sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Capítulo 44 - Living in your home?

Não havia mais nada a minha frente, somente conseguia ver um clarão e o resto das imagens embaçadas. Não quero passar mal de novo, não posso. Quando a chamada já estava quase se finalizando por si própria, Riley atende e minha voz falha.

-Amb, está acontecendo algo?

-Me.. - Não conseguia encontrar nenhum tipo de força para continuar a falar.

-Você está passando mal? Amb, você está bem? Eu juro que se isso for um trote, eu mato você!

-Ajuda! - Peço e minha voz volta a falhar.

Senti meus olhos escurecerem, tudo ficou escuro aos poucos, e indo cada vez mais. Ouvi a voz de Riley no fundo, mas não assimilhava nenhuma palavra. Estava tudo desconexo. Largo o celular de vez e fecho meus olhos sentindo um peso sobre mim.

Bruno Pov's

Amanhã à noite iria pra casa. Estava no hotel, atendendo alguns fãs e vendo o assédio de algumas no twitter me xingando e perguntando quem era a mãe do meu filho. Me mandaram imagem de relacionamentos antigos, de pessoas que nunca mais tive contato, de amigos e de Sophia.

Como será que ela recepcionou a história, se ela já viu? Não consigo imaginar a loucura que ela deve estar pensando. Apesar que posso estar enganado, e ela não estar pensando nada também. Nós dois éramos apenas vigas um do outro, quando não precisasse mais, íamos nos distanciar, e é o que eu quero no momento.

Entro no meu quarto, doido por um banho, e vou despindo a jaqueta quando vejo meu celular vibrar e o número de Riley piscar na tela. A única coisa que passa na minha cabeça é meu filho e Amber.

-Alô? - Atendo e ouço a voz dela um pouco nervosa.

-Bruno, estou levando Amber para o hospital.

-Como? O que aconteceu? Porque?

-Eu não sei. - Ela estava afobada. - Eu estava tomando café quando ela me ligou pedindo ajuda, cheguei em casa apavorada e ela estava desmaiada atirada no chão.

-Amber ainda está desmaiada? Para qual hospital vão? Será que é grave? - Sento-me na cama já vestindo o casaco novamente.

-Eu lhe mantenho informado, mas ela ainda está desacordada.

-Eu vou para Los Angeles.

Riley tentou dizer que não era preciso, mas é meu filho que está em risco, é a vida dele ali, e a vida da minha amiga. Posso ser um pouco distante de Amber, mas ela também é importante pra mim, ela gera meu filho.

Falei com Dre, com Ryan, com Deus, com o mundo, para conseguirem meu voo o mais rápido possível, mas o piloto falhou, estava em outro. Até arranjarem outro poderia demorar, como poderia ir rápido também.

Roía unhas no saguão do Four Season, andando em círculos, parecendo uma barata tonta, esperando informações do meu voo, e ansioso por qualquer notícia de Amber e meu filho. Mas nada acontecia, aquele silêncio me matava. Ryan estava fazendo ligações e Dre estava ao meu lado - em termos - tentando me conter.

Foi quando senti meu celular, antes mesmo de começar o toque, vibrar na minha mão. O atendi imediatamente.

-Oi, Bruno.

-Como eles estão? - Ouvi sua risada em minha emergencial voz, preocupada com eles. Eu ouvi sua risada... Talvez não seja nada preocupante se ela está rindo.

-Estão bem. Amber está no soro. - Ouço um barulho estranho, e percebo olhares em minha direção. - Não sei explicar o que foi, o médico irá me chamar assim que der um laudo conclusivo.

-Juro que quase pari uma outra criança aqui. - Passo a mão no cabelo e rio, me descontraindo. - Ela já está acordada?

-Sim, Finn acabou de entrar para vê-los! - Ela explica e depois de ouvir o nome dele, reviro os olhos, fazendo uma careta. - Assim que eu souber de mais alguma coisa, eu ligo para informar.

-Ok, obrigada por tudo.

-Disponha.

-Chego aí em algumas horas, estou adiantando tudo aqui para que consiga sair o mais rápido possível.

Ouvi a risada dela, e ela falou algo sobre achar legal eu estar preocupado. Como não estaria? Só se eu fosse um louco, sem sentimentos, porque é meu filho que está ali. Ok, eu não agi certo por alguns momentos, mas ninguém sabe o que é acordar com a notícia de que uma menina que você mal sabia o nome está grávida. Principalmente quando se é alguém com fama, a primeira coisa que pensei foi que ela quisesse meu dinheiro, ou me prender à ela, sei lá. Existe tantas pessoas perigosas nesse mundo.

Mas foi só por isso. Eu amo meu filho, e gosto muito da Amber, do seu controle, dos seus pensamentos e do jeito que ela mantém a calma em todas as situações.

Depois de tantos anos eu tenho uma nova prioridade, que não é minha fama. Meu filho.

Sorrio abobalhado com o título que ganharei em meses: pai.

+++

Se fosse trânsito, eu entenderia, mas não há trânsito no céu, caramba. Estava ansioso para aterrizar de uma vez e o lesma que arranjaram para piloto estava de brincadeira conosco, não era possível. Tentei escutar música, tentei dormir, tentei escrever, tentei jogar algo, tentei assistir filme, mas nada conseguia. Meus pensamentos estavam tão longe.

No caminho do hospital, Riley me ligou e avisei para ela que estava chegando, então ela disse que me esperaria para conversar com o doutor.

-Pode me deixar aqui, depois me ligue e eu aviso onde estou. - Peço para Dre, que destrava a porta.

Entro a toda dentro do hospital, nem parando para "oi's" nem nada do tipo, quero somente chegar no meu destino. Aviso na recepção do andar quem estou procurando e encontro Riley. A abraço e ela chora, entre risos, dizendo que dessa vez ela levou um susto tão grande que rezou até para as religiões que não era crente.

Entramos no consultório do doutor, e ele foi logo puxando o prontuário de Amber, que não era pouco. Muitos exames, muitos papéis, até tontura dá após ver isso.

-Pois bem, a amiga de vocês gosta de hospital? - O doutor brinca e nós rimos. - Dessa vez não foi nada demais, foi mais um desmaio por ventura de sua anemia. Vou trocar as vitaminas dela e dar mais um remédio.

-Ela vai ter isso mais vezes? - Pergunto.

-Foi bom tocar nesse assunto. - Ele junta alguns papéis e pega um bloquinho para anotar algo. - Amber passa quanto tempo sozinha?

-De manhã até metade da tarde. - Riley da de ombros, respondendo.

-Ela não poderá mais ficar sozinha, de maneira alguma. Ou ela vai para a casa de alguém que possa estar com ela, ou ela consegue algum acompanhante, ou ela fica aqui no hospital por nossos monitoramentos, o que não é bem confortável, mas é uma opção. O importante é que Amber não poderá mais ficar sozinha.

-Isso nós resolvemos... mas porque, doutor? - Havia uma residência de pulgas atrás da minha orelha.

-Porque ela tem desmaios, porque ela se alimenta, mas ainda sim o corpo não conseguiu tanta energia. Ela terá remédios e vitaminas que terão que ser ingeridas. Ela precisa de monitoramento e seguir esses passos a risca. Não podemos brincar com isso, a gravidez dela está num estágio de cuidados, não queremos que ela avance mais um e vá para o de risco. Vamos prevenir isso, não é?

-Claro, claro. - Riley prestou bem atenção, assim como eu.

Conversamos mais um pouco e tirei algumas dúvidas sobre alimentação e outras coisas a mais, e ele me explicou direitinho. Estávamos autorizados a levá-la pra casa, e no corredor deparo com Finn e Belle conversando. Dou oi de longe e entramos no quarto, eu e Riley. Amber abriu um sorriso quando nos viu, não sei se foi para sua amiga ou para mim, mas me senti bem vendo ela sorrir daquele jeito.

-Eu aprontando mais uma vez. - Sua língua foi para o lado da boca. - Esse quarto está sendo minha segunda casa.

-Que susto que você nos deu. - Digo indo para os pés da cama.- Como se sente?

-Bem, tirando esse negócio que sempre me incomoda. - Ela aponta para o soro.

-Bruno cancelou muitas coisas pra vir pra cá hoje. - Riley interveem. - Acho que ele merece sentir o filho.

-Não... - Nego, não querendo negar, queria muito poder tocar no meu filho agora, mas acho que deixarei pra depois. - Primeiro temos que conversar!

-Qual a advertência da vez? - Pergunta ela em tom de brincadeira.

-Mudou algumas das suas vitaminas, e, agora tem um remédio para ajudar com os desmaios. - Riley conclui uma parte.

-E... você não pode mais ficar sozinha. Por isso, você irá morar comigo!

-Com você? - As duas perguntam, surpresas.

-É, comigo, e eu não aceito não como resposta.

-Mas porque eu não posso mais ficar sozinha?

Expliquei tudo que o médico falou, e frisei bem a parte de que a gravidez pode se tornar de risco e ela pareceu entender tudo que eu falava. Ficamos num breve silêncio enquanto deixava ela pensar, e Riley acabou dizendo que essa seria a melhor solução.

Escolhi ela morar comigo porque a casa nunca está sozinha. Posso aumentar o salário de Marie e ela ficará todos os dias disposta para o que precisar. Posso ficar mais em casa, trabalhar mais no meu estúdio, já que agora estamos em fase final, é mais simples do que antes. Ela ficará mais confortável, terá seu próprio quarto, já conhecerá o quarto que estou preparando para o nosso filho, e o mais importante, ela estará segura.

-Eu não quero dar gastos.

-Cala a boca, Joana D'arc. - Riley revira os olhos.

-Eu aceito, mas desde que eu possa ajudar com algumas coisas. Eu não tenho muito dinheiro, mas eu irei ajudar, ok? - Ela pergunta diretamente pra mim.

Bato continência.

-Ok!

Amber parecia tão distante, ficou olhando para o nada, nem falava. E isso foi tão de repente. Olhei para a Riley, que me olhou fazendo um sinal com as mãos, acho que ela estava perguntando o que a Amber está fazendo, foi quando a própria quebrou o silêncio.

-Eu acho que não posso...desculpa. - Respirou fundo, olhando pra mim.

-Porque não pode? - Só faltava ela dizer algo sobre o Finn ficar com ciúmes e etc.

-Porque não... acho melhor não.

-Você vai, Amber. E eu estou falando sério. Passamos o tempo todo preocupados com você, pelo menos lá eu sei que estará em segurança. - Riley ordena.

-Mas eu não quero estragar a privacidade do Bruno. - Ela rapidamente olha pra mim. - Nós somos amigos e vamos ter um filho, não quero ser uma pedra no seu caminho, ou aquela que irá atrapalhar seus romances.

Reviro os olhos.

-Ás vezes tenho vontade de tocar um tijolo na sua cara. - Riley também rola os olhos, impaciente. - Você vai.

-São ordens médicas, Amber. Não posso fazer nada quanto à isso. Ou você mora comigo, ou você contrata uma baba para você.

-Uma baba? - Amber ri.

-Nós não estamos de brincadeira, Amb. Você vai. Ok?

-Ok!


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Capítulo 43 - In the Ellen show

Meus braços estavam envolvidos no seu pescoço, sua boca procurava a minha enquanto eu brincava de pega-pega. Finn estava para lá de excitado, e toda sua pegada estava me matando e me encurralando na parede do quarto. Ando para a cama e me deito sobre ela. Finn com todo o cuidado tira minha roupa e beija meus pés, minhas panturrilhas, minhas coxas, até chegar na minha virilha. Suga com tanto prazer que minhas mãos ficam sem paradeiro, não sabia ao certo o que fazer. Apertava o lençol e clamava por ele dentro de mim.

Finn se afastou, pegando a camisinha e tirando o resto de sua roupa. Fiquei constrangida com minhas pernas abertas dessa forma pra ele, e seu olhar em mim. Mal sabia se estava depilada completamente direitinho, a barriga atrapalha nessas horas. Ele pôs a camisinha, e quando se posicionou para penetrar-me, fechei os olhos. Voltei a abri-los e Bruno estava ali, investindo dentro de mim com estocadas intensas e prazerosas.

+++

Dormi me sentindo culpada, suja. É tão errado isso, sonhei com ele, e depois quando fui transar com meu namorado, fiquei pensando nele. Bruno está ocupando um espaço na minha mente que não deveria ocupar. Ele é meu amigo e nada mais que isso, eu tenho um namorado maravilhoso, tenho que parar de pensar besteiras. Falando nele, já deve ter embarcado para Nova Iorque à essa hora.

Pela manhã não havia mais ninguém em casa, todos em seus trabalhos e eu, mais uma vez, sentei-me na frente da televisão pra ficar perambulando de canal em canal atrás de algo que me interessasse.

Bruno Pov's

Caminhei por algumas ruas, acompanhado do Dre, antes de seguir para o estúdio da NBC. Vi tantas coisas e anotei várias lojas para vir amanhã. Tenho que ter coragem de entrar em lojas para crianças, e essa coragem vai ter que ser vencida hoje. Nessa entrevista... Ellen é a única apresentadora que me faz sentir em casa, descontraído, mesmo com suas perguntas - algumas -, parecidas com a maioria que as pessoas fazem, ainda sim com ela parecem tão mais simples.

-Amanhã passamos aqui. - Digo assim que entro no carro.

-Com todo o respeito... paparazzos podem ver! - Dre alerta assim que liga o carro.

-Eu sei, quase sempre sou alvo deles, mas talvez algo mude hoje. Não sei...

-Vai assumir para todos?

-Talvez, Dre.

Penso em mim e na minha carreira. Lançarei um disco daqui alguns meses, e depois tenho turnê e apresentações para a divulgação. E tem a Amber. Não sei se ela gostaria de ser exposta assim, ela é uma garota tímida, e tem a vida dela tão em particular que não creio ser uma boa ideia pra isso.

Pensarei mais à caminho do estúdio.

Vesti as roupas que Ryan mandou, arrumaram meu cabelo, enquanto uma moça dava rápidas pinceladas em meu rosto com um pó. Recebi a ligação do meu pai informando sua vinda pra cá, junto da Tahiti que havia ido pra lá semana passada, e que eles pretendem fazer algo para o aniversário dele que se aproxima.

Me chamaram avisando que tinha mais dois minutos antes de entrar. Ajeitei minha jaqueta e   entrei pela lateral. Cumprimentei Ellen e a platéia, que ficaram gritando por um bom tempo. Ria demais antes mesmo dela começar a perguntar alguma coisa.


-Vocês são doidos, estão assustando ele. - Ellen repreende, do seu jeito engraçado, a platéia, que ri.

-Eu sou mais doido. - Levantei os braços e ouvi mais gritos. Ri da bobagem e a olhei.

-Bruno... - Ela poderia começar a falar, mas uma menina deu um grito muito alto, que a fez olhar para a platéia e semicerrar os olhos. - Estou tentando paquerar ele pra que consiga mais um beijo, e pra que ele venha em dezembro. Shiu!

-Você não precisa tentar me paquerar. - Pego na sua mão. - Já sou todo seu.

-Vocês ouviram isso? - Ellen pergunta e começamos a rir. - Como está, Bruno?

-Bem? Eu estou bem, e ansioso. - Fiz o gesto de roer as unhas e ela ri. - Um pouco nervoso por estar ao seu lado, mas isso passa quando você visitar meu camarim.

-Podem preparar um sofá bem confortável e vinho no camarim dele, por favor. Hoje o programa vai terminar mais cedo. - Ela olha pra câmera. - Pode terminar até agora. - Eu ria sem medir esforços, como tinha dito antes, ela me deixa tão a vontade. - E as novidades? À quantas anda o CD?

-Sobre o CD, digo para prepararem o topo das listas, e guardarem dinheiro para comprar. - Passo os olhos pela câmera, e ponho a mão como se fosse contar um segredo. - Mas pra você que está assistindo, e vocês da platéia, tem desconto.

A platéia ri, e dá alguns gritinhos e assobios.

-E para mim?

-Você ganhará um. - Pego na sua mão. - Meu presente de natal.

-Você é um caso perdido, Bruno.

-Não fale assim, Ellen. - Nós rimos juntos.

-Não me falou as novidades, quero saber o que anda acontecendo na sua vida.

-Eu estou grávido!

A platéia ficou praticamente calada, e Ellen riu, até ver que eu estava falando sério. Dei um sorriso para mostrar que era verdade e que eu estava - agora - orgulhoso disso.

-Isso é verdade? Mas eu mal sabia que você estava namorando.

-Eu não estou. Adoro a mãe do meu filho, e nós somos bons amigos.

Amber Pov's

Quase sete da noite, quando eu tentava fazer a janta, e as meninas olhando para a sala, recebo uma ligação da minha irmã.

-Alô? - Pergunto assim que atendo.

-Você não vai acreditar.

-No que?

-O Bruno assumiu que vai ter um filho, publicamente, no programa da Ellen. Vou mandar o link e você abre ai, tudo bem?

-Ah, ok...

Estava pra lá de que sem fala. O que será que ele falou de mim, ou que falou do seu filho, do nosso relacionamento como amigos. Meu coração gelou de uma hora pra outra. Apaguei a boca que estava acessa, e andei para a sala, pegando meu notebook da mesa de centro, e abrindo ele. Expliquei para as meninas o que Violet me falou rapidamente no telefone, e abri o link que ela havia me mandado.

"    "Estou grávido!"

Bruno Mars, o astro do R&B atual, e cantor e compositor do hit número #1, Just the way you are, afirmou hoje, em uma entrevista para o programa Ellen Show, que está "grávido". Não revelou quem é a mãe do filho dele, mas avisou que está solteiro e que ela é uma amiga próxima, e muito querida. Dú-vi-do. Será só amiga?

Agora é hora de esperar ansiosamente por fotos e mais notícias vindas do cantor.

Assista aqui o vídeo..."

-Meu Deus! - Belle estava boquiaberta. - Juro que pensei que ele nunca iria dizer assim, publicamente, e que você fosse ser descoberta por paparazzos.

-Eu também. - Disse fechando a tampa do notebook.

-Acho que isso só mostrou mais o quanto ele quer essa criança, o quanto ele a ama já. - Riley sai em sua defesa.

-Você defende tanto ele, até parece que gosta dele... - Belle semicerra os olhos e Rye os revira.

-Eu sou amiga dele, ele é uma boa pessoa.

-Bruno está se mostrando muito melhor do que parece, Belle. - Dou de ombros.

+++


Minhas costas já acordaram doendo um pouco, meu estômago estava mais sensível. Só de levantar já senti uma rápida tontura. Caminho para a cozinha abrindo a geladeira e pegando minha "dieta". Levo para a sala e sento-me em frente a televisão, colocando almofadas atrás e pegando meu celular e o controle. Dou uma pequena mordida no sanduíche e engulo a força.

Pego o celular que toca com o número de Bruno piscando na tela.

-Alô. - Respondo quando atendo.

-Bom dia. - A voz dele soa melódica. - Acordou faz tempo?

-Não sei o horário de Nova Iorque, mas aqui em Los Angeles são nove horas. Está tranquilamente cedo.

-Aqui é meio dia. Ás vezes esqueço. - Ele ri. - Acabei de almoçar, amanhã volto pra LA e vamos para nossa aula.

-Sim senhor, capitão!

-Mandei Madson cuidar do quarto do nosso filho. Ele me mandou algumas fotos e está ficando lindo.

-Quero ver! - Digo birrenta, Bruno está fazendo tanto suspense com isso.

-Não, só quando estiver tudo pronto.

-Você é um idiota, Mars. - Grito no telefone e ele ri tão descontraído.

-Tomara que meu filho seja minha cara, e seja idiota como eu. Assim aguentará um idiota como amigo e um idiota como filho. Mas vamos ser incríveis.

-Mais idiota que você não existe. E não rogue praga para meu filho.

Conversamos por mais algum tempinho. Bruno foi até Nova Iorque fazer algumas coisas do CD e algumas entrevistas novas. Finn estava no trabalho assim como as meninas também não estavam em casa. Parei ontem à noite para pensar em como o tempo está passando tão rápido. Estamos tão perto do aniversário do Bruno, depois vem o do Finn em novembro e em dezembro meu bebê nasce.

Meu bebê. Passo a mão sobre a minha barriga, esperando ele chutar, ou dar algum sinal, mas no fundo sei que ele limita seus movimentos e só os libera quando Bruno toca na minha barriga.

Levanto do sofá e vacilo pra trás. Minhas pernas fraquejam e meus olhos escurecem. Não enxergo nada, somente penso em pedir socorro, mas é impossível alguém me ouvir assim. Minha barriga dói fortemente, levo minha mão à ela, pedindo que Deus me ajude e essa dor passe.

Permaneço quieta, esperando que passe, mas não adianta, a dor continua a mesma coisa. Pego meu celular, trêmula, e ligo para Riley.



sábado, 22 de novembro de 2014

Capítulo 42 - Yoga

Quando era nove horas da manhã, as enfermeiras já haviam passado com o café para as pacientes e eu havia ficado ali esperando algo que não sabia o que era. Talvez coragem para olhar na cara dela e pedir desculpas, se é que vão ser aceitas. Minha irmã, anjo da minha vida, chega com dois cafés da forma que eu gosto e algumas coisas para comer. Pedi que comesse-mos ali mesmo já que seria impossível ir na cafeteria à essa hora e ninguém me reconhecesse. Já estava com problemas demais.

-Entrei ali à noite... Jaime, eu nunca quis mal para o meu filho. - Balanço a cabeça em negação e ela passa a mão na lateral do meu rosto, me dando conforto.

-Eu sei. Falamos coisas sem pensar, e quando se está bêbado somos capaz de muitas coisas.

-Você soube do que falei para ela?

-Sim, quando ela acordou falou para as amigas delas, que nos disseram.

-Todo mundo me odeia, eu não fiz por mal. - As lágrimas se alojaram nos meus olhos, prestes a cair.

-Você tem muitos anjos da guarda Bruno. Esse menino é muito forte, e ela também. - Jaime segura minha mão. - Agradeça a Riley, que se preocupou com você e conseguiu saber onde estava e foi busca-lo.

-Como ela pôde comigo? - Chego a dar uma risada pensando nela me pegando num estado deplorável para me por no carro.

-O pai da Amber ajudou.

-Meu Deus... eu serei um péssimo pai. Olha os exemplos que dou.

-Hey, não diga isso. Ser pai ou mãe é uma dádiva, Bruno. Nossos pensamentos são confusos no inicio, ainda há muito o que absorver, mas quando você ver o rostinho dele, verá que tudo vale a pena por ele. Vai matar, caçar, fazer de tudo para ter sempre seu sorriso.

O que Jaime me disse, somado com o belo discurso do Eric, e a experiência que minha mãe e meu pai me passaram quando eu era pequeno, somou e resultou num belo e longo pensamento. Estou pronto para encarar a realidade, pronto pra pedir perdão para ela, e ser um bom pai para meu filho. Pronto pra mostrar pro mundo meu garoto, ele será um prodígio.

Ria com a minha irmã, até a chegada silenciosa de Riley. Eu a abracei e agradeci por ela ser minha amiga mesmo quando fui um completo idiota. Ela disse que entendeu, e que já passou por tantas coisas na vida dela que entende o que se passa em minha cabeça. Pelo menos me sinto mais aliviado.

-Entra na frente, eu entro em seguido. - Respiro fundo quando digo para Riley ir na frente.

Entro no quarto e Amber está sentada, com a barriga descoberta, passando a mão por ela, parecendo que estava falando com nosso filho há pouco tempo atrás. Ela me viu ali, e para a surpresa não fui mal recebido, apenas não ganhei um sorriso como ela deu para Riley, apenas seu "oi" seco.

-Tenho que atender uma ligação. - Checo seu celular com uma olhada rápida, mas não havia nada ali. - Já volto. - Ela sai do quarto e Amber quebra o rápido silêncio.

-Não tinha ligação nenhuma, não é? - Seu tom era bem descontraído.

-Não. - Digo entre risadas e ela, para o meu alivio, ri também. - Podemos conversar?

-Claro.

-Amber... eu lembro de parte do que te falei. - Apoio-me na lateral da sua cama e ela mantém seus olhos fixos nos meus. - Não quis dizer nada daquilo. Estou tão arrependido, meu Deus. - Meus olhos marejam, não quero chorar na frente dela.

-Não vou dizer que não estou triste, eu estou bastante. Mas não estou com raiva de você. Entendo seus problemas, entendo o que está se passando na sua cabeça...

-Você é um anjo. Meu filho não poderia ter uma mãe melhor. - Passo a mão por seu cabelo e ela faz uma careta.

-Ele bem que poderia ter uma mãe melhor, mas sobrou eu. - Ela dá de ombros, me fazendo rir. - Não frequento a igreja, mas quando era menor minha mãe nos obrigava a ir... e sabe, eu aprendi muitas coisas. Não sou devota, mas sei que existe um poder que somente o ser humano tem. O poder do perdão.

Foi melhor do que imaginei. Senti uma paz interior e ouvi cada palavra que ela disse sobre a igreja e sobre seus pais. Ela estava se abrindo pra mim, e eu mal sabia o porque. Ela estava se abrindo para um cara que a fez sofrer. Para a nossa surpresa - ou não - meu filho estava acordado, e quando eu tentei falar com ele, e encostei em sua barriga, ele se mexeu bem devagar, o que Amber disse que lhe provocou espécies de cócegas em sua barriga. Ajudei ela a pegar o creme e passar em sua barriga assim que ela saiu do banho e quando ela se vestiu, no banheiro, ela saiu e eu pedi um abraço.

Filho, eu não serei um orgulho pra você, pelo menos não o que eu fiz durante a gestação da sua mãe, mas eu prometo que vou melhorar. Pelo menos estou amigo da Amber, o que resulta tudo bem melhor.

Amber Pov's

Lar doce lar. Fui trazida por Jaime e Bruno, e quando cheguei em casa ganhei uma bela recepção de Finn, Violet, meu pai, e as meninas. Convidei Jaime e Bruno para ficarem, mas nenhum dos dois quis. Bruno estava com vergonha de ficar ali, já que a Annabelle e Finn estão com mais implicância com ele, e Jaime não achou sentido ficar por ali porque parecia algo bem íntimo. Na verdade eu nem sei porque fizeram bolo só porque saí do hospital.

Comemos e comemoramos, mas logo cada um seguiu seu rumo. O mais engraçado é que depois de estar do lado do Finn, eu ainda estou pensando naquele sonho com o Bruno e me sinto cada vez com mais vontade de provar dele novamente.

Sentei na sala com as meninas antes de irmos dormir, para vermos o que eu já tinha de roupinha para o bebê.

-Você está tão distante, Amb. - Observa Belle enquanto dobra um pequeno macacão verde.

-Parece que está mais aérea que o normal. - Riley cutuca.

-Por isso ela perdoou o Bruno, porque ele deu drogas pra ela.

-Ha, ha. - Forcei uma risada e Belle colocou a língua pra mim. - Ta, posso contar algo pra vocês?

-Desde que não seja um segredo sobre matar alguém, pode. - Riley presta atenção em mim, enquanto Belle termina de por a pilha de roupinhas dobradas ao seu lado.

-Eu tive um sonho...

-Que sonho? Erótico? - Chuta Riley. No gol!

-Yep.

-Como? - Pergunta Belle.

-Sim, tive um sonho bem explícito com o Bruno... ele passou a madrugada toda no hospital e à noite entrou no meu quarto, meu bebê mexeu e foi incrível. Então, quando eu fui dormir, sonhei com ele. - Perdi um pouco da vergonha na hora de falar isso.

-Wow. - Comenta Riley.

-E ainda quando estávamos no carro, eu não pude de notar seu corpo. Gente... esse homem é muito gostoso.

-Me poupe de detalhes sórdidos. - Belle diz com repulsa.

-Tape os ouvidos. - Aviso dando a mínima para ela, e virando para Riley. - É errado pensar nele estando com o Finn, mas isso não se repetirá!

-É um pouco errado, mas nada demais. São os hormônios à flor da pele. - Ela segura uma possível risada da minha situação.

Que bom que ela não ri, porque no momento que ela risse, eu acho que teria um acesso de vergonha que não olharia mais para o Bruno.

A semana passou tão tranquila que eu mal vi passar.Tive mais um ultra-som e meu bebê está tão lindo e grande - na medida do possível, porque sua tendência é ser bem baixo. Hoje Bruno irá vir pra cá para termos nossa primeira aula de Yoga.

E essa semana foi marcada pela primeira briga com o Finn durante esse tempo todo. Finn não entendeu quando eu neguei fogo pra ele, mas eu simplesmente me senti um homem que broxou na hora H.

Atendi a campainha vestida com uma calça de malha, um top confortável e uma  camisa folgadinha por cima, que minha barriga marca da mesma forma. Bruno estava ao lado de uma senhora de uns 40 anos, magra e bem esbelta. Com um corpo lindo, e curvas bem marcadas por uma roupa de ginástica, enquanto ele estava com uma calça de moletom, tênis e camisa normal da Nike.

-Boa noite. - Disse assim que abri, um pouquinho depois de fazer um raio-x neles - Entrem.

-Boa noite, Amb. - Bruno me dá um beijo no rosto e eu paro por instantes. -  Essa é Kitty, a melhor e exclusiva professora de Yoga. Kitty, está é minha amiga e mãe do meu filho, Amber.

Estico a mão para ela, que simpática aperta-a.

-Onde vamos nos instalar? - Pergunta ela.

-Pensei em fazermos aqui na sala. As meninas estão no supermercado fazendo as compras do mês. - Os acompanho até a sala. - Só me ajuda a arredar esse sofá e essa mesinha, Bruno?

-Deixa que eu faço sozinho. - Ele toca a carteira e o iPhone sobre o sofá e  o puxa com cuidado, depois ajeita a mesinha de centro para o canto.

Bruno ajudou Kitty com as esteiras de e.v.a e três colchonetes. Estendemos tudo e nos preparamos ali na sala. Ela pediu que eu tirasse minha blusa para melhorar e facilitar os movimentos. Então fiquei somente com o top.

-Vale lembrar para vocês dois que eu estou misturando duas etapas. O yoga para gestantes é somente para gestantes, mas o certo é começar mais cedo, porém temos os exercícios onde os pais participam, que são geralmente aulas diferentes. Pensando nisso essas aulas são exclusivas para vocês dois, conteúdos misturados.

Entendi tudo que ela foi explicando, desdes os benefícios na hora do parto,  até as facilidades para outras atividades, até para o sexo, e disse também que ajuda para emagrecer, mas essa parte eu não preciso ou irei sumir do mapa.

-Agora os dois juntos, cruzem as pernas, e mantenham a coluna ereta. - Bruno, que estava no colchonete ao lado, fez o que ela mandou assim como eu. - Concentrem apenas nas respirações. Fechem os olhos, respirem pelo nariz e soltem por ele também três vezes, depois respirem pelo nariz e soltem pela boca uma vez. Assim sucessivamente.

-Amber, agora você põe sua mão sobre a barriga e mantenha-se concentrada na sua respiração e tente canalizar a do bebê.

Tentei fazer o que ela falou, mas demorou até conseguir captar o número de vezes que tinha que respirar.

-Estiquem as pernas e deem tapinhas de leve nas coxas, para ter mais circulação. - Fizemos isso e quando eu olhava para o Bruno, ele segurava seu riso, que menino abusado, mas eu também estava querendo rir, é estranho. - Amber, agora vou pedir que você se abaixe, ficando de cócoras pondo as mãos unidas em frente ao peito. E Bruno, você ficará atrás dela, sentado, mantendo a concentração na respiração e pra caso ela vacile, você a segure. Mantendo aquela mesma respiração, Amber.

Eu estava apreensiva com ele atrás de mim. Queria saber se ele está mesmo concentrado ou se está me olhando. Porque ele estaria me olhando? Pare de ser tão idiota, Amber.

Kitty pediu que eu trocasse de posição. Agora que eu ficasse "de quatro", e Bruno ficasse ao meu lado, concentrado. Essa realmente me pegou. Assim que fechei os olhos para me concentrar, a primeira imagem que vejo é eu nessa posição, só que com o Bruno atrás de mim, me penetrando. Meu Deus, o que está acontecendo comigo? Porque esses pensamentos com ele?

-Essa posição é boa, porque alivia o peso que o útero faz nos órgãos que ficam atrás, e alivia a lombar... - Ela falava enquanto eu ainda estava daquela forma.

-Vamos voltar para a posição inicial. - Assim, eu e Bruno sentamos novamente de pernas cruzadas um ao lado do outro. - Agora vamos iniciar a parte do pai. Bruno, sente-se atrás da Amber, por favor. O contato do pai com a criança é importante. Quanto mais a criança sente presenças positivas em sua volta, mais calma e alegre ela tende à ser. - Bruno se ajeitou atrás de mim encaixando as pernas abertas esticadas na esteira de e.v.a.

A instrutora pediu que eu esticasse os braços pra frente e que Bruno esticasse os dele também. Seu peito encostou no meu, e o arrepio foi imediato. Seu braço esticou e então abrimos os braços, fechando os olhos e respirando da mesma forma. Kitty pediu que Bruno agora tocasse na minha barriga, enquanto eu colocasse minha mão sobre a sua, fazendo movimentos circulares na barriga. Esses movimentos, apesar de serem em minha barriga, estavam me causando uma sensação tão boa, no meu ventre, que estava se contraindo... Espera! Eu estou sentindo tesão apenas com isso?

Capítulo 41 - The dream

Amber Pov's

Acordo no hospital, no meio da noite, com o maravilhoso chute do meu filho.  Sinto a presença de alguém, então olho para a porta e Bruno está saindo por ela. Meu filho mais uma vez balança dentro de mim e eu sinto uma vontade grande de chorar.

Me lembro de cada "ai" que ele falou naquela ligação. Nunca me senti tão debilitada a ponto de ficar assim. Não tinha intensão de parar dentro desse hospital novamente, muito menos prejudicar meu filho, mas não foi minha culpa. E, posso estar sendo tão infantil, inútil, mas não estou com raiva dele. Só estou triste por ele pensar todas essas coisas.

Viro-me novamente e fecho os olhos tentando pegar no sono.

Bruno estava comigo, na casa de praia onde meus pais passavam alguns verões, Minha irmã estava mais pra frente de nós, então Bruno pegou minhas mãos livremente, e quando ela se voltou para trás, viu nossas mãos e decidiu voltar pra casa com a desculpa e que estava cansada para fazer trilha.

Em certa altura, ele me encostou em uma árvore nos beijamos. Meu Deus, quando suas mãos tocaram minhas pernas, quase tive um surto e baixei as calças ali...

[...]

Bruno Pov's

Sento-me nas cadeiras, olhando para os lados, vendo apenas duas ou três enfermeiras que passavam pouco por ali. Eu estava sozinho, de todas as formas. Fiz esforços para tentar lembrar de alguma coisa, mas minha mente limita-se apenas a lembrança de que eu estava em Venice.

-Hey, você ainda aí amigo! - O médico de Amber passa, ele estava indo para o seu quarto.

-É, eu aqui... - Levanto rapidamente. - Você pode me falar algo sobre ela, ninguém me informou de nada...

-Ela irá embora amanhã, fique tranquilo. Gravidez não é doença, mas é algo que desencadeia muitos problemas e exige máximo de cuidados. Ela está numa situação delicada, e tudo que ela mais precisa é de paz, ou esse bebê poderá vir prematuro e ninguém quer isso.

Meu peito parece aliviar um pouquinho quanto a isso. Parecia que minhas esperanças tinham crescido um pouco mais e saber que ela já irá embora me deixa mais aliviado. Por curiosidade perguntei o porque ele iria no quarto dela, e ele disse que precisava checar se estava tudo bem, como rotina de plantão.

Fiquei esperando ele aparecer, e de repente ele sai do quarto.

-Ela está sonhando, e falou no seu nome.

-Meu nome?

-É.

-E como pareceu, com raiva, com ódio?

-Não dá para explicar, ela apenas falou seu nome e se calou.

Deixei o médico fazer sua rotina de trabalho e segui sentado ali. Minha mente parecia rodar e rodar, são tantas coisas pra se pensar. Falta apenas quatro meses para o natal, e mais ou menos quatro ou cinco meses para meu filho nascer. Dezembro terá muitas novidades pra mim, o lançamento do CD, talvez o nascimento do meu filho, o natal, e no final, o ano novo. Não quero estar de mal com ela até lá, sinto meu coração miúdo por isso, não quero ser inimigo da mãe do meu filho.

Foi difícil saber que seria pai, principalmente no momento que eu menos esperava e de uma garota que eu também não esperava. Mas já disse que estou feliz por ser ela, que mesmo quando eu não quis arcar com as responsabilidades, me poupou de tantas coisas.

Fechei meus olhos e vi um pequeno flashback em minha mente.

"-Eu quero sumir. Na verdade você deveria sumir...

-Hã?

-Não sabe o que é sumir? Ir pra longe, dar o fora, morrer, sei lá, mas longe de mim.

-É melhor você ir dormir.

-E você morrer. Eu não quero ser pai. Tira essa criança.

-Bruno você não está falando nada com nada, vá dormir.

-Esse filho é meu, mas eu preferia que não fosse. O idiot-britanic merece mais que eu. Dá esse filho pra ele. Eu pago pra vocês irem pra longe.

-Bruno...

-Ou aborta. Não vou registra-lo.

-Cala a boca!

-Quem você pensa que é pra me mandar calar a boca? É uma coitada, não tem onde cair morta..."

Eu falei isso? Como tive coragem? Nunca teria pensado algo assim, no mínimo estava muito envolvido com a bebida num estado mais alto da coisa. Como eu saí de onde estava? Digo... qualquer um poderia ter me encontrado daquele jeito e ter pego minhas coisas, ou feito pior comigo.

Nunca que eu iria deixar de registrar meu filho para deixar que aquele sem-graça registre. Torço para que ele nasça com traços bem fortes meus, para que não tenha dúvidas e vive sempre com esse peso na consciência de que esse filho é meu.

Aliás, ele saberá desde que nascer - claro, se agora a Amber quiser me ver -, que eu sou pai dele. Ao contrário do que disse quando estava bêbado, eu não quero o mal da Amber, muito menos do meu filho, e vou cria-lo sim. Vou faze-lo ser um cara melhor que eu! Irei honrar meu nome com ele, eu prometo. Serei um bom pai... eu quero ser um bom pai.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Capítulo 40 - forgive me

Bruno Pov's

Acordo com barulhos ao meu redor, logo eles param e quando eu abro os olhos a claridade da rua me incomoda. Dou um pequeno grito e sinto minha cabeça incomodar. Afofo meu travesseiro e puxo minhas cobertas na altura da cabeça  que são arrancadas de mim com um puxão forte.

-Acorda seu maluco inconsequente. - Vejo um borrão, minha irmã que arrancara as cobertas de mim. Essa idiota me paga.

-Vá a merda, Tiara. Me deixe em paz.

-Paz? Paz? Bruno, eu deveria estar estrangulando você.

-Tiara, vamos sair daqui, ele deve estar com dor de cabeça.

Até que enfim alguém sensato diz isso pra maluca da minha irmã.

-Dor ele vai sentir se precisar enterrar o filho que nem nasceu.

Do que ela está falando? Sento-me na cama quando Jaime está fechando a porta. Passo a mão em meu cabelo que estava mais duro do que o normal. Tento assimilar as palavras que ela disse com algo, mas não lembro mais nada além de Venice. O que fui fazer em Venice? Aliás, quando foi isso? Parece que estou dormindo há uma eternidade.

Levanto da cama e na mesinha ao lado há comprimidos e um copo d'água. Pego-os e tomo de uma vez só. Faço uma rápida higiene no banheiro, e saio de lá com o corpo molhado ainda do banho breve que tomei. Visto uma roupa qualquer e saio do quarto. Há pessoas em minha sala, pessoas vulgo minhas irmãs e meu irmão, junto de Phil. Fiquei escutando os berros de Tiara, que estava furiosa comigo. O que eu posso ter feito de tão grave?

-E pra que fazer isso? A família deve estar nos odiando. - Ouço a voz de Tahiti.

-Ele estava bêbado, mal sabia o que estava fazendo. - Claramente Jaime parece sair em minha defesa.

-Bêbado ou não, se aquela criança morrer, ou se o estado dela piorar, eu juro que entro naquele quarto e acabo com a raça dele. Não tem justificativa fazer isso. É o filho dele.

Eu fiz algo pra Amber e meu filho? O que? Sinto um arrepio passar pelo meu corpo levantando meus poucos pelos. Apareço na abertura da sala, olhando para todos tentando achar alguma explicação para o que eu fiz. Mas vi apenas Tahiti e Tiara deixarem a sala me olhando tortamente, e Phil sentar ao lado de Ryan, enquanto Jaime e Eric me encaravam em pé.

-Está se sentindo bem? - Pergunta Jaime. Sua voz está tão diferente comigo.

-Um pouco de dor de cabeça e muito enjoo. - Caminho um pouco pra frente e Eric se senta. - Posso saber o que eu fiz, ou sei lá...- Coço a cabeça.

-Bruno, a Amber está no hospital. - Ouvi o choro de Tiara perto da porta da sala, não me sinto com coragem de virar para ver como está Tiara. Sento-me e continuo a encarar Jaime esperando por mais alguma resposta.

-Ela não está nada bem, está fraca.

-Anemia novamente? - Pergunto.

-Você não lembra? - Eric me pergunta.

-Ou ele se lembra, mas a mente pesa tanto que ele prefere esquecer. - Tiara opina mais um vez, com sua voz chorosa.

-Eu não lembro de nada praticamente, só que fui para Venice e nem sei como saí de lá.

-Acha que devemos leva-lo no hospital? - Pergunta Jaime para os caras.

-Acho que ele não deveria aparecer nem pintado de ouro lá. - Ryan da sua opinião enquanto me encara.

-Mas eu quero ir, eu quero vê-la. Como eles estão?

-Já disse que ela precisa de muitos cuidados Bruno! - Jaime estava estressada, mas tentava manter o controle e a ordem na situação.

-Eu quero ir pra lá. Vou trocar de roupa. - Me levanto como vulto e saio da  sala, escuto Phil falar.

-Posso leva-lo, mas alguém tem que ir comigo.

Meu peito estava apertado. Eu não fazia ideia do que tinha feito e da gravidade da situação que meti Amber. Ela está no hospital por minha causa, eu preciso ir visita-la. Visto alguma roupa e pego meus pertences pessoais.  Checo o horário em meu celular. Passa das três da tarde. Enquanto o carro é dirigido por Philip, e minha irmã, Jaime está no banco de trás, eu fico olhando pela janela pensando que não me perdoaria se algo acontecesse ao meu filho. Estou aceitando tudo isso agora, não posso perder tudo.

Entramos no hospital e senti alguns clicks em minha direção. Não dou bola para o que quer que seja. No elevador consto que toda minha dor foi embora dando lugar maior ao meu nervosismo. Eu precisava vê-la. Phil fala com a recepcionista do andar enquanto Jaime fala com Pres no telefone. Vejo no corredor em que entramos Riley e Finn. Caminho rapidamente na sua direção, que me olha com reprovação enquanto se levanta.

-Como tem coragem de aparecer aqui? - Pergunta Finn bancando mais uma vez o valente.

-Como ela está? - Sinto a mão de Phil no meu ombro, mas pergunto para Riley.

-Não tivemos muitas notícias, mas sabemos que é delicado. - Noto a diferença em seu tom de voz.

-O que está fazendo aqui, não basta quase arruinar com tudo? - Finn chega mais perto de mim.

-Pega leve, eu ao menos sei o que fiz...

-Eu te falo o que fez. - Ele chega bem perto de mim, me encarando com fúria. - Você quase matou ela.

-Não sei como eu fiz isso, juro...eu estou arrependido seja lá do que.

Vejo seu punho vindo na minha direção em câmera lenta. Não consegui nem me mover, algo dentro de mim me segurava dizendo "você merece, permaneça ai e deixe que ele te bata". Phil pediu que ele parasse e Jaime me segurou quando cambaleei.

-Eu mereço, deixa. - Pus a mão em minha boca, mas não estava sangrando, apenas doendo.

-Você merece mais que um soco.

-Hey nada de brigas aqui dentro, vocês parecem animais! Estamos dentro de um hospital. Sorte de vocês que não tinha ninguém aqui por perto, senão os dois estavam fora daqui.

-Garanto que ele não, ele é rico e pode tudo!

-Cala sua boca, já fez o que acho que deveria, eu já disse que estou arrependido, agora não venha me enfrentar. - Revido e Riley fica entre nós. Phil me coloca sentado nas cadeiras enquanto minha irmã vai atrás de água.

Finn saí com Riley, falando algumas coisas que não presto atenção. Em poucos minutos chega Annabelle e Violet. Sorri para Violet sem mostrar os dentes, e ela somente baixa o olhar. Outra que eu decepcionei.

-Como você tem cara de pau de aparecer por aqui? - Ouço a voz de sua amiga.

-Seu amigo já fez questão de dar um soco em mim, quer dar o outro? - Pergunto oferecendo o rosto.

-Não Bruno, não quero. Não vale a pena me matar por isso.

-Violet? - Sorri pra ela, que agora mostrou que ela estava, além de decepcionada, com raiva.

-Bruno, você é um idiota. - Ela chora e Annabelle a abraça.

Ótimo, todos me odeiam e eu não sei de nada que eu falei pra ela, não consigo lembrar. Fico ali sentado, ouvindo eles conversarem, até ver que Violet foi embora com Finn e as duas continuam ali. Peço para Phil ir pra casa e cuidar da sua mulher, e a mesma coisa com Jaime, eu posso ficar ali sozinho. Eles ficam por mais uns instantes comigo e vão embora. O médico fala com as meninas que não dizem nada pra mim, apenas uma delas entra no quarto de Amber, e a outra permanece ali no corredor sentada como eu.

Como algo na praça de alimentação e retorno para o meu lugar. Annabelle estava saindo do quarto, quando Riley entra. Belle me encara, como se eu fosse um monstro horrível, e eu sei que fui. Mas nada desse caos foi minha intensão. Assim que Riley sai, eu me levanto e vou até a porta, ela bloqueia minha passagem.

-Hoje não, acho melhor não.

-Mas eu preciso vê-la.

-Não dá, Bruno, definitivamente. Não quero brigar com você, mas você tem que colaborar.

Novamente sento de braços cruzados, esperando por alguma notícia a mais. Belle vai na frente e Riley me dá tchau direito, e eu aviso que irei ficar aqui para caso apareça alguma emergência. Cochilo na cadeira, fico entendiado sem fazer nada, caminho um pouco, bebo água, e parece que nada sacia a vontade de entrar lá.

O relógio marcava mais de uma hora, quando resolvi que era hora de vê-la.

Entrei no quarto com cuidado, espiei para ver se ela estava acordada, mas não estava. Tem mais aparelhos ligados à ela. Um está controlando batimentos, outro é o soro, outro é um pequeno aparelho no dedo. Eu que fiz isso à ela? Seu rosto está mais pálido que o normal. Arrasto a cadeira com maior cuidado para não fazer barulho, para o seu lado e fico bem próximo a sua barriga.

-Oi bebê. - O chamo, encostando em sua barriga levemente, com receio de acorda-la. - Você ainda está ai, não é? Você não pode ir embora. Eu sou um imbecil, eu sei, mas eu prometo que vou me esforçar. - Rio, tentando parar as estúpidas lágrimas que insistiam em escorrer. - Eu estava bêbado, eu juro. Nunca vou deixar você beber. Eu... Eu sei que você está aí, sabe? Eu acho que sentiria se você tivesse...- Engulo em seco, se conseguir pronunciar a palavra, e resolvo um eufemismo. - Ido. Eu prometo que vou me esforçar, só fica aqui com sua mãe e comigo. Eu juro que não quis desejar seu mal, ou que você morresse. Eu só estava frustado por provavelmente não ser o pai que você precisa. Me desculpe... Eu sei que aquele imbecil britânico vai acabar passando mais tempo e sendo mais presente que eu, e consequentemente mais exemplar, mas, você é o meu garoto. Promete pro papai - meu peito se contorce quando pronuncio essa palavra - que você vai ser meu bebê? Mesmo que eu faça essas besteiras? - Me inclino pra frente, e toco mais uma vez sua barriga. Com cuidado. E sussurro. - Foi estranho saber que eu teria um filho, ainda esta sendo, mas eu vou moldar tudo isso e tudo vai melhorar. Mas o que é mais estranho é que eu já sinto que eu amo você, talvez eu o ame desde o momento que descobri que seria pai, mas fui covarde pra admitir. Ei pequeno, estamos aqui te esperando ansiosamente, esses cinco meses terão que passar voando para eu poder conhecer o garotinho do papai. - Sorrio feito bobo perante a barriga que cada dia cresce mais. - Desculpa a bagunça que você irá encontrar quando chegar por aqui, a gente tá fazendo o melhor do melhor. Eu te amo tanto.


Dou um beijo em sua barriga, com cuidado para não ser percebido e peço silenciosamente que se ele ouviu tudo isso, que desse algum sinal. Mas espero por segundos e nada é feito, então limpo minhas lágrimas na barra da camisa e saio de mansinho do quarto, assim como entrei.

domingo, 9 de novembro de 2014

Capítulo 39 - No control



Bruno Pov's

As coisas estavam fora do controle. Não conseguia me reconhecer, ainda é difícil demais admitir que eu terei um filho, e tudo que eu mais precisava era de um abraço da minha mãe e um tapinha nas costas dizendo que tudo vai ficar bem e que as coisas irão acontecer da forma que tem que acontecer. Pensei que estava bem, que aquelas vezes que fui no hospital ficar com ela tinham sido o suficiente para me conscientizar que realmente há um filho meu vindo, mas hoje acordei mais pesaroso que o normal.

A semana que dormi na casa dela passou, e eu consegui uma bela professora de yoga para nós. Começamos semana que vem por causa do seu horário apertado. Pego minhas chaves, minha carteira e meu celular. Dirijo para a casa do meu irmão, passar o final de semana em família.

++++

Olhei para meu irmão, Eric, sentado conversando com o Liam que havia aprontado com seu primo. Liam escutava tudo tão atenciosamente, e assim que Eric terminou de falar, ele lhe deu um abraço bem apertado. Seus braços pequenos ainda em fase de crescimento perto dos braços malhados do meu irmão chegaram a ficar engraçados. Termino a soda que havia pego, e meus três sobrinhos correm pela volta da piscina, tinham acabado de brigar, mas já estavam de bem novamente.

A quem estou enganando, ou que diabos estou fazendo? Ser pai não será uma tarefa fácil, eu não terei as mesmas coisas que Eric tem. Nem a paciência, nem o carinho, eu não serei delicado. Se meu filho brigasse com um dos primos eu seria capaz de dizer para ele ir lá e acabar com o serviço de uma vez. Não aguentarei a época que ele chegará da escola e se trancará no quarto, ou quando ele se recusar a passar o final de semana comigo, ou quando ele arranjar os amigos errados. Não estou preparado para nenhuma dessas coisas, e estou completamente perdido.

Definitivamente eu não estou preparado para ser pai.

Meu irmão vem na minha direção, com um sorriso no rosto assim que vê seu filho e sobrinhos. Dou um sorriso de lado e ele logo se senta ao meu lado.

-Quando tá pensativo demais é que aconteceu algo. Fala ai.

-Nada, é que... - Será que poderia ser certo falar à ele o que eu estou pensando? Porque não, não é? Ele é pai, pode me ajudar. - Como é ser pai?

-Me pegou. - Ele ri e encosta as costas na guarda do banco. - Ser pai é como ir para a escola. Nós aprendemos tantas coisas. Quando eu descobri que iria ser pai do Liam, nossa, minha cabeça voou, eu não estava pronto pra isso, achei que seria um péssimo pai e não saberia ensinar ao meu filho.Mas aí ele veio, ele nasceu e eu chorei na frente de muitos médicos, eu que nunca tinha chorado antes na frente de ninguém. Ele cresceu e eu fui aprendendo com ele, enquanto o ajudava a dar o primeiro passinho, fui aprendendo a dar passos mais curtos na vida, enquanto o ensinava a pronunciar as palavras e tinha que ter paciência e esperar o seu tempo, aprendi que tinha que ser mais paciente com tudo, porque tudo tinha o seu tempo. Quando Liam acordava de madrugada e chorava, e eu vi nos olhos de Cindia que ela estava cansada, eu levantava e o segurava, dando-lhe o que precisava e esperando ele dormir, ali eu tive que aprender a tolerância, aprendi que tinha que viver todos os momentos, porque ele está crescendo, e eu estou morrendo. A velhice nada mais é que um indicio que a vida está no final. Eu o criei para o mundo. - Se ele chorou no parto, eu estava quase chorando agora. Eu tenho certeza que meu sobrinho foi bem criado, seus costumes e educação são de dar amém e agradecer todos os dias, ele é uma criança abençoada. - E dói meu coração quando eu preciso xinga-lo. Mas se ele faz algo errado, eu me sinto culpado porque somos nós que ensinamos à ele tudo que ele sabe. Abri mão de muitas coisas, Bruno, mas não me arrependo nada, e se me perguntassem se eu pudesse voltar no tempo, eu voltaria e teria o feito mais cedo para ter mais tempo com ele.

-Não sei o que estou fazendo...

-Quando eu fiquei bravo com você por dizer que esse filho lhe traria problemas, não foi por mal, mas foi por pesar de saber que talvez você não cairia na realidade de que ter um filho é algo especial.

-Mas eu não tenho tanta proximidade dela... eu realmente não sei o que fazer.

-Pegue proximidade. Vocês podem não ser namorados, nem casados, mas podem e devem ser amigos.

A noite, ao invés de ficar ali como meu irmão ofereceu, eu resolvi pensar sozinho. Andei a cidade atrás de algum lugar tranquilo. Comprei duas garrafas, uma de uísque e outra de vodka, mais uma pequena lata de red bull. Entrei no carro e dirigi pela orla de toda Venice. Estacionei-o perto de uma árvore bem grande onde havia dois bancos, peguei as bebidas que estavam num saco de papel, e andei para perto da areia. Sentei-me por ali mesmo e coloquei o celular ao meu lado. Abri as garrafas e a latinha.

-A vida é uma droga. - Falei depois da metade da garrafa de uísque ter ido para meu estômago. - Não quero ser pai. - Falo um pouco mais alto.

Não havia pessoas ali por perto, e se houvesse, estou constando que minha visão está turva demais para distinguir pessoas de árvores, ou de postes, e etc. Olhava para a imensidão do mar e bebia mais um pouco. Precisava afogar tudo isso, e só a velha companheira me ajudaria. Quero ver como sair dessa. Uma garrafa já tinha ido, e eu a toquei longe, poluindo a praia, mas quem se importa? Bebi a latinha de red bull e arrotei tanto que pensei que sairia um filho pela minha boca.

Filho. É por ele que estou assim.

Amber Pov's

O nome de Bruno pisca na tela do meu celular. Não acredito que ele está se vingando me acordando esse horário, se for algum tipo de besteira, eu juro que o mato. Deslizo meu dedo para atende-lo e saio do quarto para não acordar Violet que dormirá comigo naquele final de semana.

-Alô. - Digo em tom ameno.

-Se eu soubesse que fosse te engravidar. - Mal reconheço sua voz, e pouco entendo o que ele diz.

-Bruno, está precisando de algo? - Pergunto e ponho minha mão na barriga. Meu bebê acabará de chutar. Parece que foi ouvir o nome do seu pai que ele se alertou.

-Eu quero sumir. Na verdade você deveria sumir...

-Hã? - Melhor fingir que eu não entendi o que ele disse.

-Não sabe o que é sumir? Ir pra longe, dar o fora, morrer, sei lá, mas longe de mim. - Ele estava bêbado, é óbvio, mas suas palavras machucavam.

-É melhor você ir dormir.

-E você morrer. Eu não quero ser pai. Tira essa criança.

-Bruno você não está falando nada com nada, vá dormir. - Sinto minhas pernas tremerem por instantes. Mantenho o pensamento de que ele está bêbado, não devo ligar para o que ele fala.

-Esse filho é meu, mas eu preferia que não fosse. O idiot-britanic merece mais que eu. Dá esse filho pra ele. Eu pago pra vocês irem pra longe.

-Bruno...

-Ou aborta. Não vou registra-lo.

-Cala a boca! - Digo um pouco mais alto do que deveria.

-Quem você pensa que é pra me mandar calar a boca? É uma coitada, não tem onde cair morta...

Ele ia falando enquanto eu, burra, ficava com o celular na orelha escutando cada palavra escrota e nojenta que ele dizia. Eu não deveria estar fazendo isso, não posso me deixar levar por ele ou por suas palavras idiotas. Escorei-me na parede gelada do corredor, e continuei ouvindo. Bêbado diz o que sempre quis dizer, mas nunca teve coragem. É isso que ele acha de mim? Então aquelas coisas bonitas que ele me disse sobre eu e nosso filho era mentira? Aquela trégua trocada por amizade é falsa? Meu coração palpitava mais forte enquanto meu corpo ia caindo devagar no chão.

-Se eu entrar nesse mar e me afogar, será que quando acordar tudo vai ter passado e você será mais um sonho ruim? Huh, Amber? - Meu nome foi pronunciado arrastado. Mar? Ele está bêbado numa praia. Será que está sozinho.

Porque eu estou me preocupando, depois das coisas horríveis que ele está falando sobre eu e meu filho?

-Eu vou desligar. - Minha voz se arrasta e o choro que eu estava prendendo, desce.

-Não desliga, vai acabar minha diversão. - Ele ri alto.

-VÁ A MERDA BRUNO!

-Olha as palavras...garotas assim merecem morrer, principalmente você. Se você morresse, ele morreria junto? Ta tudo girando...

Não escutei mais nenhuma palavra que ele disse, apenas deixei meu choro me levar, e soluçar cada vez mais. Ele está desejando minha morte. Toquei o celular ao meu lado e me apoiei para levantar, mas minha vista embaça e eu caio novamente, com o olhar distante, lágrimas caindo, e uma angústia sem igual vinda do meu peito. Pisco os olhos e nada mais enxergo.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Capítulo 38 - Jealousy and Yoga


Acordo pela manhã com dor nas costas e sentindo minhas pernas incomodarem. Olho para o relógio da parede e marcam quinze para as onze. Vejo Bruno deitado no chão, deve estar tão desconfortável isso pra ele. Preferi não incomodar, somente pus a coberta que eu estava sobre ele e fui até a cozinha.

Não queria ter que comer as frutas agora de manhã, na verdade estava afim de algo bem gorduroso. Passo a mão sobre a barriga e pego dois bifes na geladeira. Coloco um pouco de manteiga na frigideira, e passo alho com leite nos bifes. Esquentei arroz de ontem da janta, e servi um copo de suco. Apenas passei o bife pela frigideira, para doura-lo por fora, mas por dentro quase cru. Sentei na mesa e fui atacar aquilo que meu estomago implorava.

-Você está doida. - Quando Bruno acordou? Sua mão arranca o prato da minha frente e liga novamente o fogão. - Você não pode comer carne assim, isso está praticamente cru.

-Mas eu estou com vontade. - Torço os lábios e ele bufa olhando para a porta da geladeira.

-Amber, você comeu a fruta?

-Hã? - Me fiz de desentendida e ele se abaixa perto da fruteira.

-Ao menos uma fruta pela manhã, você sabe disso. - Ele me joga uma banana. - Come que eu vou fritar isso melhor pra você.

-Obrigada.



A preguiça estava me consumindo, acho que só não fiz algo melhor porque a preguiça não deixou. Aumentei o volume da televisão enquanto empurrava a banana goela a baixo. Dobrei as cobertas e as pus sobre o meu travesseiro, levei para o quarto e aproveitei para separar uma roupa para o banho.

Bruno se juntou comigo no almoço. Ele quis comer as coisas de ontem, e eu comi um bife e o arroz. Não era hora de almoçar, eu sei, mas não tinha pão para dar a ele, então me fiz de doida e nem comentei sobre o horário.

-Que dor horrível. - Falo sobre minhas costas que doem.

-Posso fazer uma massagem? - Pergunta estralando os dedos.

-Não vou negar. - Balancei a cabeça e ele riu.

Sentei de fome que minhas costas ficassem livre para a massagem e ele pediu que eu deixasse minha coluna reta. Suas mãos eram perfeitas para fazer massagem, suaves e delicadas, mas surtiam um efeito imediato. A campainha toca e eu grito para entrarem. Finn aparece na cozinha com um sorriso nada muito satisfeito, e ao julgar por isso, acho que ele se estressou no serviço.

-Oi amor. - Atiro um beijo pra ele, que ele faz questão de se aproximar para depositar um selinho em meus lábios.

-Oi, Bruno. - Sua voz saiu um pouco seca. - Trouxe nosso almoço. - Ele aponta para a pequena bancada, mas quando olha para a pia e vê nossos pratos, sorri com boca torta.

-Nós já almoçamos, desculpa. - Torço os lábios e Finn pega minha mão.

-Sem problemas. - Bruno para a massagem e senta-se na cadeira. Agradeço a ele. - Veio cedo hoje...- Sabia que ele se referia ao Bruno.

-Na verdade ontem à noite eu tive um desejo e ele correu a cidade atrás disso pra mim, então ele dormiu aqui.

-Ah.. porque não me chamou? - Ele pergunta mais baixo.

-Porque você trabalha de manhã cedo e eu não queria atrapalhar.

Os deixei sozinhos na sala para ir tomar banho.

Bruno Pov's

Desde que Finn chegou e me viu, ele fez questão de mostrar que não estava feliz com a minha presença. Sentamos na sala para esperar Amber voltar, e ele já havia dito que não teria muito tempo ali porque precisava voltar para o serviço. O vi falando sobre uma roupinha que ele quer comprar. Vou fazer questão de tacar fogo no que ele der para o meu filho usar.

-O que ela pediu durante a madrugada? - Ele quebra um silêncio que só não era pior por causa da televisão.

-Torta de limão com caramelo.

-Caramba, onde conseguiu isso?

-Em Venice, num amigo do meu irmão que é confeiteiro.

-Ah, claro, você é o Bruno Mars.

-Não entendi o que quis dizer com isso. - Franzo a testa e ele dá um pequeno riso.

-Você acha que consegue tudo na hora que quiser, não é? - Ele se inclina um pouco pra frente.

-Não acho não, batalhei muito pra estar aqui e sei quais as batalhas que muitas pessoas precisam enfrentar. Não venho de família rica.



-E porque resolveu perdoar a Amber do nada? - Finn arqueia somente uma sobrancelha. Eu faço isso melhor.

-Não havia o porque perdoar ela, apenas precisava digerir que realmente esse filho é meu.

-Eu sei, vou assumir ele.

-Ah, você não vai mesmo.

-Vou, sou o atual dela, e já conversamos sobre isso. - Ele levantasse e eu faço o mesmo.

-Esse filho é meu, eu vou dar o meu sobrenome à ele. - Bati no meu peito e ele ri.

-Que seja, ele não vai gostar de você.

-Porque?

-Acha que ele vai amar quando souber tudo o que fez a mãe dele?

-Acho que ele não vai ser criado por um babaca. Ele vai me amar, porque eu sou pai dele!

-O que é isso? - Pergunta Amber chegando na sala.

Pulamos na base, estremecemos. Se ela escutou essa briguinha idiota, é muito provável que irá mandar nós dois irmos embora. Sorrimos quando nos olhamos e ambos concordaram que nada estava acontecendo, somente uma conversa normal. Finn anunciou sua saída e Amb o levou até a porta. Ele a beijou e em seguido me olhou, baixando-se e beijando a barriga dela. Vontade de enfiar minha mão na cara dele.

-Desculpas pelo que ocorreu... - Baixo minha cabeça e para minha surpresa ela ri.

-Não escutei nada do que rolou aqui, só vi que não estavam confortáveis. - Ela põe a mão nas costas e se senta no sofá. - O que aconteceu?

-Nada não. - Não iria entrar em detalhes do tipo "seu namorado é um babaca e ele disse que vai registrar meu filho, mas nem por cima do meu cadáver". Nós estamos nos dando bem agora, e eu não quero estragar isso com a mãe do meu filho.

Amber Pov's

Me despedi de Finn que não ficou ali por muito tempo. O clima parecia tão estranho entre eles quando cheguei na sala, mas quando perguntei isso, Bruno não disse nada e Finn também não. Deve ser coisa da minha cabeça. Sinto um pequeno incomodo nas costas e sento no sofá. Bruno senta também.

-Eu estava pensando numa coisa...

-No que? - Pergunto.

-Que poderíamos iniciar aulas de yoga...

-Bruno, eu não tenho dinheiro pra esse tipo de coisa, mas não posso negar que a ideia parece ser boa.

-Não é caro, e eu vejo que você vai precisar, meu garotão vai ser grandão e  pode dar bastante trabalho.

Não tinha o que falar. A ideia de aulas de yoga era tentadora, na verdade tentadora até demais. Poderia ter mais contato com o bebê, saber melhor as coisas que preciso cuidar, mas não queria que dependesse do Bruno para isso, queria poder ser independente nesse quesito.

-Posso pensar sobre?

-Pode, mas pense com carinho.

Bruno foi embora tempinho depois. Fiquei em casa arrumando o que fazer. Vi tantas decorações para quartos e coisinhas pequenas na internet que me deu vontade de comprar todas as coisas. Conversei com meu bebê antes de dormir, assim como suas madrinhas loucas conversaram também. Não sei se ele entende, mas se entende ele deve saber que é bem amado e esperado. Muitas pessoas duvidam, eu sei que sim, mas eu vou ser uma boa mãe. Vou ser a melhor mãe do mundo, e meu filho sempre vai ter meus braços para se apoiar.  Não quero nunca ser uma mãe como eu tive, quero ser melhor e vou ser melhor.

Falei no outro dia com o Finn a respeito da yoga, ele ficou animado e já falou mil e uma coisas, estava decidido que eu iria aceitar essa regalia do Bruno, e então assim que desliguei o telefone, mandei uma mensagem para o Bruno perguntando se eu poderia ligar. A resposta veio com uma ligação dele.

-Não precisa perguntar se pode me ligar, Amber. - Ele ri divertidamente. - Aconteceu algo?

-Oh, não, não aconteceu algo. E eu perguntei porque vai que você estivesse ocupado.

-Não, pode falar.

-Eu pensei sobre a yoga, e eu aceito.

-Nossa, que legal. Vou procurar professoras...

-Falei com o Finn e ele ficou super entusiasmado com essa ideia.

-Amber, é... se não se importa, a yoga ela é mais para a mamãe e para o papai terem um momento com o filho enquanto ele está na barriga...Eu sou o pai dessa criança, não me leve a mal se deixei você entender errado, mas a proposta é para eu e você.

-Ah... - Não imaginaria que ele quisesse fazer isso. Ainda é difícil imaginar que ele queira esse filho, já que a algumas semanas ele falou que eu era uma aproveitadora. Não tirarei isso da minha cabeça tão cedo, é bem mais complicado do que parece. - Eu pensei que não iria querer...

-Esse filho é meu, eu tenho que crescer e encarar meus problemas sozinho.

-Bom, Bruno.

-Diz que não vai desistir disso. É importante pra mim. Você viu como ele ficou quando eu toquei sua barriga...Quero ter mais contato com ele.

-Tudo bem, mas não irá ter paparazzis atrás de você? Eles irão descobrir.

-Pensei que agora no inicio as aulas poderiam ser à noite, na minha casa. Com o tempo eu vejo exatamente o que fazer. Ok?

-Ok.

-Posso marcar as aulas, ir atrás de professoras... você não vai desistir? - Eu ri de sua pergunta, é legal ele querer proximidade com o filho mesmo que ele esteja na barriga ainda.

-Não irei.