Estamos no sábado. A quinta, a sexta passaram e eu não tive coragem nenhuma para começar o assunto, mas hoje, eu me sinto um pinguinho mais confiante e sei que minha irmã estará em casa, ela precisa estar junto para quando irei falar.
Estou adotando melhor essa ideia que tem alguém dentro de mim, uma vida que depende da minha. Andei acariciando minha barriga, como estou fazendo nesse exato momento enquanto encaro o teto do meu quarto - que provavelmente não será mais meu. Ela está bem pouco perceptível, olhando quase nem da pra notar a diferença, mas passando a mão dá para perceber que ali tem mais uma vida.
Os primeiros momentos foram assustadores, foram terrivelmente assustadores. O mundo desmoronou sobre a minha cabeça, coisas terríveis me fizeram pensar que o melhor era nada disso ter acontecido. Eu vou ter a reprovação dos meus pais, talvez da minha irmã, ele não terá um pai presente - poderá até nem chegar a saber quem é seu pai -, nós iremos enfrentar o mundo juntos. O mundo contra nós e nós contra eles. Foi difícil aceitar a ideia, eu sempre penso nas coisas ruins, mas agora meu pensamento está mudando. Talvez eu possa amar ele antes mesmo de completar 30 semanas, talvez eu possa acordar amanhã já sentindo ele mais do que sinto e consequentemente adorar, talvez eu encoste em minha barriga daqui há algumas semanas e ele ou ela estará feliz, se revirando. Talvez eu chegue no dia da primeira ecografia, eu sei que vou ver somente um borrão, mas só de assisti-lo ali e ouvir seus batimentos eu possa ver que eu já estou o amando.
Ele(a) faz parte de mim. Ele(a) é parte de mim.
-Desculpa por tudo que você irá passar, mas nada disso é sua culpa, ok? - Falo com minha barriga enquanto a acaricio.
-Amb, a mamãe está chamando para o almoço. - Violet bate na porta e eu levo um susto me ajeitando rapidamente pensando que ela iria abrir e pudesse me ver naquela cena, mas lembrei-me de ter trancado a porta, então aliviei meu peito.
-Ok, já estou descendo. - Ajeito-me e respiro fundo contendo as lágrimas que queriam cair. Eu tenho que ser forte, eu tenho que ser forte. Repetia para mim mesmo como um mantra.
Nosso almoço foi tranquilo, comemos frango frito com purê de batatas. Eu amo esse prato, e não tive nenhum enjoo quando o ataquei bruscamente. Quanto tempo eu não me alimento direito mesmo? Acho que em semanas essa é a primeira vez que eu estou verdadeiramente comendo, afundo, um prato de comida de sal.
-Eu preciso falar com vocês. - Digo assim que todos terminaram de comer, meu pai estava espetando um palito de dentes na boca, e minha mãe juntava os pratos em uma pilha.
-Vai assumir algum namoro? - Pergunta Violet.
-Você acha que eu sou encalhada? Sempre fala de namorados. - Balanço a cabeça.
-E não é? - Pergunta ela. Dou um murro de leve em sua cabeça e ela ri gostosamente.
-Eu lavarei a louça e vamos para a sala conversar. - Minha mãe diz, ela não estava num dos seus dias felizes do ano, infelizmente.
Quase vacilei em algumas vezes enquanto minha mãe estava lavando a louça, pensei em inventar alguma outra coisa para não ter que falar nisso hoje. A imagem das meninas se projetaram na minha mente, principalmente da promessa que eu fiz. Ri sozinha e respirei fundo para encarar a realidade.
Levantei-me assim que minha mãe se sentou ao lado do meu pai. Violet balançava os pés impaciente.
Eu sabia que assim que começasse a falar, eu teria que terminar. Provável que viria uma bomba de variadas perguntas sobre como, quando, quem e etc. No fundo isso não é errado, é o que qualquer um perguntaria, mas a situação se complica mais quando essa criança que gero não tem um pai, quando ela é apenas minha filha dentro de mim, somente com meu sobrenome e que é óbvio que seria rejeitada por meus pais que não aceitariam, nunca, o fato de eu ter um bebê avulso.
Não, não é avulso, é apenas um bebê que não irá ter um pai. Pode ser que não tenha os avós presentes, e que terá uma tia bem nova, e madrinhas loucas. Uma mãe um tanto quanto porreta das ideias, mas que vai ama-lo loucamente.
Não era eu que há semanas atrás estava chorando dizendo que eu não o queria?
-Estamos esperando. - Avisa minha mãe, rolando os olhos impacientes.
Meu pai encarava o relógio, provável que esteja esperando dar o horário de algum jogo, de alguma aposta imbecil, ou algo do tipo, e Violet nem ao menos ligava para o que iria ser dito ali. Talvez, na verdade certeza, isso mudaria tudo.
Aperto meus olhos e fecho minha mão esquerda em punho.
-Eu estou g... - A voz falhou. Eu pigarreei para tentar novamente, mas tive falha. Parecia que as palavras recusavam-se a sair da minha boca. Seria tão mais fácil se Finn estivesse aqui, segurando minhas mãos, passando segurança dizendo que tudo iria ficar bem. Ou que pelo menos Rye e Belle estivessem de longe, vendo tudo, para me segurarem caso caísse. Enchi minha boca novamente, olhei para o teto e comecei a pronunciar. - Eu estou grávida. - Suspirei fundo. Taquei todo o ar que estava trancado dentro de mim, para fora.
-Co-como? - Minha mãe regala seus olhos esverdeados, que agora pareciam tão opacos, tão perdidos. Qual é, não se faça de surda ou como se preocupasse com o que se passa comigo.
Meu pai, ele sim parou o olhar sobre meu rosto. Mas ele não olhava em meus olhos, olhava para o nada com o pensamento bem distante. Arrisco que estivesse pedindo a Deus que isso não passasse de uma piada. Mas, no fundo, ele sabe que é real. Não tenho tanta proximidade suficiente para fazer esse tipo de brincadeira com eles.
Violet, ela sim havia largado seu fiel e companheiro celular, para me encarar com a faceta perdida. Ela não sabia calcular o que falaria, e se falaria algo. Seus pés, que antes balançavam, agora pararam e cruzaram um ao outro. Na minha cabeça eu só pedia que isso passasse o mais rápido possível.
-Você não nos disse que estava namorando! - Meu pai se pronuncia. Não identifico nenhuma tristeza em sua voz, como pensei que haveria.
-Eu... - Travo novamente, mas olho para minhas unhas e suspiro fundo. - Eu não estou namorando.
-Oh, meu Deus. - Senhora Debra leva sua mão, pálida de natureza, até a boca e me encara inexpressiva. - Quem é o pai? - Pergunta, com a voz meio incompreensível pela sua mão na frente.
-No momento certo eu irei dizer. - Meu olhar estava caído, arrependido.
Em minha mãe eu podia ver o que ela sentia: nojo. Áspera pela filha que engravidou sem ao menos ter um namorado ou um trabalho descente. Ela pensava, provavelmente, no que suas amigas da igreja iriam dizer. Josh, meu pai, estava transparente. Ele mostrava sua frustração, mas não como se fosse o fim do mundo. Em seu olhar eu poderia ver que ele seria o menor dos seus problemas.
Violet faz um barulho com a boca, uma espécie de negação. Acho que ela sente-se traída. Sempre falo à ela sobre meus relacionamentos, somos abertas uma a outra, apesar das brigas, então, quando ela me olhou daquela forma, vi que tinha à magoado. Mas ela não deveria ficar brava comigo, eu apenas queria evitar tudo isso, eu ainda queria absorver que estava mesmo carregando uma criança fruto do seu ídolo...
Essa é a pior parte. Se ela já está com esse semblante apenas por eu não ter comunicado à ela sobre a minha gravidez antes, imagina quando ela souber que esse filho é fruto meu e do homem que ela tem sua paixão platônica.
-Falem alguma coisa, por favor, só não me deixem nesse vazio. - Peço indo para trás, direção da poltrona vazia, onde meu pai costuma sentar.
Encaro a mão da minha mãe entrelaçada com a do meu pai. Fecho a minha e tento formar a figura do Finn ao meu lado, me dando apoio suficiente para permanecer em pé.
-Eu preciso absorver tudo isso. - Diz minha mãe, atormentada.
-Quanto tempo você está? - Você? Sério? Minha irmã sempre me chama de irmã, de amiga, de Amb, mas quase nunca de você. Eu me sinto como uma estranha.
-Inicio de doze semanas. - Respondo olhando para ela.
-Três meses. - Ela pareceu pensar bastante e dá um sorriso. Não, não é um sorriso de "que bom que eu vou ter um sobrinho". É um sorriso de "estou me sentindo mais do que uma desconhecida".
-Amb...Eu realmente não sei o que dizer. - Minha mãe balança a cabeça.
-Eu só queria que você confiasse em mim, assim como eu confio em você e conto todos meus segredos. Estou me sentindo traída. - Minha irmã fecha os olhos dando um ar mais dramático ainda à tudo aquilo.
-Você, Amber Lucy, é a ovelha negra da família. - Minha mãe balançou a cabeça. Eu posso ser qualquer coisa, posso ter dado uma decepção tremenda, mas eu não sou a ovelha negra, não mesmo.
-Debra, está generalizando. - Pai coloca a mão sobre a dela, que vacilou a puxou rapidamente.
-Generalizando? Acha mesmo? - Ela levanta e olha-me no maior desdém. - Vai dizer que não está achando ela suja, Josh? Ela não deve saber nem quem é o pai desse bastardo.
-Fala como se eu não estivesse presente aqui! - Bufo e olho rapidamente para minha irmã que encarava o nada, bem pensativa.
-Eu não ligo pra que esteja aqui, por que logo mais não estará!
-Como? - Pergunta meu pai olhando para seu semblante transtornado.
-Isso mesmo que ouviu, embaixo do meu teto, eu não irei abrigar nenhum bastardo e nenhuma vadia.
Meu coração se espedaçou na hora. Quem eu pensei que me apoiaria, está olhando decepcionada para mim, e quem eu pensei que não ligaria, está tentando concertar as coisas no meu lugar. Meu pai balançou a cabeça como se dissesse que daqui a pouco ela esquece daquilo, mas eu sei que não e eu sinto que não.


Olha, com uma mãe dessas, ninguém precisa de inimigos... Dri sempre parando na melhor parte, ê laiá! hahaha! Continua logo, por favor, obrigada, de nada u.u
ResponderExcluirAdriana vacaaaaa vou te matar hauauua Mano essa familia Dela é uma merda. Continua logooooooo
ResponderExcluirDri ta de mais continua serio ta de parabéns ...continuaaa
ResponderExcluirMuito obrigada <3 de verdade!
ExcluirAdriana amor eu sei que você e muito ocupada e sei que tem milhões de coisas pra fazer mais por que demora tanto pra posta essa web mulher?kkkkkk
ResponderExcluirEu demoro com essa? quanta audáciaaaaa oisnioasios eu nem demoro, posto sempre todas as segundas, quartas e sextas, porque tenho mais a colorindo los angeles pra posta, aí fica muita coisa pra uma pessoa só nioniodniosd desculpa, vou tentar ser melhor <3
ExcluirO que acontece com a minha sexta feira sem essa fic? Eu li as short fics e você é suuuuuuper talentosa e eu amei. Pode postar sempre que nem ligo viu.
ResponderExcluirAdriana Nunes cade a senhorita? hoje e sexta meu bem venha posta kkkkkkk
ResponderExcluirdri cade tu?
chorando
ResponderExcluirer dona dri a senhorita fala que nao demora pra posta e faz isso kkkkkkkkk
ResponderExcluirda devendo 2 cap pra gente viu moça ... kkk