segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Capítulo 34 - What my idol is doing in your bathroom?

A aflição de não poder fazer nada sem ter que depender de algumas pessoas. Pela tarde, quando o médico esteve aqui, ele me falou que se tudo continuasse do jeito que está, antes mesmo que eu imagine, já estarei em casa. Recebi a visita do Finn, antes de anoitecer, e as meninas ligaram.

-Hey. - Ouço duas batidinhas, e olho em direção da porta.

-Oi? - Fico surpresa em ver o Bruno por ali, afinal, ele já veio hoje pela manhã.

-Tudo bem? - Ele pergunta enquanto eu observo sua mochila nas costas.

-Na medida do possível. E você, está bem? - Pergunto de volta e ele sorri se aproximando mais da cama.

-Eu estou bem, completamente bem.

-Desculpa, não pude deixar de notar e nem de falar, mas você vai sair? Viajar? Porque já veio mais cedo aqui. - Comento e ele senta na poltrona colocando a mochila em seu colo.

-Posso ser preso por isso, mas trouxe uns doces pra você, minha irmã disse que talvez você irá gostar, e uma roupa mais confortável que essa que estou. Pedi que Rye ficasse em casa hoje.

-Rye? - Acho engraçado ele trata-la com intimidade.

-É, estamos nos dando muito bem. Você tem muitas pessoas boas ao seu lado.

-Eu sei, eu os amo muito. - Fiz uma careta quando, sem querer, mexi o braço demais e senti uma fisgada nas costas. - Você irá dormir aqui, comigo? - Pergunto retornando o assunto.

-Se não se importar. - Ele me entrega uma caixa com vários docinhos, incluindo cupcakes. A irmã dele tem razão, eu amarei isso.

-Claro que não. - Sorri.

Desde a primeira vez que suas irmãs estiveram aqui, já passaram mais uma semana. O tempo, em horas, parece nem passar, mas quando me dou de conta, os dias voaram. Mas eu não tenho coisas boas que acontecem comigo aqui, apenas visitas, conversas, visitas, dormir, remédios, comida, e visitas. Minha barriga de 19 semanas já aparece bastante, agora dá para sentir toda a saliência direitinho, e eu estou tão ansiosa para poder sentir meu bebê mexer.

Bruno e eu temos conversado bastante. Ele não está parecendo o monstro que eu tive a impressão que ele fosse. Todos os dias ele me tratou bem, e parece estar muito interessado no seu filho.

-Ia esquecendo, Pres mandou isso! Ela usou para nomes de cachorros. - Ele olha feio para um livro e troca ele de mão. - Só espero que o nome do bebê não seja nenhum nome que já esteja batizado em um cão. Vai saber quantas pessoas batizaram os cachorros assim, ou o problema é com a minha irmã. - Pego o livro da mão do Bruno e rio, passando os olhos rapidamente por ele.

-Creio que o problema seja com a sua irmã, também! - Eu o faço rir. Bruno ajeita a calça de abrigo que pôs e sentou-se novamente na poltrona. - Amy? Amy não é nome de menina? - Comento quando olho no livro, na sessão da letra "a".

-Realmente, feminino demais. Mas tem, como por exemplo, Taylor, que serve para ambos os sexos.

-Mas eu já vi meninos e meninas chamadas Taylor, agora, Amy eu só vi meninas. - Arqueio minha sobrancelha e ele deixa os lábios numa linha reta, concordando comigo.

-Pensei que pudesse ser Elliot. – Ele se recosta mais na poltrona, de forma folgada.

-Eca, não! – Fiz cara de repulsa. – Parece nome de velho fofoqueiro.

-Se fosse menina, poderia ser Livy . – Sorrio afortunada, pensando que mesmo ele sendo esse babaca, idiota, e ter feito tudo o que fez, nós temos pensamentos bem parecidos.

-Eu gosto desse nome, de verdade. Se fosse menina acho que não teríamos tanto problemas. – Dou de ombros e ele ri.

-É garotão, dá tempo de mudar de sexo? – Bruno fala como se falasse com nosso filho.

-Está induzindo meu filho a ser gay? – Arqueio levemente a sobrancelha e ele ri, entrelaçando suas mãos, as colocando atrás da sua cabeça.

-Ele vai ser o que ele quiser e achar melhor pra ele. Sem preconceitos. – Gostei de ver que mesmo ele sendo de um jeito rude, ele não teria preconceitos caso nosso filho venha ser homossexual. – Mas é bom que seja um menino, assim vou poder ensinar muitas coisas pra ele.

Me aticei para falar sobre o seu jeito, e o que eu não queria que ele ensinasse ao meu filho. Bruno está se mostrando muito legal agora, ele parece ter pensamentos parecidos com os meus em diversas situações, mas isso não muda o fato dele ter dito que eu estava querendo o seu dinheiro, me aproveitando de sua fama, e ter falado daquela forma como se fosse qualquer uma – bem, pensando por um lado, eu até poderia ser, já que ele não me conhecia e não sabia nada sobre mim, mas ele não tinha o direito de ter me tratado daquela forma, e isso é uma coisa que vou levar um tempo pra esquecer. Ia falar quando o barulho da porta preencheu o quarto e tomou a atenção minha e do Bruno.

-Hã? – Violet pergunta estática, com um pequeno embrulho em mãos.


Não tínhamos reação, tanto eu quanto o Bruno estávamos pasmos, não estávamos esperando por isso. Violet parecia assustada, com medo, com receio, e praticamente havia um ponto de interrogação no seu olhar, já o Bruno havia tirado aquela postura relaxada do corpo, e trocado por uma tensa e com medo. Eu apertei meu livro, e o coloquei sobre a caixa de doces fechada.

-Alguém me explica o que está acontecendo, o que eu perdi, porque realmente eu estou assustada, com medo. Ou melhor, eu estou apavorada. – Ela dá um passo vacilante para frente, mas parando novamente.

-Eu... – Bruno intercalou olhares entre eu e ela e levantou-se da poltrona. – Com licença.

Encarei isso como um “ela é sua irmã, faça isso você”. Bruno entrou no banheiro rapidamente, e juro que se eu pudesse faria isso também, ou sairia correndo pelos corredores fugindo dela somente por não ter que passar por isso. Saberia que um dia eu teria que falar pra ela, mas não dessa forma.

-Eu posso passar o dia esperando as respostas. – Ouvi uma autoridade adulta em sua voz. Medo! Ela andou até os pés da minha cama e parou por ali. Por impulso, recolhi minhas pernas de imediato e ela me encarou com curiosidade.

-O que está acontecendo? – Torna a repetir a pergunta.

-Violet, há tanta coisa que você precisa saber... – Tento iniciar a conversa de um jeito mais pacífico, mas ela me interrompe.

-Estou percebendo. – Ela olha pro banheiro. – O que meu ídolo está fazendo no banheiro do seu quarto do hospital?

-Vi... lembra quando eu estava mais distante? Quando odiava ouvir alguma música dele? – Apontei para o banheiro. – Tinha um motivo óbvio pra isso.

-O motivo era, ou é...? – Esperou por algo mais completo da minha fala, mas minha voz parecia não querer sair quando eu ameaçava falar. Eu não estava com coragem suficiente para encarar minha irmã e dizer que o bebê que eu espero, é filho do seu ídolo.

-A sua irmã estava passando por um momento, digamos... complicado. – Não havia palavra que se encaixasse, e eu também não poderia dizer “eu estava necessitada de sexo, e fiquei com ele na primeira oportunidade”. – E eu acabei encontrando o Bruno...


-E o que faz você pensar que eu não poderia saber disso?

-Porque não era nada demais. – Minha voz sai um pouco mais exaltada.

-E então o porque ele está? Viraram amigos? – Debochada ela pergunta.

-Porque ele é pai do meu filho! – Não tinha explicação para as palavras que soltaram da minha boca. Ao mesmo tempo que um peso saiu das minhas costas, por estar escondendo isso, outro pegou o lugar do anterior quando eu vi sua expressão indecifrável. Eu não sabia dizer se ela estava feliz com isso, confusa, triste, ou se ela pensou que fosse algum tipo de pegadinha. Ou ela pode estar pensando em tudo isso com um misto de sentimentos confusos. Eu não a julgo.

O silêncio prevaleceu até que Bruno sai do banheiro, passando a mão no cabelo, meio sem saber o que fazer e o que dizer. Ele pergunta, apenas movendo os lábios, se deveria sair dali, balancei a cabeça negativamente. Uma hora ou outra isso iria acontecer, então que aconteça de uma vez.

-Você é meu ídolo... eu amo você. – Ela levanta a sua cabeça, seus olhos estão transbordando lágrimas, que silenciosas, correm pelo seu rosto, fazendo a curva da lateral do nariz e parando no canto da boca.

-Ai meu Deus, não chore. – Bruno ficou com um pé pra frente e outro no mesmo lugar de antes, pelo visto ele não sabe lidar com choros.

-Desculpa, Violet, desculpa. Eu não sabia que iria ser assim, eu juro que iria contar quando eu estivesse pronta, mas eu estou confusa. É tanta coisa acontecendo na minha vida que eu sinto que no momento que eu chorar, eu não vou mais conseguir parar. Tudo mudou de um dia pro outro. – Desvio o olhar para o lado, tentando não permitir que as lágrimas teimosas caíssem.

-Eu estou feliz. – Ela sorri. – Feliz porque ele é o pai do meu sobrinho. Porque eu vou ter um sobrinho. E porque você é a mãe desse bebê.

Olhei para o Bruno, que me olhou também. Ambos estávamos confusos. Eu esperei outra reação, mas a cada dia mais essa família me surpreende com reações diferentes das que eu pensava que eles teriam. Violet corre para o meu lado e dá um beijo em minha bochecha, me abraçando como pode. Eu pensei também que se ela fosse fazer algo desse tipo naquele quarto, e naquela hora, seria abraçar o Bruno, mas ela veio primeiramente a mim. Tenho ela como minha filha, como uma boneca que eu pude criar do jeito que queria. Talvez Deus tenha colocado um menino em minha vida porque eu já tive a possibilidade de cuidar de uma menina, uma menina que só me dá orgulho, e que eu me arrependo a cada briga que temos. Que eu faria qualquer coisa para não ver chorar e nem sofrer.

Assim que ela me abraça, ela abraça ele. Foi lindo o carinho que eu vi ele passar pra ela, e vice versa. Passei a mão por de baixo dos meus olhos para secar qualquer vestígio de lágrima e fiquei sorrindo ao ver a cena. Tudo que ela mais queria era poder conviver com ele, e ter uma família com ele – claro, não eu sendo a mãe do filho dele, e sim ela, mas como isso não será possível.

-Violet, eu tenho que te pedir algo. – Ele passa a mão na lateral do seu cabelo e ela assente positivamente. – Por favor, não comente nada com ninguém. Ninguém que não saiba. Na hora certa eu irei comunicar, mas por favor, não espalhe isso.

-Só se você autografar muitas coisas minhas, além de tirar uma foto comigo pra eu poder colocar de perfil das minhas redes sociais. A que tiramos no show está ficando um pouco velha já. – Ela da de ombros. Chantagista. Tive que rir.

-Violet, para! – Falei entre risadas e Bruno assente, para minha surpresa, ele ri também.

-Deixa eu aproveitar. – Ela gargalha ao meio do choro de felicidade.

Violet saiu do quarto, com muita custa, para meu pai entrar rapidinho. Acabei falando pra ele, o que no inicio foi chocante, e ele me olhou com aquela cara de "conversamos depois, mocinha". Me senti uma adolescente rebelde. As visitas encerraram, e ficamos somente eu e Bruno novamente. Conversamos um pouco e ele caiu no sono. Levantei para ir ao banheiro, e lentamente pus uma coberta sobre ele para que não passasse frio. Fecho a cortina da janela e deixo somente ligada a luz do abajur, e vou ao banheiro. Quando volto, uso o livro de nomes como um passatempo. Vi muitos nomes e muitos significados, e então acabei dormindo.

Pela manhã não tinha ninguém no quarto, sou acordada com o auxiliar trazendo meu café. Sento-me para comer e aproveito para olhar que em cima do meu celular havia um bilhete.

"Obrigada por me tapar a noite, e desculpa sair assim, tenho que estar no estúdio em poucos minutos. Volto assim que puder. Beijos"

4 comentários:

  1. Um bilhetinho escrito beijos , sinceramente eu já posso morrer shdkdksndkd, quero bjinho deles, e o finn? Posta logo pra eu saber hauehauehau

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  2. " Só se você autografar muitas coisas minhas, além de tirar uma foto comigo pra eu poder colocar de perfil das minhas redes sociais. " Nada mais justo. QUARTAAAAAAA VEM COM TUDO PLEASE

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  3. Violet me define cara kkkkk Sem falar que o Bruno esta se tornando o ser apaixonante q era pra ser. Amei demais Driiiii

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