Dei um dia para Amber arrumar suas coisas, e para eu conseguir ajeitar as coisas da minha casa. Tiramos tudo que ocupava o quarto que ela irá residir, e pedi para Marie limpar ele e o quarto do bebê, caso ela queira ver. Levamos lençóis novos, cobertas, fronhas, toalhas, trocamos lâmpadas, tudo praticamente novo no quarto para que ela possa se sentir confortável.
Dispensei Marie e peguei meu carro para busca-la. Já era fim de tarde quando estaciono na frente da casa de Annabelle. Vi uma movimentação dentro da casa pelas cortinas e logo Riley abre a porta.
-Prepara a câmera pra tirar uma foto da chorona. - Diz alto suficiente para Amber escutar.
-Vá a merda, Rye.
Entro observando a bagunça que as coisas dela estão fazendo. Há umas cinco caixas, mais duas malas bem grandes, e três sacos enormes daqueles que colocamos, normalmente, lixo. Amber estava abraçada na Belle, enquanto ela passava a mão espalmada nas suas costas. Finn estava encostado perto do sofá, o cumprimentei com a cabeça e ele deu um sorriso tão falso quanto o loiro do cabelo de Annabelle.
Levei, com ajuda de Riley, as coisas para o carro. Algumas no porta malas, outras no banco de trás, mas acabou dando para levar tudo. Não tudo, até Riley me falar que ainda havia umas coisinhas dela que poderiam ser pegas no inicio da semana.
Depois de nos despedirmos, Amber sentou ao meu lado no carro e puxou o cinto. Nem na metade do caminho estávamos, quando eu a olhava ela dava sorrisos nervosos, e suas mãos não paravam de mexer uma na outra, ela está apreensiva, nervosa.
-Eu não sou estuprador, Amber. - Rio, tentando confortá-la.
-Eu sei.. estou estranhando isso.
-Não pense que eu também não irei. Morava sozinho.
-É por isso que não queria aceitar, você tem sua vida...
-Hey. - Coloco minha mão no seu ombro, prestando atenção no trânsito. - Eu vou continuar vivendo a minha vida, você a sua, porém vamos morar juntos. Assim como você morava com Belle, sendo amiga dela, irá morar comigo, seu amigo e pai do seu filho. - Pisco e ela ri, ainda nervosa, mas passando um pouco mais.
Quando entramos em casa, fiz um pequeno tour com ela, mostrando a cozinha, a sala, e todos os outros cômodos, menos o quarto do nosso filho e os outros de hóspedes. Apresentei seu novo quarto e ela ficou por longos minutos dizendo que era lindo e que estava muito agradecida por eu estar fazendo aquilo, e foi legal ver sua felicidade.
Larguei suas coisas no seu quarto com ela e a deixei por algum tempo. Entrei para o box, tomar um banho e tirar o suador do corpo. A fome estava bem maior dentro de mim, poderia sentir alguns pequenos seres dentro de mim gritando por comida e batendo os talheres ao lado dos pratos. Terminei de me arrumar e segui para o seu quarto.
Dou duas batidinhas na porta antes de abrir. Ela estava deitada no chão, no tapete. Sorri ao ver a cena dela estar com os olhos fechados, expressão maravilhosamente alegre, e uma das mãos repousadas na barriga.
-Tudo bem ai? - Pergunto.
-Minhas costas. - Ela abre somente um olho, me espiando e inclinando a cabeça. Fez uma careta e eu rio baixinho.
-Temos yoga amanhã. - Sorrio, terminando de abrir a porta. - Precisamos jantar. Que tal pizza? - Pergunto.
-Argh. - Ela faz uma careta, como se fosse nojento. - Pode pedir pra você, almocei tarde hoje.
-Você almoçou tarde! - Reclamo e ela se apoia com as mãos, quase se sentando. - Quer que eu peça uma comida chinesa?
-Não quero nada, obrigada.
-E se eu fizer macarrão? - Dou a ideia.
-Não quero mesmo, muito obrigada, Bruno. - Sorri de canto.
-No alho? - Pergunto ignorando ela. - Quer um bife? Posso fazer ele no alho...
-Você não vai desistir nunca? - Amber da uma risadinha por causa da minha insistência.
-Não! - Respondo convicto. Ela põe a língua pra mim, que dou a minha em troca. - Vem, vou alimentar as crianças.
-Crianças? - Pergunta enquanto se apoia para levantar.
-É. - Respondo. - Você e meu filho. - Estico minha mão para ajuda-la e ela da um tapa de leve, rindo de mim.
+++
Estava fritando a carne e Amber sentada num banquinho alto, atrás da bancada, me observando firmemente. Havia o som baixinho da televisão da cozinha ligada no canal de moda e música. Sei que não era nenhum "az" na cozinha, mas eu sabia muito bem me virar. Muitos anos morando sozinho me fizeram aprender e por em prática, na marra, muita coisa que minha mãe me ensinou.
-Como você gosta? - Pergunto quebrando o silêncio.
Eu olhava para ela, mas seus olhos acompanhavam minhas mãos, meus movimentos, calculando eles.
-Hm? - Aposto que nem prestou atenção no que perguntei.
-O bife... mal-passado, ou?
-Ah. - Amber ri, me contagiando. - Tanto faz.
- Lembro que um dia desses você tava comendo crua.
- Eca. Que nojo!
- Você que comeu!
- Mas na hora parecia uma boa ideia! Hoje não parece mais. - Disse ela, a olho por cima dos ombros e ela sorri, olhando para a sua mão por instantes.
Fiquei observando ela por algum breve momento. Amber parece tão frágil, tão cuidadosa. Como se quando ela viesse ao mundo, junto dela viesse um aviso do estilo "cuidado, frágil". Mas era praticamente uma capa, ela não é tão fraca assim como aparentava ser. Ela é forte, e muito. É mais tímida do que parece ser... Resumo de Amber é que ela supera toda e qualquer expectativa que alguém cria sobre ela.
Arrumei dois porta-pratos, dois pratos, dois copos, talheres e guardanapo, ali na bancada mesmo, sem cerimônia nenhuma. Pus duas latas de refrigerante para nós e servi a comida. Conversávamos e volta-e-meia olhávamos para a televisão e falávamos sobre algo que passava. Amber mal tocava na comida, empurrava o macarrão de um lado para o outro, achei bem estranho.
- Está tão ruim assim, Amber? Fiz com tanto amor...
- Olha. - Amber riu, e apontou o dedo indicador para mim. - Dá última vez que você me obrigou a comer... Fui parar colocando tudo pra fora!
Eu ri, lembrando da cena e dando um tapinha no dedo acusador dela.
- Era torta de limão! Com caramelo! Você precisava comer as cinco da manhã... - Continuei a provocar. - Ou comia ou a criança ia nascer na ho...
- EI! - Ela berrou, e depois tapou a própria boca com a mão, notando o quão alto havia falado. Gargalho dela e de sua cara.
- Diz.
- Você precisa me mostrar o quarto do bebê!
- Ainda não está pronto.
- Mas eu quero ver. - Argumentou Amb, e tomou um gole de refrigerante.
- Você já pensou em algum nome?
- Não, e não mude de assunto!
- Argh, que pessoa petulante eu fui arrumar pra ser mãe do meu filho. - A provoco.
- Eu sou a melhor! - Ela riu. - Seu filho vai ser lindo.
- Claro, se puxar ao pai. - Me gabei.
Amber taca um guardanapo em mim. Seguro ele, e a olho fulminantemente.
- Eu te mostro o quarto depois, Amber. - Disse, e ergui uma única sobrancelha. - E sobre o nome, é sério. Você não pensou em nada ainda?
- É difícil, sabia?
- Eu estava pensando em algo tipo... - Seguro a risada, e Amber parecia esperar um nome normal. - Hershel?
- Quê? - Arregalou os olhos ampliando a visão da sua cor esverdeada.
- Hershel! Isso, adorei. Vai ser Hershel. Hershel Hernandez, o que me diz?
- Não, Bruno Mars. De jeito nenhum! - Ela parecia irritada, senti uma sensação estranha no corpo quando ela pronunciou meu nome daquela forma. Balanço a cabeça quase imperceptivelmente. - Parece nome de fábrica de chocolate! Não! Me recuso.
Comecei a rir da sua cara e das coisas que ela falou, e parece que agora ela foi entender que era brincadeira.
- Idiota.
- Hershel, não, ok. - Falei, ainda risonho, e fingindo que pensava alto. - Rain! Vamos chamá-lo de Rain!
Levantei, assim que constatei que havia terminado minha refeição por completo. Abri os braços e gesticulo como se fosse maestro, enquanto Amber me olhava e ria.
- IT WILL RAIN, RAIN, RAIN.... - Gritei, girando, e rindo junto com ela. - Rain, não? Ops.

Rain ������ Dri tu é demais hahahahah amei continua. Bjs hahah
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