Cheguei em casa em torno das seis horas. Riley estava na sala, e quando apareci, ela avisou que teria que sair e que voltaria tarde. Agradeci por avisar e perguntei sobre a Amber. Fui até o seu quarto, e a achei sentada na cama, olhando para um caderno de desenhos, com expressão ansiosa, mas duvidosa ao mesmo tempo. Fecho os olhos, e fico ali mesmo. Imagino como seria uma vida ao lado dela, criando nosso filho juntos... Balanço a cabeça negativamente e rio, baixinho, mas não o suficiente para não alerta-la de que estava ali.
-Bruno! - Vejo um sorriso grande se abrir, ela se prepara para levantar.
-Eu! Espere que eu vou ai. - Incrível uma semana e meia que fiquei fora, e meu filho já está maior, e ela está tão radiante. - Tudo bem? - Pergunto enquanto a abraço de mal jeito.
-Tudo! - Responde com um sorriso. - E você? Está há muito tempo aqui?
-Cheguei faz uns... - Olho para o despertador relógio ao lado de sua cama. - Meia hora.
-E estava rindo de mim há quanto tempo?
-Eu não estava rindo de você. - Balanço a cabeça de leve, sorrindo em meio de uma risada boba, e ela arqueia a sobrancelha. - Vamos jantar o que?
-Você que sabe. Pergunte para a Riley...
-Riley foi sair, não sabe que horas irá voltar!
-Cretina! Deve ter saído com a namorada, ou sei lá do que chamamos.
-Ainda acho estranho falar dela com outra mulher.
-Porque? - Pergunta, se ajeitando na cama.
-Porque, sei lá. - Dou de ombros. - Só é estranho. Vou pedir a comida.
Me perdi dentre os números de restaurantes. Queria poder leva-la para algum lugar, mas eu quero resolver tudo, tenho tantas questões para fazer que preciso saber de uma resposta pra me sentir um pouco melhor. Ligo para o serviço de comida italiana, e encomendo.
Sinto uma confusão dentro de mim, principalmente depois que fui para Nova Iorque. Duas semanas, praticamente, longe dela e longe do meu filho, me deixaram mal. Fiquei tão pensativo sobre tudo que está acontecendo e que aconteceu. Se fosse outra pessoa que estivesse carregando o meu filho, seria diferente. Poderia ser pior, mas Amber entende tudo ela consegue olhar o seu lado sem deixar de ver o meu, sem deixar de ver o que suas decisões irão afetar. Ela é humana o suficiente capaz de amar e sentir pelos outros. Amber se coloca pra baixo de uma maneira irreal. Ela é mais do que isso, e consegue ser bem melhor do que esperamos. E eu preciso disso acima de tudo, e eu vou arriscar!
Arrumei a mesa, do mesmo jeito que minha mãe arrumava quando era alguma ocasião especial. Larguei os brinquedos e roupinhas no quarto de Nathan e andei até o quarto de Amber.
-Eu pedi comida italiana. - Adentro seu quarto, depois de sua permissão.
-Ok. Obrigada. - Sorri, apoiando para levantar-se.
-Amber? - A chamo, e seu olhar me acompanha. - Pode ser italiana mesmo? Ainda posso trocar. Chega bem rápido.
-Bruno, está ótimo.
-Certeza?
-Sim. Porque está tão nervoso? - Ela já estava perto de mim quando perguntou isso. Passo a mão na lateral do meu corpo, suando.
-Eu não estou nervoso. - Respondo ajudando-a a descer as escadas.
-Bruno, o que foi? - Amber ri, e eu não sei o que dizer. Acho que realmente posso estar mostrando nervosismo. Mas não queria.
Nego, dizendo que não ouve nada, e continuamos a descer. Estava tudo pronto, e Amber se encantou quando viu o que preparei, mas mantinha um ponto de interrogação no olhar, sustentando a dúvida do sobre o que se tratava toda aquela produção. Queria ter levado, realmente, ela a algum restaurante, mas se eu falar algo, prefiro que não seja tão aberto, queria algo mais privado e nada melhor do que o conforto da própria casa. Isso se sair algo da minha boca, pois dessa forma que estou, duvido. Tenho medo do que possa ouvir dela.
Busquei a comida na porta e peguei vinho sem álcool para nós dois. Servi a comida e o vinho, e Amber ficou toda boba, pegando a taça em mãos.
-Qual é a dessa arrumação toda? - Olhou para a mesa e para o vinho.
-Apenas coma. - Sorrio, sendo retribuído lindamente.
Beberico o vinho, dentre uma garfada ou outra, atento à todos os detalhes de Amber. Ela percebeu que eu a observava, corou o rosto num vermelho leve e abriu um sorriso de leve, sem mostrar os dentes, denunciando mais ainda a sua vergonha. Ela me empurra, no braço.
-Você está linda. - Digo erguendo as duas sobrancelhas.
-Eu estou gorda. - Revira os olhos, gargalhando.
-Está linda. - Repito.
-Obrigada. - Abaixou a sua cabeça e eu a encarei, levando minha mão até sua barriga.
-Vermelha fica mais bonita ainda. - Amber vira o rosto para o lado, reprimindo um sorriso, morrendo de vergonha.
Colocou a língua pra fora, de brincadeira para mim. Terminamos a janta minutos depois, e eu estava soando frio, com medo de falar algo e estragar tudo, mas eu preciso descobrir se é isso que estou sentindo, mas tenho tanto medo dela dizer algo que eu não queira ouvir. Respiro fundo, pensando que aquele era o momento, precisava aproveitar. Seguro a sua mão quando ela larga os talheres ao lado do prato, e chamo a sua atenção.
(Música)
-Você está gelado.
-Estou nervoso. - Arregalo os olhos, levemente.
-O que aconteceu?
-Amber, você gosta de mim? - Preferi ir diretamente ao assunto. Ela se assustou, arregalando os olhos. - Nada sério, Amb. Mas você gosta de mim? O suficiente para não sair correndo quando o Nathan nascer?
-Que pergunta é essa? - Ela ri.
-Me responda. - Aperto um pouco mais a sua mão.
-Bruno, você acha que eu teria vindo morar aqui se eu não gostasse de você?
-Então você gosta. - Sorrio, um pouco mais aliviado, talvez. - Mas, pensa em sair daqui quando o Nathan nascer?
-Talvez! Eu não quero viver empatando a sua vida. Assim que ele nascer vou começar a tomar algum rumo, achar algum lugar, para devolver a sua privacidade.
-Porque? Essa casa é grande demais. - Gesticulo o espaço com as mãos. - Dá para nós todos.
-Eu sei, mas um dia vai enjoar...
-Não diga isso, pois eu não vou. Você faz com que os dias nunca virem rotinas chatas. Não é a mesma coisa quando você não está, é como se faltasse metade do que eu realmente sou.
-Tá legal. - Ela puxou sua mão de leve. - O que é isso?
-Eu gosto de estar na sua companhia, ao seu lado, perto de você. - Ameaço a gaguejar, mas seguro essa ansiedade de falar tudo do nada.
-Eu também gosto de estar com você. Senti muitas saudades sua quando foi para Nova Iorque. - Meu coração palpita rapidamente.
-Você sabe do que eu estou falando, não é, Amber?
-Eu não sei. - Ela balança a cabeça. - Desconfio, mas tenho medo de estar pensando errado.
-Não, você não está. - A olho firmemente.
-Estou tentando entender então.
-Amber... A vida é assim mesmo, feitas de altos e baixos, pra alguns existe mais baixos do que altos, mas até assim as pessoas tem altos. Entende? - Continuo minha explicação enquanto ela olha-me confusa. - Quando eu soube pensei que seria um baixo na vida, afastei-me dos meus compromissos e não honrei meu nome com você, mas eu não quero ser essa pessoa! Eu me dei de conta o quão maravilhosamente duas pessoas podem me deixar feliz e completo. Eu quero vocês na minha vida! - Encostei de leve em sua barriga e ela arrastou a cadeira um pouco pra trás, franzindo a testa.
-Que?
Eu sou um imbecil! Penso comigo mesmo.
-Isso, Amber. - Respiro fundo. - Se eu pudesse desejar uma coisa, eu desejaria você.
-Onde mudou tudo isso? - Ela estava nervosa. - Quer dizer, eu ainda estou tentando entender, está confuso. - Balançou a cabeça, levando a mão nela.
-Isso começou talvez desde o instante que você me poupou de escândalos. Percebi que era diferente, que era melhor. Depois nós fomos pegando amizade, e você veio pra cá, só que os beijos diários, e a nossa transa, não foi em vão. Eu estava alimentando algo que não sabia que existia.
-Bruno...
-E toda a vez que eu cantava, eu percebia que a única opinião que me importava era a sua. - Levanto da cadeira, me abaixando a sua frente, pegando a sua mão que agora também estava gelada. - Eu poderia ter qualquer uma, sair por aí procurando alguém, mas eu não quero. Eu quero você, entende?
-Eu estou confusa.
-Desculpe... - Baixo a cabeça e ela puxa a sua mão.
-Vou tirar a mesa. - Ela pede licença para que eu saia da sua frente e assim eu faço.
Amber saiu, pegando os pratos e o resto da louça que estava sobre a mesa, e eu ainda fiquei ali parado, feito um idiota, me martirizando por ser tão otário. Quando foi que eu pensei que ela sentiria algo por mim? Mas parece tão intenso que achei certo tentar. Queria apagar isso da minha cabeça, se sentir apaixonado é uma droga. Você tem tendências à ser um idiota, continuar sendo, e mais ainda quando se declara. Amor deve ser algo pra guardar dentro de si, porque se for para sentir esse vazio e essa angústia que estou sentindo agora, é preferível que sofra sozinho. Como eu vou encara-la? Como vou dizer bom dia sem sentir vergonha de pensar em beijar a sua boca, quando na verdade ela quer um beijo na testa. Amber é a mãe do meu filho, é minha amiga... É tão injusto isso.
Ela não voltou, mesmo depois de dez minutos. Então peguei meu celular e saí da sala-de-jantar. Andei para a sala e de longe encarei a escada. Posso ir pro meu quarto e dormir, acho que é a melhor opção.
Subo devagar, passando a mão no corrimão. Vou ignorar isso que aconteceu, vou agir como se não tivesse dito nada. Aliás, onde estava minha cabeça? Ela deve gostar do Finn, e eu a pressionando. Passo pelo corredor, abrindo a porta do meu quarto, a empurro sem nem olhar e caminho em direção a cama, mas a porta não fez barulho.
-Au! - Amber ri. Giro os calcanhares em direção da porta e ela está lá. Tive calafrios sem explicação.
-Se machucou? - Chego mais próximo dela.
-Não, só bati o dedo. - Ela me mostra o dedo indicador meio vermelho por ter batido. - Já ia dormir? - Havia ficado um silêncio estranho entre nós.
-Estou cansado. Nova Iorque levou minhas forças. - Rio para descontrair.
-Bruno... - Meu peito se aperta quando sinto que ela falará algo a respeito do que falei pra ela.
-Não precisa se desculpar... - Digo, e dou um passo pra trás. - Eu me precipitei, eu sei. Você ainda pensa no Finn, eu sou um idiota. Desculpa. Vamos agir como se aquela conversa não tivesse existido, ok?
-Ok.
Ok? Não! No mínimo ela tinha que me intervir, falar algo que queria acrescentar ao meu discurso patético de gostar, e não a bosta de um ok que concorda que não iremos falar sobre aquilo!
-Só queria dizer obrigada. - Sorriu, baixando a cabeça. - Por ter me abrigado, me acolhido, confiado em mim. Você fez muito por mim, e eu sou extremamente agradecida.
-Não tem de quê. Você merece.
-E é por você ser maravilhoso que eu não quero deixar de sentir isso.
-Sentir o que?
-Esse friozinho na barriga quando chego perto de você. Esse frenesi que meu corpo se remete quando nos encostamos. - Ela adentra meu quarto. - Você teria milhares de mulheres para se apaixonar, e se apaixonou logo por mim. - Ela torce os lábios. - Fico feliz que tenha sido por mim, pois não saberia o que fazer alimentando o gostar de você sabendo que não sentia a mesma coisa por mim.
-Amber? - Queria entender se o que eu escutei era realmente real. Ela balança a cabeça concordando, deixando os olhos marejados. Eu sou homem, mas os meus olhos ficaram da mesma forma. - Você vai me deixar te amar?
-Eu acho que sim. - Ela diz tímida.
-Vou fazer você sentir por mim o que eu já sinto por você. - Dou três passos e fico na sua frente.
-Eu já sinto, Bruno. É intenso e muito forte. Constatei isso momentos depois que fiz a ligação para o Finn terminando com ele. Queria e não tinha coragem de admitir, pois pensava que isso poderia ser bobagem.
-E não é!
-Não é. - Repete comigo.
-Bruno! - Vejo um sorriso grande se abrir, ela se prepara para levantar.
-Eu! Espere que eu vou ai. - Incrível uma semana e meia que fiquei fora, e meu filho já está maior, e ela está tão radiante. - Tudo bem? - Pergunto enquanto a abraço de mal jeito.
-Tudo! - Responde com um sorriso. - E você? Está há muito tempo aqui?
-Cheguei faz uns... - Olho para o despertador relógio ao lado de sua cama. - Meia hora.
-E estava rindo de mim há quanto tempo?
-Eu não estava rindo de você. - Balanço a cabeça de leve, sorrindo em meio de uma risada boba, e ela arqueia a sobrancelha. - Vamos jantar o que?
-Você que sabe. Pergunte para a Riley...
-Riley foi sair, não sabe que horas irá voltar!
-Cretina! Deve ter saído com a namorada, ou sei lá do que chamamos.
-Ainda acho estranho falar dela com outra mulher.
-Porque? - Pergunta, se ajeitando na cama.
-Porque, sei lá. - Dou de ombros. - Só é estranho. Vou pedir a comida.
Me perdi dentre os números de restaurantes. Queria poder leva-la para algum lugar, mas eu quero resolver tudo, tenho tantas questões para fazer que preciso saber de uma resposta pra me sentir um pouco melhor. Ligo para o serviço de comida italiana, e encomendo.
Sinto uma confusão dentro de mim, principalmente depois que fui para Nova Iorque. Duas semanas, praticamente, longe dela e longe do meu filho, me deixaram mal. Fiquei tão pensativo sobre tudo que está acontecendo e que aconteceu. Se fosse outra pessoa que estivesse carregando o meu filho, seria diferente. Poderia ser pior, mas Amber entende tudo ela consegue olhar o seu lado sem deixar de ver o meu, sem deixar de ver o que suas decisões irão afetar. Ela é humana o suficiente capaz de amar e sentir pelos outros. Amber se coloca pra baixo de uma maneira irreal. Ela é mais do que isso, e consegue ser bem melhor do que esperamos. E eu preciso disso acima de tudo, e eu vou arriscar!
Arrumei a mesa, do mesmo jeito que minha mãe arrumava quando era alguma ocasião especial. Larguei os brinquedos e roupinhas no quarto de Nathan e andei até o quarto de Amber.
-Eu pedi comida italiana. - Adentro seu quarto, depois de sua permissão.
-Ok. Obrigada. - Sorri, apoiando para levantar-se.
-Amber? - A chamo, e seu olhar me acompanha. - Pode ser italiana mesmo? Ainda posso trocar. Chega bem rápido.
-Bruno, está ótimo.
-Certeza?
-Sim. Porque está tão nervoso? - Ela já estava perto de mim quando perguntou isso. Passo a mão na lateral do meu corpo, suando.
-Eu não estou nervoso. - Respondo ajudando-a a descer as escadas.
-Bruno, o que foi? - Amber ri, e eu não sei o que dizer. Acho que realmente posso estar mostrando nervosismo. Mas não queria.
Nego, dizendo que não ouve nada, e continuamos a descer. Estava tudo pronto, e Amber se encantou quando viu o que preparei, mas mantinha um ponto de interrogação no olhar, sustentando a dúvida do sobre o que se tratava toda aquela produção. Queria ter levado, realmente, ela a algum restaurante, mas se eu falar algo, prefiro que não seja tão aberto, queria algo mais privado e nada melhor do que o conforto da própria casa. Isso se sair algo da minha boca, pois dessa forma que estou, duvido. Tenho medo do que possa ouvir dela.
Busquei a comida na porta e peguei vinho sem álcool para nós dois. Servi a comida e o vinho, e Amber ficou toda boba, pegando a taça em mãos.
-Qual é a dessa arrumação toda? - Olhou para a mesa e para o vinho.
-Apenas coma. - Sorrio, sendo retribuído lindamente.
Beberico o vinho, dentre uma garfada ou outra, atento à todos os detalhes de Amber. Ela percebeu que eu a observava, corou o rosto num vermelho leve e abriu um sorriso de leve, sem mostrar os dentes, denunciando mais ainda a sua vergonha. Ela me empurra, no braço.
-Você está linda. - Digo erguendo as duas sobrancelhas.
-Eu estou gorda. - Revira os olhos, gargalhando.
-Está linda. - Repito.
-Obrigada. - Abaixou a sua cabeça e eu a encarei, levando minha mão até sua barriga.
-Vermelha fica mais bonita ainda. - Amber vira o rosto para o lado, reprimindo um sorriso, morrendo de vergonha.
Colocou a língua pra fora, de brincadeira para mim. Terminamos a janta minutos depois, e eu estava soando frio, com medo de falar algo e estragar tudo, mas eu preciso descobrir se é isso que estou sentindo, mas tenho tanto medo dela dizer algo que eu não queira ouvir. Respiro fundo, pensando que aquele era o momento, precisava aproveitar. Seguro a sua mão quando ela larga os talheres ao lado do prato, e chamo a sua atenção.
(Música)
-Você está gelado.
-Estou nervoso. - Arregalo os olhos, levemente.
-O que aconteceu?
-Amber, você gosta de mim? - Preferi ir diretamente ao assunto. Ela se assustou, arregalando os olhos. - Nada sério, Amb. Mas você gosta de mim? O suficiente para não sair correndo quando o Nathan nascer?
-Que pergunta é essa? - Ela ri.
-Me responda. - Aperto um pouco mais a sua mão.
-Bruno, você acha que eu teria vindo morar aqui se eu não gostasse de você?
-Então você gosta. - Sorrio, um pouco mais aliviado, talvez. - Mas, pensa em sair daqui quando o Nathan nascer?
-Talvez! Eu não quero viver empatando a sua vida. Assim que ele nascer vou começar a tomar algum rumo, achar algum lugar, para devolver a sua privacidade.
-Porque? Essa casa é grande demais. - Gesticulo o espaço com as mãos. - Dá para nós todos.
-Eu sei, mas um dia vai enjoar...
-Não diga isso, pois eu não vou. Você faz com que os dias nunca virem rotinas chatas. Não é a mesma coisa quando você não está, é como se faltasse metade do que eu realmente sou.
-Tá legal. - Ela puxou sua mão de leve. - O que é isso?
-Eu gosto de estar na sua companhia, ao seu lado, perto de você. - Ameaço a gaguejar, mas seguro essa ansiedade de falar tudo do nada.
-Eu também gosto de estar com você. Senti muitas saudades sua quando foi para Nova Iorque. - Meu coração palpita rapidamente.
-Você sabe do que eu estou falando, não é, Amber?
-Eu não sei. - Ela balança a cabeça. - Desconfio, mas tenho medo de estar pensando errado.
-Não, você não está. - A olho firmemente.
-Estou tentando entender então.
-Amber... A vida é assim mesmo, feitas de altos e baixos, pra alguns existe mais baixos do que altos, mas até assim as pessoas tem altos. Entende? - Continuo minha explicação enquanto ela olha-me confusa. - Quando eu soube pensei que seria um baixo na vida, afastei-me dos meus compromissos e não honrei meu nome com você, mas eu não quero ser essa pessoa! Eu me dei de conta o quão maravilhosamente duas pessoas podem me deixar feliz e completo. Eu quero vocês na minha vida! - Encostei de leve em sua barriga e ela arrastou a cadeira um pouco pra trás, franzindo a testa.
-Que?
Eu sou um imbecil! Penso comigo mesmo.
-Isso, Amber. - Respiro fundo. - Se eu pudesse desejar uma coisa, eu desejaria você.
-Onde mudou tudo isso? - Ela estava nervosa. - Quer dizer, eu ainda estou tentando entender, está confuso. - Balançou a cabeça, levando a mão nela.
-Isso começou talvez desde o instante que você me poupou de escândalos. Percebi que era diferente, que era melhor. Depois nós fomos pegando amizade, e você veio pra cá, só que os beijos diários, e a nossa transa, não foi em vão. Eu estava alimentando algo que não sabia que existia.
-Bruno...
-E toda a vez que eu cantava, eu percebia que a única opinião que me importava era a sua. - Levanto da cadeira, me abaixando a sua frente, pegando a sua mão que agora também estava gelada. - Eu poderia ter qualquer uma, sair por aí procurando alguém, mas eu não quero. Eu quero você, entende?
-Eu estou confusa.
-Desculpe... - Baixo a cabeça e ela puxa a sua mão.
-Vou tirar a mesa. - Ela pede licença para que eu saia da sua frente e assim eu faço.
Amber saiu, pegando os pratos e o resto da louça que estava sobre a mesa, e eu ainda fiquei ali parado, feito um idiota, me martirizando por ser tão otário. Quando foi que eu pensei que ela sentiria algo por mim? Mas parece tão intenso que achei certo tentar. Queria apagar isso da minha cabeça, se sentir apaixonado é uma droga. Você tem tendências à ser um idiota, continuar sendo, e mais ainda quando se declara. Amor deve ser algo pra guardar dentro de si, porque se for para sentir esse vazio e essa angústia que estou sentindo agora, é preferível que sofra sozinho. Como eu vou encara-la? Como vou dizer bom dia sem sentir vergonha de pensar em beijar a sua boca, quando na verdade ela quer um beijo na testa. Amber é a mãe do meu filho, é minha amiga... É tão injusto isso.
Ela não voltou, mesmo depois de dez minutos. Então peguei meu celular e saí da sala-de-jantar. Andei para a sala e de longe encarei a escada. Posso ir pro meu quarto e dormir, acho que é a melhor opção.
Subo devagar, passando a mão no corrimão. Vou ignorar isso que aconteceu, vou agir como se não tivesse dito nada. Aliás, onde estava minha cabeça? Ela deve gostar do Finn, e eu a pressionando. Passo pelo corredor, abrindo a porta do meu quarto, a empurro sem nem olhar e caminho em direção a cama, mas a porta não fez barulho.
-Au! - Amber ri. Giro os calcanhares em direção da porta e ela está lá. Tive calafrios sem explicação.
-Se machucou? - Chego mais próximo dela.
-Não, só bati o dedo. - Ela me mostra o dedo indicador meio vermelho por ter batido. - Já ia dormir? - Havia ficado um silêncio estranho entre nós.
-Estou cansado. Nova Iorque levou minhas forças. - Rio para descontrair.
-Bruno... - Meu peito se aperta quando sinto que ela falará algo a respeito do que falei pra ela.
-Não precisa se desculpar... - Digo, e dou um passo pra trás. - Eu me precipitei, eu sei. Você ainda pensa no Finn, eu sou um idiota. Desculpa. Vamos agir como se aquela conversa não tivesse existido, ok?
-Ok.
Ok? Não! No mínimo ela tinha que me intervir, falar algo que queria acrescentar ao meu discurso patético de gostar, e não a bosta de um ok que concorda que não iremos falar sobre aquilo!
-Só queria dizer obrigada. - Sorriu, baixando a cabeça. - Por ter me abrigado, me acolhido, confiado em mim. Você fez muito por mim, e eu sou extremamente agradecida.
-Não tem de quê. Você merece.
-E é por você ser maravilhoso que eu não quero deixar de sentir isso.
-Sentir o que?
-Esse friozinho na barriga quando chego perto de você. Esse frenesi que meu corpo se remete quando nos encostamos. - Ela adentra meu quarto. - Você teria milhares de mulheres para se apaixonar, e se apaixonou logo por mim. - Ela torce os lábios. - Fico feliz que tenha sido por mim, pois não saberia o que fazer alimentando o gostar de você sabendo que não sentia a mesma coisa por mim.
-Amber? - Queria entender se o que eu escutei era realmente real. Ela balança a cabeça concordando, deixando os olhos marejados. Eu sou homem, mas os meus olhos ficaram da mesma forma. - Você vai me deixar te amar?
-Eu acho que sim. - Ela diz tímida.
-Vou fazer você sentir por mim o que eu já sinto por você. - Dou três passos e fico na sua frente.
-Eu já sinto, Bruno. É intenso e muito forte. Constatei isso momentos depois que fiz a ligação para o Finn terminando com ele. Queria e não tinha coragem de admitir, pois pensava que isso poderia ser bobagem.
-E não é!
-Não é. - Repete comigo.

CARALLHOOOO.
ResponderExcluirDesculpa Dri, mas infelizmente é o que eu consigo falar sobre o capítulo agora. Fodãaao. Tão aguardado por nós. Rindo e gritando feito uma idiota. Thanks
#RIP Uena
Vomitando milhoes de arco iris, que lindo!
ResponderExcluirUhuuuul finalmentee. Agora quero pegaçao por favoooor. Amei Dri ❤
ResponderExcluirAmém! The happy end! Finalmente né?! Euameeeeei! ❤
ResponderExcluirTo feliz agora shauahaha
Agora sim
ResponderExcluirQuero o proximo :\