sábado, 22 de novembro de 2014

Capítulo 42 - Yoga

Quando era nove horas da manhã, as enfermeiras já haviam passado com o café para as pacientes e eu havia ficado ali esperando algo que não sabia o que era. Talvez coragem para olhar na cara dela e pedir desculpas, se é que vão ser aceitas. Minha irmã, anjo da minha vida, chega com dois cafés da forma que eu gosto e algumas coisas para comer. Pedi que comesse-mos ali mesmo já que seria impossível ir na cafeteria à essa hora e ninguém me reconhecesse. Já estava com problemas demais.

-Entrei ali à noite... Jaime, eu nunca quis mal para o meu filho. - Balanço a cabeça em negação e ela passa a mão na lateral do meu rosto, me dando conforto.

-Eu sei. Falamos coisas sem pensar, e quando se está bêbado somos capaz de muitas coisas.

-Você soube do que falei para ela?

-Sim, quando ela acordou falou para as amigas delas, que nos disseram.

-Todo mundo me odeia, eu não fiz por mal. - As lágrimas se alojaram nos meus olhos, prestes a cair.

-Você tem muitos anjos da guarda Bruno. Esse menino é muito forte, e ela também. - Jaime segura minha mão. - Agradeça a Riley, que se preocupou com você e conseguiu saber onde estava e foi busca-lo.

-Como ela pôde comigo? - Chego a dar uma risada pensando nela me pegando num estado deplorável para me por no carro.

-O pai da Amber ajudou.

-Meu Deus... eu serei um péssimo pai. Olha os exemplos que dou.

-Hey, não diga isso. Ser pai ou mãe é uma dádiva, Bruno. Nossos pensamentos são confusos no inicio, ainda há muito o que absorver, mas quando você ver o rostinho dele, verá que tudo vale a pena por ele. Vai matar, caçar, fazer de tudo para ter sempre seu sorriso.

O que Jaime me disse, somado com o belo discurso do Eric, e a experiência que minha mãe e meu pai me passaram quando eu era pequeno, somou e resultou num belo e longo pensamento. Estou pronto para encarar a realidade, pronto pra pedir perdão para ela, e ser um bom pai para meu filho. Pronto pra mostrar pro mundo meu garoto, ele será um prodígio.

Ria com a minha irmã, até a chegada silenciosa de Riley. Eu a abracei e agradeci por ela ser minha amiga mesmo quando fui um completo idiota. Ela disse que entendeu, e que já passou por tantas coisas na vida dela que entende o que se passa em minha cabeça. Pelo menos me sinto mais aliviado.

-Entra na frente, eu entro em seguido. - Respiro fundo quando digo para Riley ir na frente.

Entro no quarto e Amber está sentada, com a barriga descoberta, passando a mão por ela, parecendo que estava falando com nosso filho há pouco tempo atrás. Ela me viu ali, e para a surpresa não fui mal recebido, apenas não ganhei um sorriso como ela deu para Riley, apenas seu "oi" seco.

-Tenho que atender uma ligação. - Checo seu celular com uma olhada rápida, mas não havia nada ali. - Já volto. - Ela sai do quarto e Amber quebra o rápido silêncio.

-Não tinha ligação nenhuma, não é? - Seu tom era bem descontraído.

-Não. - Digo entre risadas e ela, para o meu alivio, ri também. - Podemos conversar?

-Claro.

-Amber... eu lembro de parte do que te falei. - Apoio-me na lateral da sua cama e ela mantém seus olhos fixos nos meus. - Não quis dizer nada daquilo. Estou tão arrependido, meu Deus. - Meus olhos marejam, não quero chorar na frente dela.

-Não vou dizer que não estou triste, eu estou bastante. Mas não estou com raiva de você. Entendo seus problemas, entendo o que está se passando na sua cabeça...

-Você é um anjo. Meu filho não poderia ter uma mãe melhor. - Passo a mão por seu cabelo e ela faz uma careta.

-Ele bem que poderia ter uma mãe melhor, mas sobrou eu. - Ela dá de ombros, me fazendo rir. - Não frequento a igreja, mas quando era menor minha mãe nos obrigava a ir... e sabe, eu aprendi muitas coisas. Não sou devota, mas sei que existe um poder que somente o ser humano tem. O poder do perdão.

Foi melhor do que imaginei. Senti uma paz interior e ouvi cada palavra que ela disse sobre a igreja e sobre seus pais. Ela estava se abrindo pra mim, e eu mal sabia o porque. Ela estava se abrindo para um cara que a fez sofrer. Para a nossa surpresa - ou não - meu filho estava acordado, e quando eu tentei falar com ele, e encostei em sua barriga, ele se mexeu bem devagar, o que Amber disse que lhe provocou espécies de cócegas em sua barriga. Ajudei ela a pegar o creme e passar em sua barriga assim que ela saiu do banho e quando ela se vestiu, no banheiro, ela saiu e eu pedi um abraço.

Filho, eu não serei um orgulho pra você, pelo menos não o que eu fiz durante a gestação da sua mãe, mas eu prometo que vou melhorar. Pelo menos estou amigo da Amber, o que resulta tudo bem melhor.

Amber Pov's

Lar doce lar. Fui trazida por Jaime e Bruno, e quando cheguei em casa ganhei uma bela recepção de Finn, Violet, meu pai, e as meninas. Convidei Jaime e Bruno para ficarem, mas nenhum dos dois quis. Bruno estava com vergonha de ficar ali, já que a Annabelle e Finn estão com mais implicância com ele, e Jaime não achou sentido ficar por ali porque parecia algo bem íntimo. Na verdade eu nem sei porque fizeram bolo só porque saí do hospital.

Comemos e comemoramos, mas logo cada um seguiu seu rumo. O mais engraçado é que depois de estar do lado do Finn, eu ainda estou pensando naquele sonho com o Bruno e me sinto cada vez com mais vontade de provar dele novamente.

Sentei na sala com as meninas antes de irmos dormir, para vermos o que eu já tinha de roupinha para o bebê.

-Você está tão distante, Amb. - Observa Belle enquanto dobra um pequeno macacão verde.

-Parece que está mais aérea que o normal. - Riley cutuca.

-Por isso ela perdoou o Bruno, porque ele deu drogas pra ela.

-Ha, ha. - Forcei uma risada e Belle colocou a língua pra mim. - Ta, posso contar algo pra vocês?

-Desde que não seja um segredo sobre matar alguém, pode. - Riley presta atenção em mim, enquanto Belle termina de por a pilha de roupinhas dobradas ao seu lado.

-Eu tive um sonho...

-Que sonho? Erótico? - Chuta Riley. No gol!

-Yep.

-Como? - Pergunta Belle.

-Sim, tive um sonho bem explícito com o Bruno... ele passou a madrugada toda no hospital e à noite entrou no meu quarto, meu bebê mexeu e foi incrível. Então, quando eu fui dormir, sonhei com ele. - Perdi um pouco da vergonha na hora de falar isso.

-Wow. - Comenta Riley.

-E ainda quando estávamos no carro, eu não pude de notar seu corpo. Gente... esse homem é muito gostoso.

-Me poupe de detalhes sórdidos. - Belle diz com repulsa.

-Tape os ouvidos. - Aviso dando a mínima para ela, e virando para Riley. - É errado pensar nele estando com o Finn, mas isso não se repetirá!

-É um pouco errado, mas nada demais. São os hormônios à flor da pele. - Ela segura uma possível risada da minha situação.

Que bom que ela não ri, porque no momento que ela risse, eu acho que teria um acesso de vergonha que não olharia mais para o Bruno.

A semana passou tão tranquila que eu mal vi passar.Tive mais um ultra-som e meu bebê está tão lindo e grande - na medida do possível, porque sua tendência é ser bem baixo. Hoje Bruno irá vir pra cá para termos nossa primeira aula de Yoga.

E essa semana foi marcada pela primeira briga com o Finn durante esse tempo todo. Finn não entendeu quando eu neguei fogo pra ele, mas eu simplesmente me senti um homem que broxou na hora H.

Atendi a campainha vestida com uma calça de malha, um top confortável e uma  camisa folgadinha por cima, que minha barriga marca da mesma forma. Bruno estava ao lado de uma senhora de uns 40 anos, magra e bem esbelta. Com um corpo lindo, e curvas bem marcadas por uma roupa de ginástica, enquanto ele estava com uma calça de moletom, tênis e camisa normal da Nike.

-Boa noite. - Disse assim que abri, um pouquinho depois de fazer um raio-x neles - Entrem.

-Boa noite, Amb. - Bruno me dá um beijo no rosto e eu paro por instantes. -  Essa é Kitty, a melhor e exclusiva professora de Yoga. Kitty, está é minha amiga e mãe do meu filho, Amber.

Estico a mão para ela, que simpática aperta-a.

-Onde vamos nos instalar? - Pergunta ela.

-Pensei em fazermos aqui na sala. As meninas estão no supermercado fazendo as compras do mês. - Os acompanho até a sala. - Só me ajuda a arredar esse sofá e essa mesinha, Bruno?

-Deixa que eu faço sozinho. - Ele toca a carteira e o iPhone sobre o sofá e  o puxa com cuidado, depois ajeita a mesinha de centro para o canto.

Bruno ajudou Kitty com as esteiras de e.v.a e três colchonetes. Estendemos tudo e nos preparamos ali na sala. Ela pediu que eu tirasse minha blusa para melhorar e facilitar os movimentos. Então fiquei somente com o top.

-Vale lembrar para vocês dois que eu estou misturando duas etapas. O yoga para gestantes é somente para gestantes, mas o certo é começar mais cedo, porém temos os exercícios onde os pais participam, que são geralmente aulas diferentes. Pensando nisso essas aulas são exclusivas para vocês dois, conteúdos misturados.

Entendi tudo que ela foi explicando, desdes os benefícios na hora do parto,  até as facilidades para outras atividades, até para o sexo, e disse também que ajuda para emagrecer, mas essa parte eu não preciso ou irei sumir do mapa.

-Agora os dois juntos, cruzem as pernas, e mantenham a coluna ereta. - Bruno, que estava no colchonete ao lado, fez o que ela mandou assim como eu. - Concentrem apenas nas respirações. Fechem os olhos, respirem pelo nariz e soltem por ele também três vezes, depois respirem pelo nariz e soltem pela boca uma vez. Assim sucessivamente.

-Amber, agora você põe sua mão sobre a barriga e mantenha-se concentrada na sua respiração e tente canalizar a do bebê.

Tentei fazer o que ela falou, mas demorou até conseguir captar o número de vezes que tinha que respirar.

-Estiquem as pernas e deem tapinhas de leve nas coxas, para ter mais circulação. - Fizemos isso e quando eu olhava para o Bruno, ele segurava seu riso, que menino abusado, mas eu também estava querendo rir, é estranho. - Amber, agora vou pedir que você se abaixe, ficando de cócoras pondo as mãos unidas em frente ao peito. E Bruno, você ficará atrás dela, sentado, mantendo a concentração na respiração e pra caso ela vacile, você a segure. Mantendo aquela mesma respiração, Amber.

Eu estava apreensiva com ele atrás de mim. Queria saber se ele está mesmo concentrado ou se está me olhando. Porque ele estaria me olhando? Pare de ser tão idiota, Amber.

Kitty pediu que eu trocasse de posição. Agora que eu ficasse "de quatro", e Bruno ficasse ao meu lado, concentrado. Essa realmente me pegou. Assim que fechei os olhos para me concentrar, a primeira imagem que vejo é eu nessa posição, só que com o Bruno atrás de mim, me penetrando. Meu Deus, o que está acontecendo comigo? Porque esses pensamentos com ele?

-Essa posição é boa, porque alivia o peso que o útero faz nos órgãos que ficam atrás, e alivia a lombar... - Ela falava enquanto eu ainda estava daquela forma.

-Vamos voltar para a posição inicial. - Assim, eu e Bruno sentamos novamente de pernas cruzadas um ao lado do outro. - Agora vamos iniciar a parte do pai. Bruno, sente-se atrás da Amber, por favor. O contato do pai com a criança é importante. Quanto mais a criança sente presenças positivas em sua volta, mais calma e alegre ela tende à ser. - Bruno se ajeitou atrás de mim encaixando as pernas abertas esticadas na esteira de e.v.a.

A instrutora pediu que eu esticasse os braços pra frente e que Bruno esticasse os dele também. Seu peito encostou no meu, e o arrepio foi imediato. Seu braço esticou e então abrimos os braços, fechando os olhos e respirando da mesma forma. Kitty pediu que Bruno agora tocasse na minha barriga, enquanto eu colocasse minha mão sobre a sua, fazendo movimentos circulares na barriga. Esses movimentos, apesar de serem em minha barriga, estavam me causando uma sensação tão boa, no meu ventre, que estava se contraindo... Espera! Eu estou sentindo tesão apenas com isso?

2 comentários:

  1. Genteeee,como assim ?? :o
    Vai rolar um hot ai,isso msm produção?!

    ResponderExcluir
  2. HOOOOT , esse finn é todo frouxo, HOT C O BRUNO, AHHH gostei de ter postado 2 de uma vez, minha felicidade triplicou dps dessa

    ResponderExcluir