sábado, 9 de agosto de 2014

Capítulo 2 - I won, I won

Mesmo eu não devendo mais satisfações aos meus pais de onde vou - e também não gosto de estar comunicando à eles - avisei que eu iria ao Fliperama e que eles não me esperassem acordados. Minha mãe só disse que era para eu me cuidar e meu pai assentiu como se estivesse deixando eu ir.

Eu aprendi a não me incomodar mais quanto ao assunto deles. Meus pais vivem nessa guerra constante, nesse gato e rato, e eu e Violet no meio como o pivô de tudo. Mas fora isso, eu ainda tenho aquela pequena rixa com minha mãe sobre minha adolescência mal vivida.

Peguei as chaves do carro e minha bolsa pequena de alça lateral. O gongo da porta fez barulho e ouvi meu pai dizer algo para minha mãe. Não era sobre mim, mas eu prefiro nem saber o que era. Peguei o carro e liguei-o.

"Estou a caminho" 




Digito para Belle. Arrumo meu cinto de segurança e abaixo o espelho para ver se está tudo ok. Engato a marcha e dirijo em direção a casa da Belle. A névoa não está grande, para um dia de primavera em Los Angeles, hoje está quente demais. Abaixo o vidro da minha porta e ligo o rádio com músicas baixinhas só para não me sentir sozinha.

-Don't you worry, don't you worry, child. - Cantei, ou tentei, bem alto no carro junto com a música.

***

Depois de uma partida de sinuca mal resolvida pra mim, sentei-me na mesa e esperei Belle terminar seu jogo com Riley. É bom ver Riley sorrir assim, é bom vê-la com um propósito na vida, vê-la feliz. Belle encaçapou três bolas uma atrás da outra, Rye se irritou na brincadeira e as duas começaram de arreganhos. Eu ri bastante delas.

-Decidiu ficar sentada um pouco? - Pergunta Finn sentando-se na mesa também.

-Ah... oi. - Dei um sorriso torto. - Eu perdi. Fazer o que, Belle é boa.

-Ah você não foi tão ruim assim. - Nós nos olhamos e eu solei uma gargalhada alta provocando a dele também. - Ok, temos que admitir, ela é boa.

-E eu sou péssima.

-Não diria péssima, é questão de pouca prática. - Ele da um sorriso e ali eu me perco.


Ele tem os olhos penetrantes, um olhar e já desarma completamente todos os planos que você tinha. Sem contar seus lábios, nunca vi iguais. Uma mistura completa de um príncipe inglês com uma beleza peculiar de algum outro país. Não sei o que dizer do seu rosto, parece ter sido desenhado a mão.

-Oi? - Finn balança sua mão em frente ao meu rosto e eu saio do meu transe.

-Estava pensando longe.

-É, eu vi. - Ele dá um sorriso sem graça e eu volto a encarar as meninas jogando. - Perguntei antes se você queria conversar lá fora.

-Ah... - Idiota, abobada, ele está pedindo pra conversar lá fora, isso é quase um "vamos ali no cantinho que eu quero lhe pegar". Abri meus lábios nervosamente. - Vamos.

Diferente de tudo que eu tinha pensado, passamos pela porta dupla do fliperama e alguns homens mau encarados cumprimentaram ele, eu também assenti com a cabeça como um aceno e nos escoramos em um carro.

-Segunda vez que estamos saindo. - Lembra ele e meu sorriso sem graça saí.

-Pois é.

-Mas ainda não saímos só eu e você… Sabe, eu pensei em você bastante desde o dia que Annabelle nos apresentou. - Coloquei um lado do meu cabelo desajeitadamente para trás da orelha e o encarei.

-Não sabia disso. - É claro que eu sabia, Belle me falou.

-Pois é. Agora eu não sei nem como chegar em você de uma forma que não seja assustadora. - Ele diz desajeitado. Dou um sorriso e meu riso saiu silencioso, mas ele nem percebeu pois na hora olhou pra baixo. Amber, um dia você tem que tomar alguma atitude em sua vidinha…

-É fácil. - Atraio o olhar dele pra mim. - Não pense tanto.

É claro que eu não acreditava que tinha dito isso, mas estranhamente Finn mexe comigo. Não sei se é por seus olhares penetrantes - o seu sotaque britânico também ajuda bastante - não sei se é por quem ele é, uma pessoa tão pura, tão boa… Alguém que eu sempre esperei pra mim igual.

Nossos olhos ficaram se encarando como se dissessem coisas um para o outro. Finn pôs uma mão no carro, bem ao meu lado, dando a impressão que estava me prensando ali, e ficando de frente pra mim, ainda mantendo o contato dos nossos olhos como nosso meio de comunicação, ele aproximou nossos rostos.


Teria saído um beijo, um beijo muito bom. Se não fosse por um barulho de garrafa quebrada e alguns gritos que começaram na rua. Uma briga de bar. É comum quando as pessoas passam dos limites aqui no Fliperama. Coloquei a mão na boca pra rir e Finn fica sem jeito.

- ONE MONTH LATER - (Um mês depois)

Implorei para que a música que me acordou no meio da madrugada fosse do Finn, dizendo que ele havia pensado em mim, mas foi diferente. Acordei com a música do quarto da minha irmã. Ela está abusando que nesse final de semana nossos pais resolveram tentar ir em um acampamento da igreja - não sei porque se aqueles dois nem são mais um casal praticamente.

Finn e eu estamos nos conhecendo. Como Belle me descreveu ele antes de nos conhecermos, é como ele é mesmo.

“-Você vai gostar dele, é inteligente, britânico, além de lindo. Ele quer formar uma família, acredita no amor verdadeiro. Pelo que conheço ele nesses dois anos, ele parece ser muito honesto, trabalhador, gentil…

-Esse cara existe mesmo? - Brinquei.”

Sim, ele existe. De um forma incrível esse cara é o Finn e de uma forma que eu não entendo é: como ele foi se interessar logo por mim? Não sou nenhuma modelo do Victória’s Secret’s, nem sou uma atriz famosa, muito menos uma cantora renomada. Sou eu, Amber, de 25 anos, formada em Moda, mas que não trabalha em nenhum atelier famoso, que tem um blog na internet pra divulgar as roupas e fazer vendas, mas que vende pouca coisa por mês.

Quando levantei pela manhã, fiz o café na cozinha e preparei a mesa direitinho. Manhãs de domingo sempre são mais chatinhas.

Fui até o quarto da Violet e bati duas vezes na porta.

-Vi, acorda. - Digo enquanto bato mais uma vez.

-Deixa eu dormir. - Diz sua voz sonolenta demais.

-O café está na mesa. - Aviso e ouço um barulho.

-Pode abrir a porta.

Abro a porta e lá está ela, já de pé. Isso ela também tem em comum comigo, falou em comida já estamos prontas pra comer. Enquanto ela pegava seu edredom para estica-lo na cama, ela o larga e corre para frente do computador.

-O que foi? - Pergunto.

-Sabe aquela promoção que eu falei pra conhecer o Bruno? - Pergunta ela pra mim. Faço um esforço, até mesmo facial, pra lembrar-me. - Aquela que eu tinha que escrever um texto de mil caracteres…

-Ah, sei. - Digo lembrando-me.

-Então, o resultado saí hoje… já deve ter saído pelo horário.

Me escorei na porta observando ela tentar ligar o computador. Ele deve estar tão lento de coisas desse homem que eu já perdia as esperanças que ele fosse durar a vida toda. Olhei sua parede com as fotos presas a uns imas de bichinhos bonitinhos. Ali tinham nossas fotos, fotos dela e das amigas e claro, fotos do tal de Bruno.

Ta certo, eu que não vou detonar os sonhos dela, não nessa idade que ela está, nessa fase. Eu sei que no fundo ela tem os pés no chão, mas ela não pode achar que um dia irá se tornar a mulher dele. Pra começar, chegar perto desse homem deve ser um parto de tão difícil.

-EU NÃO ACREDITO! - Olho pra ela rapidamente e seus olhos caem lágrimas constantes. Só poderia ser uma coisa…

-Ganhou? - Pergunto em dúvida.

-Mana, eu vou conhecer ele, eu vou ver ele, eu vou no show. - Ela corre pros meus braços, e ao mesmo tempo que as lágrimas caem, ela sorri tão puramente. Afaguei sua cabeça em meu peito e ouvi seu choro nervoso.

-Parabéns, eu falei que você iria conseguir. - Beijei o alto de sua cabeça.

Essa cena está lembrando o dia que fiz a prova para ingressar na faculdade gratuitamente e quando chegou as cartas de boas vindas, nossa, como eu chorei. Até perdi a vergonha que eu sempre tenho, abracei todo mundo que eu via, chorei em frente a nossa caixinha de correio.

- O que temos que fazer agora? - Pergunto tentando acalmar ela.

-Não sei, tenho que ler o e-mail direito.

-Então lê! - Dou um sorriso aberto pra ela.

-Lê pra mim, eu não consigo… estou tremendo! - Ela me mostrou seus bracinhos magrinhos como os meus, e suas mãos estavam brancas e tremulas mesmo.

Girei um pouco a tela do computador para conseguir ler melhor, me ajustei ao seu lado e passei meu braço por cima de seus ombros. Comecei a ler o email e as lágrimas dela corriam livremente. Ali dizia que se o sorteado for menor de idade - o que é o caso - o acompanhante que ele tem direito a levar obrigatoriamente será um maior de idade responsável por ela(e). Dizia também sobre as circunstâncias do uso do ingresso, que é para uso dela e do responsável, não pode ser passado para outra pessoa, vender, nem nada assim. Um prazo havia estabelecido no final de um enorme texto que eu li. Ali tinha um endereço, uma espécie de senha e os documentos que ela precisa levar - no caso eu tenho que levar os meus e os dela - para concluir a promoção. Ali, no prazo, está escrito que temos até 48 horas a partir do primeiro dia útil após a divulgação do resultado.

Ela sorria feito boba, descemos e ela só sabia falar disso. Nenhum momento eu pedi para ela trocar de assunto porque esse é o sonho dela e não irá ser eu que irei impedir ela de curtir esse momento importante pra ela.

-Eu tenho que comprar uma roupa nova. - Fiquei olhando pra ela com um pedaço de bolo na mão. - Não, eu tenho que comprar tecidos e ver uma coisa pra você desenhar pra mim!

-Está me obrigando a desenhar uma roupa pra você, é tipo isso? - Pergunto fingindo incredulidade.

-É, isso mesmo!

-Tá abusada, isso sim. - Falo. - Passa a geleia! - Peço e ela me alcança.

-Eu preciso ir linda. - Ela passa a mão limpa nos cabelos.

-Você é linda, não precisa ficar “toda toda” pra isso.

-Obrigada. - Ela faz uma carinha fofa e eu termino meu café preto que estava na xícara. - E o Finn? - Ela muda de assunto. 

-Ah… - Dou um sorriso bobo.

-Minha irmã está apaixonada? - Ela quase grita, coloquei a mão na testa.

-Não! - Protesto. - Não estou apaixonada, nós estamos nos conhecendo, e eu estou gostando disso.

-Daí vai sair uma longa história.


  • Eu vou contar uma coisa... Tinha um tempo que estava tudo isso pronto, mas eu não postei - também porque queria adiantar um pouco -, mas o motivo principal é porque a história não agradará a todos. Vou fazer o possível para que vocês adotem essa fic, mas se não rolar, tudo bem. Obrigada pelos comentários e se puderem, continuem comentando <3 

12 comentários:

  1. Já amei a fic mas vou admitir fiquei um pouco ciumenta pela sorte da Violet... amei

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    1. Quem não ficou? Eu escrevendo fiquei tipo "isso poderia acontecer comigo" "vadia, qual é o truque pra acontecer isso de verdade?" "me dá essa sorte" dnsandosinadn <3 Obrigada

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  2. Nossa ficou mt boom Dri,to curiosa

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  3. Dii tu vai postar todos os dias?

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    1. Eu vou fazer de tudo para postar todos os dias da semana, mas ainda terei que ver se eu conseguirei. Porém, garanto à vocês que terá, pelo menos, três vezes da semana, capítulos <3 Obrigada

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  4. Drii de quanto em quanto tempo tu vai postar gata?? EU AMEI, como sempre a senhorita arrasa ♥ Quero mais! xx

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    1. Eu vou fazer de tudo para postar todos os dias da semana, mas ainda terei que ver se eu conseguirei. Porém, garanto à vocês que terá, pelo menos, três vezes da semana, capítulos <3 Obrigada

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  5. Não é justo, pq não eu no lugar da violet? :'( hahaha amando a fic

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  6. Vim em paz. Olha, eu não gostei muito da fic mesmo, e tipo, eu acho que você deveria aceitar as críticas sabe? Como você disse, nem sempre podemos agradar a todos e as críticas, mesmo que não sejam construtivas, vem para nos ajudar a melhorar e sempre fazer um bom trabalho. Quem sabe na próxima fic eu me identifique mais? Um abraço e que a cada história você melhore mais.

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    1. A próxima não demorará para vir, aí você pode ver se irá gostar da história. Obrigada por comentar mesmo assim, anônimo. Um abraço, e mais uma vez, obrigada.

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