segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Capítulo 36 - sing

Um pequeno jantar foi inventado para mim no dia seguinte da minha vinda do hospital. Estava vestindo minha roupa quando Finn pediu para tirar uma foto. Pegou meu celular e fotografou de lado minha barriga. Fiquei com vergonha, sou tímida para fotos e coisas assim, tanto que sou estranha por não ter um instagram pessoal, e que minha conta do facebook consta apenas com três ou quatro fotos minhas no máximo.

-Essa barriga está tão linda, deliciosamente linda. - Ele beija meu pescoço  e me deixa com vontade de cancelar o jantar e ir para a cama com ele. Fecho meus olhos e tento me concentrar, mas seus beijos encontram minha boca e ele segura meus cabelos com vontade.

-Precisamos. - Consegui falar isso, mas seus beijos estavam incontroláveis.- Ir. - Respirei entre seus beijos e tomei coragem para segurar seus ombros antes que eu mesma decidisse não aparecer pelo jantar. - Precisamos ir pra lá, ainda temos que buscar Violet. - O lembrei.

-Sobre isso, - ele pigarreia. - ela não vai conosco.

-Vai com quem? - Arqueio uma sobrancelha e ele ri.

-Com seu pai!

-Meu pai vai ir? - Sinto meus olhos se encherem de lágrimas e ele deposita um beijo em minha bochecha.

-Ele ama você, Amb, está disposto a fazer de tudo por sua filha.

-O mais engraçado é que ele não era assim antes. - Comento enquanto visto um casaquinho fininho. - Ele sempre foi mais fechado e sem opinião. O que minha mãe escolhia estava bom. Passava o dia na frente da televisão assistindo jogos, ás vezes lendo jornal e fazendo algumas apostas.

-Parece um filme o jeito que o descreveu. - Finn ri e coloca em seus braços uma jaqueta de couro marrom. - Queria poder terminar o que quase começamos. - Ele faz um beicinho lindo.

-Temos tempo para isso, senhor. - Bati continência e ele balança a cabeça, sorrindo.

-Você ficará lá na Belle. - Novamente seu beicinho aparece. - Mas tudo be, é pro seu bem. Tudo pronto?

-Tudo! - Falo empolgada.

Escutamos música no caminho, e ele estava todo empolgado pondo a mão ás vezes sobre a minha barriga para ver se dava a sorte de sentir ele mexer, mas avisei para ele que eu o mal senti, quanto mais ele que está de telespectador. Troquei a estação porque tocava músicas chatas de country e não era o que eu estava precisando. Na outra tocava Bruno, e eu deixei na estação. Finn deu um sorriso sincero.

-Não falei que tudo ficaria bem. - Ele me olha brevemente e volta a encarar o trânsito. - Bruno está sendo um bom amigo para você? Ele parece um cara bem legal.

-Ele é legal, pelo menos está se mostrando ser um por trás daquele idiota que eu conheci. - Respirei fundo e por segundos eu pensei que as coisas estão se ajeitando aos poucos mesmo, nada está tão ruim quanto eu pensei que ficaria. Ainda bem.

Sei que vou ter que abrir mão de muitas coisas. Abrirei mão de montar meu ateliê em pouco tempo, abrirei mão de comprar um carro só para mim, abrirei mão das longas noites de sono somente para acompanhar meu filho nos seus primeiros meses quando se sentir sozinho na noite, abrirei mão da bebida num pub qualquer em alguma reunião de amigos. São tantas coisas que terei que abrir, algumas fúteis e outras com precisão, mas que terão que dar um tempo para que eu consiga criar meu filho com tudo que ele precisará. É assustador no começo sim, a gente acha que não está pronta, que o mundo vai mudar e cair em cima da gente, é louco pensar que há um ser dentro da gente, dependendo da gente para continuar vivo e que vai depender a vida toda, assim como nós dependemos de nossos pais um dia. Mais louco ainda é a gente amar este pequeno ser desde o instante em que descobre que está gravida, mesmo depois do susto, das lágrimas, das dúvidas, dos medos, depois de alguns minutos isso passa e a gente sente um amor imenso sem ao menos saber como esse ser é, sem saber se é ele ou ela, sem nunca ter visto, sem nunca ter sentido, só saber que está ali, que já ama a gente, e o melhor de tudo é nosso. Eu vou dar ao meu filho todo o amor e carinho extra que eu queria ter recebido dos meus pais. Vou fazê-lo ser uma boa pessoa, vou fazê-lo amar sobre todas as razões, vou cria-lo com amor e tentar livra-lo de todos os maus. Agora ele viverá para ele e eu viverei para ele também, boa parte do tempo.

A casa estava arrumada, a mesa estava com talheres, copos, e pratos. A comida estava cheirando bem, Riley estava fazendo-a. Não estava com tanta fome, mas sei que devo comer, pelo menos mostrar para eles que não tem o que se preocuparem comigo e minha alimentação. Violet e meu pai chegam e Finn engata uma conversa com ele, enquanto vou para a cozinha com minhas meninas.

-E então eu acordei, e percebi depois de um tempo que aquilo tinha sido apenas um sonho ruim. - Sorrio depois que explico a elas minha breve fase de um sonho chato. - Foi quando senti um pequeno movimento, quase imperceptível, aqui. - Aponto para a barriga.

-AAAAAAAAAH. - Foi um coral de meninas babonas pelo meu pequeno. Violet abaixasse ao meu lado e coloca a boca perto da minha barriga.

-Você vai mexer para a titia? - Pergunta ela cutucando a barriga de leve.

-Diz que não, príncipe. - Mexo com ela como se estivesse falando com ele e ela me belisca no braço. - Isso doeu! - Fiz cara de dor e ela ri.

-Bem feito. Meu sobrinho irá ser a minha cara e terá minha personalidade só pra você ter que aguentar.

-Já te aguentei, agora com ele vai ser moleza. - Ponho a língua pra ela.

-Engraçadinha.

Engato numa conversa com as três, mas somos interrompida pela ligação em meu celular, atendi e olhei para elas com cara de suspense. Não preciso nem dizer que atingi o ponto fraco de todas: curiosidade.

-Alô? - Pergunta na linha.

-Oi Bruno. - Sorrio para elas quando sigo. Belle rolou os olhos, Riley ri e Violet se assanha na minha frente tentando ouvir nossa conversa.

-Tudo bem, Amber?

-Tudo sim, e com você?

-Estou bem. Como vai meu filhote? - Pergunta com tanta doçura. Realmente ele não se parece nada com aquele Bruno.

-Está bem, aliás, acho que essa noite ele até mexeu. Senti algo, mas foi muito rápido.

-Sério? Oh meu Deus, ele está esperto. Vai sair cantando daí, vai ver. - Rio da sua piadinha e ouço sua respiração mais próxima do telefone. - Posso ir visitar você?

-Oh, não... - Não concluo a frase. Não sabia ao certo se poderia convida-lo para vir até a casa de Belle já que eles não se falam, mas queria poder convida-lo para o jantar, assim seria mais um motivo de nos unirmos, já que teremos que ter proximidade e até um pouco de vínculo amigável. Respiro fundo e ando dois passos pra frente. - Só um minuto. - Digo ao Bruno e tapo o telefone onde a voz passa. - Posso convidar o Bruno para o jantar? - Peço piscando os olhos para Belle que franze a testa.

-Não entendi... - Belle parece confusa.

-Pode! - Responde Rye.

-Não permiti nada. - Belle diz e Rye faz um gesto para que eu diga que sim, então me viro rindo, e destampo o telefone.

-Estou de estádia na casa da Belle por tempo indeterminado. Já falei isso pra você. - Do jeito que comecei o assunto aposto que ele pensou que iria dizer que não. - Mas adoraria vê-lo no jantar que vamos fazer daqui a pouco, aqui na casa dela, e você está convidado a comparecer.

-Quanta honra. - Ambos rimos da palhaçada. - Ela não se incomodará com a minha presença?

-Claro que não. Pode vir tranquilo.

Passei o endereço para ele e disse mais ou menos em quanto tempo a comida ficaria pronta. Desliguei o telefone e me juntei para perto da mesa.

-Eu não tenho nada contra ele, gosto dele inclusive. - Finn explica para Belle. Aposto que estão falando do Bruno.

-Eu não consigo entender vocês.

-A palavra perdão costuma aparecer como turista no vocábulo dela. - Bato em seu ombro e ela me olha fulminantemente. - Ele irá vir.

-Eu vou jantar com meu ídolo. Estou morta! - Vi se abana com a mão nos fazendo rir.

Foi dito para meu pai e minha irmã o jeito que fui tratada pelo Bruno quando descobri que estava grávida. Meu pai se exaltou, disse que isso não foi extremamente uma atitude boa, mas também se colocou do lado dele e pensou como se ele fosse famoso e tivesse dinheiro e alguém aparecesse dizendo que estava grávida dele. Disse que agiria quase da mesma forma, mas menos agressivo com as palavras. Violet falou discursos e discursos. Disse que ele não é assim, só agiu assim por impulso, e blá blá blá, tudo o que eu já estou começando a perceber nesse pouquinho tempo que estamos nos falando melhor.

Minha irmã ligou o som e Bruno chegou trazendo com ele dois vinhos, um sem álcool - para mim e para Violet - e outro do porto. Além de ter levado dois Whiskes caros, um para meu pai e um para o Finn. Belle tentou ser bem simpática e acabou até conseguindo. Antes de sentarmos na mesa, falei para o Bruno meu feedback sobre o dia em casa, já que ele perguntou detalhes. E também me falou que acha que foi seguido por paparazzis enquanto saía do mercado, e quando estava vindo para cá. Meu coração gelou por segundos, mas depois resolvi ignorar um pouco esse detalhe.

Sentamos a mesa e desfrutamos da maravilhosa comida da Riley. Não repeti como as outras pessoas, estava com pouca fome e falei que já tinha comido antes de vir, na hora em que Finn estava no banho. Recolhemos a louça e Bruno nos ajudou, enquanto Violet fazia algumas perguntas pra ele e acabava rindo de algumas coisas que ela falava. Fomos para a sala e ele sentou-se no mesmo sofá que eu. Finn ao meu lado, e ele no outro lado, e Violet empuleirada na guarda, ao lado dele. Contamos histórias de infância, e rimos bastante. Brindamos e tudo mais.

-Eu amo essa música! - Grito quando começa a batida de a thousand miles, que faz parte da trilha sonora de um dos meus filmes favoritos.

-Eu também. - Bruno diz e nós rimos.



Making my way downtown
(Percorrendo meu caminho para o centro da cidade)
Walking fast
(Andando rápido)
Faces passed
(Rostos passaram)
And I'm home bound
(E eu estou perto de casa)

Tive ataques de risos enquanto cantávamos juntos. Ninguém prestava atenção em nós além de Violet que nos olhava sem ao menos piscar. Faço o instrumental com a boca e ele caí na gargalhada.

Staring blankly ahead
(Sem expressão, olho para frente)
Just making my way
(Apenas percorrendo meu caminho)
Making my way
(Percorrendo um caminho)
Through the crowd
(Através da multidão)

Agora ele que fez o instrumental, e é óbvio que me pôs no chinelo. O aplaudi e ele fez sinal de reverência, mesmo sentado.

And I need you
(Eu preciso de você)
And I miss you
(Eu sinto sua falta)
And now I wonder
(Eu sinto sua falta)

Demos um gritinho por estar no refrão e nos olhamos intensificados. Violet se empolga e acaba fazendo o instrumental junto com nós, e após uma breve risada, começamos o refrão atrasados.

If I could fall
(Se eu caísse)
Into the sky
(No céu)
Do you think time
(Você acha que o tempo)
Would pass me by
(Passaria para mim)
'Cause you know I'd walk
(Pois você sabe que eu andaria)
A thousand miles
(Mil milhas)
If I could
(Se eu pudesse)
Just see you
(Apenas ver você)
Tonight
(Essa noite)

Continuamos a música com o acompanhamento da Violet que cantava meio sem saber a letra direitinho e vacilando ás vezes. Falamos sobre o filme e o fato de termos esse ponto em comum. Comentamos muitos nomes de filmes que amávamos e mal sabíamos que tínhamos mais isso em comum, muitos filmes dos quais eu amo, ele também ama.

4 comentários:

  1. Awnt, que fofos ela e Finn, ela e Bruno *_* Até que enfim ele tá se mostrando bacana e tals e sinceramente, agora já to meio que shippando os dois haha muito curiosa aqui, sis! ADOREI <3

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  2. Gente vou tatuar Brubber na testa hauahua eles sao O casal. Mas eu tenho dó do Finn hauaahhah

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  3. QHHHHH FPUTAQUE PWRIUUUUUU FINALMENTEEEEFFDDC

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  4. chorando pq não teve hj

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