quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Capítulo 31 - I hate hospitals

Fomos dispensados pelo médico e eu falei com a recepcionista para ajeitar todas as coisas que Amber iria precisar, além do pagamento antecipado do quarto.

-O que aconteceu lá? Porque tanta demora? - Pergunta Annabelle, parecendo mais apreensiva que antes.

-Bom, o médico disse... - Começo a falar, mas sou interrompido por Annabelle.

-Em Rye? - Ela me cortou? Foi isso? Essa mulher é abusada. Fecho os olhos e respiro bem fundo, enquanto Riley diz algo.

-Bruno sabe explicar melhor que eu. - Ela passou a bola para mim, Annabelle me olha com a expressão mais "zzz" de todas, mas ainda transpirando preocupação.

-O bebê está bem! Ela, bom, ela eles ainda verão. Amber não andava cooperando muito consigo mesma, não manteve uma alimentação adequada para grávida, e bem, aconteceu o que aconteceu. O médico disse que ela está com anemia, mas terão que fazer mais exames. E agora a principal notícia. - Bato a palma da mão, deixando meus lábios retos e rentes. - Amber ficará internada.

-Eu odeio hospitais. - Belle revira os olhos e senta-se novamente.

-Onde acerta o pagamento do quarto? Não irei deixar ela ficar nesses quartos coletivos. - Finn torce os lábios, parecendo não muito contente com tudo isso, mas afinal, quem está?

-Eu já acertei tudo cara. - Toco no seu ombro e ele sorri.

-Quanto foi? Eu irei reembolsa-lo.

-Não, não estamos falando disso. Eu paguei porque se trata da mãe do meu filho, e meu filho!

Não teria a obrigação de pagar nada, absolutamente nada. Mas sempre penso no meu filho... É um garoto, eu mal tive tempo de comemorar isso. Riley me puxa para irmos tomar café, afinal, é a nossa vez. Por estar noite, há poucas pessoas circulando pela área particular do hospital. A maioria é enfermeiras, e enfermeiras acompanhando pacientes.

Descemos um lance de escada e Riley pediu as coisas. Achei uma cadeira bem no canto, uma mesa mais afastada que as outras, e foi ali que me instalei para espera-la com o café.

-O seu. - Ela me entrega e eu agradeço. - Estou preocupada com a Amber.

-Eu estou também. - Com meu filho, mas seria egoísmo dizer isso à ela, que é amiga de Amber e ainda está me tratando bem, comparada a outra amiga dela. - Ela vai ficar bem, não se preocupe, farei de tudo para que tudo fique bem.

-O que mais dói é que ela teimava em não comer, dizia que não sentia fome, e eu sabia que isso não faria bem à ela... - Seus olhos se enchem de lágrimas. Não chore, pelo amor de Deus, que ela não chore. Não sei o que fazer se ela chorar.

Ela não chorou, e a conversa seguiu. Deu pra ver, pelo que conversamos, que Amber é uma menina simples, gosta de coisas simples e um sorriso basta pra ela se alegrar. Pensa positivo sempre, mas procurar manter sempre os pés no chão. É tímida - como eu já tinha percebido - e intensa. Descobri tanto sobre ela em minutos de conversa, que se passa pela minha cabeça, que meu filho não será mal criado, ele terá um bom exemplo de mãe.

Subimos e caminhamos os corredores até chegar na ala que estávamos. Riley me empurra rapidamente para trás quando iríamos dobrar o corredor.

-Hey. - Esquivo-me dela.

-Desculpa. - Ela respira fundo. - Não podemos ir para lá agora.

-Porque não? - Franzo minha testa e ela da um sorriso sem graça.

-Lembra que a irmã dela é sua fã?

-Sim.

-Ela está lá. Ela não sabe que você é o pai da criança. Não seria meio suspeito aparecer o ídolo dela, do nada, no hospital, para falar com a irmã dela?

Entendo o lado que Riley quis explicar, e mais uma vez vejo que Amber parece ter um bom coração. Se fosse outra pessoa, provavelmente minha cara estaria estampada em jornais e revistas, dizendo que eu sou um pai que não quer assumir a criança e na porta da minha casa, além de paparazzis, teriam intimações da justiça americana. E sobre ela não ter dito para a família, e ter dito para o mínimo de pessoas possíveis, foi bom. Foi ótimo, na verdade, ela tentou me poupar mesmo eu sendo um idiota.

-Hey, Riley. - Chamo atenção dela. - Você pode ver se ela ficará aqui por muito tempo? - Pergunto. Ela olha discretamente para o corredor e retorna para minha frente.

-Vou lá conferir. De qualquer forma acho que está noite ninguém poderá ficar por aqui.

-Eu sei, mas quero ficar até o médico nos chamar novamente e dizer que ela já está no quarto e já está tudo sob controle.

Riley sorri sinceramente e anda em direção de onde todos estão. Encosto-me na parede e olho para o teto. Talvez há dois dias atrás eu teria pensado que essa seria uma ótima saída para não ser mais pai, para não ter que assumir essa criança. Mas agora, parece diferente. Eu vejo a preocupação no rosto deles, não só pelo bebê, mas pela Amber. Eu consegui sentir a emoção pela quais eles estavam se referindo, sobre ela realmente ser uma pessoa que não merece estar passando por tudo isso. Eu me sinto culpado, mas não quero me sentir assim, não quero ter culpa de algo.

Pego meu celular que estava tocando e atendo o número do meu irmão.

-Você morreu? É uma espécie de fantasma?

-Ha ha. - Forço a risada e ele ri livremente.

-Está tudo bem?

-Mais ou menos. - Suspiro profundamente. - Amber está no hospital.

-Quem é Amber?

-Amber, a mãe do meu filho.

-Ah, entendi...mas porque? Aconteceu algo com minha sobrinha?

-Sobrinho! - Dou ênfase no "o" para ele perceber que é um menino. - Ele está bem, mas parece que ela não estava se alimentando direito, e toda a energia e proteínas do corpo foram concentradas para alimentar e sustentar o meu filho, enquanto ela ia enfraquecendo mais e mais.

-Eu espero que ela saia dessa. Precisa de ajuda?

-Não, está tudo bem.

-Qualquer coisa me liga!

-Ligarei.

++++

Já passava das três da manhã. Finn havia levado Belle para casa porque ela não estava nada bem para continuar por ali, e ainda amanhã teria que trabalhar. Só estávamos eu e Riley. Ela mexia no celular, enquanto eu olhava a televisão que há na sala de espera reservada. Isso, Amber já está no quarto, mas eles estão arrumando os aparelhos e fica complicado de entrar por enquanto. Tem um filme de ação passando, e a cada intervalo de tiros ou barulhos altos, eu dou uma cochilada.

-Pode dormir, eu prometo que não irei assalta-lo, e que chamarei você quando o médico vir. - Baixa, a voz dela soa melódica para mim, como canção de ninar.

-Okay. - Aceito sua gentileza.

Viro a cabeça para o lado e quando meus cílios se tocam, meus olhos dão a sensação de que tão cedo não irão abrir.

-Amber Lucy, é isto? - Ouço a voz de alguém, mas não dou bola, até um braço me balançar levemente.

-Bruno, vamos! - Vejo o rosto de uma mulher na minha frente, demoro a assimilar de quem era, só então lembro o porque ela estava me acordando.

-O que houve? Quanto tempo dormi?

-Uns cinco minutos. - Cinco minutos? Pareceu anos. - O médico nos chamou.

Entramos no quarto, silenciosamente. Há barulhos de máquinas respiratórias, e de batimentos. Não vimos ela, por um pano que está tapando suas laterais.  O médico então mostra-nos o prontuário dela, então soubemos realmente do que se tratava: anemia. O caso dela é complicado porque ela negasse a comer, e ela já está fraca demais, então tem que alimentar ela e o bebê, e indo para casa, não seria possível.

Entendemos cada explicação que ele deu. Riley perguntou sobre os acompanhantes, e ele disse que há uma poltrona do lado da cama dela, mais uma cadeira normal para visitas, a televisão. Disse que o acompanhante pode trazer coisas para cá também, como notebooks e etc, porque o caso dela não há nada que interfira no tratamento. Deu algumas recomendações e passou o horário de visitas.



Assim que ele abriu a cortina, eu vi minha mãe. Eu vi minha mãe ali, deitada, com muitos aparelhos ligados a ela, aparelhos que a ajudavam continuar viva, mas eu pensava que poderiam somente estar adiando um pouquinho a sua partida e aumentando mais o sofrimento. A cada segundo que eu passei naquele hospital, foi terrível. Não quero ter que passar por isso novamente. Olho de canto para Riley, que está chorando.

-Não se aterrorize. - Afago seus cabelos. - Só são máquinas, ela está ali, e viva, isso que importa. Não pense no pior. - Repito a ela muita coisa que ouvi enquanto minha mãe estava na UTI.

-Isso é uma das coisas mais doloridas que eu já vi. Já estive internada, mas eu não imaginei que as pessoas que estavam do lado de fora se sentissem assim. E ainda por cima impotentes por saberem que nada do que for feito por nós adiantará, somente orações.

Por segundos pensei em perguntar porque que ela havia sido internada, mas eu a conheci hoje, acho que seria muita "intimidade" para um dia só. Chegamos mais próximos da cama e ali a intensidade de tudo estava mais forte, realmente, ela parecia estar pior do que o médico havia nos dito. O barulho da máquina havia me acordado, e no silêncio daquele quarto, até as gotas do soro pareciam pedras atiradas no vidro.

3 comentários:

  1. Ó esse Bruno sendo boa pessoa, se preocupando e tomando vergonha na cara... Acho mto bom! u.u Só não curti pq parece que ele tá se engraçando pro lado da amiga da Amber ae... EITA!

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  2. O Bruno tá perfeito assim cara, eu preciso e necessito que o ele continue assim mano, quero mais, posta logo pfvr, e Dri, dps que o baby nascer ainda vai ter mt história né?( DIGA SIM DIGA SIM DIGA SIM DIGA SIM) hehehe BJS

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  3. Meu Deus que perfeiçao cara. (Nao o fato de ela estar no hospital, maa o fato do Bruno estar tomando juizo e percebendo que ele nao é esse ser que ele finge ser)

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