-Vamos indo, filha? - Meu pai levanta e Violet também.
-Um dia eu vou dirigir e sair por aí sem hora pra voltar. Odeio depender dos outros. - Vi bufa e Bruno ri dela.
-O dia que fizer isso vai ter sua própria casa, seu próprio carro e eu estarei morto. - Meu pai bagunça seu cabelo e ela revira os olhos. Rio do bom humor que os dois estavam, principalmente meu pai.
-Viu mocinha. Você deve ter deveres pra fazer, vá descansar. - Bruno encosta no seu ombro, e ela se abre num sorriso.
-Dormir? Descansar? - Rio alto.
-Ela vai pro computador. - Belle implica.
-Vocês estão fazendo uma má fama minha pra ele, com licença. - Ela põe a mão no peito como se estivesse bem ofendida. - Não sou essa pessoa que elas falam, Bruno.
-É pior. - Belle intica com ela, que põe o dedo do meio. Me inclino e dou um peteleco em sua orelha que a faz rir e por a mão no lugar.
Acompanhei meu pai até a porta e Violet também. Finn já estava indo também, e consequentemente Bruno. Dei tchau para meu pai que esperou Violet, mas Bruno veio me dar tchau primeiro. Ele me abraçou e eu senti uma boa vibração.
Uma vibração. Vinda da minha barriga.
Bruno me olhou, meio sem saber o que fazer e eu levei minha mão até a barriga. Meu bebê havia mexido. Meus olhos marejam instantaneamente, eu estava prestes a chorar de emoção. Fiquei procurando o lugar que ele poderia mexer novamente, e todos me olhavam.
-O que houve? Ele mexeu? - Pergunta minha irmã.
-Sim, eu senti. - Bruno parecia estar bem emocionado também.
-Ele mexeu, mas agora não quer mais. - Começo a rir.
Ele pousa sua mão sobre a minha barriga, é tão estranho ver as pessoas mal pedirem e já irem colocando sua mão na minha barriga. Parece uma invasão de privacidade. Na realidade não parece, tecnicamente é. E então a lágrima caiu quando ele esfregou sua mão e ele mexeu bem no local.
-Ele mexeu de novo. - Bruno parecia tão empolgado com isso. Finn sorria, mas não se aproximou de nós. Acho que ele respeitou o momento que eu estava tendo.
-Quero sentir meu afilhado! - Belle grita e vem para o meu lado tentando achar onde ele possa chutar novamente.
-Tenta por a mão aqui. - Bruno indicou e ela põe. Mas nada acontece.
Meu filho não mexeu mais, apenas aquela hora e apenas para o Bruno. Já vi que ele terá um grande fã, e que nós teremos briguinhas de atenção, vou ser ciumenta, até demais, com meu filho. E não vou dizer que se não estivesse muito emocionada por sentir ele mexer realmente, eu estaria com raiva dele só mexer quando o Bruno encostasse na minha barriga.
Dei tchau para todos, Bruno, meu pai, minha irmã e Finn. Todos foram embora e o que restou para nós foi ir dormir. Tomei um breve banho e lá tentei ter mais contato com meu filho, falei com ele, mas nada feito, ele parecia não ceder pra mim, somente aos encantos do pai. Deitei depois das meninas, já que elas estavam bem mais cansadas que eu, e tentei mais uma vez falha que meu filho mexesse, mas isso não aconteceu.
Repousei meu corpo de vez e fechei os olhos para dormir.
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O dia após o jantar foi basicamente por uma única frase: "mexe pra mãe, filho". Ele não cedeu. Teimoso. E agora quando deitei para dormir, não foi diferente, ainda estava morrendo de ciúmes dele mexer para o Bruno e não para mim.
Acordei aproximadamente perto das três da manhã e uma vontade doida preenchia meu peito. Desejo de torta de limão com caramelo. Minha boca salivava por isso. Andei até o quarto onde Belle e Rye estavam e abri a porta.
-Meninas. Hey. - Chamei por elas inconsequentemente.
-O que aconteceu? - Annabelle pula da cama e acorda Rye, que assim que me vê arregala os olhos e acende o abajur.
-Nada... quer dizer, tudo. - Balanço a cabeça.
-Está passando mal?
-Não. - Nego. - Estou com desejo.
-Liga pro Finn. - Belle enfia o travesseiro no rosto.
-Desejo de que? - Pergunta Rye.
-Torta de limão com caramelo. - Minha boca saliva novamente e ela revira os olhos.
-Antes de estar grávida já comia coisas estranhas, agora pior ainda. - Ela boceja e eu ando até a porta. - Ligue pro Finn ou tente tomar água para que o desejo passe, sei lá.
Deixei as meninas dormirem, eu fui idiota em fazer isso porque ambas sairão amanhã cedo e eu não. Não deveria acorda-las. Mas a vontade está tão grande. Rolo a tela do celular e paro no contato do Finn, mas não é justo com ele, ele também acorda cedo amanhã...
Bruno é a única solução pra minha noite. Disco o número dele, que atende no terceiro toque.
-Alô? Amber? O que foi? - Ouço sua voz preocupada.
-Oi, tudo bem? - Pergunto com voz travessa.
-Ai, que susto! Está tudo bem sim, só não o fato de você me ligar ás... - ele parece olhar para algum lugar que tenha horário e retorna. - ás três da manhã. Está sentindo algo?
-Sim. Desejo. - Novamente escorre água dentro da minha boca.
-Ah. - Bruno parece meio perdido. Espero que ele se toque do que falei. Quando foi que eu perdi toda a minha vergonha na cara? Que cara de pau! - E...
-Eu preciso comer torta de limão com caramelo. Eu preciso muito. - Levo a mão na barriga.
-Onde eu irei achar isso ás três da manhã? - Revoltado, pergunta.
-Não sei. - Levo o dedo, sapeca, até a boca.
-Ai senhor! - Ele bufa. - Levo pra você assim que achar.
-Não é pra mim...é pro seu filho.
-Que seja. Estarei ai assim que der.
Desliguei o celular e fiquei com pena dele, ter que acordar essa hora pra fazer minha vontade, que é a vontade do seu filho. Nunca sei se é eu que estou sentindo vontade ou se é meu bebê. Pego minhas coisas e levo para a sala, cobertas e meu travesseiro. Afofo o sofá com as almofadas e meus cobertores, e ligo a televisão.
Até dou uma cochilada, quando escuto uma batida de leve na porta. Levo o olhar até o relógio da sala que marcam quinze para as cinco. Bruno!
Levanto rapidamente e abro a porta pra ele, que carrega em mãos uma caixa rosa.
-Nunca reclame de mim! - Ele vai entrando e eu dou abertura.
-Obrigada? - O olho confusa e ele leva a torta até a mesa. Tranco a porta e vou atrás dele.
Encaro a torta, parecendo estar bem deliciosa, mas infelizmente eu havia perdido a vontade.
-O que foi? Não vai atacar? - Pergunta arqueando uma só sobrancelha.
-É que...
-Não me diga... - Ele me olha semicerrando os olhos e joga a cabeça pra trás. - Não me diga que não quer mais.
-É... - Estico meus lábios e deixando-os numa linha reta e ele fecha os olhos.
-Você vai comer.
-Não estou mais com vontade. - Falo tentando levar um pouco de humor na conversa.
-Eu andei até Venice Beach, chamei um cara amigo do meu irmão que é dono de uma confeitaria, ele abriu a loja dele e procurou uma torta de limão, ele teve que fazer a porcaria da calda de caramelo, e eu paguei caro por isso. Agora, você vai comer. - Ele arqueia bem as duas sobrancelhas.
Sinto pena da sua história e não falo nada. Apenas pego dois pratinhos e duas colheres, e uma espatula para servir. Bruno me cuida enquanto sirvo, e me direciono pra a sala com meu pratinho. Olho para ele significando como um "vai ficar parado ai?", e ele se toca, vindo atrás de mim.
Sentamos no sofá, enquanto a televisão passava o fim de algum filme que eu não sabia qual era. Mal toquei na minha torta. Comi um pouquinho e Bruno me olhou de cara feia, então comi mais.
-Como ele está? - Pergunta ele quebrando o gelo.
-Bem, e não está mais com fome.
-Você tem se alimentado direitinho?
-Sim. - Suspiro lembrando de uma ou duas vezes que não havia sentido fome então não comi.
-Trarei algumas coisas para vocês. Já estou vendo o quarto dele lá em casa, e já mandei pintar! Um dia terá que ir lá ver.
-Ah sim. - Falei meio enjoada.
Escutei mais algumas palavras do Bruno quanto ao quarto do nosso filho, quando senti que a torta estava voltando, não era esse percurso que ela deveria fazer. Corro para o banheiro tentando fazer o mínimo barulho possível e me ajoelho na frente do vaso, isso é tão nostálgico.
-Você está bem? - Bruno segura meu cabelo quando pergunta.
-Sim. - Tento sorrir em meio aquele cheiro horrível. - Falei que não queria mais.
-Não forcei você a comer. - Olho para ele quando me levanto e ele ri. - Talvez tenha um pouquinho. Mas eu estava irritado por ter feito todo esse percurso.
-Desculpe. - Peço assim que lavo minha boca e seguimos para a sala.
Dei duas cobertas das três que eu estava, e as almofadas para ele deitar no chão. Aumentei um pouquinho mais o volume e nos preparamos para assistir o clássico Titanic, já que era o único filme que estava passando.
Pedi para ele dormir ali, afinal esta muito tarde para ele voltar para casa e é o mínimo que eu poderia fazer por ele.
- Desculpa a demora, Tá virando rotina, mas gente, eu estou completamente bloqueada com a fic, Momentos de tensão enquanto eu escrevo, parece que não sai nada do que eu quero que saia. Espero que possam me entender. Obrigada <3
















