-Amber, como está se sentindo?
-Muito bem. - Respondo convicta.
-Tem passado as noites bem? Digo, dormindo direitinho, comendo, e etc?
-Na verdade até demais. Agora sinto mais fome do que antes sentia, multiplicaria até.
-Isso é bom, muito bom. - Ele anota, muito provável sobre o que eu falei agora. - E o bebê, já pôde sentir algum movimento dele essa semana?
-Não. - Balanço a cabeça também.
-Você está entrando na vigésima primeira semana, então isso é absolutamente normal. Tem mães que os sentem à partir da décima oitava semana, raros casos até antes, e tem outras que o sentem mais para o final da gravidez. Então, caso tenha se perguntado sobre isso, não precisa se preocupar. - Na verdade eu parei para pensar sobre isso agora. Tenho tantas outras perguntas borbulhando em minha mente que nem sei como parar para pensar em cada uma e reformula-las para o doutor. - Deite na maca, por favor.
O doutor me examina rapidamente, checando minha respiração, minha garganta e dando até uma rápida olhada em meus dentes. Ele passa a mão sobre a minha barriga, explicando exatamente a posição em que meu filho se encontra. Consigo sentir uma parte mais "dura" em minha barriga, e ele também me explica que é onde ele está mais concentrado, e que é normal alguns dias a minha barriga estar mais dura do que nos outros.
-Amber, eu irei marcar uma ecografia para semana que vem. - Ele anota em um papel de exame diferente. - Até lá, se tudo continuar a mesma coisa, você já poderá sair do hospital. E claro, obtendo o máximo de cuidado possível mocinha, porque sabes que se não cuidar direitinho da sua alimentação e essa anemia não se curar completamente, a gravidez pode se tornar de risco. E isso é o que não queremos.
-Entendo doutor. Eu juro por tudo que é mais sagrado que eu irei me cuidar. - Sorrio pra ele. Eu irei me cuidar muito mais. Com certeza.
Bruno Pov's
As coisas estão mudando aos poucos. Está cada vez mais difícil esconder da mídia que eu vou ter um filho, mas isso não é nem o que me importa. Para quem, há duas ou três semanas atrás, não queria nem ver a cara dela, agora está como idiota contemplando a beleza da qual meu filho pode herdar. Passei uma noite praticamente em claro pensando em quais características ele irá pegar de mim, pegar dela, ou uma mistura de nós dois. Estava pensando que ele poderia ter os traços labiais da minha mãe. Ela era toda linda, mas especialmente sua boca, ela era encantadora.
Amber é uma pessoa legal, eu é quem foi o monstro na história. A ideia de ser pai ainda está sendo digerida por mim, ainda está em processo de digestão, então não posso tirar nenhuma conclusão, mas a cada dia percebo que dentre muitas pessoas que poderiam ser a mãe do meu filho, ela pode ter sido a melhor escolha sem escolha. Não tive opção de dizer que a queria como mãe dos meus filhos, mas pelo que eu conheci-a, tenho certeza que não irei me decepcionar.
Levantei da cama e entrei no closet atrás de uma roupa. Tomei uma ducha rapidamente e liguei para o Dre combinando o horário, e ele disse que estava tudo certo. Coloquei a jaqueta sobre meu corpo e enfiei um boné em minha cabeça para não ser tão mais identificado do que já sou, já que dessa vez é dia e eu não posso vacilar.
++++
-Eu estou nervosa sim. - Ela arregala seus olhos castanhos esverdeados pra mim quando o médico saiu da sala.
-Não vai adiantar em nada, nós já vamos vê-lo. - Rio da cara dela de pavor, enquanto passa a mão na barriga, parecia procurar algo. - O que houve?
-Estou desde semana passada... desde que o médico falou... esperando que ele se mexa, mas ele não mexeu ainda. - Seu suspiro sai pesado, vejo que ela ta realmente preocupada com isso.
-Deve variar de mulher para mulher o tempo que os bebês se mexem. - Não sabia se era isso, não faço ideia, mas arrisquei algo somente para tentar acalma-la.
-Sim, o médico falou isso, mas ai eu me dei de conta que não estou pensando em tantas coisas. - Amber suspira mais uma vez e espalma a mão na barriga. - Tem horas que eu acho que serei uma péssima mãe.
-Não existem péssimas mães. - Balanço a cabeça. - Você apenas é uma mãe de primeira viagem, isso é normal.
-Por ser mãe de primeira viagem e não ter o auxilio de uma mãe para me apoiar, tenho medo do que possa acontecer, do que eu possa fazer... - Não tinha o que falar para ela, fui desarmado. Ela praticamente não tem uma mãe como eu também não tenho, porque sinceramente, não conto a mulher que a colocou no mundo como mãe, ela é apenas a mulher-que-a-colocou-no-mundo.
-Tudo vai ficar bem. - Encosto no seu braço e ela sorri pra mim, e eu igualmente pra ela.
O médico prepara tudo para que possamos começar com o exame. Fico em pé ao lado dela enquanto um gel é posto em sua barriga, e pela fisgada que ela deu, isso não é nada agradável. Uns borrões apareceram na tela, de inicio eu não consegui entender nada, muito menos a Amber que exprimia os olhos tentando adivinhar o que era o que. Doutor dizia cada pedaço do que era e escrevia algumas coisas quando congelava a imagem, e então, finalmente, quando ele falou para nós que poderíamos admirar a imagem do meu filho, a imagem focou-se no exato bebê.
Não existe homem que não chore, não existe machismo, não existe barreiras, não existe absolutamente nada quando se trata desse momento. Meu filho é lindo, mesmo sem poder ver muita coisa, mas só de saber que ele está ali. Um outro aparelho foi conectado e ele aumentou um pouco o som, agora ouvimos seu coração rápido e bem acelerado, como se estivesse correndo. Por impulso, segurei na mão de Amber, que fechou seus dedos, encaixando perfeitamente nossas mãos, e ficamos ali, ambos emocionados. Não vejo a hora de poder dizer para todos que eu vou ter um filho, que eu vou ser pai.
Assim que ouvimos muitas coisas do médico, somos direcionados ao quarto dela para juntar suas coisas. Abri a porta para ela e indaguei:
-Eu levo você pra casa. - Eu estava sorrindo até ver Finn, que alegre, abriu um sorriso para ela e acenou para mim. - E ai, Finn. - Disse sem jeito.
Não sei o que deu ali, mas aquele momento era para ser entre eu e ela, e nosso filho. Ninguém mais. Fiquei realmente incomodado com isso, e mais incomodado fiquei quando vi que ela o abraçou com vontade de beijou seus lábios. Procurei fazer outra coisa e demonstrei que estava incomodado com isso.
-Vou levar vocês pra casa. - Ouço ele dizer.
-Eu iria com o Bruno, mas não posso recusar um convite seu. - Virei de costas para pegar minha mochila sobre a mesinha e imitei uma cara feia para reproduzir (sem som) o que ela falou.
-O que deu no exame? - Pergunta ele.
-Ele está ótimo. É um garoto tão lindo. Não dá para ver muita coisa, é preto e branco e ainda nenhum traço definitivo, mas é emocionante.
-Ele vai ser parecido com a mãe, tenho certeza disso. Nosso garoto vai ser o máximo.
Nosso garoto? Sério, panaca ? Nosso? De "seu" esse garoto não tem nada. Somente será seu amigo, porque ele é meu filho, ele é meu sangue, e quero tanto que ele seja mais parecido comigo possível só para dar um gostinho a ele. Dou tchau para eles e saio sem muita alegria do quarto e novamente faço questão que eles vissem isso. Gosto de ser notado quando não estou bem, não que eu goste que sintam pena de mim, mas gosto que as pessoas saibam que eu não estou legal, não no meu melhor dia nem melhor momento.
Amber Pov's
Finn fica todo atencioso ao meu lado quando chegamos em casa. Arrumou a cama deixando-a bem acolchoada com edredons e travesseiros, fez questão de me ajudar a tomar banho e por um pijama de soft para ficar mais aconchegada do que já estava. Assim que sentei na cama, com as costas escoradas na cabeceira, ele trouxe café em uma bandeja, com bolinhos e algumas bolachas de água e sal. Não tive tanta fome, acho que pelo fato de ter comido algo quando saí do hospital, mas quando ele insistiu muito, eu pus um pedaço do bolo de chocolate em minha boca. Depois que me lembrei que a comida fora do hospital era maravilhosa, não pude deixar uma migalha sequer na bandeja, e ainda recebi aplausos do Finn por ter comido tudo.
-Que tal um filme? - Pergunta ele.
-Hm, ótima ideia. - Digo divertidamente enquanto ele me dá um beijinho de leve na boca e levanta em busca de um filme.
Demoramos para escolher e ainda quase discutimos. O problema foi eu e meu humor, queria assistir comédia romântica, mas não queria nem rir e nem chorar muito. Queria assistir terror, mas lembrei das mortes e dos sangues e minha barriga embrulhou, pensei que vomitaria e Finn prontamente trouxe um balde com um pouquinho de água para caso eu vomitasse, o que de fato não aconteceu.
Colocamos somente uma comédia boba. Sabia que no meio do filme Finn iria dormir, e eu, bom, fiquei olhando pro filme não achando graça e lembrando dos detalhes do meu exame de hoje. Como minha criança é perfeita. Graças à Deus ela é inteira e com saúde. Automaticamente a imagem de Bruno aparece na minha mente, ele pareceu irritado quando saiu do quarto do hospital, nem tchau nos deu direito, mas não o julgo.
Passo a mão pela barriga e cuidadosamente canto uma canção de ninar, bem baixinho.
++++
Levanto rapidamente e vou ao banheiro com muita dor e literalmente fazendo minhas necessidades nas calças. Algo dizia que aquele não era meu dia. Olho minha urina quando levanto do vaso e observo a quantidade de sangue vivo que ali saiu. Acordo Finn rapidamente para me ajudar. Me sinto fraca quando descemos as escadas da casa dele. O espero em frente a porta e ele pega minha bolsa e sua bolsa de tira-colo. Saímos desesperados para o hospital enquanto minhas dores iam se intensificando cada vez mais. Passava a mão na minha barriga tentando acalmar tudo, mas meu filho parecia que não queria facilitar para o meu lado, e então ficava cada vez mais alvoroçado.
Levanto do banco do passageiro e Finn grita para enfermeiras me ajudarem, e chegam duas com uma cadeira de rodas, elas perguntam como eu estou me sentindo, mas eu só sei gritar de dor. Minha visão cada vez se embaça mais, minhas pernas pareciam mais tremulas do que antes, e bem perto do meu ventre há mais sangue.
Um médico ancião pede que me coloquem o termômetro, enquanto uma enfermeira ia tirando minha pressão. A dor pareceu aumentar mais quando uma agulha foi espetada em meu braço e eu grito pela última vez.
Acordo tentado não fazer barulho porque estou no hospital. Olho atordoada para os lados, mas lembro que estou no quarto do Finn. O procuro ao meu lado, mas ele não está por ali. Tiro o edredom que me cobre e verifico que não há nada, nem sangue, nem dor... Nada! Mas minha barriga se contorce brevemente.
E eu sinto que não é de fome. Repouso minha mão sobre onde eu constei a mexida e novamente, bem discretamente, sinto um leve empurrãozinho de dentro para fora. É meu filho me avisando que ele está ali, está comigo. Foi apenas um sonho ruim.

Gostei desse cap!. Bruno tá começando a se tocar das coisas, acho digno u.u Finn é um fofo, sério. Continua sis <3
ResponderExcluirJesus isso foi muito fofo. Socorrooooo drizoca. Continua por favooor
ResponderExcluirtomare que o finn morra, Bjs DRI
ResponderExcluirchorando que vai ter só segunda
ResponderExcluirVocê deu um susto no final que olha dri e eU NÃO AGUENTO MAIS O FINN mas entendo que o bruno vai parar de ser retardado e aceitar 100%
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