filho.

-Você fala demais, Amber... Já disseram isso? - Ele diz em tom de brincadeira.

-Abusado. - Reviro os olhos.

-Calma.

-Eu estou calma. Mania de pedir calma... - Reviro os olhos mais uma vez e ele gargalha alto. O som da gargalhada dele é gostoso de ouvir.

-Nós vamos dar um jeito na sua irmã, um dia ela terá que saber mesmo.

-Espero que ela saiba enquanto eu ainda estiver no hospital.

-Porque?

-Caso ela tenha um ataque cárdia, nós temos socorro bem rápido. - Eu ri da minha piada, e para minha surpresa, ele também.

Bruno Pov's 

Passou uma semana que eu tenho frequentado o hospital todos os dias. Amber permanece lá, tudo por causa das crises que começaram a dar nela, de convulsões. No primeiro dia eu me preocupei, pensei que pudesse ser muito grave, fiquei com medo, mas o médico explicou-me que isso, no caso dela, é normal. Provém pela anemia, a falta de vitamina em seu corpo faz com que a glândula do sei-la-o-que provoque essas convulsões. Por isso ela foi remetida a ficar mais algum no hospital.

Estamos nos dando bem, quer dizer, ela ainda me trata na defensiva, e eu entendo, reconheço que fui um idiota, mas me apavorei com o fato de que eu teria um filho, mas agora parece tão normal, e estranhamente bom.

Ela se mostrou a menina da qual Riley me falou bastante. Riley conversa comigo ás vezes por várias horas, pode ser por mensagem, ou pessoalmente quando nos encontramos no hospital. Ela passa mais tempo com a Amber, a cuidando e acompanhando. Pensei em apresentar Riley para Ryan, ele gostaria do estilo dela, e quem sabe ele se aquietaria, mas desisti disso quando, por um pequeno descuido, ela falou-me que não curte muito homens, prefere mulheres. Isso é bem excitante, confesso, até imaginei que Amber possa um dia ter ficado com a sua amiga, mas isso é uma ideia boba.

Sophie está cobrando até minha alma, por não ligar pra ela e por estar tão distante. Não sei o que essa mulher pensa que eu sou dela, mas tudo que ela pensar ela estará errada, eu não sou nada, nem amigo, sou o cara que ela usa para transar e papar um pouco de fama.

Falando em fama, as coisas estão mais complicadas de esconder. Peço discrição quando entro no hospital, sempre procuro me esconder o máximo possível, mas já fui pego com fotos de paparazzis enquanto estava no estacionamento do hospital. Minhas irmãs, que vão visitar e conhecer Amber hoje, falaram que o mais fácil era não se esconder, porque um dia ou outro, todos vão descobrir.

Eu ainda tenho medo da descoberta. Minhas fãs vão me apoiar, metade é óbvio, porque a outra metade vai odiar a Amber pro resto da vida.

Mas me sinto mais aliviado por todos saberem, digo, minha família, a banda, alguns amigos meus e parceiros.

Amber Pov's 

Minhas pernas formigam, queria poder levantar agora, mas infelizmente estou tomando uma medicação pela veia. Logo agora que consegui, por hora, livrar-me do soro. Não dormi direito desde ontem, quando Bruno me avisou sobre a vinda das suas irmãs. O que elas vão achar de mim? Uma aproveitadora, idiota, que quer o dinheiro dele? Ninguém vai querer entender meu lado, ninguém vai acreditar quando eu dizer que não quero nada dele.

Bruno tem me ajudado bastante, ele vem todos os dias para visitar o filho, e está mostrando um outro lado que eu nunca imaginei que ele teria, ele está se mostrando cuidadoso, amoroso, delicado, gentil... Finn disse que ele não é total ruindade, e que eu deveria entender o lado dele, eu segui o conselho do Finn, e estou tentando ser menos grossa e ríspida com ele, tentando domar meu extinto de proteção e quem sabe criar um vínculo amigável com ele. Será bom para o bebê ter pais que se falam e se gostam como amigos.

Pego o controle ao lado da minha cama e ligo a televisão. Fico olhando as mesmas programações de sempre - coisa que me deixa muito entediada.

-Bom dia, Amb. - Eu e a enfermeira Charlie já pegamos uma espécie de amizade nessa uma semanal. - Como se sente?

-Melhor do que ontem, pode ter certeza, e você? - Pergunto enquanto ela checa meu prontuário nos pés da cama.

-Estou bem, com sono, mas muito bem. É bom vê-la assim, quero que você melhore de uma vez.

-Por um lado eu também quero. - Rio. - Mas gosto da comida na cama, dos banhos auxiliados, das visitas de sempre, e do conforto e cuidado. - Fingi contar um segredo colocando a mão ao lado da boca. - Não tenho isso em casa.

-Achando que isso é SPA, Amber? - Ela ri rabiscando algo nas folhas e vindo para o meu lado, no remédio, e aplicando uma injeção no conteúdo onde já tinha mais remédio. - Talvez esse remédio tire um pouco seu sono, mas o tédio vai ajudar a dormir, então pode ser que você durma também.

Assim que ela saiu do quarto, ouvi duas batidinhas. Me ajeitei rapidamente e passei a mão nos cabelos para controla-los, e então Bruno entra seguido de duas meninas.


-A visita é duas por vez, e eu sou o acompanhante, então dá. - Ele diz quando eu ia protestar sobre as meninas. - Como está, Amber?

-Bem, muito bem, só não sinto minhas pernas, elas estão dormentes e eu não posso fazer nada por isso. - Reviro os olhos e olho para as meninas.

-Bem, essas são duas das quatro irmãs que tenho, Tahiti - ele aponta para uma mulher com o corpo lindo, usando seus cabelos soltos e nenhuma maquiagem no rosto. E lembra, desesperadamente, o Bruno. - E essa é Tiara. - Uma mulher com o rosto menos simpático que a outra, o corpo mais magro.

-Oi. - Aceno junto, sentindo minhas bochechas queimarem, não sabia o que falar. - Só não posso oferecer uma xícara de café, nem bolinhos, mas fiquem a vontade.

Elas riem e as duas se aproximam da cama.

-Bom lhe conhecer, Bruno falou bem de você na última semana. - Diz Tahiti.

-Porque nas outras ele deve ter dito que eu sou uma vigarista pra cima, certo?

Eu tentava sempre falar algo mais descontraído, e elas riam. Tahiti era bem faladeira, conversava e conversava, já Tiara era mais quieta, mas não por ser tímida, ela parecia muito reservada, daquelas que não são de muitas palavras. Assim que elas saíram, entraram mais duas. Talvez as mais simpáticas. Jaime e Presley. As duas riam das coisas que eu falava, e complementavam com algumas coisas que elas pensavam, e eu descobri que nós tínhamos o pensamento bem alinhado. Jaime pediu para ver minha barriga, eu descobri meu corpo e levantei minha blusa. Bruno nunca havia tocado na minha barriga, e nem nunca tinha visto ela descoberta, e por esse motivo senti um pinguinho de vergonha, mas depois de eu e ele já termos ido para a cama, isso é bobagem.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Capítulo 32 - do not wanna lose you

Amber Pov's


Tinha um barulho chato em meus ouvidos. Tentei me mexer, mas alguns fios preso a mim não deixavam. Bufei olhando que estava no soro, e que os barulhos eram pequenas coisas grudadas em meu peito. Fecho bem os olhos e os abro novamente, nada muda, nada mudou. Sei que estou no hospital, mas porque?

Me agito na cama, tento sentar, mas ela estava totalmente desinclinada. Procuro algum botão nas laterais da cama, e acho um pequeno botão vermelho. Aperto ele pensando que a cama iria se inclinar, mas nada acontece. Até que entra uma enfermeira, apressada.

-Bom dia, está precisando de alguma coisa?

-Sim, estou precisando saber como saio daqui e porque estou aqui, bom dia. - Digo mal e porcamente pausando minha frase, ela ri enquanto dá uma espiada em meu soro.

-Você está aqui porque precisou, e vai precisar ainda. Fique calma, somente, o resto nós damos conta.

-Que resto? - Arqueio a sobrancelha e me vem outra coisa na mente: meu bebê. - Meu filho! Como está meu filho? - Minha voz vacila e ela sorri.

-Seu menino está ótimo, forte e muito bem.

-Então eu não vejo motivos para estar aqui, eu estou me sentindo bem.

-Está se sentindo, mas não está bem. O médico a visitará pela tarde, trazendo alguns exames e aproveitará para falar com alguém que lhe acompanhará. Aí você fala com ele e tira suas dúvidas, ok?

Suas unhas curtas e pintadas de esmalte bem clarinho, batem na beira da cama, enquanto ela sorri mostrando dentes bem rentes e cuidados, dentes de quem já usou aparelho.

-Quem ficará comigo? Onde está meu celular? Posso me recostar na cama? Onde liga essa televisão? - Fico inquieta e ela ri de mim, suspirando.

-Seu celular está guardado, na mesinha ao seu lado. - Ela coloca o pé em alguma coisa e a cama vai aos poucos se inclinando. - Me avise quando ficar bom. - Ela continua e eu aviso. -O controle está ao lado do seu celular. Só não poderá fazer ligações enquanto não tiver o acompanhamento de ninguém.

-Porque?

-Porque são regras. Quem pagou seu quarto deixou os canais da televisão abertos.

-Pagou o quarto? Eu pensei que estava... - Finn! Eu garanto que ele pagou isso. Ele não precisava fazer isso, não precisava mesmo.

Fico encarando a parede e pego o controle da televisão. Rodopio atrás de bons canais, até achar um que estava passando um seriado de comédia. Será que sabem que estou aqui? Todos...Passo a mão pelo minha barriga e sussurro.


-Ainda bem que você está bem, é difícil admitir, mas seria péssimo perder você. Seria irreparável.

Não tinha como ligar para alguém, e também não tinha internet e nem crédito para conseguir mandar mensagem de algum jeito, então minha solução era esperar. Mas até certo ponto o tédio já estava me matando. Olhar para a televisão e não poder fazer nada.

A enfermeira retorna e desconecta os pequenos adesivos do meu peito, mas o soro ainda continua ali.

-Tenho como ir ao banheiro? - Pergunto.

-Claro, só terá que levar esse bebê com você. - Ela aponta para o soro.

Caminho até o banheiro muito bem cuidado, e trago junto aquele poste, aquele treco horrível, onde o soro está pendurado. Sento-me na privada e fico encarando o treco onde meu soro estava pendurado.

-Assim não dá, eu não consigo fazer xixi com você me observando. - Digo e só quando não ouço uma resposta, que percebo que estou falando com um treco sem vida.

Rio da minha besteira e termino minhas coisas no banheiro. Não entendo porque estou no hospital, quando alguém vier me visitar vou pedir para sair  daqui de uma vez, eu já estou me sentindo bem, não preciso ficar aqui. Saio pela porta do banheiro e sinto uma leve tontura. Me seguro na lateral da porta e olho para todos os cantos me assegurando que ninguém estava vendo que eu fiquei tonta. Quanto mais eles verem que eu estou "mal" não irei sair daqui tão cedo.

Dei uma breve cochilada, digo breve porque estou perdida na noção do tempo. Vejo que ainda é dia, o sol lá fora reluz. Ouço os barulhos vindo da porta e duas pessoas entrando.

-Amber! - Belle corre na frente de Finn para me abraçar. Com cuidado ela me abraça e suspira fundo no meu ombro. - Você está bem?

-Sim. - Pareço convincente.

-Amor, eu fico feliz por te ver assim. - Finn me dá um rápido selinho.

-Pensei que tinha acontecido o pior. - Belle respira fundo e larga sua bolsa sobre a poltrona que está ao lado.

-Não, eu já estou melhor, e já posso sair daqui. - Dou um sorriso e Belle ri.

-Agora não mocinha, terá que ficar aqui por enquanto.

-Até a ordem do médico para ir embora.

-Mas...

-Não tem mas... vai ficar aqui. - Minha mão é pega por Finn e ele acaricia-a.

-Obrigada por ter pago esse quarto, mas não precisava. Eu não me importaria em ficar no quarto comum com mais alguma pessoa. É sério, não precisava gastar seu dinheiro com isso.

Eles se entreolharam, algo do que eu falei não tinha muita coerência por seus olhares misteriosos.

-Amb, esse quarto não fui eu quem pagou. - Ele arqueia levemente a sobrancelha.

-Foi o Bruno. - Belle completa.

O Bruno? Lembro-me de antes de parar aqui, há quanto tempo eu não sei, mas ele havia me ligado. Porque ele pagou esse quarto pra mim? Porque ele apareceu ressurgindo assim?

Annabelle me explicou exatamente o que tinha acontecido, falou sobre a ligação, sobre ele esperar aqui até tarde e arcar com todos os gastos. Ela foi sincera quando falou que ele realmente se preocupou com tudo.

Avisou-me que Bruno iria aparecer a qualquer momento e que ela iria providenciar um cartão para o celular para eu ter comunicação com elas. Finn deu um beijo em minha testa e disse que voltaria no dia seguinte, e os dois avisaram que Riley iria dormir comigo essa noite no hospital.

++++

Minha irmã passou um pouco da sua tarde comigo, faltou aula para vir aqui. Óbvio que eu xinguei ela, mas quando ela disse que meu pai havia permitido, eu fiquei mais calma. Perguntei, apenas por hábito, se minha mãe sabia que eu estava aqui e se ela havia dito alguma coisa. Ela respondeu que ela sabia e que não havia dito nada. Nada... Meu coração ainda dói um pouco de saber que ela não quer contato comigo, mas o que eu posso fazer?

O médico também passou por aqui. Soube que tenho anemia, e além de levar um lindo "xixi" dele, por não comer direito, por não me cuidar muito bem, eu tive que escutar que eu posso não sair muito cedo desse hospital, já que estou num caso delicado, por causa da gravidez.

Consegui um modo de ver as horas, um canal de televisão. Eram exatamente sete e vinte. Eu havia pedido para comer algo mais cedo, e eles me deram uma gelatina de morango, agora meu estômago clama por mais alguma coisa.

-Olá. - Carregando uma sacola em mãos, e sua bolsa, Riley entra silenciosa no quarto e se aproxima da minha cama. Dá um beijo estalado em minha bochecha e ri. - Como se sente?

-Muito bem. - Me ajeito na cama. - É necessário ficar nesse hospital mesmo?  - Pergunto bufante.

-É óbvio que é! Nada que não tínhamos avisado antes de ter acontecido isso. Mas não vou puxar suas orelhas.

-Ainda bem, já foi muito puxada por hoje. - Balanço a cabeça.

Riley olhava pelo relógio algumas vezes, o que me fez pensar que ela estava cuidando o horário de algo. Ela havia trazido algumas coisas para mim, como lápis, papel, canetas, revistas e revistinhas de palavras cruzadas. Para passar o tempo. E trouxe também um pijama meu, ao invés de só pijamas do hospital. Conversamos sobre coisas que poderiam me distrair, até que ouvimos duas batidinhas na porta. Riley vai atender e me olha assim que abre a porta.

Bruno deu um beijo no rosto dela, e me olhou rapidamente. Fiquei sem reação. Não esperava vê-lo novamente, não depois de tudo que já aconteceu nos últimos meses, e do seu sumiço.

-Vou ir para a cantina, relaxar e tomar um café, volto mais tarde. - Riley saí sem rodeios, agora entendo o porque ela estava olhando tanto para o relógio.

-Oi. - Ele fala de forma adenoide e medrosa.

-Oi Bruno.


  • Aviso: não poderei postar na segunda feira, então volto na quarta! Beijos e obrigada por ler 


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Capítulo 31 - I hate hospitals

Fomos dispensados pelo médico e eu falei com a recepcionista para ajeitar todas as coisas que Amber iria precisar, além do pagamento antecipado do quarto.

-O que aconteceu lá? Porque tanta demora? - Pergunta Annabelle, parecendo mais apreensiva que antes.

-Bom, o médico disse... - Começo a falar, mas sou interrompido por Annabelle.

-Em Rye? - Ela me cortou? Foi isso? Essa mulher é abusada. Fecho os olhos e respiro bem fundo, enquanto Riley diz algo.

-Bruno sabe explicar melhor que eu. - Ela passou a bola para mim, Annabelle me olha com a expressão mais "zzz" de todas, mas ainda transpirando preocupação.

-O bebê está bem! Ela, bom, ela eles ainda verão. Amber não andava cooperando muito consigo mesma, não manteve uma alimentação adequada para grávida, e bem, aconteceu o que aconteceu. O médico disse que ela está com anemia, mas terão que fazer mais exames. E agora a principal notícia. - Bato a palma da mão, deixando meus lábios retos e rentes. - Amber ficará internada.

-Eu odeio hospitais. - Belle revira os olhos e senta-se novamente.

-Onde acerta o pagamento do quarto? Não irei deixar ela ficar nesses quartos coletivos. - Finn torce os lábios, parecendo não muito contente com tudo isso, mas afinal, quem está?

-Eu já acertei tudo cara. - Toco no seu ombro e ele sorri.

-Quanto foi? Eu irei reembolsa-lo.

-Não, não estamos falando disso. Eu paguei porque se trata da mãe do meu filho, e meu filho!

Não teria a obrigação de pagar nada, absolutamente nada. Mas sempre penso no meu filho... É um garoto, eu mal tive tempo de comemorar isso. Riley me puxa para irmos tomar café, afinal, é a nossa vez. Por estar noite, há poucas pessoas circulando pela área particular do hospital. A maioria é enfermeiras, e enfermeiras acompanhando pacientes.

Descemos um lance de escada e Riley pediu as coisas. Achei uma cadeira bem no canto, uma mesa mais afastada que as outras, e foi ali que me instalei para espera-la com o café.

-O seu. - Ela me entrega e eu agradeço. - Estou preocupada com a Amber.

-Eu estou também. - Com meu filho, mas seria egoísmo dizer isso à ela, que é amiga de Amber e ainda está me tratando bem, comparada a outra amiga dela. - Ela vai ficar bem, não se preocupe, farei de tudo para que tudo fique bem.

-O que mais dói é que ela teimava em não comer, dizia que não sentia fome, e eu sabia que isso não faria bem à ela... - Seus olhos se enchem de lágrimas. Não chore, pelo amor de Deus, que ela não chore. Não sei o que fazer se ela chorar.

Ela não chorou, e a conversa seguiu. Deu pra ver, pelo que conversamos, que Amber é uma menina simples, gosta de coisas simples e um sorriso basta pra ela se alegrar. Pensa positivo sempre, mas procurar manter sempre os pés no chão. É tímida - como eu já tinha percebido - e intensa. Descobri tanto sobre ela em minutos de conversa, que se passa pela minha cabeça, que meu filho não será mal criado, ele terá um bom exemplo de mãe.

Subimos e caminhamos os corredores até chegar na ala que estávamos. Riley me empurra rapidamente para trás quando iríamos dobrar o corredor.

-Hey. - Esquivo-me dela.

-Desculpa. - Ela respira fundo. - Não podemos ir para lá agora.

-Porque não? - Franzo minha testa e ela da um sorriso sem graça.

-Lembra que a irmã dela é sua fã?

-Sim.

-Ela está lá. Ela não sabe que você é o pai da criança. Não seria meio suspeito aparecer o ídolo dela, do nada, no hospital, para falar com a irmã dela?

Entendo o lado que Riley quis explicar, e mais uma vez vejo que Amber parece ter um bom coração. Se fosse outra pessoa, provavelmente minha cara estaria estampada em jornais e revistas, dizendo que eu sou um pai que não quer assumir a criança e na porta da minha casa, além de paparazzis, teriam intimações da justiça americana. E sobre ela não ter dito para a família, e ter dito para o mínimo de pessoas possíveis, foi bom. Foi ótimo, na verdade, ela tentou me poupar mesmo eu sendo um idiota.

-Hey, Riley. - Chamo atenção dela. - Você pode ver se ela ficará aqui por muito tempo? - Pergunto. Ela olha discretamente para o corredor e retorna para minha frente.

-Vou lá conferir. De qualquer forma acho que está noite ninguém poderá ficar por aqui.

-Eu sei, mas quero ficar até o médico nos chamar novamente e dizer que ela já está no quarto e já está tudo sob controle.

Riley sorri sinceramente e anda em direção de onde todos estão. Encosto-me na parede e olho para o teto. Talvez há dois dias atrás eu teria pensado que essa seria uma ótima saída para não ser mais pai, para não ter que assumir essa criança. Mas agora, parece diferente. Eu vejo a preocupação no rosto deles, não só pelo bebê, mas pela Amber. Eu consegui sentir a emoção pela quais eles estavam se referindo, sobre ela realmente ser uma pessoa que não merece estar passando por tudo isso. Eu me sinto culpado, mas não quero me sentir assim, não quero ter culpa de algo.

Pego meu celular que estava tocando e atendo o número do meu irmão.

-Você morreu? É uma espécie de fantasma?

-Ha ha. - Forço a risada e ele ri livremente.

-Está tudo bem?

-Mais ou menos. - Suspiro profundamente. - Amber está no hospital.

-Quem é Amber?

-Amber, a mãe do meu filho.

-Ah, entendi...mas porque? Aconteceu algo com minha sobrinha?

-Sobrinho! - Dou ênfase no "o" para ele perceber que é um menino. - Ele está bem, mas parece que ela não estava se alimentando direito, e toda a energia e proteínas do corpo foram concentradas para alimentar e sustentar o meu filho, enquanto ela ia enfraquecendo mais e mais.

-Eu espero que ela saia dessa. Precisa de ajuda?

-Não, está tudo bem.

-Qualquer coisa me liga!

-Ligarei.

++++

Já passava das três da manhã. Finn havia levado Belle para casa porque ela não estava nada bem para continuar por ali, e ainda amanhã teria que trabalhar. Só estávamos eu e Riley. Ela mexia no celular, enquanto eu olhava a televisão que há na sala de espera reservada. Isso, Amber já está no quarto, mas eles estão arrumando os aparelhos e fica complicado de entrar por enquanto. Tem um filme de ação passando, e a cada intervalo de tiros ou barulhos altos, eu dou uma cochilada.

-Pode dormir, eu prometo que não irei assalta-lo, e que chamarei você quando o médico vir. - Baixa, a voz dela soa melódica para mim, como canção de ninar.

-Okay. - Aceito sua gentileza.

Viro a cabeça para o lado e quando meus cílios se tocam, meus olhos dão a sensação de que tão cedo não irão abrir.

-Amber Lucy, é isto? - Ouço a voz de alguém, mas não dou bola, até um braço me balançar levemente.

-Bruno, vamos! - Vejo o rosto de uma mulher na minha frente, demoro a assimilar de quem era, só então lembro o porque ela estava me acordando.

-O que houve? Quanto tempo dormi?

-Uns cinco minutos. - Cinco minutos? Pareceu anos. - O médico nos chamou.

Entramos no quarto, silenciosamente. Há barulhos de máquinas respiratórias, e de batimentos. Não vimos ela, por um pano que está tapando suas laterais.  O médico então mostra-nos o prontuário dela, então soubemos realmente do que se tratava: anemia. O caso dela é complicado porque ela negasse a comer, e ela já está fraca demais, então tem que alimentar ela e o bebê, e indo para casa, não seria possível.

Entendemos cada explicação que ele deu. Riley perguntou sobre os acompanhantes, e ele disse que há uma poltrona do lado da cama dela, mais uma cadeira normal para visitas, a televisão. Disse que o acompanhante pode trazer coisas para cá também, como notebooks e etc, porque o caso dela não há nada que interfira no tratamento. Deu algumas recomendações e passou o horário de visitas.



Assim que ele abriu a cortina, eu vi minha mãe. Eu vi minha mãe ali, deitada, com muitos aparelhos ligados a ela, aparelhos que a ajudavam continuar viva, mas eu pensava que poderiam somente estar adiando um pouquinho a sua partida e aumentando mais o sofrimento. A cada segundo que eu passei naquele hospital, foi terrível. Não quero ter que passar por isso novamente. Olho de canto para Riley, que está chorando.

-Não se aterrorize. - Afago seus cabelos. - Só são máquinas, ela está ali, e viva, isso que importa. Não pense no pior. - Repito a ela muita coisa que ouvi enquanto minha mãe estava na UTI.

-Isso é uma das coisas mais doloridas que eu já vi. Já estive internada, mas eu não imaginei que as pessoas que estavam do lado de fora se sentissem assim. E ainda por cima impotentes por saberem que nada do que for feito por nós adiantará, somente orações.

Por segundos pensei em perguntar porque que ela havia sido internada, mas eu a conheci hoje, acho que seria muita "intimidade" para um dia só. Chegamos mais próximos da cama e ali a intensidade de tudo estava mais forte, realmente, ela parecia estar pior do que o médico havia nos dito. O barulho da máquina havia me acordado, e no silêncio daquele quarto, até as gotas do soro pareciam pedras atiradas no vidro.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Capítulo 30 - anemic

Mesmo nunca tendo um contato com ela, além do que nós fizemos, mesmo eu não conhecendo-a direito, meu coração apertou quando eu imaginei o que de pior poderia acontecer. Não desejo o mal a ninguém, não desejo para ela também, principalmente agora que eu estou aceitando - e muito bem - a ideia de ter um filho.

Avisto dobrando no corredor, a amiga dela que a acompanhou no dia do exame de DNA, e uma outra menina e um cara. Levanto do banco onde estava e olho para eles perdido.

-Oi Bruno, sou Riley, prazer? - Ela estende a mão para me cumprimentar.

-Bruno. - Aperto a sua mão.

-Sou Finn. - Apresenta-se o cara também estendendo a mão.

-E eu você já me conhece. - A amiga dela, que eu custo a lembrar o nome, dá um sorriso irônico.

-Desculpa, nos conhecemos sim, mas não recordo seu nome. - Falei tranquilamente.

-Annabelle. Meu nome é Annabelle. - Ela suspira fundo e olha para a porta dupla que está um pouco mais a frente na parede lateral.

-O que aconteceu com ela, já tinha acontecido antes? - Pergunto.

-Vamos nos sentar. - Riley aponta para os bancos. Ela senta-se ao meu lado e ao seu lado senta Finn e logo depois Annabelle. - Eu nunca vi isso acontecer, ela nunca tinha apresentado nenhum sinal de doença ou algo assim.

-Exceto pelo fato de que ela não queria comer direito. - Annabelle intromete-se.

-Na verdade teve um dia que ela caiu no chão, mas foi há um mês atrás, mais ou menos. - Finn se pronuncia encarando a parede branca.

-E você não nos disse nada?

-Não tinha o porque, ela apenas fraquejou e caiu no chão, mas logo ficou tudo bem. - Ele explica-se.

-De qualquer forma agora não é hora para estarmos falando do que fazer, o que não fazer e etc. É ficarmos sentados e esperando alguma notícia.

Depois que Riley disse isso, todos permanecemos calados. Finn e Annabelle conversavam algo bem baixinho, e Riley ao meu lado estava encarando a parede. Eu somente orava baixinho, pedindo que o que de melhor que tenha para acontecer, aconteça. Se bem que não tem problema se ela perder o bebê, aí não precisarei correr com crianças pela madrugada, além de passar uma imagem ruim para a imprensa.

Que tipo de monstro eu sou? Prometi para minha família que iria cuidar do meu filho! E eu vou. Eles precisam sair dessa. Minhas duas princesas. Eu sinto que é uma menina. Olho para a amiga dela calada, e toco em seu braço para chamar a atenção, parece que ela demorou para captar. Se eu não estivesse uma pilha de nervos e se eu tivesse conhecido ela antes da Amber, com certeza iria dar em cima. Uma perfeita beleza latina, pele lisa, cabelos bem cuidados e um corpo nada mal.

-Riley? - Chamo-a para ver se ela presta atenção. A mesma me olha e da um sorriso meio fechado. - Posso fazer uma pergunta?

-Claro. - Ela respira fundo, por segundos acho que ela estava segurando o choro.

-Vocês já sabem o sexo do bebê? Eu penso que é uma...

-É um menino! - Ela fala e seu sorriso se abre. - Ela estava tão feliz que é um menino, ela fala pra todos que irá ensina-lo a ser o melhor homem que existe, que será um perfeito cavalheiro. Que desenhará roupas para ele estar sempre dentro da moda também e que levará ele a todos os jogos do Lakers! - Uma lágrima fujona caí do seu olho esquerdo e ela fecha os olhos apertando forte.


-Hey. - Limpo a lágrima que caí. - Não precisa chorar, eu sei que ela vai sair dessa e o bebê também. No final verá que tudo ficará bem. - Usei palavras que já foram usadas para mim em momentos difíceis.

-Obrigada! - Ela agradece com os olhos úmidos.

-E ela já escolheu algum nome? - Pergunto e passo uma lista mentalmente de tantos nomes que poderíamos por. É um menino, eu irei leva-lo a todos os jogos da Liga, e ele irá participar do time de futebol da escola, ele irá ter uma coleção de carrinhos e eu irei consegui todos os autógrafos dos jogadores dos Lakers. Fico feliz em saber que Amber torce para os Lakers também.

-Ela e Finn conversam ás vezes sobre isso! - Ela dá um sorriso. - Pensaram em Brian, Chris...


Ela continuou falando e eu não prestei muito atenção. Então quer dizer que o cara que eu apertei a mão é o Finn, o cara que ela disse que queria que fosse seu namorado. Eu ainda lembro quando ela disse isso, estávamos no meu carro, tínhamos aberto o envelope do resultado, eu estava desolado, e ela também, mas mesmo assim ela tentou me consolar, e eu fiquei completamente em choque. Ela conseguiu, ele agora é seu namorado.

Parece que 10% da minha esperança foi embora. Não entendo o porque. Acho que é ciúmes que meu filho terá dois pais, terá um que irá morar com ele e outro que irá visita-lo sempre que der. Posso ser egoísta dizendo isso, mas preferia mil vezes que ela não tivesse com esse cara. Eu sou o pai dessa criança, ela não precisa de dois pais. E não de um pai, que não é pai, e que vai ajudar escolher o nome. O gene dele é meu também, tenho direito de participar dessa escolha.

-Com licença. - Pede uma enfermeira de meia idade com um papel em mãos. - Parentes da Amber Lucy? - Pergunta ela. Riley assente. - O médico quer falar com vocês.

-Podemos ir todos?

-O certo seria um, no máximo dois, senhora. - A enfermeira responde.

Olho para todos, que estão se olhando também.

-Eu irei. - Riley diz.

-Acho interessante o Finn ir. - Annabelle dá mais um dos seus pitacos.

-Quer ir, Bruno? - Pergunta ele.

-Ah, claro. - Levanto e agradeço a ele.

-Você deixou ele ir? Só pode ter um parafuso a menos. - Ouço Annabelle falar. Foi gentil da parte dele deixar eu ir.

Fomos seguindo a enfermeira e a cada passo que dávamos, eu sentia mais medo. Não queria admitir que estava com o coação na boca e com medo da notícia que viria a seguir. A moça abriu uma porta e mandou nós entrarmos para conversarmos com o doutor. Devidamente nos apresentamos para o doutor, que colocou mais papéis sobre a mesa, e mando-nos sentar.

-O caso da Amber. - Ele fez um movimento com seu maxilar, e logo deu continuação. - Estamos fazendo mais exames agora, mas o que eu posso dizer é que ela teve um surto, por pouco seu corpo não se submeteu a uma convulsão, o que poderia ser pior, por sorte ela apagou.

-Ela continua desacordada? E o bebê?

-Vamos por partes. - Ele diz com calma para Riley. - O bebê está bem, até onde podemos ver. Estamos fazendo exames. Mas a Amber está num caso mais delicado. Ela anda se alimentando direito? - Ele pergunta para mim.

Olho para Riley que responde.

-Não, ela come muito pouco, teima que está sem fome, e se sente fraca, desanimada.

-É o que eu imaginava. Ela está com anemia.

-Anemia? Mas e ela vai ficar bem? E o bebê? - Pergunto.

-Já disse que o bebê está bem, e vai ficar. Nesse caso ela anda mais fraca porque tudo o que ela come, como é uma quantidade não controlada, vai diretamente para o bebê. O organismo dela trabalha em prol do bebê, para que ele fique bem, e enquanto ela fica mais fraca.

-Eu falei pra ela comer. - Riley diz baixinho.

-Vamos fazer o possível para que ela fique bem, e acredite, ela ficará. Só preciso que tenham calma. - Ele organiza os papeis e olha para nós. - Tem mais uma coisa, vamos precisar que ela fique no hospital. - O médico torce os lábios.

-Porque? - Riley pergunta.

-Porque, além dos exames que ela terá que fazer, essa anemia precisa ser controlada. E se ela não quiser comer, a gente coloca o soro nela, e injeção de ferro.

-Entendo perfeitamente.

-Vocês irão pegar o quarto com esse plano de saúde? - Pergunta o médico.

-Sim, por favor. Um quarto só pra ela. - Digo prontamente.

-Eu irei pagar tudo pra você. - Ela diz mantendo o tom de voz baixo.

-Não se preocupe. - Assenti pra ela que sorri em gratidão.

Sentados no corredor após horas de espera, Finn e Belle saíram para comer algo na cantina, e nós ficamos esperando os dois ou alguma notícia da Belle. O que viesse primeiro.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Capítulo 29 - Riley, she has no pulse!

Um mês passou tão rápido, parece que num piscar de olhos eu parti do meu primeiro ultrassom com 14 semanas, direto para minhas 18 semanas. Minha barriga está grande, grande que eu digo é que ela está aparecendo bastante, e para disfarçar só usando uma bata bem larga no corpo. Meu sutiã aumentou, meus peitos ás vezes doem, e a cada dia eu tenho uma novidade diferente da gravidez. A linha nigra já saiu, e a cada dia ela aparece mais. Finn está todo bobo, conheci seus pais e uma de suas irmãs. Fui bem recepcionada, mas logo tratei de me explicar para a mãe dele, antes que ela pensasse coisas erradas ao meu respeito.

Minha irmã me ligou, falei com ela e com meu pai, que até vieram me visitar. Meu pai gentilmente trouxe uma roupinha, e minha irmã está vendo aulas de croché na internet para fazer algo ao seu sobrinho. Preciso dizer o quanto meu pai, o vô babão - cujo eu nunca imaginei que seria -, ficou feliz ao saber que era um garotão? Minha irmã bateu o pé dizendo que seria melhor uma menina, mas não podemos fazer nada.

Bruno não me ligou nenhuma vez, não me procurou, e quando Violet falou dele, apenas disse que ele foi visto numa festa! Se ele está em uma festa e não me procurou é porque ele realmente não quer saber de mim.

-Se eu tiver que mandar você comer mais uma vez, nós vamos nos desentender. - Finn altera um pouco mais a voz, realmente eu estava difícil na comida, não há nada que me agrade, e geralmente não sinto fome, e quando sinto, olho para comida e a perco.

-Deixa ela pra lá Finn! - Belle diz, impaciente. - Cansei de falar.

-Vocês querem me enfiar comida goela a baixo? Eu não estou com fome! - Disse pausadamente para que eles viessem a entender.

-Eu desisto. - Finn realmente estava ficando chateado comigo, eu não queria que ele ficasse assim, mas eu não quero comer, eu não estou com fome.

Fico olhando para a televisão. A final do show de talentos estava ótima, Patch teria que ganhar da Cissi. Ela canta bem, mas ele canta divinamente, somente a voz dele já contém uma musicalidade incrível. Ansiosa, roo uma unha, duas, três e comemoro quando anunciam que Patch ganhou.

-Celular está tocando. - Riley me entrega meu celular que toca num número desconhecido.

Levanto para atender, é provável que seja algo do blog.

-Alô? - Atendo no quarto toque.

-Amber? - Ouço a voz que eu nunca imaginaria ouvir.

-Bruno? - Pergunto para ter a plena certeza.

-Sim, eu mesmo! Tudo bem?

Meu coração pareceu bater mais forte, pisco os olhos e enxergo tudo embaçado. Minha respiração parece não sair. Até eu cair no chão. Ainda estou acordada, estou ouvindo as vozes ao meu lado, mas eu não consigo corresponder a nada. Meu corpo chegar a tremer, sinto um frio repentino e a última coisa que penso quando fecho os olhos definitivamente é meu bebê.


Bruno Pov's

A responsabilidade bateu na minha porta, e a inconsequência resolveu aparecer para a briga se tornar completa. Fiquei por dias na sensação do "o que devo fazer". Não sabia ao certo. Sabia que tinha um dever a cumprir, mas sabia que não poderia carregar essa bomba e estoura-la dentro da minha casa. Fui bem aconselhado pelo Phil, e um dia quando Sophie me ligou para xingar-me sobre minha não-presença em sua pequena festa de aniversário, eu resolvi explodir na balada.

Saí com alguns caras, não só da banda, mas alguns contatos legais. Bebemos a noite toda, e quando estávamos na área VIP, todos falando, bebendo e dançando de forma doida, eu gritei para eles.

-É MELHOR DO QUE SER PAI SEM NEM CONHECER DIREITO A MÃE DO SEU FILHO. - Todos me olharam de boca aberta.

Meu irmão me chamou para conversar no dia seguinte, quando eu estava melhor. Tive que falar pra ele, e quando ele chamou nossas irmãs e nosso pai, e todos ficaram sabendo, eu chorei. Chorei como quando eu perdi minha mãe, claro que o choro foi diferente, mas eu me senti impotente da mesma forma como quando eu a perdi.



Eu sou o pior homem do mundo, e agora eu não sei nem arcar com as consequências das minhas burradas. É óbvio que isso parou nos ouvidos de Sophie, que exigiu saber quem era. Minhas irmãs me xingaram, mas combinamos que eu iria atrás da Amber e daria toda a assistência necessária para ela. Hospital e médico descente, roupas, comida, acessórios e tudo mais para ela e para o bebê, e depois, até o fim da gravidez eu decido se irei registrar. Phil e Eric me disseram a sensação de ser pai, e eu sinceramente fiquei até curioso. Me imaginei segurando uma menina nos braços, com uma tiara rosinha, um vestidinho, toda menina e cuidadosa, delicada. Parecida comigo. Mas confesso que fiz uma mistura dos meus genes com os da Amber e imaginei uma menina muito linda. Aliás, como será que ela está? Faz mais de um mês que eu sumi.

Decidi que seria naquele momento que eu saberia como ela e minha filha estão. Peguei o celular e bloqueei o número, já que estou ligando pelo celular profissional. Chamou uma, duas, três, e quando eu pensei em desistir, na quarta ela atendeu!

-Alô. - Ouço sua voz e me arrepio por inteiro. Para Bruno, não deixa ela perceber que você se abalou por tudo isso.

-Amber? - Pergunto para ter certeza.

-Bruno? - Ela reconheceu minha voz! É ela.

-Sim, eu mesmo! Tudo bem?

Não ouvi mais a voz dela depois disso. Ouvi somente um estouro, um barulho muito alto pelo telefone, e vozes parecendo estarem desesperadas. O telefone ligado permitia-me ouvir tudo que eles estavam falando.

-Amb, olha pra mim, pra mim aqui na sua frente, aguenta, não fecha os olhos. - Ouvi uma voz masculina. Meu coração gelou só de pensar no que poderia ter acontecido a minha filha.

-Finn, ela está tremendo! - Desesperadamente alguém diz.

-Me trás sal! - Outra voz se confundi na linha.

-Amber, olha pra mim! - Mais alguns estalos se fazem na linha. - Ela apagou. - O homem parecia estar nervosamente desesperado.

-Aí meu Deus. O que aconteceu? - A voz chorosa de uma mulher fica mais próxima ao telefone. Eu já estava nervoso sem ao menos ver o que estava acontecendo. Pensei em desligar, mas exitei. Descumpri meu papel de homem com ela, não posso fazer isso novamente.

-Ela não tem pulso. RILEY, ELA NÃO TEM PULSO. - A voz do homem era desesperadamente chorosa, ele parecia implorar pra que ela voltasse.

Espera, ele disse sem pulso? Não! Minha filha está dentro dela, não pode ficar sem pulso, não.

-Deixa eu ver! Chame uma ambulância, Annabelle! - Mais barulhos, quando algo me conforta um pouco. - Ela tem pulso sim, você que não soube ver.

-O celular dela está ligado. - O homem diz.

-Alô. - Digo para que alguém me ouça.

-É a ligação que ela recebeu! - Alguém pega o telefone, uma respiração ofegante. - Alô, quem fala?

-Oi, é o Bruno! - Provável que a pessoa saiba quem é o Bruno em questão.

-Bruno... esse Bruno que eu estou pensando?

-Se está pensando no pai da criança, o próprio. O que aconteceu com ela? O que aconteceu com a minha filha?

-Nós não sabemos, iremos leva-la para o hospital.

-Qual hospital?

-O central. - Ela responde.

-Não, peça para a ambulância leva-lá para o UCLA. Eu encontro vocês lá. Irei dar o nome dela na emergência para que ela seja atendida de imediato com o plano de saúde.

-Ela não tem um plano de saúde.

-Eu tenho, ela usará o meu para o que precisar. Quanto a isso não se preocupe. Ligue para o meu número caso precise, fique com esse celular que a qualquer momento eu ligarei.

-Ok, obrigada!

-Não precisa agradecer.

++++

Torturantes minutos na sala de espera. Eu havia chego antes do que as amigas da Amber. Avisei para Phil que estava na emergência, ele se apavorou  e disse que qualquer notícia é para avisa-lo que ele fara de tudo para me ajudar.

O celular vibra em minha mão antes mesmo do toque começar. Pego-o e deslizo para o lado atendendo.

-Oi.

-Bruno, chegamos aqui. Amb foi levada as pressas lá para dentro da emergência. Onde você está?

-Na ala 7, obstetria. Imaginei que ela viesse pra cá.

-Não sei nem se ela não irá ir para a UTI, ela não reagiu a nada do que fizeram durante o caminho. - Diz com a sua voz nervosa. - Ele está na ala 7.- Ela fala com alguém que está junto.

-Espero que tudo dê certo. Venha pra cá que conversamos melhor.

-Ok.