sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Capítulo 16 - damn hormones

O jeito melhor de sair de um restaurante definitivamente não é chorando, ainda mais após um lindo jantar romântico. Levantei tentando conter meu choro e transparecer para todos que eu estava bem, mas eu não estava. Senti vergonha de ser eu, e não desejo a ninguém estar na minha pele, nem sentir o que eu estou sentindo. Eu quando gosto de alguém, eu me apego muito fácil, muito rápido, e quando acontece esses break-ups, eu me sinto a pior pessoa, ainda mais agora sabendo que tudo, extremamente TUDO, é culpa minha.

Senti uma leve tontura quando um garçom passa por mim carregando uma bandeja com dois pratos de escargot. Paro, e volto um passo pra trás sentindo meu corpo perder o equílibrio, mas sinto uma mão em minha cintura e uma voz desconhecida!

-Moça, está bem? - Pergunta alguém atrás de mim. Recupero-me e olho pra ele.

-Sim, obrigada. - Dou um sorriso pequeno. Observo os olhares pra cima de mim, e quando olho para Finn, para pelo menos ver a sua preocupação diante do que tinha acontecido, ele nem me olhava.

Seu olhar estava concentrado em suas mãos, inquietas.

Tentei andar mais apressada até a saída, e o máximo que consegui foi andar normalmente, pois meu corpo não queria sair do lugar. Minha mente girava sobre tudo, e eu só queria o colo de minhas amigas, que são as únicas pessoas que eu tenho agora.

Atravesso a rua, e sou surpreendida por uma buzina bem em meu ouvido.

-Cuidado. - Fala a voz impaciente de alguém no carro, e um braço me puxa pra frente.

-Tá querendo se matar? - Pergunta Belle e Riley vindo logo atrás dela.

-Ela não está bem. - Riley observa, bem observado digamos de passagem.

-Finn não deve ter aceitado muito bem. - Belle comenta.

-Desculpa, mas era de se esperar. É a mesma coisa que você investir todo o dinheiro em um carro e no final o vendedor vender para outra pessoa. - Que comparação.

Em outra ocasião eu teria rido disso, mas agora eu apenas liberei minhas lágrimas, que foram acobertadas pelo abraço das minhas duas amigas.

Nenhuma delas perguntaram sobre o que aconteceu durante nosso caminho até a casa da Belle. Elas falaram de outras coisas para me distrair, mas eu sei que teríamos que conversar sobre isso, só não saberia se iria me controlar enquanto falasse isso.

Na casa, eu sentei em seu sofá, e ouvi a conversa das duas. Uma discussão, na verdade, sobre algum programa de televisão.

-Ah, mas ele é lindo. - Diz Belle atirando-se na poltrona.

-Eu não acho, o irmão é melhor. - Rye, com uma garrafa de água em mãos, fala.

-Sabe quem é bonita? Eu. - Egocêntrica sempre!

-Blé, sua narcisista. - Riley coloca a língua pra ela, e torna a olhar pra mim. - Por isso que eu amo a Amb, porque ela é a pessoa mais humilde que eu conheço.

-Nem tanto! - Grita Annabelle. - Lembra quando aquele menino ficava pedindo o número dela, e implorando por uma chance? Ela não estava nem aí, isso não é ser humilde.

-Isso é ter bom gosto. - Falo algo, finalmente.

-Olha, ela tem boca. - Rye ri da piadinha infame da Belle.

***

Compulsivamente comecei a desenhar. Faz dois dias que não saio do quarto, ao não ser para comer e ir ao banheiro. Não tenho mais vontade de fazer nada, e nem comer estou comendo direito. Qualquer mínimo apito do meu celular eu já acho que é o Finn falando algo, me ligando, mandando mensagem, mas no fundo eu sei que é um pensamento em vão.

Rabisco um vestido de festa na folha em branco a minha frente, e olho para ele como se eu fosse entrar ali dentro daqui uns meses. Tenho medo de cair na depressão, de acabar não querendo fazer mais nada. Eu olho para minha mãe e a cada olhar dela sobre mim é como se ela já soubesse que eu estivesse grávida.



Jogo o desenho para o lado e inicio outro, só saio do transe quando vejo que desenhei uma mulher com barriga de grávida. O que eu estou fazendo? Qual é o tipo de loucura que está ocupando minha mente? Não abro minha janela há dois dias, não falo com praticamente ninguém, e tenho enjoos matinais todos os dias. Não sinto a presença de um ser em minha barriga, ela está imperceptível, mas eu sei que ele está ali.


Levanto da mesinha e pego meu celular, quem sabe se eu não chamar as meninas no aplicativo, nós não conversamos um pouco e eu me distraio? Meio impossível.

Recosto meu corpo na cama e ouço a música tocar do quarto da Violet.

Levanto, enfurecida, abro a porta deixando ela bater pra trás e invado o seu quarto, bufando.

-Violet, abaixa esse som. - Ordeno.

-Oi, esse é meu quarto, minhas músicas, agora saí daqui. - Malcriada, diz ela.

-Me respeita. - Exijo me aproximando da mesa do seu computador, onde ela está sentada e de onde vem o som. Puxo um dos cabos do som, e ele para de tocar.

-Tá louca? - Pergunta ela, com seu olhar devastado. - Parece um animal, sua idiota.

-Animal? - Pergunto e ela se cala, apenas me olhando. Pego seu braço com força, cravando minhas unhas e ela me olha, agora parecendo não me reconhecer. - Nunca mais fala assim comigo.

-Então não entre no meu quarto como se fosse o seu. Eu não faço isso com você, então exijo minha privacidade.

-Abaixe essa música horrível da próxima vez. - Digo, cuspindo as palavras.

-Você é maluca. Dizia que gostava das músicas dele, está trancada naquele quarto parecendo um bicho do mato. - Violet balança a cabeça, minha vontade era de pegar seu braço novamente e machuca-la... essa não sou eu!

-Não estou maluca, estou cansada. - Preparo meu rosto para o choro e me afasto dela.

-Eu diminuo o volume, claro, mas da próxima vez não faz isso comigo, por favor? - Seus olhos, cheio de lágrimas, me encaram.

Lembrei-me de quando ela cabia em meu colo, de quando ela se acalmava com meu cantarolar, de como ela dormia tranquilamente ao meu lado, de como ela corria todos os dias que voltava da escola para me dizer como foi o seu dia. A primeira lágrima fujona caiu dos meus olhos.

Eu vou ser uma boa mãe? Tenho medo de perder o controle, como fiz agora, e acabar fazendo isso para minha filha. Eu não quero machuca-la. Nem quero machucar minha irmã. Eu não sou assim, não faço isso nunca.

Malditos hormônios.

-Não chora. - Ela se pôs a minha frente. Se minha irmã soubesse o porque do meu choro, ela iria dizer para eu chorar mais ainda.

-Desculpa, eu sou chata assim. - Abracei-a e beijei sua cabeça. - Perdi a cabeça, gritei com você e te machuquei, isso não vai mais se repetir, eu juro! - Ela fechou os seus olhos em meu abraço, e eu repousei minha cabeça sobre a sua, e antes de fechar os olhos, a foto do Bruno em sua parede me chamou a atenção, e pareceu gritar pra mim, coisas que eu não queria ouvir. Fechei os olhos fortemente, e ela apertou seus braços em meu redor.


-Eu amo você. - Sua voz abafada por meus peitos, diz.

-Eu também amo você. - Beijo o topo de sua cabeça, mais uma vez. - Muito! - Complemento.

6 comentários:

  1. Capítulo mais lindo esse, ainda mais hoje que é Dia do Irmão, combinou perfeitamente, awnt <3 Duas lindas! Cada vez com mais dó dela, meu Deus... :{

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  2. Será que é só eu que esta anciosa pra ele encontrar o Bruno!? Omg!

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  3. Ainnn.... Quando ela vai contar pra Vaiolet que será titia do seu próprio ídolo?! auhsuah, parei, mas sério, ela tem que contar logo, descobrir pelos outros é pior e esconder também.
    Então, quero mais, como sempre! <3 E amei, como sempre também! auhsuah

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  4. Mano, qndo o Bruno vai saber pelo amor de Deus, já tó morrendo aq

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  5. Caramba essa agonia dela nao contar pro Bruno ta me sufocando ja. Por favor faz ela contar logo e foda-se a opiniao do Bruno. Ele tambem nao soube seguraro "coiso" dele dentro das calças entao ele tem é a obrigaçao de assumir e calar a boca.

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